Regina Navarro https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller 'A Cama na Varanda' e 'O Livro do Amor'. Sat, 15 Feb 2020 18:08:41 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Mulher decidiu ser submissa ao marido: por que isso é retrocesso lamentável https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/15/mulher-decidiu-ser-submissa-ao-marido-porque-isso-e-retrocesso-lamentavel/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/15/mulher-decidiu-ser-submissa-ao-marido-porque-isso-e-retrocesso-lamentavel/#respond Sat, 15 Feb 2020 07:00:19 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9328

Surgem grupos, principalmente nos EUA e no Reino Unido, que defendem e promovem estilo de vida baseado no papel da esposa tradicional. As ‘#tradwives’ decidiram deixar seus empregos para se dedicar totalmente ao trabalho doméstico e defendem que sua felicidade passa pela subserviência aos maridos e filhos. “Donas de casa da nossa geração que estão felizes em se submeter, cuidar da casa e mimar o marido como se fosse 1959”. Assim define o propósito das #tradwives Alena Kate Pettitt, fundadora da plataforma online The Darling Academy.

Durante cinco mil anos, as mulheres sofreram todo tipo de constrangimento familiar e social. Foram humilhadas, desprezadas, escravizadas. A elas foram negadas quase todas as experiências do mundo. Consideradas incompetentes e desinteressantes ficaram relegadas ao espaço privado. A luta das mulheres para se livrar da opressão tem sido longa e árdua. Mas esse retrocesso não é novidade.

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A primeira reação ao movimento feminista surgiu na década de 1980. A mídia americana divulgou alarmantes sinais de que as mulheres haviam perdido muito com sua revolta contra a histórica opressão masculina. A revista Newsweek informou que o estresse atacava mulheres, que agora eram executivas de empresas. As mulheres solteiras e independentes estavam “deprimidas e confusas” devido à “falta de homens”, disse o New York Times.

Acredito, entretanto, que as propostas absurdas contra as mulheres não sejam um retorno aos antigos valores. Mesmo porque tanto homens como mulheres possuem o mesmo potencial para os diversos comportamentos. A supremacia masculina, que perdurou tanto tempo, envenena todas as relações humanas, prejudicando também os homens.

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Por que é comum rompermos relações com o ex? https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/13/por-que-e-comum-rompermos-relacoes-com-o-ex/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/13/por-que-e-comum-rompermos-relacoes-com-o-ex/#respond Thu, 13 Feb 2020 07:00:19 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9323

Você já reparou que é comum uma pessoa passar anos ao lado de alguém, com muita intimidade, dividindo todos os momentos da vida e, de repente, como se tivesse sido desligada da tomada, deixar de ter qualquer importância? Deixa de existir no campo afetivo do outro, aliás, a impressão é a de que nunca existiu. Na maior parte das vezes é assim que acontece com os ex-casados. E o curioso é esse comportamento ser visto como natural.

Num casamento é possível viver junto, com satisfação durante algum tempo, mas é comum que, num determinado momento, surjam novos anseios. Não se deseja mais conviver diariamente com aquela pessoa, nem se sente mais desejo por ela. Entretanto, não significa absolutamente que o amor, caso houvesse, tenha acabado.

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Gilberto Gil percebeu isso quando compôs Drão para a ex-mulher:

Drão/não pense na separação/não despedace o coração/o verdadeiro amor é vão/estende-se infinito/imenso monólito/nossa arquitetura/Quem poderá fazer/aquele amor morrer/nossa caminha dura/cama de tatame/pela vida afora…

Mas é comum se aceitar o amor dentro de limites tão estreitos que ele se torna um sentimento frágil. Acredito numa incompetência generalizada para a vida amorosa. Poucos conseguem depois da separação continuar amando seu antigo parceiro e sendo amado por ele.

Um deve ser excluído para que se coloque outro no lugar. Entretanto, a relação amorosa pode ser rica, variada, e se realizar de modos diversos. Com o ex geralmente ela se transforma: passa a ter novos códigos e menos convívio. Mas não tem nada a ver com estar amando menos.

Talvez uma explicação esteja no fato de que numa vida a dois, investimos na relação, esperando que todas as nossas necessidades sejam preenchidas. Sentimo-nos protegidos e alimentamos a fantasia de que nada vai nos faltar.

