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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

"Me masturbo com frequência. Sonhei que estava queimando no inferno"

Universa

19/08/2019 04h00

"Tenho 17 anos e muitos pesadelos. Minhas notas na escola estão baixas, porque não consigo me concentrar. O fato de meus pais serem muito religiosos talvez contribua pra isso. Me masturbo com bastante frequência e aqui em casa isso é inadmissível. Desde criança me dizem que tocar no meu pênis é um pecado grave. Na noite passada sonhei que estava queimando no inferno. Acordei muito assustado."

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Na Antiguidade, a masturbação era uma forma aceita de obter prazer.
Depois, nossa história tomou outro rumo. Qualquer prática que não levasse à procriação foi objeto de severas punições.

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No século 19, com o objetivo de impedir a atividade masturbatória, várias invenções proliferaram. A mais conhecida era a atadura antimasturbação do francês Dr. Lafond. Os órgãos genitais eram escondidos embaixo de envelopes que permitiam a excreção da urina. Por baixo disso, um cofre da forma e do tamanho do pênis o vestia, garantindo que estava ao abrigo de qualquer tentação.

Um médico inglês criou um cinto de castidade solidamente fechado com ferrolho, para o dia, e um anel peniano de metal com quatro pregos voltados para dentro, para ser usado à noite. O homem seria despertado à menor ereção. Havia também um detector de ereção ligado a um fio amarrado ao pênis do jovem, que ficava ao lado do quarto dos pais. Quando algo acontecia, uma espécie de sino tocava, alertando os pais para a ereção do filho.

Quanto às meninas, a extirpação do clitóris foi preconizada na Europa, demonstrando a atitude extrema de repressão sexual do período vitoriano. Alguns especialistas se vangloriavam de ter "curado" várias meninas, queimando seu clitóris com ferro quente.

O resultado disso são pessoas culpadas e amedrontadas com seus próprios desejos e com a forma de realizá-los. Não são poucos os jovens que, aflitos, perguntam se a masturbação causa peito duro, impotência ou ejaculação precoce. Contudo, isso não impede que praticamente todos se masturbem. A questão é que a culpa não permite que se desfrute o máximo, e assim a masturbação se torne a experiência libertadora e satisfatória que pode ser.

Mas as mentalidades estão mudando. Hoje é sabido que a masturbação na infância é importante, já que equivale à autoexploração do corpo. Na adolescência ela é vista pelos especialistas como uma prática fundamental para a satisfação sexual na vida adulta, por permitir o autoconhecimento do corpo, do prazer e das emoções. E, no tratamento das disfunções orgásticas, a masturbação é o elemento principal para capacitar a mulher a ter o primeiro orgasmo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.