Regina Navarro https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller 'A Cama na Varanda' e 'O Livro do Amor'. Thu, 06 Dec 2018 06:00:44 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Certa vez, falei sobre amor com um dos pensadores mais libertários do país https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/12/06/certa-vez-falei-sobre-amor-com-um-dos-pensadores-mais-libertarios-do-pais/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/12/06/certa-vez-falei-sobre-amor-com-um-dos-pensadores-mais-libertarios-do-pais/#respond Thu, 06 Dec 2018 06:00:44 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8316

Ilustração: Caio Borges

Há alguns anos tive a oportunidade de conversar longamente sobre o amor com um dos pensadores mais libertários do país, o psicoterapeuta e escritor Roberto Freire (1927-2008). A seguir parte da nossa conversa.

Como você acha que vai ser o amor no futuro?

Cito esta frase da declaração do meu amor anarquista, no livro Ame e dê vexame: “Porque eu te amo, tu não precisas de mim. Porque tu me amas, eu não preciso de ti. No amor, jamais nos deixamos completar. Somos deliciosamente desnecessários.”

Por que sofre tanto o amor?

O prazer e a dor são dois indicativos do funcionamento normal do instinto da irritabilidade animal. São eles que orientam e guiam nossas opções de vida. Por isso o amor dói quando não está sendo bem vivido e é o maior prazer possível quando amamos criativamente e livremente de modo simultâneo. Perder um grande amor é extremamente doloroso. Mas é extremamente difícil fazer avaliações sobre o amor enquanto ele está durando. Parece que alguma coisa estranha nos oblitera a clara compreensão das sensações amorosas — como o ciúme, o sentimento de posse, as fantasias, a desconfiança. Por isso, afirmei certa vez que do amor só se pode fazer necropsia, nunca biópsia. Quando o amor acaba a gente pode, então, entender e explicar todo o processo da sua causa à morte.

É fundamental uma relação amorosa estável?

Não. Porque a relação estável depende de muita segurança e evita o risco, como a criatividade e a liberdade. Tudo o que existe e é vivo tem começo, meio e fim, não podendo ser determinado por nós sem autoritarismo. Cada amor tem seu tempo e independe de nossa vontade.

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De uns tempos para cá vem diminuindo muito a disposição das pessoas para sacrifícios. A maioria busca desenvolver ao máximo suas possibilidades e sua individualidade, evitando manter relações insatisfatórias. Afinal, há muito a ser vivido. Ao contrário da época em que, excetuando os casos de intenso sofrimento, ninguém se separava, hoje a duração dos casamentos é cada vez menor.

Para o filósofo francês Pascal Bruckner, o medo de perder a independência prevalece sobre o pudor de antigamente. É o que procuram as sociedades modernas: por a lei a serviço das paixões, em vez de enquadrar as paixões na lei. Acompanhar cada mudança nos costumes, mesmo que seja necessário reformular as instituições para melhor adaptá-las.

“Cavalgar o tigre mesmo correndo o risco de ser derrubado, canalizar, pela concordância, o rio impetuoso das emoções que os antepassados represavam com proibições. É uma louca ambição, cujos efeitos se fazem sentir.”, diz ele. É inegável que  aumenta o número dos que buscam relacionamentos amorosos distantes dos padrões tradicionais.

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A mulher que, aos 89 anos, ensina outras mulheres a ter prazer sexual https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/12/04/a-mulher-que-aos-89-anos-ensina-outras-mulheres-a-ter-prazer-sexual/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/12/04/a-mulher-que-aos-89-anos-ensina-outras-mulheres-a-ter-prazer-sexual/#respond Tue, 04 Dec 2018 10:37:12 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8314

Ilustração: Caio Borges

Nos anos 1960, a artista plástica americana Betty Dodson agarrou como bandeira de luta a liberação sexual das mulheres, ao perceber que muitas fingiam orgasmo. Hoje, aos 89 anos de idade, se orgulha de há décadas ajudar as mulheres a terem prazer, ensinando-lhes técnicas de masturbação.

“Senti a necessidade de instruí-las, o orgasmo não é alcançado pela magia. A autonomia sexual representa uma dose de liberdade para as mulheres; um momento em que se reconciliam consigo mesmas e se afastam de suas inseguranças.”, diz ela.

