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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

Nos anos 60, revolução sexual nos ajudou a evitar distúrbios emocionais

Universa

04/07/2019 04h00

Para os jovens dos anos 1960, a geração que ficou conhecida por seu interesse em sexo, drogas e rock and roll, e cujo slogan favorito era make love, not war, o sexo vinha indiscutivelmente em primeiro lugar. A busca era por uma gratificação sexual plena.

O filósofo francês Pascal Bruckner diz: "Apesar de as canções continuarem a falar de amor, a música popular da época – rock and roll e o pop – emitia gritos de apetite sexual selvagem (I can't get no satisfation, I want you!) Tratava-se exclusivamente de satisfazer os próprios apetites. A inibição e a frustração eram apontadas com o dedo como doenças a serem erradicadas; o sentimento amoroso, com sua extraordinária complexidade e suas fantasias seculares – o sentimento de posse, o ciúme, o segredo – , foi posto no índex."

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A liberdade sexual foi o traço de comportamento que melhor caracterizou o Flower Power. Durante 20 anos, dos anos 60 aos 80, houve mais celebração do sexo do que em qualquer outro período da História; já havia a pílula anticoncepcional e a Aids ainda não havia mostrado sua cara.

O principal objetivo da Revolução Sexual é a eliminação, ou pelo menos a diminuição, da repressão. A aspiração, em suma, é por uma maior liberdade sexual. Essa aspiração sempre foi experimentada como uma necessidade crucial pela maioria das pessoas que, porém, tradicionalmente optavam entre duas alternativas — as que lhes eram normalmente oferecidas —: ou se submetiam de corpo e alma à repressão, o que originava distúrbios psíquicos, ou procuravam atender às solicitações naturais das pulsões sexuais em segredo, escondidos de modo hipócrita e mentiroso.

De qualquer maneira, a repressão sexual sempre causou problemas emocionais. O combate à repressão e a aspiração pela liberdade sexual significam busca decidida da saúde psíquica, que exige sinceridade consigo próprio, honestidade de propósitos e principalmente coragem. liberdade inédita, a famosa permissividade da contracultura, foi duramente criticada pelas gerações anteriores como promiscuidade e degeneração.

Para o escritor Luiz Carlos Maciel, que viveu intensamente a época, é possível que, em muitos casos, tal crítica tivesse até algum fundamento, mas, de maneira geral, o que se descobriu foi simplesmente capacidade do instinto para se auto regular, para estabelecer espontaneamente seus próprios limites e os mecanismos de autocontrole porventura necessários, sem a imposição artificial de uma repressão externa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.