Regina Navarro http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller 'A Cama na Varanda' e 'O Livro do Amor'. Thu, 22 Jun 2017 07:00:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Amor não é para ser uma fusão de duas pessoas http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/22/amor-nao-e-para-ser-uma-fusao-de-duas-pessoas/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/22/amor-nao-e-para-ser-uma-fusao-de-duas-pessoas/#respond Thu, 22 Jun 2017 07:00:37 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7170

Ilustração: Caio Borges

Uma das características fundamentais para uma boa relação amorosa é se livrar da ideia de fusão, ou seja, os dois se transformarem num só. É fundamental preservar a distinção entre si próprio e o outro. A pessoa amada é vista e aceita como tendo uma identidade inteiramente separada do parceiro, o que enriquece a relação.

Entretanto, é bastante comum não se perceber nem se respeitar a individualidade do parceiro, o que gera desentendimentos e sofrimento. O respeito à individualidade do parceiro, como o fato de cultivá-la, mesmo com o risco de separação ou perda é crucial. A vida a dois se complica quando um dos parceiros tem tanto medo da solidão, é tão dependente, que se agarra ao outro como um náufrago.

O psiquiatra social francês Jacques Salomé aborda a passagem da fusão com o parceiro amoroso à diferenciação, ou seja, quando há a ruptura da crença de que os dois são uma só pessoa. Em um depoimento sobre a sua vida ele diz:

“Antes da minha revolução pessoal, eu julgava que o amor era ignorar minhas próprias necessidades, censurar inúmeros desejos, renunciar aos direitos pessoais para satisfazer as expectativas e necessidades do meu companheiro, realizar seus desejos de ajustar-me às suas escolhas sem levar em consideração as minhas.”

Concordo com Salomé quando ele conclui que qualquer casal é sempre um pouco um casal a três. Somos sempre três quando vivemos a dois: você, eu e o relacionamento que compartilhamos. Você na sua extremidade…e eu, na minha.

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Pensa que a homofobia é um problema superado? Não é verdade http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/21/pensa-que-a-homofobia-e-um-problema-superado-nao-e-verdade/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/21/pensa-que-a-homofobia-e-um-problema-superado-nao-e-verdade/#respond Wed, 21 Jun 2017 18:21:52 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7180

Crédito: Leonardo Benassatto/Framephoto/Estadão Conteúdo

Tivemos, em São Paulo, na semana passada, mais uma edição da maior Parada LGBT do mundo. Quem toma conhecimento desse evento pode pensar que a questão da homofobia é um problema superado. Não é verdade. Hoje, é melhor do que no passado, mas chegamos a esse triunfo após muitas lutas que, não nos enganemos, devem prosseguir para que não retornemos ao passado.

Foi pensando nisso que os militantes e simpatizantes da causa LGBT, nos EUA, criaram, no ano passado, o Stonewall Inn, em Manhattan. Trata-se de um site e um monumento em frente  ao bar onde aconteceu o levante dos gays contra a polícia em 1969. Está também em processo de criação o Centro de Memórias Orais para a preservação das experiências de luta daqueles dias.

É importante, porque a orientação sexual de cada um convive com um nível de opressão insuportável no mundo.  Segundo o relatório mais recente da Associação Internacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais (Ilga), “Homofobia de Estado”, publicado em maio deste ano, ainda existem 72 países  —  um terço dos que integram a ONU — que criminalizam o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. A pena de morte para as relações homossexuais vigora em oito países.

Por mais que se denuncie o absurdo que o ódio e a frequente agressão aos gays representam, a homofobia não deixará de existir num passe de mágica. Seu fim depende da queda dos valores patriarcais que, já em curso, vem trazendo nova reflexão sobre o amor e a sexualidade.

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Rapaz namora e é apaixonado por uma mulher trans, mas não tem tesão por ela http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/19/rapaz-namora-e-e-apaixonado-por-uma-mulher-trans-mas-nao-tem-tesao-por-ela/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/19/rapaz-namora-e-e-apaixonado-por-uma-mulher-trans-mas-nao-tem-tesao-por-ela/#respond Mon, 19 Jun 2017 07:00:17 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7144

Ilustração: Caio Borges

“Tenho 23 anos e estou namorando uma transexual. Eu a amo muito, gosto quando ela está perto de mim, mas não consigo sentir tesão por ela. Não sei o que está acontecendo. Não quero a perdê-la, porque eu a amo muito.”