O parceiro amoroso se torna, então, imprescindível, parte da nossa vida. Mas a questão é que a importância que ele tem não é própria, e sim trazida pelo vínculo amoroso, só perdurando enquanto existir a relação. Afinal, amamos estar amando; nos apaixonamos pela paixão.

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“Meu marido saiu de casa para viver com outra mulher e acho que vou morrer” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/10/meu-marido-saiu-de-casa-para-viver-com-outra-mulher-e-acho-que-vou-morrer/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/10/meu-marido-saiu-de-casa-para-viver-com-outra-mulher-e-acho-que-vou-morrer/#respond Mon, 10 Feb 2020 07:00:37 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9306

“Eu e meu marido estamos casados há 12 anos. De uns tempos pra cá, as coisas não andavam bem. Sexo se tornou raro e as conversas amistosas também. As brigas foram se sucedendo. Pensei várias vezes se não seria melhor nos separarmos, mas nunca tive coragem de tocar nesse assunto. Há um mês ele me chamou pra conversar e informou que estava saindo de casa. Disse que não me amava mais e iria viver com a outra mulher. Sinto uma dor tão profunda, que às vezes penso que vou morrer…”

 

***

A ideia de felicidade através do amor no casamento influi na intensidade da dor na separação. A família nuclear (pai, mãe e filhos), que caracteriza a época contemporânea, reduz a troca afetiva a um número pequeno de pessoas, sobrecarregando marido e mulher como depositários das projeções e exigências afetivas do outro.

Mesmo quando considerada necessária, ainda que a relação seja insatisfatória, e o parceiro não preencha as necessidades afetivas e sexuais do outro, a separação não deixa de ser uma experiência dolorosa, na maior parte das vezes. Mas, afinal, por que é tão difícil se separar? São várias as razões.

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Desde cedo somos levados a acreditar que a vida só tem graça se encontrarmos um grande amor. Se acontece, a expectativa é a de que vamos nos sentir completos para sempre, nada mais nos faltando. Isso é impossível, evidente, mas as pessoas se esforçam para acreditar e só desistem depois de fazer inúmeras concessões inúteis.

Deixar de ser amado ou desejado afeta a autoestima, e as inseguranças reaparecem. A pessoa se sente desvalorizada, duvidando de possuir qualidades. E para piorar tudo, na maioria dos casamentos, homens e mulheres abrem mão da liberdade e da independência, tornando-se mais frágeis em caso de ruptura.

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A menstruação e a inquietação dos homens com o corpo feminino https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/08/a-menstruacao-e-a-inquietacao-dos-homens-com-o-corpo-feminino/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/08/a-menstruacao-e-a-inquietacao-dos-homens-com-o-corpo-feminino/#respond Sat, 08 Feb 2020 07:00:13 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9315

Na Índia há muita desinformação sobre a menstruação, e falar do assunto causa constrangimento. Instituições indianas criaram então o “Feliz dia da Menstruação”, para tirar o estigma sobre o tema na sociedade indiana.

Em várias culturas o sangue ocupa lugar especial entre as interdições. O médico holandês Levinus Lemnius (1505-1568), autor de uma obra bem conhecida na Europa, afirma que o homem cheira bem naturalmente, ao contrário da mulher: “A mulher abunda em excrementos, e por causa de suas flores (menstruação) ela exala mau cheiro, também ela piora todas as coisas e destrói suas forças e faculdades naturais.”

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Ele acredita que o contato com o sangue menstrual destrói as flores e os frutos, amolece o marfim, faz o ferro perder o corte, enraivece os cães, provoca a fuga das abelhas, o aborto das éguas, a esterilidade das asnas. Para o Dr. Lemnius, o cheiro feminino é resultado do frio e da umidade próprias desse sexo, ao passo que “o calor natural do homem é vaporoso, doce e suave, e quase embebido por algum aroma”.

Ao contrário do homem, a mulher não cheira bem de jeito nenhum, segundo sua visão. O odor que ela exala é tão desagradável que a sua aproximação faz secar, sujar e escurecer a noz-moscada. O coral empalidece a seu contato, ao passo que se torna mais vermelho em contato com o homem.

