Regina Navarro https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller 'A Cama na Varanda' e 'O Livro do Amor'. Mon, 23 Apr 2018 07:01:24 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 “Não suporto mais a dependência emocional que meu marido tem de mim” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/23/nao-suporto-mais-a-dependencia-emocional-que-meu-marido-tem-de-mim/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/23/nao-suporto-mais-a-dependencia-emocional-que-meu-marido-tem-de-mim/#respond Mon, 23 Apr 2018 07:01:24 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7827

(Caio Borges/Arte)

“Estou casada há quatro anos e cada vez suporto menos da dependência que meu marido tem de mim. Nós dois trabalhamos e dividimos a despesa de casa e dos filhos; a dependência não é financeira. É psicológica… e muita! Às vezes, estou trabalhando no computador e ele me interrompe várias vezes por motivos desnecessários, como dizer que camisa deve vestir ou onde estão suas meias. Isso sem falar no que tenho que opinar diariamente sobre suas decisões, mesmo as mais simples. Não gostaria de confundi-lo com um dos meus filhos!”

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Ao contrário do que parece, é grande o número de homens que  dependem emocionalmente de suas mulheres, entregando a elas a administração integral da vida e dos próprios desejos. A expressão máxima da submissão do  homem à mulher pode ser ilustrada na cena inacreditável a que assisti, alguns anos atrás, em casa de amigos. Um casal, casado há 30 anos, conversava em grupos separados. Quando foi servido o jantar, todos foram à mesa. E a cada momento, antes de pôr a comida no prato, ele se virava para a esposa e perguntava baixinho: “Julieta, eu gosto?” É claro que a dependência masculina não se mostra necessariamente tão óbvia, se apresentando, na maioria das vezes, de forma bem mais sutil.

Homens e mulheres têm um papel a desempenhar.  Os meninos, para serem aceitos como machos, devem corresponder ao que deles se espera numa sociedade patriarcal — força, sucesso, poder.  Não podem falhar nem sentir medo.  Entretanto, perseguir o ideal masculino gera angústias e tensões, sendo necessário então usar uma máscara de onipotência e independência absoluta. Mas por que tudo isso?

Quando pequeno, o menino tem com a mãe um vínculo intenso, que deve ser rompido precocemente para que ele se desenvolva como homem. Permanecer muito perto da mãe só é permitido às meninas. Para os meninos isso significa ser “filhinho da mamãe”. Os amigos e os próprios pais não perdem uma oportunidade de deboche a qualquer manifestação de necessidade da mãe.

O desejo de ser cuidado e acalentado é recalcado. Na vida adulta os homens escondem a necessidade que têm das mulheres mostrando-se autosuficientes. Tentam se convencer de que elas é que precisam deles. Negando, assim, seus próprios impulsos de dependência, se sentem mais fortes.

Contudo, quando o homem se percebe atraído por uma mulher, dois sentimentos contraditórios o assaltam.  Por um lado, o desejo de intimidade, de aprofundar a relação.Por outro, o temor de se ver diante do seu próprio desamparo e do desejo de ser cuidado por uma mulher. Talvez isso explique por que tantos homens que resistem ao casamento, optando por uma vida livre, em um determinado momento se casam e se tornam submissos, dependentes e dominados pela mulher.

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A gente costuma se relacionar só com uma pessoa, mas será que dá certo? https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/20/somos-estimulados-a-se-relacionar-com-uma-pessoa-mas-sera-que-da-certo/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/20/somos-estimulados-a-se-relacionar-com-uma-pessoa-mas-sera-que-da-certo/#respond Fri, 20 Apr 2018 16:07:17 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7835

(iStock)

O VivaBem selecionou oito estudos sobre a infidelidade. Desses, selecionei os três que me pareceram mais interessantes:

Em fevereiro deste ano, o “Journal of Personality and Social Psychology” analisou 233 casais. Os pesquisadores acreditam que quem está sexualmente satisfeito é, em geral, mais aberto a ter novas experiências sexuais.