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Até hoje Betty recebe mulheres, de todas as idades, em suas oficinas. As imagens das conferências dadas por ela estão expostas na Biblioteca da Universidade Harvard, na seção “A História das Mulheres na América”.

Muitos acham estranho que sexo, sendo algo natural, necessite de cursos. Ocorre que sexo é natural para a procriação, mas para o prazer necessita de  aprendizagem. E como em toda forma de arte, fazer sexo bem depende de técnica e sensibilidade.

No século 19, o prazer sexual era visto como algo degradante. O neuro psiquiatra alemão Krafft-Ebing, estudioso da patologia sexual, encarava a sexualidade, para as mulheres, como uma espécie de doença repugnante. No século 20, houve uma grande transformação.  Vários estudos sobre a sexualidade elevaram a sexologia a um ramo legítimo das ciências humanas.

Mas foi a partir dos anos 1960 que surgiu um novo discurso feminino expressando a sexualidade da mulher e manifestando sua insatisfação.  Hoje, é crescente o número de mulheres que procura ajuda por causa da dificuldade ou incapacidade de atingir o orgasmo. Contudo, calcula-se atualmente que  cerca de 60% das mulheres em atividade sexual ainda não têm orgasmo.

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“Minha mulher transou com outro homem, mas diz que foi só sexo” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/12/03/minha-mulher-transou-com-outro-homem-mas-diz-que-foi-so-sexo/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/12/03/minha-mulher-transou-com-outro-homem-mas-diz-que-foi-so-sexo/#respond Mon, 03 Dec 2018 06:00:53 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8310

Ilustração: Caio Borges

“Tenho 42 anos, sou casado há 11, e estou péssimo desde que descobri que minha mulher transou com outro homem. Nunca pensei que me sentiria assim. Conversamos e fiquei mais inseguro ainda. Ela diz que continua me amando do mesmo jeito de sempre e que não tem envolvimento amoroso nenhum com o cara. Fico na dúvida porque sempre acreditei que é fácil a mulher se envolver quando faz sexo com um homem.”

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Apesar de no século 19 muitas teorias terem sido criadas afirmando que a mulher não se interessa por sexo, que seu único prazer seria cuidar dos filhos, isso não corresponde à visão predominante na história da sexualidade humana.

A antropóloga americana Helen Fisher acredita que se tivéssemos perguntado a Clellan Ford e a Frank Beach, pesquisadores sexuais dos anos 50, qual dos dois sexos era mais interessado na variedade sexual, eles teriam respondido: “Naquelas sociedades que não têm padrões duplos nas questões sexuais, e em que é permitida uma variedade de ligações, as mulheres utilizam tão ansiosamente suas oportunidades quanto os homens.”

Kinsey concordava dizendo: “Mesmo naquelas culturas que tentam com mais rigor controlar o coito extraconjugal feminino, está absolutamente claro que tal atividade ocorre, e em muitos casos ocorre com considerável regularidade.”

O duplo padrão do adultério – homem pode, mulher não – está desaparecendo. Durante cinco mil anos os homens acreditaram ser somente deles esse direito. Mas começam a pensar diferente. A pílula anticoncepcional, possibilitando o movimento de emancipação feminina e a revolução sexual, foi fundamental para a mudança das mentalidades.

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Solidão na velhice pode se tornar coisa do passado com casas compartilhadas https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/11/30/solidao-na-velhice-pode-se-tornar-coisa-do-passado-com-casas-compartilhadas/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/11/30/solidao-na-velhice-pode-se-tornar-coisa-do-passado-com-casas-compartilhadas/#respond Fri, 30 Nov 2018 06:00:08 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8305

Foto: Getty Images

Um grupo de professores aposentados da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) planeja construir uma vila perto do campus exclusiva para quem tem mais de 55 anos.

A Vila ConViver deve ficar pronta em 2021 e terá 44 casa. Na moradia compartilhada as casas são construídas umas de frente para as outras, com jardins e áreas de lazer compartilhadas. Haverá ainda espaços de uso comum, como lavanderias, bibliotecas e refeitórios. A ideia é que os moradores possam se apoiar, porque não é raro após a aposentadoria haver a perda dos vínculos sociais.

Na Espanha há vários projetos construídos para se passar a última etapa da vida com pessoas queridas. Víctor Gómez e Cruz Roldán, dois amigos, que se conheceram numa excursão antes dos 50 anos, imaginaram o futuro: por que não envelhecer juntos, eles e suas famílias?