Antes dele, gregos e romanos condenavam o ato sexual com mulheres menstruadas. Mais, eles acreditavam que o contato delas cegaria o fio de uma faca ou azedaria o vinho, ou ainda, se um cão lambesse aquele sangue contrairia hidrofobia. Não é difícil de perceber por que esses mitos se sustentavam. A função biológica da menstruação era desconhecida até bem pouco tempo.

As mulheres sofreram o que nunca saberemos, em função de sua natureza e da repercussão familiar e social de seu sangramento. Elas mesmas alimentaram profundos preconceitos com o seu corpo, e há registro de como muitas se julgaram amaldiçoadas, feiticeiras, tomadas pelo demônio, abandonando família e grupo social para recolherem-se ao exílio e à morte.

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13 mentiras que estão limitando sua vida amorosa como mulher https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/06/13-mentiras-que-estao-limitando-sua-vida-amorosa-como-mulher/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/06/13-mentiras-que-estao-limitando-sua-vida-amorosa-como-mulher/#respond Thu, 06 Feb 2020 07:00:26 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9303

É comum ouvir dizer que, passada a contestação dos anos 70, o comportamento dos jovens voltou a ser tão conservador quanto antes. Mas isso não é verdade.  No que diz respeito a amor, casamento e sexo, grandes transformações estão acontecendo. Valores aceitos durante séculos como verdades absolutas estão sendo questionados, por não dar mais respostas satisfatórias.

A mulher poder dividir o poder econômico com o homem e ter filhos se quiser e quando quiser é a transformação radical que comanda todas as outras subsequentes. Porém, a modificação da maneira de pensar não atinge a todas as pessoas ao mesmo tempo e é por isso que encontramos anseios e comportamentos tão diversos num mesmo grupo social.

Veja também:

Ainda existem pessoas insistindo em acreditar em mentiras que limitam a própria vida. Como são muitas, posso citar algumas que me ocorrem e você pode pensar em outras diferentes dessas:

  1. Só é possível a realização afetiva no casamento;
  1. Não é possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo;
  1. Quem ama não sente tesão por mais ninguém;
  1. Para resolver a questão da falta de tesão no casamento basta ser criativo;
  1. Homens e mulheres são por natureza emocionalmente diferentes;
  1. Ninguém pode ser feliz sem um par amoroso;
  1. Desejar relações amorosas e sexuais com parceiros variados significa imaturidade;
  1. O amor materno é da natureza da mulher e toda mulher deseja ter um filho;
  1. O pai não tem condições de criar um filho tão bem quanto a mãe;
  1. A iniciativa da proposta sexual cabe naturalmente ao homem;
  1. No sexo, o homem é naturalmente ativo e a mulher passiva;
  1. O homem gosta mais de sexo que a mulher;
  1. No casamento é importante ceder sempre.

Essa lista pode se estender por muitas páginas. Isso tudo, e muito mais, nos foi ensinado desde cedo. Quem acredita sofre. Abre mão de suas singularidades e nunca se arrisca a novas experiências.

Mas, felizmente, cada vez é maior o número de pessoas que duvidam dessas afirmações e dentro de algum tempo pode ser que a vida se torne bem mais satisfatória para elas.

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“Meu namorado é inteligente e bonito, mas na cama é uma tragédia” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/03/meu-namorado-e-inteligente-e-bonito-mas-na-cama-e-uma-tragedia/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/03/meu-namorado-e-inteligente-e-bonito-mas-na-cama-e-uma-tragedia/#respond Mon, 03 Feb 2020 07:00:52 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9289

“Namoro, há três meses, um homem por quem me apaixonei desde o início. Ele é inteligente e bonito, mas na cama é uma tragédia. E se eu digo qualquer coisa ele não aceita…. Nessas horas surge o machão — só ele sabe tudo. Acho que nunca ouviu falar em preliminares. Fica excitado, logo me penetra e goza. Até agora nãoconsegui ter orgasmo na transa com ele, embora esse nunca tenha sido um problema pra mim. Estou começando a me desapaixonar….”

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Não são poucas as mulheres que se queixam do desempenho sexual dos homens. A maior queixa parece ser mesmo o não prolongamento das preliminares. Com tanta repressão homens e mulheres foram inibidos na sua capacidade para o prazer sexual.

