Regina Navarro http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller 'A Cama na Varanda' e 'O Livro do Amor'. Mon, 20 Feb 2017 10:00:35 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Você considera fundamental haver preliminares no sexo? Por quê? http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/20/voce-considera-fundamental-haver-preliminares-no-sexo-por-que/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/20/voce-considera-fundamental-haver-preliminares-no-sexo-por-que/#respond Mon, 20 Feb 2017 10:00:35 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=6825 A PERGUNTA DA SEMANA entra no ar sempre às segundas-feiras. Na terça-feira, comento o tema e o resultado da pesquisa.

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A excitação especial da esposa com outro http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/18/a-excitacao-especial-da-esposa-com-outro/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/18/a-excitacao-especial-da-esposa-com-outro/#respond Sat, 18 Feb 2017 09:00:30 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=6816

Ilustração: Lumi Mae

Comentando o “Se eu fosse você”

A questão da semana é o caso do internauta casado há 13 anos. Ele e a mulher decidiram fazer sexo a três e convidaram um amigo. Ele diz que foi ótimo, e querem fazer novamente. Mas está magoado. Sua esposa fez sexo anal com o amigo e nunca quer fazer com ele. Ele não sabe como lidar com essa situação.

O sexo a três geralmente compreende um casal hétero, que se envolve com outro homem ou mulher. Em alguns casos as três pessoas estabelecem um vínculo e desenvolvem uma relação estável. Entretanto, na maioria das vezes, a terceira parte é tratada como alguém que vai dar um colorido à relação, mais do que ser uma parte integral da mesma.

Alguns defendem a total falta de compromisso entre as partes e somente o desejo sexual conduzindo as ações. Outros, ao contrário, só veem validade nessa experiência se houver envolvimento.

Alguns argumentam que o sexo a três é o relacionamento perfeito. Não são poucos os que gostariam, mas acham que os parceiros jamais admitiriam. E há também os que só o praticam fora de casa, lamentando ter que recorrer a uma relação extraconjugal.

Hoje, observamos que muitos comportamentos impensáveis há algum tempo começam a ser tornar frequentes. De uns cinco anos para cá, tenho atendido no consultório casais trazendo novos conflitos, que ocorrem porque uma das partes propõe uma nova prática sexual e a outra parte se sente desrespeitada, agredida, não amada.

Esse não é o caso do internauta que relata a sua experiência, mas é importante saber que novas práticas sexuais podem trazer surpresas. Quando um casal decide por um sexo pouco convencional, porque os dois desejam intensificar o prazer, não cabem manifestações de possessividade ou de ciúme. O que não deixa de ser um desafio.

Geralmente são os homens, na relação com a mulher, que mais desejam e solicitam o sexo anal; o aperto do ânus proporciona um prazer bastante intenso.

Muitas mulheres, ao contrário, evitam ou até se recusam, alegando dor ou desconforto. Os músculos do ânus são muito mais apertados do que os da vagina, e se a introdução do pênis for feita de forma brusca pode até machucar.

Contudo, um nível muito alto de excitação pode fazer com que a mulher deseje a penetração anal. É possível que isso tenha ocorrido com a esposa do internauta. A participação no ménage, com a quebra de rotina sexual que implica, pode a ter conduzido ao desejo.

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“No ménage que fizemos, minha esposa aceitou o sexo anal com o outro homem. Agora, não quer fazer comigo” http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/16/no-menage-que-fizemos-minha-esposa-aceitou-o-sexo-anal-com-o-outro-homem-agora-nao-quer-fazer-comigo/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/16/no-menage-que-fizemos-minha-esposa-aceitou-o-sexo-anal-com-o-outro-homem-agora-nao-quer-fazer-comigo/#respond Thu, 16 Feb 2017 09:00:01 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=6811 “Somos casados há 13 anos. Sempre tivemos uma vida sexual muito intensa e prazerosa. Decidimos juntos fazer um ménage. Convidamos um amigo e fizemos. Foi muito bom e queremos novamente. Mas uma coisa está me incomodando. Havia pedido a ela que não fizesse sexo anal, pois gostaria que fizesse mais comigo antes. Há muito tempo não fazemos devido a uma escapada que a machucou. Mas na hora do ménage ela teve vontade e fez com o parceiro. Isso está me deixando muito mal, não gostaria de me sentir assim, mas fiquei muito magoado com ela, já que estávamos fazendo muita coisa e eu não me sentia seguro com isso. Agora, quero fazer sexo anal com ela e ela me disse que por enquanto não está à vontade. Como lido com isso?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.