A ideia deu origem a uma república autogerida na cidade espanhola de Cuenca.  “Mas era mais do que isso, era um grupo de estilo de vida”, relembra Roldán, hoje com 79 anos. Hoje são 87 sócios e o lema é “Dar vida à idade”. “Mas não ficamos sentados o dia todo em uma cadeira entre desconhecidos”, explicou um dos amigos. Compartilham tarefas, mantêm-se ativos, mas conservam sua independência.

O prolongamento da vida até idades mais avançadas corresponde a uma mudança marcante das últimas décadas do século 20. Com o aumento da expectativa de vida, tendo boa saúde, à melhoria da condição social das pessoas idosas e à possibilidade de os mais velhos aproveitarem tanto a sociabilidade quanto os lazeres autônomos, não se limitando mais a frequentar a própria família.

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Há pessoas que insistem em acreditar em erros que limitam o amor e o sexo https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/11/29/ha-pessoas-que-insistem-em-acreditar-em-erros-que-limitam-o-amor-e-o-sexo/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/11/29/ha-pessoas-que-insistem-em-acreditar-em-erros-que-limitam-o-amor-e-o-sexo/#respond Thu, 29 Nov 2018 06:00:38 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8301

Ilustração: Caio Borges

Ninguém duvida que, desde a década de 1960, com o surgimento de métodos contraceptivos eficazes, as mudanças são muitas no que diz respeito ao amor, casamento e sexo. Valores aceitos durante milênios como verdades absolutas estão sendo questionados, por não darem mais respostas satisfatórias.

Por serem tão profundas, essas mudanças só vão ser percebidas com clareza quando todo esse processo estiver concluído. E pode ser que demore algumas décadas ainda. Entretanto, não significa que qualquer pessoa não possa usufruir desde já das vantagens de viver fora de modelos impostos. Só é necessário coragem para experimentar o novo, o que muita gente não ousa por medo. Fica mais fácil se agarrar aos padrões de comportamento conhecidos, apesar de todas as frustrações.

A terapeuta de casais Esther Perel aponta que “para a maioria das pessoas, a menção a relações sexualmente abertas faz acender o sinal vermelho. Poucos assuntos ligados ao compromisso do amor evocam uma reação tão visceral. E se ela se apaixona por ele? E se ele nunca mais voltar? A ideia de amar uma pessoa e fazer sexo impunemente com outra assusta. Tememos que a transgressão de um limite acarrete a violação potencial de todos os limites. Contra essa “decadência”, a única barricada é formar um casal. Isso nos protege de nossos impulsos. É nossa melhor defesa contra a animalidade desenfreada.”

Mas, afinal, que mudanças tão profundas são essas? A mulher poder dividir o poder econômico com o homem e ter filhos se quiser e quando quiser é a transformação radical que comanda todas as outras subsequentes. Porém, a modificação da maneira de pensar não atinge a todas as pessoas ao mesmo tempo e é por isso que encontramos anseios e comportamentos tão diversos num mesmo grupo social.

Ainda existem pessoas insistindo em acreditar em equívocos que limitam a própria vida. Como são muitos, posso citar alguns que me ocorrem de imediato e você pode pensar em outros além desses:

—   Só é possível a realização afetiva no casamento

—   Ninguém pode ser feliz sem um par amoroso

—    Não é possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo

—   Quem ama não sente desejo por mais ninguém

—   O amor materno é da natureza da mulher e toda mulher deseja ter um filho

—   O pai não tem condições de criar um filho tão bem quanto a mãe

—   A iniciativa da proposta sexual cabe naturalmente ao homem

—   O amor romântico é o único amor verdadeiro

—   No sexo o homem é por natureza ativo e a mulher passiva

—   No casamento é importante ceder sempre para se viver bem

Esta lista pode se estender por muitas páginas. Isso tudo e muito mais nos foi ensinado desde cedo. Quem acredita, sofre. Abre mão das próprias singularidades e nunca se arrisca a novas experiências. Mas, felizmente, cada vez é maior o número de quem duvida dessas afirmações.

O desejo crescente, que se observa em homens e mulheres, de não participar de relações amorosas tradicionais é provavelmente consequência da diminuição do ideal de fusão com uma única pessoa, característica do amor romântico.