As mulheres tiveram sua sexualidade reprimida e distorcida, a ponto de até hoje muitas serem incapazes de se expressar sexualmente, muito menos atingir o orgasmo. Os homens, por sua vez, também tiveram a sexualidade bloqueada. A preocupação em não perder a ereção é tanta que muitos fazem um sexo apressado, com o único objetivo de ejacular.

Veja também:

Para dificultar mais ainda as relações entre os sexos, a mentalidade patriarcal delega as características “duras” aos homens e “moles” às mulheres, os homens competem e as mulheres demonstram emoção. Poucos homens conseguem experimentar a intimidade emocional com a mulher, em vez de somente a sexual.

Demonstrar ternura, se entregar relaxado à troca de prazer com a parceira é difícil. Perder o controle ou falhar é uma ameaça constante, tornando o sexo uma experiência ansiosa e limitada. É impossível ser amoroso quando se é travado emocionalmente.

Um grande amante não nasce do nada. É preciso aprendizagem e muita espontaneidade. Como em qualquer forma de arte, fazer sexo requer técnica e sensibilidade. Não ter preconceitos nem ideias estereotipadas a respeito do papel do homem e da mulher, mas disposição para proporcionar e receber prazer, são requisitos básicos.

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Abstinência como política: por que achamos que sexo é sujo e perigoso? https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/01/sobre-a-abstinencia-sexual/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/02/01/sobre-a-abstinencia-sexual/#respond Sat, 01 Feb 2020 07:00:14 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9294

A ministra Damares Alves incentiva a abstinência sexual como política pública para combater a gravidez precoce e a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Poderia parecer uma medida necessária para proteger os jovens. Mas será que por trás disso não se está reforçando a ideia nociva de que o sexo é algo sujo e perigoso?

A partir do Cristianismo, as pessoas passaram a acreditar na danação eterna por conta dos desejos sexuais. O grande movimento de fuga para o deserto vai em busca da pureza sexual. No final do século IV, somente no Egito, pelo menos 22 mil homens e mulheres haviam se afastado de suas comunidades a fim de ter vida monástica e ascética no deserto que se estendia ao longo do Nilo, mortificando o corpo para se livrar da tal danação.

Veja também:

Durante vários séculos, o casamento continente, ou seja, casamento sem relação sexual alguma, foi louvado como sendo a mais elevada forma de união entre homem e mulher. Essa forma de casamento existiu com bastante frequência, e chegou a ser falada a ponto de se transformar em obsessão. Sabendo disso, não fica difícil entender por que no século 21 tanta gente sofra com seus desejos, fantasias, medos e culpas.

Até o início do século 20, as moças iniciavam a vida sexual por volta dos 13, 14 anos ou até antes. Por questões econômicas ou de sobrevivência, geralmente por imposição da família, se casavam cedo e o objetivo do sexo era apenas gerar filhos. O prazer praticamente só existia para o homem. Por ser desnecessário à procriação, para a mulher não era nem cogitado. Ao contrário, a dor e o sofrimento faziam parte do sexo.

Na década de 1960, com o advento da pílula anticoncepcional, pela primeira vez na história da humanidade o sexo foi dissociado da procriação e passou a se relacionar intimamente com o prazer.

A profunda modificação fisiológica que ocorre na puberdade, com o aumento da produção de androgênios e estrogênios, prepara o corpo para a reprodução, intensificando o desejo sexual no homem e na mulher. A busca da satisfação é o caminho natural. Entretanto, o controle sobre o prazer continua a ser exercido.

A doutrina de que há no sexo algo pecaminoso é totalmente inadequada, causando sofrimentos que se iniciam na infância e continuam pela vida afora. O filósofo inglês Bertrand Russel diz em um dos seus livros: “Mantendo numa prisão o amor sexual, a moral convencional concorreu para aprisionar todas as outras formas de sentimento amistoso, e para tornar os homens menos generosos, menos bondosos, mais arrogantes e mais cruéis.”

O neuropsicólogo James W. Prescott, do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano, de Maryland, EUA, publicou em 1975 o resultado estatístico da análise de 400 sociedades pré-industriais e comprovou que aquelas culturas que dão muito afeto físico a seus filhos e não reprimem a atividade sexual de seus adolescentes são culturas pouco inclinadas à violência.

Ele afirma que uma personalidade orientada para o prazer raramente exibe condutas violentas ou agressivas e que uma personalidade violenta tem pouca capacidade para tolerar, experimentar ou gozar atividades sensualmente prazerosas.