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As incontroláveis relações extraconjugais http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/14/as-incontrolaveis-relacoes-extraconjugais/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/14/as-incontrolaveis-relacoes-extraconjugais/#respond Tue, 14 Feb 2017 11:21:20 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=6808 Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana mesmo amando uma pessoa já transou com outra.

Homens e mulheres flertam, se apaixonam e namoram acreditando ter encontrado o “verdadeiro amor”, para com ele ficar a vida inteira. No entanto, poucos se contentam com um único parceiro sexual, mesmo enfrentando altos riscos.

O adultério sempre foi punido com crueldade pelo mundo afora: açoitamento público, decepamento do nariz e das orelhas, morte por apedrejamento, fogo, afogamento, etc.

Não é incrível que os seres humanos, ainda assim, se envolvam em aventuras extraconjugais? Mas a infidelidade acontece a toda hora, em todos os lugares, com as pessoas comuns e com as famosas.

Num passado recente, alguns casos se tornaram inesquecíveis. O príncipe Charles e Bill Clinton foram dos mais comentados.

Mas o mais infiel de todos parece ter sido mesmo o escritor francês George Simenon. Ele estimou ter feito sexo com mais de 2500 mulheres no decorrer dos seus três casamentos.

E a infidelidade da mulher? Desde a infância foi ensinado a ela que deveria ter relações sexuais apenas com o marido. Isso fez com que se sentisse culpada ao perceber seu desejo sexual por alguém que não fosse ele.

A dependência econômica também foi uma motivação importante da tendência monogâmica presente na nossa cultura.

O marido jamais admitiria uma infidelidade e dessa forma a mulher não teria como sobreviver. Um flagrante de adultério, por exemplo, faz com que a mulher perca todos os seus direitos.

Com a pílula anticoncepcional e a emancipação feminina as coisas começaram a mudar. O número de mulheres infiéis tem se igualado ao dos homens e o adultério começa cada vez mais cedo para ambos os sexos.

Pesquisa realizada na Inglaterra, dirigida às mulheres que trabalham fora, comprova que há pouca diferença entre os sexos no que diz respeito às relações extraconjugais.

Dois terços das casadas, ou com companheiro estável, responderam ter tido relações extraconjugais. Na ocasião da entrevista, quase a metade das mulheres confessaram estar envolvidas num caso, e 72% garantiram que era melhor fazer sexo com o amante.

Entretanto, as relações sexuais fora do casamento não são simples. O conflito entre o desejo e o medo de transgredir é doloroso.

A fidelidade não é natural e sim uma exigência externa; numa relação amorosa estável as cobranças de exclusividade são constantes e aceitas desde o início.

Com toda a vigilância que os casais se impõem, a fidelidade conjugal geralmente exige grande esforço quando a pessoa se sente viva sexualmente e não abdicou dessa forma de prazer.

Assim, as restrições que muitos têm o hábito de estabelecer por causa do outro ameaçam bem mais uma relação do que a ‘infidelidade’. Mesmo porque, reprimir os verdadeiros desejos não significa eliminá-los.

Quando a fidelidade não é espontânea nem a renúncia gratuita, o preço se torna muito alto e o parceiro que teve excessiva consideração tende a se sentir credor de uma gratidão especial, a se considerar vítima, a se tornar intolerante, inviabilizando a própria relação.

O psicanalista W.Reich já afirmava, na primeira metade do século passado, que nunca se denunciará bastante a influência perniciosa dos preconceitos morais nessa área.