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Podemos amar muito uma pessoa e não sentir tesão algum por ela. E o inverso também pode acontecer, como nos casos em que o sexo é ótimo com alguém que se acabou de conhecer. Entretanto, fazer sexo sem vontade, por obrigação, só para agradar a namorada, pode levar a mágoas e ressentimentos entre os envolvidos.

Para a maioria das pessoas o ser humano apresenta características de um sistema binário que é feminino e masculino. Isso divide homens e mulheres de acordo com seus órgãos genitais e comportamento social esperado de cada sexo. Mas existem variações que tornam essa divisão menos simples do que parece.

Há pessoas que não se sentem identificadas com o seu corpo, ou seja, sua identidade de gênero é diferente daquela designada no nascimento e tentam fazer a transição para o gênero oposto através de cirurgia de redesignação sexual.

Aceitar a ideia de que um homem deseja ser uma mulher e vice-versa é difícil de ser digerida pelos conservadores, que não aceitam quem escapa dos modelos. Por isso os transexuais são discriminados e atacados. O sofrimento é grande.

Em uma situação como a que o internauta está vivendo, é preciso saber se a falta de tesão pela namorada transexual está ou não condicionada por preconceitos.

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Você também vive um conflito amoroso e sexual? Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas. Ela pode ser comentada aqui no blog e sua identidade não será revelada.

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Na nossa cultura, há uma expectativa de que todos sintam vergonha do sexo http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/15/na-nossa-cultura-ha-uma-expectativa-de-que-todos-sintam-vergonha-do-sexo/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/15/na-nossa-cultura-ha-uma-expectativa-de-que-todos-sintam-vergonha-do-sexo/#respond Thu, 15 Jun 2017 07:00:35 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7146 Ilustração: Caio Borges

“A história do ato sexual, que se designa prosaicamente por coito ou, escolhendo entre os seus milhares de sinônimos, “carapauzada”, “pôr a escrita em dia” ou ainda “mandar o bernardo às couves”, é a de um movimento pendular perpétuo entre liberdade e constrangimento, amor à luz do dia e hipocrisia das sombras.”, diz a escritora francesa Béatrice Bantman.

Durante muito tempo o prazer sexual não foi admitido. Repressões, inibições e frustrações imperavam. Aos poucos, no final do século XIX, esse quadro começa a dar sinais de mudança. Diminuem a vergonha do próprio corpo e a sexualidade culpada, que favorecem a infelicidade de mulheres e homens. Por volta dos anos 1920, as pessoas começam a se tocar, a se acariciar, a se beijar na boca.

Há culturas em que o prazer sexual é valorizado e existem formas de iniciação para que se alcance o máximo de satisfação. Tantrismo, kama sutra e o Taoísmo, no Oriente, são correntes que incentivam a prática sexual, acreditando que quanto mais e melhor é vivenciado o prazer mais o ser humano tornará feliz a sua existência.

Não há conotação de pecado no sexo. Através do desenvolvimento do prazer sexual, alcança-se uma maior integração com a natureza universal. Na nossa cultura, ao contrário, há uma expectativa de que todos se sintam culpados e envergonhados por causa dos seus órgãos sexuais e suas funções.

Fica então a pergunta da professora americana Laura Kipnis: “Quanta renuncia ao desejo a sociedade exige de nós em comparação com o nível de recompensa que ela proporciona?”

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Não concordo com Tom Jobim: é possível, sim, ser feliz sozinho http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/12/nao-concordo-com-tom-jobim-e-possivel-ser-feliz-sozinho/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/12/nao-concordo-com-tom-jobim-e-possivel-ser-feliz-sozinho/#respond Mon, 12 Jun 2017 18:32:29 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7149

Dia dos Namorados. E como acontece todos os anos recebo mensagens de pessoas lamentando estarem sem namorado nesse dia.

“Mais um ano que me frustro nesse dia. Para variar, estou sem namorado.”