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“Depois que terminei a relação, ele passou a me perseguir o tempo todo” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/11/26/depois-que-terminei-a-relacaoe-ele-passou-a-me-perseguir-o-tempo-todo/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/11/26/depois-que-terminei-a-relacaoe-ele-passou-a-me-perseguir-o-tempo-todo/#respond Mon, 26 Nov 2018 06:00:10 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8292

Ilustração: Caio Borges

“Nunca pude imaginar viver o que estou vivendo… Namorei um cara durante seis meses. No início, estava apaixonada; tínhamos uma boa relação amorosa. Mas, aos poucos, ele foi deixando à mostra um outro lado, às vezes ríspido, com volume de voz alto muitas vezes. No dia seguinte a uma discussão, quando eu tinha dormindo na casa dele, esperei que saísse para o trabalho e caí fora. Ele então não me deu mais sossego; me persegue o tempo todo. Me liga dezenas de vezes por dia, fica na porta do meu trabalho esperando eu sair, me segue a alguma distância, enviava um número absurdo de mensagens. Não aguento mais, mas não adianta eu ir à polícia, porque não tenho nada pela lei que o criminalize.”

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Este é um caso de stalking, que significa espreitar furtiva e persecutoriamente, como se faz com a caça. Stalking é um comportamento que recebeu atenção nacional nos EUA, onde aprovaram legislação anti-stalking. Suas vítimas sofrem muito. Um terço delas necessita tratamento psicológico.

O medo se origina de importunações infligidas por tais perseguidores (stalkers), inclusive telefonar repetidamente para as vítimas em casa e no trabalho, tocar a campainha, inundar as vítimas de flores, pular inesperadamente das moitas, bombardear as vítimas com insultos e súplicas verbais, e em geral segui-las por toda a parte.

A grande maioria dos stalkers já esteve envolvida romanticamente com suas vítimas. J. Reid Meloy, psicólogo especializado em medicina legal, concluiu que o stalking poderia ser definido como “um comportamento anômalo e extravagante, causado por vários distúrbios psicológicos (narcisismo patológico, pensamentos obsessivos etc), nutridos por mecanismos inconscientes como raiva, agressividade, solidão e inaptidão social, podendo ser classificado como patologia do apego”.

O que se sabe é que, diante de uma recusa da parte contrária, ou movido pelo desejo de proximidade, um stalker desenvolve uma habilidade incomparável para “elaborar estratégias repetidas e indesejáveis só para manter contato: suas ações são tão exageradas (telefonemas e mensagens numerosas e incansáveis, por exemplo) que fazem com que a vítima sinta medo e angústia”, diz Meloy.

 

 

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Ronaldinho Gaúcho tinha duas parceiras. E se fosse uma mulher? https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/11/24/ronaldinho-gaucho-tinha-duas-parceiras-e-se-fosse-uma-mulher/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/11/24/ronaldinho-gaucho-tinha-duas-parceiras-e-se-fosse-uma-mulher/#respond Sat, 24 Nov 2018 13:21:19 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8297

Ronaldinho Gaúcho tinha duas parceiras (Reprodução/Instagram)

O ex-jogador Ronaldinho Gaúcho terminou a relação com as suas duas mulheres. Os três viviam juntos há um ano. Nos últimos meses, Priscila e Beatriz viajaram para vários países com Ronaldinho. Fãs os fotografaram em restaurantes e em festas.

Essa situação não é novidade em outras partes do mundo. Num estudo de 853 culturas, apenas 16% são monogâmicas. Isto significa que 84% das sociedades humanas permitem ao homem ter mais de uma esposa de cada vez — sistema denominado poligamia.

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O Livro Guiness dos recordes aponta Moulay Ismael, imperador do Marrocos, como o homem que teve o maior harém de que se tem registro. Ele tem 888 filhos com suas várias esposas.

Muitos se espantam que isso ocorra no Ocidente. São muitas as maneiras possíveis de se viver o amor, mas a multiplicidade de opções da vida amorosa pode levar a escolhas difíceis de harmonizar com o social. Por ser ainda a mais tradicional e aceita, a maioria prefere uma ligação estável com outra pessoa.