— A tese de mestrado de Thiago de Almeida, no Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), avaliou a relação entre o ciúme e a infidelidade e descobriu que as pessoas mais ciumentas desencadeavam um comportamento infiel do parceiro. A explicação é que os conflitos constantes minam a qualidade do relacionamento, fazendo com que o temor se concretize. “Toda vez que a pessoa chama atenção da outra por ter olhado para alguém, ela a encoraja a olhar”.

Veja também

— Um estudo com 506 homens e 412 mulheres que tinham um relacionamento monogâmico, publicado no periódico Archives of Sexual Behavior em 2011, mostrou que a infidelidade é comum tanto em homens quanto em mulheres. Os resultados mostraram que 23% dos homens e 19% das mulheres indicaram que já foram infiéis ao parceiro atual.

No Ocidente, a exclusividade sexual nas relações estáveis é a norma e o sexo extraconjugal condenado por muitos. Traição, infidelidade, adultério são palavras usadas para se referir a ele.

Desde cedo somos estimulados a investir nossa energia sexual em uma única pessoa. Mas não é o que acontece na prática. É bastante comum homens e mulheres casados compartilharem seu tempo e seu prazer com outros parceiros, geralmente, de forma secreta. A exclusividade é como um valor agregado ao amor porque, supostamente, quem ama só se relaciona sexualmente com a pessoa amada.

Trocar ideias a respeito de exclusividade sexual não é simples; provoca a ira dos conservadores e preconceituosos e ataques de todos os tipos.  Essa discussão só será realmente possível quando a fidelidade deixar de ser um imperativo.

“A infidelidade é o problema que é porque assumimos a monogamia como algo indiscutível; como se fosse a norma. Talvez devêssemos pensar na infidelidade como o que não precisa se justificar, assumi-la com uma naturalidade sem mortificações, para termos condições de refletir sobre a monogamia. Podemos crer que partilhar seja uma virtude, mas parecemos não acreditar em partilhar aquilo que mais valorizamos na vida: nossos parceiros sexuais”, diz o psicanalista inglês Adam Phillips, autor de um livro sobre o tema.

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Casais que se separam se tornam quase estranhos de repente; por quê? https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/19/a-dificil-relacao-com-os-ex/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/19/a-dificil-relacao-com-os-ex/#respond Thu, 19 Apr 2018 07:01:09 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7822

(Caio Borges/Ilustração)

Há algo difícil de entender. É comum uma pessoa passar anos ao lado de alguém, com muita intimidade, dividindo todos os momentos da vida e de repente, como se tivesse sido desligada da tomada, deixar de ter qualquer importância. Não existe mais no campo afetivo do outro, aliás, a impressão é a de que nunca existiu. Na maior parte das vezes isso acontece com os ex casados. E o curioso é esse comportamento ser visto como natural.

Tudo bem que a vontade de continuar morando junto, se encontrando todos os dias, dormindo na mesma cama e, principalmente, de ter uma vida em comum tenha acabado. Os casamentos só duraram “até que a morte nos separe” enquanto o amor não pôde fazer parte deles, ou seja, até 1940 aproximadamente.

Mas se havia amor, se eram solidários e se preocupavam um com o outro, onde foi parar aquela amizade?  Mesmo que o desejo sexual e a emoção de estar perto não existam mais, e surjam novos interesses, o amor deveria continuar presente, embora em outro tipo de relação. Mas os dois se transformam em estranhos, que mal se conhecem e não têm nada em comum. Por quê?

Muitos acreditam no casamento, como única forma de realização afetiva.  Passam a vida esperando o momento de encontrar a “pessoa certa”, para, a partir daí, viverem felizes para sempre. No dia a dia, investem na relação, esperando que todas as necessidades sejam preenchidas. Sentem-se protegidos e alimentam a fantasia de que nada vai lhes faltar. O parceiro amoroso se torna, então, imprescindível, parte da vida do outro.

Quando duas pessoas optam pela separação, o distanciamento e a estranheza que se instala entre eles parece mostrar que a importância de cada um na vida do outro nunca existiu por si própria, mas trazida pelo vínculo amoroso – com toda a fantasia do par amoroso idealizado –, só perdurando enquanto existir a relação.