Acredito que o jovem deve iniciar sua vida sexual quando desejar. Os pais e a sociedade devem cuidar para que isso ocorra da forma mais natural e prazerosa possível. A saúde mental e social das pessoas depende disso.

Certamente muitos casos de impotência, ejaculação precoce e ausência de orgasmo feminino seriam evitados, assim como diversos tipos de agressão sexual.
Só mais um detalhe: o uso da pílula e da camisinha deveria fazer parte da educação, como o ato de tomar banho e de escovar os dentes.

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Quando casal transa, mas não se beija mais, a relação acabou? https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/01/30/quando-casal-transa-mas-nao-se-beija-mais-a-relacao-acabou/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/01/30/quando-casal-transa-mas-nao-se-beija-mais-a-relacao-acabou/#respond Thu, 30 Jan 2020 07:00:27 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9284

Às vezes, o beijo desperta paixões, como aconteceu com Scarlett e Rhett no filme E o Vento Levou, quando a heroína descobre no poder mágico de um beijo a dimensão até então desconhecida da felicidade física, que muda toda a história. Pode também deixar marcas indeléveis na memória, como dizia Brigitte Bardot a Jean-Louis Trintignant em E Deus criou a mulher: “Se me beijares, nunca mais me esquecerás.”

Entretanto, em alguns casos o beijo promove o efeito contrário: o desencanto amoroso. E ninguém sabe bem explicar por quê. Talvez seja mesmo uma questão de química pessoal e a resposta, meramente biológica. Segundo os cientistas, existem substâncias produzidas por glândulas sebáceas dentro da boca e nas bordas dos lábios que, passadas de uma pessoa para outra, provocariam intenso desejo sexual ou sensação de desagrado.

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Por tocar tão fundo na alma, apesar de desejado, o beijo também encerra a ideia de perigo. É sabido que as prostitutas se protegem do envolvimento amoroso com seus clientes se recusando a beijá-los.  Há mais de dois mil anos, na Grécia, já se temiam as consequências do beijo. Xenofonte, em Memoráveis, faz seu mestre Sócrates dizer que o beijo de um belo rapaz é mais perigoso do que a picada de uma tarântula, porque o contato dos lábios com um jovem reduz instantaneamente à escravidão o mais velho que se arriscou a ele.

E quando um casal não mais se beija?  Significa que a relação está chegando ao fim? Tudo indica que beijar é a primeira ação íntima que cessa quando um relacionamento entra em decadência. O sexo ainda sobrevive mais um pouco. Aquela rotineira e fraternal troca de beijos no rosto pode bem exprimir que o desejo sexual ardente de um pelo outro já é coisa do passado. Assim, é possível que o beijo funcione como termômetro, medindo o grau de intensidade do desejo em uma relação.

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“Meu marido repete comportamento tradicional dos pais e não muda. Cansei” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/01/27/meu-marido-repete-comportamento-tradicional-dos-pais-e-nao-muda-cansei/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/01/27/meu-marido-repete-comportamento-tradicional-dos-pais-e-nao-muda-cansei/#respond Mon, 27 Jan 2020 07:00:17 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9275

“Estou casada há seis anos e já pensei várias vezes em me separar. Meu marido não é má pessoa; apenas repete o comportamento tradicional dos seus pais. Eu sair com meus amigos sozinha, não querer ir todos os domingos almoçar na casa dos sogros, viajar com uma amiga, são alguns exemplos do que ele não aceita bem. Fico exausta por ter que ouvir seus argumentos conservadores. Acho que cansei de tudo isso; só falta um pouco mais de coragem pra cair fora.”

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Na primeira metade do século 20, uma mulher se considerava feliz se seu marido não deixasse faltar nada em casa e fizesse todos se sentirem protegidos. Para o homem, a boa esposa seria aquela que cuidasse bem da casa e dos filhos e, mais que tudo, mantivesse sua sexualidade contida. As mudanças começaram a ocorrer mais claramente após a década de 1940. O amor entrou no casamento, e este passou a ser sinônimo de felicidade e, por conseguinte, uma meta a ser alcançada por todos.

