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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

Leilão de esposas foi solução para infelicidade conjugal no século 19

Universa

11/07/2019 04h00

Um dos primeiros levantamentos quantitativos sobre a felicidade conjugal foi feito por Gross Hofffinger, na Alemanha, em 1847. Dos cem casamentos pesquisados, descobriram 48 casais infelizes; 36 indiferentes um ao outro, mas conseguindo viver juntos; 15 felizes e um muito feliz. A responsabilidade foi colocada nos homens na proporção de 5 para 1.

William Alcott, num livro intitulado "A esposa jovem", de 1833, escreveu que  havia "uma opinião generalizada" segundo a qual "o amor do marido e da esposa deveria estar em declínio necessariamente após o casamento". Casais deixaram cartas deplorando "a infelicidade quase universal das pessoas casadas".

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As noivas estavam assustadas pelos "grandes e desconhecidos deveres para os quais me sinto incompetente", não apenas os deveres domésticos, mas a necessidade de transformar os maridos em homens "virtuosos e felizes". "É terrível eu me amarrar assim para a vida inteira", diziam.

O historiador inglês Theodore Zeldin assinala que no século 19 as mulheres começaram a agir para modificar a relação com os homens. Uma de suas fórmulas consistiu em dizer-lhes exatamente o que sentiam e pensavam. A isso chamaram "franqueza".  A tradição mantinha os sexos separados em dois mundos distintos, o físico e o mental. "A sociedade não permite uma amizade sincera entre homens e mulheres", anotou uma noiva em 1860, "mas eu não serei hipócrita."

Em alguns casos eram adotadas medidas drásticas para aliviar a infelicidade conjugal. Existia na Inglaterra uma noção que se pondo a esposa em leilão, com a permissão dela, os laços conjugais podia ser legalmente rompidos. Em 1832, o agricultor Joseph Thomson pôs a esposa de 22 anos no leilão por 50 xelins. O preço não correspondia ao valor real, de modo que se livrou dela por 20 xelins e um cachorro.

Na primeira metade do século 20, uma mulher se considerava feliz se seu marido não deixasse faltar nada em casa e fizesse todos se sentirem protegidos. Para o homem, a boa esposa seria aquela que cuidasse bem da casa e dos filhos e, mais que tudo, mantivesse sua sexualidade contida. As mudanças começaram a ocorrer mais claramente após 1940, com o incentivo dos filmes de Hollywood.

O casamento por amor passou a ser sinônimo de felicidade e, por conseguinte, uma meta a ser alcançada por todos. As expectativas passaram a ser realização afetiva e prazer sexual. Se as pessoas se frustram em alguma dessas expectativas, ocorre a separação. Elas só começaram a se separar depois que o amor entrou no casamento. E é por isso é que há tanta separação.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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