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“Vivi um amor à primeira vista, mas ele não me procurou mais” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/16/vivi-um-amor-a-primeira-vista-mas-ele-nao-me-procurou-mais/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/16/vivi-um-amor-a-primeira-vista-mas-ele-nao-me-procurou-mais/#respond Mon, 16 Apr 2018 07:00:26 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7815

(Ilustração: Caio Borges)

“Mês passado, uma amiga me disse que queria me apresentar a seu primo, que se separou recentemente. Quando o conheci, numa festa, passamos a noite toda conversando e, no final, nos beijamos apaixonados. Senti que para nós dois foi amor à primeira vista. Só que ele não me procurou e não retorna às minhas ligações. Não sei o que houve. Estou sofrendo porque sei que o amo e não quero perdê-lo.”

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Conhecer alguém numa festa ou em outro lugar qualquer, conversar alguns minutos e se sentir completamente apaixonado; não conseguir dormir direito pensando naquela pessoa, ficar enlevado, fazer planos, imaginar situações. Isso acontece com muita gente. Amor à primeira vista? Não acredito nisso. Acredito, sim, em tesão à primeira vista. Mas como desde cedo aprendemos a confundir amor com desejo sexual, chamamos uma coisa de outra.

Na maior parte das vezes, a emoção que se sente, nesse caso, não é a do amor verdadeiro nem a do desejo sexual perturbador. O mais comum é que esse amor — em que não se conhece nada do outro —, seja do tipo romântico. Nele não se percebe a pessoa real como ela é, e a paixão é pela imagem que se constrói dela, pelo que se gostaria que ela fosse. Ansiosos por experimentar as emoções tão propaladas desse amor, quase todos no mundo ocidental constroem a história que bem entendem, sem nem se dar conta disso.

Há quem questione se o amor à primeira vista pode ser duradouro. Na realidade, não faz muita diferença ser à primeira, à sexta ou à décima vista. A questão é outra: se entre a pessoa real e a imagem que se formou dela existe grande distância. Se existir, em pouco tempo o namoro ou casamento se torna insuportável. Não tendo mais como manter a idealização, por conta da convivência diária, as características de personalidade do outro que não nos agradam, agora são percebidas, comprometendo a relação.

Porém, isso não acontece somente no amor à primeira vista. Pode ocorrer em qualquer experiência amorosa, desde que se enxergue o outro através da névoa do mito do amor romântico.

Você também vive um conflito amoroso e sexual? Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas. Ela pode ser comentada aqui no blog e sua identidade não será revelada. 

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Ninfomania: o mito do desejo insaciável https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/12/ninfomania-o-mito-do-desejo-insaciavel-2/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/12/ninfomania-o-mito-do-desejo-insaciavel-2/#respond Thu, 12 Apr 2018 07:00:59 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7807

(lustração: Caio Borges)

A repressão sexual, ao longo da História, alimentou uma fantasia resistente e de aparência confiável, se é possível dizer isso de um mito: a ninfomania. Ele nasceu de um outro mito, também solidificado longamente, de que mulheres não tinham prazer sexual. Tais “verdades” faziam supor que, se as mulheres não tinham desejo, qualquer uma que tivesse algum era doente: uma ninfomaníaca.

O que se comprovou é que, antes de tudo, a mulher insaciável é uma fantasia masculina. Muitas mulheres sofreram em função desse mito. No século 19, médicos retiravam os ovários de algumas mulheres para controlar sua sexualidade, e em alguns casos, removiam o clitóris. Outras foram colocadas em instituições para doentes mentais com o diagnóstico de ninfomaníacas. Psiquiatras e psicólogos do século 20 recomendavam tratamento clínico, choque elétrico, sedativos, tranquilizantes e até internações.

A americana Carol Groneman, em seu livro sobre o tema, diz que as mulheres precisam entender as várias formas como a ninfomania e outros conceitos têm sido usados para rotular e controlar a sexualidade feminina. São conceitos perigosos, que precisam ser desafiados e alterados. Podemos então refletir sobre uma afirmação do pesquisador da sexualidade Alfred Kinsey: “Ninfomaníaca é alguém que gosta sexo, mais do que você.”