Isso me faz lembrar um comentário do psicoterapeuta e escritor José Ângelo Gaiarsa (1920-2010): “Somos por tradição sagrada tão miseráveis de sentimentos amorosos que havendo um já nos sentimos mais do que milionários e renunciamos com demasiada facilidade a qualquer outro prêmio lotérico do amor.”

Há algum tempo perguntei a diversas pessoas se é possível ter dois amores simultâneos. Selecionei duas respostas:

Geraldinho Carneiro, poeta e escritor: “Eu nunca consegui amar duas pessoas ao mesmo tempo. Já tentei várias vezes, mas dancei, foi terrível…Consegui manter deliciosamente relações dúplices durante 15, 20 dias, mas depois virou um inferno, uma coisa pavorosa. E sempre com um final desastroso…as duas relações se romperam. Até por incompetência minha acabo sendo monogâmico. Mas acho que tudo isso está sob o domínio dessa massa de informação cultural que preconiza que uma única relação seja absoluta.”

Moacyr Scliar, escritor: “É possível amar muito mais de duas pessoas. Não estou falando em diferentes tipos de amor (amor aos filhos, amor aos pais), estou falando no relacionamento habitual. Aquilo que buscamos, que nos atrai, pode estar em muitas pessoas.  E cada uma delas será objeto do nosso amor.”

Vamos aguardar então outras opiniões quando a notícia for de uma mulher casada com dois homens. Como você imagina que serão as respostas?

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Menos famoso do que “Kama Sutra”, “Livro das Almofadas” também fala de sexo https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/11/22/menos-famoso-do-que-kama-sutra-livro-das-almofadas-tambem-fala-de-sexo/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/11/22/menos-famoso-do-que-kama-sutra-livro-das-almofadas-tambem-fala-de-sexo/#respond Thu, 22 Nov 2018 06:00:24 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8288

Ilustração: Caio Borges

Menos conhecido no Ocidente do que o “Kama Sutra” é o “Livro das Almofadas”. Escrito em 2500 a.C., ele foi encomenda do Imperador chinês Huang-Ti. Sob a forma de diálogo, o primeiro manual da sexualidade que se tem notícia tinha por objetivo auxiliar na satisfação dos casais.

O “Livro das Almofadas” aceita a maioria das atividades sexuais como normal. O taoísmo considera o sexo um ritual sagrado, mas incentiva a alegria durante a batalha na cama. Segundo a filosofia taoísta, há uma luta, um confronto entre forças, vantajoso para os parceiros. A excitação de ambos é fundamental; para os chineses não se deve praticar o sexo se não estivermos em pleno auge do ânimo. Eles consideram a falta de excitação como a principal causa da impotência.

A terminologia do tao possui um brilho próprio. O vocabulário invoca imagens da natureza muito poéticas para falar de sexo:

Orgasmo: estouro de nuvens, tufão.

Pênis: pico, talo ou haste, raiz de jade, pilar do dragão celestial, cabeça de tartaruga, pássaro vermelho, cogumelo entumescido.

Vagina: portal de jade, pavilhão, portão rubro, flor de peônia aberta, lótus dourada, vaso receptor, portal de coral, terraço de joias, vala dourada, pérola no degrau.

O “Livro das Almofadas” enfatiza as preliminares. Abraços, beijos, carinhos suaves são o início de qualquer relação sexual. A mulher apalpa o talo para a energia Yin fluir. Mas mesmo que pareça aos amantes que o momento da penetração chegou, é preciso resistir, e excitar-se mais, ensina o tao.

Utilizando a terminologia, é assim descrito o coito: o talo de jade paira sobre o portão rubro, carinhosamente, enquanto acaricia o terraço de joias (clitóris). Quando a lubrificação chegar ao ponto, o homem deve enterrar fundo, com movimentos circulares e alternando estocadas profundas. Depois mover-se rápido como um rato perseguido até a sua toca.