“Às vezes penso que tem algo errado comigo. Fico sonhando em jantar à luz de velas com alguém especial no dia dos namorados, mas isso nunca acontece”

“A minha namorada terminou comigo há três meses. Ter passado o dia dos namorados sem ela, e pior, sabendo que ela está com outro cara, me deixou mal.”

Por que as pessoas sofrem por não ter um namorado? Somos desde cedo ensinados a acreditar que temos que ter uma relação amorosa fixa e estável com outra pessoa. É por isso que homens e mulheres procuram incessantemente um par amoroso, pagando qualquer preço para mantê-lo.

Muitas mulheres se sentem desvalorizadas se não têm um namorado ou marido; ficam com a autoestima abalada….algumas acham até que tem algo errado com elas. O dia dos namorados parece que funciona como uma constatação de que um fracasso. É preciso mudar essa ideia, que é bastante limitadora. Não há nada grave em se desejar um par amoroso. O grave é a crença de que só se pode ser feliz se houver um par amoroso.

Não concordo com a música do Tom Jobim que diz que é impossível ser feliz sozinho… É importante desenvolver a capacidade de ficar bem sozinho, perceber as próprias singularidades e do prazer de estar com você mesmo. Quando se perde o medo de ser sozinho, se percebe que não ter um par amoroso não significa necessariamente solidão.

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Odeio mentir para meu marido, mas amo ter dois homens. E agora? http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/12/odeio-mentir-para-meu-marido-mas-amo-ter-dois-homens-e-agora/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/12/odeio-mentir-para-meu-marido-mas-amo-ter-dois-homens-e-agora/#respond Mon, 12 Jun 2017 03:00:33 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7139

Ilustração: Caio Borges

 

“Sou casada há 16 anos. Amo meu marido, mas ele não me satisfaz quando o assunto é a penetração. O pênis dele está bem abaixo da média. Achei que o amor superaria a questão e acabei casando. Apesar de estar feliz com ele em vários aspectos, a parte sexual me incomodava. Então, há dois anos, estou ficando com o professor de muay thai da minha academia. Ele me faz sentir feliz na cama! Minha relação com meu marido melhorou e tenho brilho no olhar. Eu me sinto viva! Amo muito meu marido e minha família. Amo muito fazer sexo com meu amante. Estou realizada. Não sinto culpa e viveria assim pelo resto da minha vida. Mas o que estou fazendo está correto? A minha religião diz que é pecado. A sociedade diz que é errado. “Trair” é uma das piores coisa que alguém pode fazer, gostam de dizer. Mas como abrir mão disso tudo se estou me sentindo tão bem? Queria continuar a fazer o que faço, mas não queria que minha felicidade causasse danos a outras pessoas. Se meu marido soubesse, ele sofreria e se separaria de mim. Não quero vê-lo sofrer e quero o amor dele. O que faço?”
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A maioria das pessoas, em algum momento, vive a experiência de amor simultâneo a mais de uma pessoa. Além de parentes e amigos amamos pessoas com quem desejamos relacionamento afetivo-sexual. A questão é que nesses momentos nos sentimos pressionados pela opção obrigatória diante das muralhas culturais – morais e religiosas – que se erguem. Mas essa opção vem acompanhada de conflitos e dúvidas.

A psicóloga Noely Montes Moraes, autora de um livro sobre o tema, diz que “para buscar comodidade e segurança na vida amorosa como valor absoluto implica colocar-se à margem da vida, protegido por uma couraça. O resultado é a estagnação do fluxo vital e um empobrecimento de vivências. A pessoa assim defendida se torna superficial e um tanto pueril, quando não se torna também invejosa das pessoas que ousam dizer sim à vida, atacando-as com um moralismo rançoso.”

Vários estudos mostram não haver nenhum tipo de evidência biológica ou antropológica na qual a monogamia seja “natural” ou “normal” no comportamento dos seres humanos. Pelo contrário, encontramos evidências suficientes que demonstram que as pessoas tendem a ter múltiplos parceiros sexuais.

Sentir desejo por alguém que não seja o parceiro fixo, quase todos sentem. Se vai ou não viver uma experiência sexual com essa pessoa, depende da visão que cada um tem do amor e do sexo.