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Sexo é o maior problema vivido pelos casais https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/09/sexo-e-o-maior-problema-vivido-pelos-casais/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/09/sexo-e-o-maior-problema-vivido-pelos-casais/#respond Mon, 09 Apr 2018 21:05:28 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7811

Em Roraima, um agricultor, de 34, anos foi preso por ferir a mulher. Ela foi golpeada com uma foice, na frente dos filhos, por ter se negado a fazer sexo com ele. O suspeito foi denunciado por vizinhos que ouviram a discussão do casal e acionaram a Polícia Militar.

Ainda bem que nem todos os homens rejeitados sexualmente por suas mulheres tentam matá-las, mas o sexo é o maior problema vivido pelos casais. É muito comum mulheres fazerem sexo com seus parceiros fixos sem nenhuma vontade. Dor de cabeça, cansaço, preocupação com trabalho ou família são as desculpas mais usadas.

Alguns estudiosos das relações amorosas tentam explicar essa situação, que tanto afeta a harmonia de um casal. “Quando os dois se fecham na relação, não é a falta, mas o excesso de proximidade que impede o desejo. O erotismo exige distância, viceja no espaço entre eu e o outro. Para entrar em comunhão com a pessoa amada, precisamos ser capazes de tolerar essa vazio e seu véu de incertezas. Talvez tivéssemos uma vida sexual mais excitante, alegre, até frívola se fôssemos menos tolhidos por nossa inclinação para a democracia na cama.” , afirma a terapeuta de casais belga, radicada nos Estados Unidos, Esther Perel.

O psicanalista americano Stephen Mitchell, em seu livro Can Love Last?, diz: “Todos nós precisamos  de segurança: permanência, confiabilidade, estabilidade e continuidade. Esses instintos de enraizamento e proteção nos embasam em nossa experiência humana. Mas também temos necessidade de novidade e mudança, forças geradoras que preencham a vida e a tornem vibrante. Aí, o risco e a aventura não nos deixam. Somos contradições ambulantes, buscando segurança e previsibilidade por um lado e gostando de diversidade por outro.”

Para se sentirem seguras, as pessoas exigem fidelidade, o que sem dúvida é limitador e também responsável pela falta de desejo. A certeza de posse e exclusividade leva ao desinteresse, por eliminar a sedução e a conquista. Familiaridade com o parceiro, associada ao hábito, podem provocar a perda do desejo sexual, independente do crescimento do amor e de sentimentos como admiração, companheirismo e carinho.

 

 

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“Eu me relaciono com 3 homens e as pessoas não entendem por que não namoro” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/09/e-dificil-entender-que-voce-pode-amar-e-nao-querer-namorar/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/09/e-dificil-entender-que-voce-pode-amar-e-nao-querer-namorar/#respond Mon, 09 Apr 2018 07:00:17 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7794

(Ilustração: Caio Borges/UOL)

“Nunca acreditei que uma relação exclusiva com alguém pudesse me completar. Mas a pressão da família é tão grande que a gente acaba ficando em dúvida e faz como todo mundo: casa. Agora que vivo só com meu filho de 12 anos, tenho certeza que prefiro assim. Tenho amigos que participam da minha vida e eu da deles. Nunca senti solidão. Existe uma relação de amor verdadeiro entre nós. Quanto ao sexo, também não quero um parceiro fixo. Já tenho experiência disso e sei que em pouco tempo vai se perdendo o tesão. Atualmente me relaciono com três homens alternadamente, mas tem época que não tenho ninguém. A maior dificuldade é alguém entender que você pode amar uma pessoa e não querer namorá-la da forma tradicional, que o amor não se encaixa em modelos. As pessoas são tão viciadas numa única forma de relacionamento que às vezes fica difícil. Adoraria ler comentários sobre a forma que escolhi viver!”