E que todos deveriam saber que o desejo sexual por outras pessoas constitui parte natural da pulsão sexual.

Provavelmente assim diminuiriam as torturas psicológicas e os crimes passionais, e desapareceriam também inúmeros fatores e causas das perturbações psíquicas que são apenas uma solução inadequada destes problemas.

Apesar dos conflitos, medos e culpas, da expectativa dos parentes e amigos, dos costumes sociais, e dos ensinamentos estimularem que se invista toda a energia sexual em uma única pessoa — marido ou esposa —, homens e mulheres são profundamente adúlteros.

Será que não está na hora de deixar de negar o óbvio e começar a questionar se fidelidade tem mesmo a ver com sexualidade?

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Mesmo amando uma pessoa você já transou com outra? Por quê? http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/13/mesmo-amando-uma-pessoa-voce-ja-transou-com-outra-por-que/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/13/mesmo-amando-uma-pessoa-voce-ja-transou-com-outra-por-que/#respond Mon, 13 Feb 2017 09:00:58 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=6804 A PERGUNTA DA SEMANA entra no ar sempre às segundas-feiras. Na terça-feira, comento o tema e o resultado da pesquisa.

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Quando o ciúme do passado destrói o casamento http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/11/quando-o-ciume-do-passado-destroi-o-casamento/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/11/quando-o-ciume-do-passado-destroi-o-casamento/#respond Sat, 11 Feb 2017 09:00:33 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=6793
Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando o “Se eu fosse você”

A questão da semana é o caso da internauta, casada há quatro anos, que tinha um ótimo relacionamento com o marido. Mas ele, mexendo nos e-mails da esposa, descobriu mensagem de um ex-namorado dela, quando ainda nem a conhecia, relatando momentos íntimos vividos juntos. Ele a chamou de promíscua e disse não admitir isso da futura mãe dos seus filhos. A partir de então, ela tem que ser submissa e sempre contida no sexo. Já conversou com ele, mas não adiante. A internauta não sabe mais o que fazer.

A sombra do passado sobre a internauta, que enviou seu relato, embora seja e absurda, possui várias origens identificáveis.

A constatação da intimidade da esposa com outro homem no passado é transformada num grande problema. Podemos inicialmente identificar a antiga questão homem/mulher na nossa cultura.

O passado da esposa a torna, inconscientemente, numa mercadoria de “segunda mão”. Alguém antes, um outro homem, a possuiu como desejou. O suposto “sumo original” se foi para outra pessoa. É incompreensível, mas pode ser um dos alicerces do drama que o casal vive.

Outros motivos também podem ter gerado a situação. Alguém que se relacionou no passado com a pessoa com quem se vive hoje é uma terceira pessoa.

O psicólogo Roberto Rosas, da SBPA (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica), em matéria para o Uol, diz que a autoestima daqueles que ficam fixados em um terceiro “componente” depende do olhar dos parceiros.

“Ao mesmo tempo que buscam se comparar com essa terceira pessoa, sentem medo de sair perdendo na avaliação”, diz.

Ainda de acordo com Rosas, não é raro que essa pessoa “de fora” passe a ter papel de protagonista na história do casal, já que tudo é conversado, feito ou decidido em função de sua lembrança.

Num caso desses, o ciumento pode ficar ameaçado pelo fato de “outro”, perdido no passado, ainda se encontrar presente na memória da parceira, em carinhos que ele, na atualidade, não consegue avaliar.

Se para a mulher a infidelidade emocional é mais perturbadora, para o homem a perspectiva da infidelidade sexual é muito mais angustiante.

“A maioria das mulheres descobre que um lapso singular na fidelidade sem envolvimento emocional é mais fácil de perdoar do que o pesadelo de outra mulher capturando a ternura, o tempo e a afeição de seu parceiro.”, informa o psicólogo americano David Buss.

A expressão “monstro dos olhos verdes”, para falar do ciúme amoroso, remonta a Shakespeare, no Ato III, do seu Otelo, em que este, transtornado pelo ciúme, mata sua inocente esposa Desdêmona.