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O mito do amor romântico é uma mentira http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/08/o-mito-do-amor-romantico-e-uma-mentira/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/08/o-mito-do-amor-romantico-e-uma-mentira/#respond Thu, 08 Jun 2017 07:00:48 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7121

Ilustração: Caio Borges

Quando estamos amando, para manter a fantasia de que o outro nos completa, exigimos dele ser tudo para nós e nos esforçamos em ser tudo para ele. O mundo deixa de ter importância; não são poucos os que se afastam dos amigos, abrindo mão de coisas importantes para agradar o outro.

O psiquiatra americano M.Scott Peck diz em seu livro: “Embora eu pense que, de um modo geral, os grandes mitos são grandes precisamente porque representam e incorporam grandes verdades universais, o mito do amor romântico é uma terrível mentira. Como psiquiatra, o meu coração chora quase todos os dias pela horrível confusão e sofrimento que este mito gera. Milhões de pessoas desperdiçam enormes quantidades de energia tentando desesperada e inutilmente fazer com que a realidade de suas vidas se ajuste à realidade do mito.”

O problema é a intimidade do dia-a-dia, porque é impossível não enxergar a pessoa como é, percebendo assim aspectos que nos desagradam. Não é possível manter a idealização; você se dá conta então de que o outro não é a personificação de suas fantasias. Mas para que essa situação seja mantida, são feitas inúmeras concessões. Há um acúmulo de frustrações que torna a relação sufocante. A consequência natural é o desencanto, muitas vezes com ressentimento, mágoa e a sensação de que foi enganado.

Assistimos a grandes transformações no mundo, e, no que diz respeito ao amor, o dilema atual se situa entre a vontade de se fechar na relação com o parceiro e o desejo de liberdade; e este último começa a predominar. Afinal, a fantasia de fusão faz ambos perderem, de alguma forma, a identidade própria e, portanto, os próprios limites. Acredito ser apenas uma questão de tempo; as mudanças são lentas e graduais, mas definitivas, nesse caso.

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Basta! Não é mais possível suportar a violência contra a mulher http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/06/basta-nao-e-mais-possivel-suportar-a-violencia-contra-a-mulher/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/06/basta-nao-e-mais-possivel-suportar-a-violencia-contra-a-mulher/#respond Tue, 06 Jun 2017 17:36:47 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7125
Crédito: Fernando Louza/Divulgação

Todos devem se lembrar do rosto de Luiza Brunet desfigurado após ter sido espancada, em maio do ano passado, pelo empresário Lírio Parisotto, seu companheiro na época. Agora, ele foi condenado pela Justiça de São Paulo pelo crime de lesão corporal. Um homem com o poder da riqueza está sendo punido porque atacou uma mulher. Ela demonstrou determinação, e ele saiu perdendo. Luiza deve servir de exemplo para as milhares de mulheres que são agredidas por seus maridos ou namorados.

Basta! Não é mais possível suportar a violência contra a mulher! No Brasil, cinco mulheres são espancadas a cada dois minutos! O pior é que quase todos os homens que agridem suas mulheres acreditam ter esse direito. E existe muita gente aceitando isso com naturalidade.

A história da mulher é uma constante luta contra a opressão. Há cinco mil anos, as mulheres sofrem todo tipo de constrangimento. São humilhadas, menosprezadas, violentadas, escravizadas. Durante muito tempo, o marido teve o direito e o dever de punir a esposa e de espancá-la para impedir “mau comportamento” ou para mostrar-lhe que era superior a ela. Até o tamanho do bastão usado para surrá-la tinha uma medida estabelecida. Se não fossem quebrados ossos, estava tudo certo.

A psicanalista francesa Marie-France Hirigoyen, que escreveu um livro sobre o tema, acredita que quando o homem bate na sua mulher a intenção não é deixá-la com um olho roxo, e sim de mostrar-lhe que é ele quem manda e que ela tem mais é que ser submissa. O ganho visado pela violência é a dominação. Antes do primeiro tapa as mulheres devem cortar o mal pela raiz, reagindo à violência. Para isso é essencial que elas aprendam a perceber os primeiros sinais de violência para encontrar em si mesmas a força para sair de uma situação abusiva.