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Nos vários relatos que me foram feitos por pessoas que não desejam uma relação fixa com um único parceiro, dois fatores são comuns a todas: a importância que dão às relações de amizade — consideram-nas as verdadeiras relações de amor — e a liberdade sexual.

O anseio amoroso de todo ser humano é o desejo de recuperar a sensação de harmonia perdida no nascimento, o que na criança é intensamente dirigido para a mãe. As relações amorosas do adulto funcionam mal porque a maioria tende a reeditar inconscientemente com o parceiro a relação com a mãe, típica da infância.

E isso fica claro na forma como se vive o amor, só se aceitando como natural se for um convívio amoroso possessivo e exclusivo com uma única pessoa. Buscar atenuar o desamparo é fundamental, mas essa busca pode se manifestar de várias formas.

Concordo com o psicoterapeuta e escritor Flávio Gikovate, que diz, em um dos seus livros, que a tendência gregária existe, mas a forma como ela vai se manifestar nas pessoas adultas está em aberto e dependerá de soluções a serem encontradas pelas próprias pessoas; e mais, não existiria apenas uma única solução e nem mesmo é impossível que algumas pessoas, suportando melhor o desamparo e o ser só, tenham essas expectativas amorosas altamente diminuídas ou mesmo quase inexistentes.

Não há dúvida de que há uma resistência geral em admitir que o amor pode ser vivido de forma intensa e profunda fora de uma relação entre duas pessoas. As reações a essa ideia tendem a desqualificá-lo, classificando-o como algo menor.

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Por que tantas mulheres sentem dor nas relações sexuais? https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/06/por-que-tantas-mulheres-sentem-dor-nas-relacoes-sexuais/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/06/por-que-tantas-mulheres-sentem-dor-nas-relacoes-sexuais/#respond Fri, 06 Apr 2018 20:57:20 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7801

(Crédito: Getty Images)

Não são poucas as mulheres que sentem dor durante as relações sexuais. Em alguns casos a dor se deve a problemas médicos, e é fundamental que se procure o ginecologista. Mas não existem apenas razões médicas para a dor durante o sexo. Para Kirstin Mitchell, médica e pesquisadora da Universidade de Glasgow, na Escócia, existem diversas razões psicológicas e sociais para que esse momento seja dolorido para algumas mulheres.

Seu estudo, realizado em 2017, concluiu que quase 10% das mulheres sexualmente ativas do Reino Unido entre 16 e 24 anos sentiam dores “sistemáticas” durante sexo.  Os pesquisadores definiram “sistemáticas” como as dores “sentidas durante o sexo durante três meses ou mais”. Mitchell acredita que é comum as mulheres não sentirem que têm “direito ao prazer” como os homens têm. Às vezes, elas sentem dor nas relações sexuais e acreditam que simplesmente “é assim para as mulheres”.

Saber descobrir e sentir prazer pode ser um talento e uma arte que precisa ser cultivada. E não é tão simples. Os controles políticos, sociais e religiosos sobre o prazer continuam existindo em todas as partes do mundo. Certos prazeres são aceitos, alguns condenados, outros proibidos mesmo.

Não é sem motivo. Controlar os prazeres das pessoas é controlá-las. O prazer sexual, por pertencer à natureza humana e atingir a todos sem exceção, sempre foi visto como o mais perigoso de todos. É o mais controlado, portanto.  Na Idade Média chegaram ao ponto de afirmar que o ato sexual no casamento só estava isento de pecado se não houvesse prazer entre o casal.

Como resultado do fato de não se desenvolver o prazer, a grande maioria das pessoas acaba fazendo sexo em menor quantidade e de pior qualidade do que gostaria. Não é à toa que W.Reich, psicanalista, famoso estudioso da sexualidade na primeira metade do século 20, fala da miséria sexual das pessoas, porque, segundo ele, elas se desempenham sexualmente de tal modo, que se frustram durante a própria realização com uma habilidade espantosa.