 

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“Tenho uma família maravilhosa, mas me apaixonei por outra mulher” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/11/19/tenho-uma-familia-maravilhosa-mas-me-apaixonei-por-outra-mulher/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/11/19/tenho-uma-familia-maravilhosa-mas-me-apaixonei-por-outra-mulher/#respond Mon, 19 Nov 2018 06:00:22 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8282  

Ilustração: Caio Borges

“Tenho vivido uma situação estranha, dolorosa e deliciosa ao mesmo tempo. Sofro porque, após oito anos de casamento com uma mulher, que continuo amando, e com quem tive dois filhos maravilhosos, conheci e me apaixonei por outra mulher. Contei para minha esposa e saí de casa. Gosto demais dela e não gostaria que ela sofresse. Mas o que eu poderia fazer? Tenho a consciência tranquila de que fui honesto. Vivo a delícia dessa nova paixão, mas não gostaria de perder o convívio com minha esposa e meus filhos…”

***

A felicidade no casamento depende das expectativas que se depositam na vida a dois. Antigamente as opções de atividades fora do convívio familiar eram bastante limitadas, não só para as mulheres que cuidavam da casa e dos filhos, como para os homens que do trabalho iam direto para o aconchego do lar. Desconhecendo outras possibilidades de vida, não almejavam nada diferente, e o grau de insatisfação era muito menor. Havia um conformismo generalizado.

Entretanto, o movimento de emancipação feminina e a liberação sexual dos anos 60 trouxeram mudanças profundas na expectativa de permanência de uma relação conjugal. Surgiram muitas opções de lazer, de desenvolver interesses vários, de conhecer outras pessoas e outros lugares. Sem falar numa maior permissividade social para novas experimentações, nunca ousadas anteriormente.

Ao contrário da época em que, excetuando os casos de intenso sofrimento, ninguém se separava, hoje a duração dos casamentos é cada vez menor. Isso ocorre porque quando uma pessoa se vê privada das perspectivas que são de alguma forma possíveis, a frustração é inegável.

Hoje, os anseios são bem diferentes e as expectativas em relação ao casamento tornaram-se muito mais difíceis, até mesmo impossíveis de serem satisfeitas. As pessoas escolhem seus parceiros por amor e esperam que esse amor e o desejo sexual que o acompanha sejam recíprocos e duradouros. Se diminui a emoção na vida a dois ou se o sexo deixa de proporcionar intenso prazer, decreta-se o fim do casamento. No caso do homem isso acontece, na maioria das vezes, se ele encontra um novo amor.

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Da China ao Ocidente, assim se constrói o machão… https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/11/16/da-china-ao-ocidente-assim-se-constroi-o-machao/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/11/16/da-china-ao-ocidente-assim-se-constroi-o-machao/#respond Fri, 16 Nov 2018 12:40:02 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8285

(Crédito: Getty Images)

Preocupados com uma suposta falta de masculinidade dos meninos chineses, foi fundada, há seis anos, na cidade de Qinhuangdao, no leste da China, uma escola baseada na disciplina militar. Os alunos, que têm ente 5 e 12 anos de idade, correm sem camisa no inverno, escalam montanhas e aprendem a brigar aos gritos de “Quem somos? Somos homens!”.

Inspirados em filmes com muitos estereótipos do “macho tradicional”, o rígido treinamento militar tem como objetivo transformar os meninos em “homens de verdade”. Usando luvas de boxe, os professores os ensinam a mostrar sua virilidade através da força e sem choro. Eles aprendem também a reprimir a expressão das emoções e dos sentimentos.

No Ocidente, desde pequenos, os meninos também são desafiados a provar sua masculinidade. A roupinha azul para o menino e a rosa para a menina inauguram as diferenças marcantes que a partir de então a sociedade vai delinear. Atitudes e comportamentos femininos e masculinos são ensinados às crianças desde muito cedo e dessa forma vão sendo assimilados a ponto de serem confundidos, mais tarde, como fazendo parte de suas naturezas.

A masculinidade é uma ideologia que justifica a dominação exercida pelo homem e, portanto, deve ser construída. Nunca relaxar para sempre ser considerado macho gera angústia nos homens, além de sentimento de inferioridade entre eles. Ser homem requer um esforço sobre-humano. Ele é tão emotivo e sensível quanto a mulher, mas aprende que para ser macho não pode chorar. Tem que ser agressivo, não ter medo de nada e, mais do que tudo, ser competente no sexo, ou seja, nunca falhar.

Ainda bem que as mentalidades estão mudando. Em várias partes do mundo os homens já demonstram insatisfação em ter que corresponder ao que deles se espera, e discutem cada vez mais a desconstrução do machismo, fazendo a mesma pergunta feita por John Lennon: “Não está na hora de destruirmos a ética do macho?… A que nos levaram todos esses milhares de anos?”

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