Ainda bem que as mentalidades estão mudando. Muitos homens já compreenderam que a virilidade tradicional é bastante arriscada e cada vez mais aceitam que atitudes e comportamentos sempre rotulados como femininos são necessários para o desenvolvimento de seres humanos.

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Ele era virgem e não aceita que a noiva tenha transado com outros homens http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/05/ele-era-virgem-e-nao-aceita-que-a-noiva-tenha-transado-com-outros-homens/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/05/ele-era-virgem-e-nao-aceita-que-a-noiva-tenha-transado-com-outros-homens/#respond Mon, 05 Jun 2017 07:00:48 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7117

Ilustração: Caio Borges

Namoro há um ano com uma mulher que conheço há 12 anos, e vamos nos casar. Sempre acreditei que ela fosse virgem, assim como eu era antes de namorarmos, mas, quando descobri que não, fiquei confuso e com muita raiva dela. Às vezes, eu me sinto traído, mesmo sabendo que não é o caso. Sinto muita raiva das pessoas com quem ela transou, inclusive de um conhecido de quem nunca gostei. Saber que ela frequentou motéis e eu ainda não, me deixa com mais raiva ainda… O que fazer?

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Homens que valorizam dessa forma a virgindade têm dificuldade de enxergar o sexo como algo bom, natural, fazendo parte da vida, e encontrar na troca de prazer com a parceira uma fonte para seu desenvolvimento pessoal. Mas isso tem uma história.

Com o sistema patriarcal, surgido há cinco mil anos, a sexualidade feminina passou a ser controlada para garantir a certeza de paternidade, além do fato de que uma virgem era mercadoria valiosa. Recatada, daria ao homem filhos legítimos que lhe assegurariam a futura mão de obra.

Não há dúvida de que os preconceitos diminuíram bastante e o número de moças que chega virgem ao casamento é cada vez menor. Apesar da pílula anticoncepcional ter resolvido a questão da gravidez indesejada, muitos rapazes, vítimas também da cultura patriarcal, sem saber explicar por que, declaram preferir moças virgens para um relacionamento duradouro.

Surge então o que durante muito tempo ficou camuflado sob a preocupação da legitimidade dos filhos: a insegurança do homem quanto à sua competência sexual. Temendo ser comparados com outros homens, muitos preferem mulheres inexperientes sexualmente. Tudo indica que somente os que se sentem seguros quanto ao próprio desempenho não dão importância à virgindade da mulher.

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No relacionamento, intimidade não significa o fim da privacidade http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/01/no-relacionamento-intimidade-nao-significa-o-fim-da-privacidade/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/01/no-relacionamento-intimidade-nao-significa-o-fim-da-privacidade/#respond Thu, 01 Jun 2017 07:00:48 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7111

Ilustração: Caio Borges

Uma questão importante, mas pouco discutida, é a privacidade. Em termos genéricos, a privacidade está em percebermos que conviver, dividir grande parte de nossa vida, não exclui a evidência de que jamais poderemos dividir tudo com quem quer que seja. Certos fatos ou lembranças só têm valor para nós. O que não podemos viver com o outro, temos de viver dentro da nossa privacidade.

O fato de convivermos não transforma os dois num só. Somos pessoas distintas e temos necessidades que o outro não poderá satisfazer. Em outros momentos a necessidade de privacidade é justamente por saber que o outro não deseja algo que para mim é muito importante. As opções são: deixar minhas necessidades de lado, renunciar a meu prazer, com todas as consequências disso, ou viver em minha intimidade algo que só diz respeito a mim.

Para o psicoterapeuta Paulo Lemos logo no início do relacionamento há pouca privacidade, ou seja, estamos nos “abrindo” ao contato com outro para que ele também nos conheça e faça o mesmo que estamos fazendo. À medida que aumenta a intimidade diminui a privacidade. Aliás, esse processo é muito importante e necessário para o futuro da relação.

É nesse começo de convivência que vamos delineando o tipo da relação que construiremos. Torna-se importante, mesmo nesse início, mostrarmos ao outro o que significa e qual a importância que damos à nossa privacidade e também começarmos a prestar atenção aos limites que o outro sinaliza para a privacidade dele.

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