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Por que os casamentos duram cada vez menos? https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/05/por-que-os-casamentos-duram-cada-vez-menos/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/05/por-que-os-casamentos-duram-cada-vez-menos/#respond Thu, 05 Apr 2018 07:00:28 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7786
(Crédito: Caio Borges/UOL)

É cada vez menor o tempo de duração de um casamento satisfatório. Alega-se que hoje ninguém tem paciência, que por vivermos numa sociedade de consumo, onde tudo é descartável, o cônjuge também deve ser sempre substituído. Mas a questão não é essa. As dúvidas em relação a manter ou não um casamento começaram a surgir depois que o cônjuge passou a ser escolhido por amor e não mais por interesses familiares.

A separação inicia seu processo lentamente, na maior parte das vezes de forma inconsciente. A relação vai se desgastando e a vida cotidiana do casal deixa de proporcionar prazer. Aos poucos, o desencanto se instala.

No Ocidente, há algumas décadas, o número de divórcios não para de crescer. Como desapareceram a maioria dos imperativos — sociais, econômicos e religiosos — que pesavam a favor da duração do casamento, pode ser que dentro de algum tempo mais pessoas optem por outros tipos de relacionamento nada convencionais.

A filósofa francesa Elisabeth Badinter não tem dúvida de que nossos objetivos mudaram e que não desejamos mais pagar qualquer preço apenas para que o outro esteja presente ao nosso lado. A procura da autonomia não significa necessariamente a incapacidade de estabelecer uma relação a dois, mas a recusa de pagar qualquer preço por ela.

O aprisionamento numa relação estática tornou-se insuportável. “A sede de novas experiências, do desconhecido, do novo, é maior do que nunca. Assim, unir dois exilados para formar uma família segura e autossuficiente deixou de ser satisfatório. A tentação moderna é por uma criatividade mais ampla. O fascínio pelo novo é tal e qual o jogo, um passo para a criatividade.”, afirma  o historiador inglês Theodore Zeldin.

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“Meu marido faz terrorismo comigo porque ganho mais que ele” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/02/meu-marido-faz-terrorismo-comigo-porque-ganho-mais-que-ele/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/04/02/meu-marido-faz-terrorismo-comigo-porque-ganho-mais-que-ele/#respond Mon, 02 Apr 2018 07:00:31 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7778

(Ilustração: Caio Borges)

“Sempre ganhei mais que meu marido, e isso pra mim nunca foi problema. Mas de uns tempos pra cá tem ficado difícil na nossa relação. Depois de dois anos desempregado, conseguiu um trabalho em que ganha muito menos que eu. Desta vez ele tem tido reações que eu não conhecia: tenta sempre me “derrubar”, fazer com que eu me sinta insegura e, por qualquer motivo, se torna irônico e me critica.”

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Há casais em que os ressentimentos dominam a relação, e eles não são capazes de se unir nem de se separar. Encontramos com frequência relações amorosas em que há luta pelo poder. Muitas vezes, o poder, que se mascara como amor, assume um papel bem importante na união de duas pessoas.

O psicoterapeuta americano Michael Miller, estudioso do tema, diz que se observam em relacionamentos com essa característica duas pessoas preocupadas em atacar a segurança ou a autonomia uma da outra, provocando recíproca ansiedade. Apesar de nenhuma delas estar preparada para abrir mão do relacionamento, cada uma tem como objetivo tomar o controle dele.

Em sua busca de poder na relação atacam-se os pontos mais vulneráveis do parceiro. Usam-se ameaças, alimentam-se o medo e a dúvida, de forma a paralisar a vontade do seu oponente. Cada troca de palavras tem um significado diferente do que aparenta, numa tentativa de prolongar a batalha pelo controle.

Alguns casais vivem assim quase o tempo todo. Muitos deles passam a vida juntos, frios um com o outro, sem comunicação, talvez com frequentes explosões – como duas pessoas que se esforçam para evitar brigas “por causa das crianças” ou para não escandalizar os vizinhos, mas, acima de tudo, para manter o casamento mais ou menos intacto. Quando falam de separação, é mais uma tática de intimidação do que a de real intenção de se afastarem.

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Você também vive um conflito amoroso e sexual? Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas. Ela pode ser comentada aqui no blog e sua identidade não será revelada.

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