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A modificação radical dos costumes se inicia na década de 1960, com o advento da pílula anticoncepcional. A mulher reivindica o direito de fazer do seu corpo o que bem quiser, e assim a sexualidade se dissocia pela primeira vez da procriação. O modelo de casamento romântico, para a vida toda, em que deve ser alcançada a complementação total entre os parceiros, passa a ser questionado.

E agora, a quantas anda o casamento? Tudo indica que se torna cada vez mais difícil permanecer casado. A autorrealização das potencialidades individuais passa a ter outra importância, colocando a vida conjugal em novos termos. Acredita-se cada vez menos que a união de duas pessoas deva exigir sacrifícios. Observa-se uma tendência a não se desejar mais pagar qualquer preço apenas para ter alguém ao lado. É necessário que o outro enriqueça a relação, acrescente algo novo, possibilite o crescimento individual.

Não é nada fácil harmonizar a aspiração de individualidade com o casamento, mas homens e mulheres estão cada vez menos dispostos a sacrificar seus projetos pessoais. Portanto, é provável que, do ponto de vista afetivo-sexual, o grande conflito que se vive neste momento se situe entre o desejo de fusão com o outro e o desejo de liberdade.

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Qual é o valor de uma mulher no casamento? https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/01/25/qual-e-o-valor-de-uma-mulher-no-casamento/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2020/01/25/qual-e-o-valor-de-uma-mulher-no-casamento/#respond Sat, 25 Jan 2020 07:00:12 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9280

O governo do Japão está incentivando homens a tirarem licença-paternidade diante da crise demográfica enfrentada pelo país, mas há um novo desafio. Segundo uma pesquisa, quase um terço das mães relatou que seus parceiros ajudam pouco em casa durante a licença. As mães que participaram da pesquisa disseram que, muitas vezes, elas mesmas acabavam fazendo as tarefas domésticas ou que seus maridos usavam parte do tempo para se divertir. A desigualdade de gênero nas tarefas domésticas no Japão tem chamado a atenção do mundo todo.

Embora a mentalidade do Ocidente, no que diz respeito ao papel do homem e da mulher, esteja em profunda transformação não é difícil ainda encontrarmos por aqui comportamentos semelhantes ao dos japoneses. Afinal, a mudança na forma de pensar e viver é lenta e gradual.

Veja também:

Em 1947, a psicanalista Marynia Farnham e o sociólogo Ferdinand Lundberg publicam o best seller Mulher moderna: o sexo perdido, onde dizem: “As insatisfações da mulher se devem exclusivamente ao seu fracasso no amor, resultado de sua incapacidade de ser uma verdadeira mulher. A mulher saudável é aquele que seguiu seu destino biológico e procriador, que aprendeu a fazer crochê, evitou o ensino superior a todo o custo, pois isso a tornaria frígida, e adotou uma forma feminina de vida.”

Na Inglaterra, a supremacia masculina é tão clara que um guia dos anos 50, “Como ser uma esposa perfeita”, aconselha: “Sejam alegres.. preocupando-se com o conforto dele trará grandes satisfações pessoais… Mostre sinceridade no desejo de agradar … Fale com voz lenta, quente e agradável… Lembre-se que ele é o patrão e que por isso vais exercer sempre seu poder com justiça  e habilidade…Não faça perguntas …uma boa esposa sabe reconhecer seu lugar.”

As mulheres eram consideradas incompetentes e desinteressantes, e lhes eram negadas quase todas as experiências do mundo. A expectativa em relação à mulher casada era a de que se contentasse com a vida em família.

A responsabilidade pela estabilidade no casamento é da esposa, que deve sacrificar-se para mantê-lo. E a melhor forma de conseguir isso é atrair o marido com afeição e serviços, engolindo as reclamações e cobranças.

No Brasil, em que a violência contra a mulher atinge níveis absurdos, seria interessante adotar o mesmo que as escolas do estado australiano de Victoria, em que há aulas sobre estereótipos de gênero.

Com o nome de “Relações Respeitosas”, a disciplina abrange o ensino fundamental e o ensino médio e tem como objetivo discutir questões como desigualdade social, violência de gênero e privilégio masculino. Afinal, um estudo divulgado pela Unicef, em 2016, mostrou que as meninas passam 160 milhões de horas a mais se dedicando a tarefas domésticas do que meninos, o que afeta seu desenvolvimento pessoal e profissional.

 

 

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