Ciúme é basicamente isso: sofrer por uma situação hipotética, na qual o ciumento faz interpretações, muitas vezes equivocadas, dos sinais que percebe.

Acredito que, para uma relação ser realmente satisfatória, não deve haver controle, ciúme, posse, ou dependência de qualquer tipo.

Os dois só mantêm a relação porque se amam e sentem muito prazer quando estão juntos. O que se privilegia é o momento do encontro, que pode ser intenso e profundo.

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“Meu marido não me perdoa por ter tido intimidade sexual com um namorado, quando nem o conhecia” http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/09/meu-marido-nao-me-perdoa-por-ter-tido-intimidade-sexual-com-um-namorado-quando-nem-o-conhecia/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/09/meu-marido-nao-me-perdoa-por-ter-tido-intimidade-sexual-com-um-namorado-quando-nem-o-conhecia/#respond Thu, 09 Feb 2017 11:59:15 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=6788 “Sou casada há quatro anos. Sempre tivemos um bom relacionamento sexual, mas em um dado momento, quando tínhamos um ano de namoro, meu marido, mexendo em meu correio eletrônico, encontrou um e-mail de um ex-namorado de cinco anos antes dele ( eu nem o conhecia na época), onde ele relatava um momento intimo que tivemos. Havia a minha resposta ao e-mail, com o mesmo teor, uma vez que estávamos juntos e era a nossa intimidade. Meu marido surtou, disse que não admitia isso, que a futura mãe dos filhos dele não podia ser promíscua, entre outras coisas. O fato é que depois disso nossa vida sexual ficou péssima. Tem que ser sempre quando ele quer, não posso me soltar muito, tenho que ser submissa, não posso nem falar durante o ato. Já conversei com ele sobre isso, mas ele alega que o e-mail o decepcionou e que por isso toda vez que estamos juntos lembra de mim com outra pessoa. Se eu demonstrar que quero fazer amor com ele, ou interagir durante o ato, ele para na hora e não conseguimos fazer mais nada. Isso me incomoda, porque quero ter uma vida ativa. Sou jovem e tenho atração por ele. Não quero trair, não acho que isso seja a solução, e nem me separar, mas ao mesmo tempo essa situação é complicada. Já conversei, expliquei por diversas vezes, mas nada muda. O que eu posso fazer?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.

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A violência contra a mulher continua http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/07/a-violencia-contra-a-mulher-continua/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/07/a-violencia-contra-a-mulher-continua/#respond Tue, 07 Feb 2017 09:00:45 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=6783 Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana não acredita que a violência contra as mulheres esteja diminuindo. E elas estão certas.

Conversei com Maria Gabriela Manssur, promotora de justiça, membro do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica (GEVID) do Ministério Público do Estado de São Paulo e Diretora da Mulher da Associação Paulista do Ministério Público, que me disse:

“Não está diminuindo, pelo contrário. Mas há dois fatores: as mulheres estão se empoderando mais e os homens apresentam uma resistência por conta disso, o que gera violência. E também as mulheres estão denunciando mais. Então se olharmos pelos dados do sistema de justiça, o aumento é chocante. Em dois anos passamos de 700 para cinco mil casos registrados, só na Zona Leste de São Paulo. Quanto mais autonomia a mulher conquista, mais resistência ela tem dos homens e essa resistência, muitas vezes, se revela de forma violenta, física e psicológica. A violência aumentou também por conta das redes sociais, pela sensação de impunidade: crimes de ódio e de intolerância contra as mulheres. Somos o 5º país do mundo com mais violência contra a mulher. A cada hora e meia uma mulher morre no Brasil por conta da violência doméstica.”

A história da mulher é uma constante luta contra a opressão. Há cinco mil anos, as mulheres sofrem todo tipo de constrangimento. São humilhadas, menosprezadas, violentadas, escravizadas.

Numa relação, seja ela amorosa ou profissional, é comum haver discussões, afinal, quando não se está de acordo com alguém é possível argumentar, mesmo de forma veemente.

Na violência, acontece o contrário; o outro é impedido de se expressar, não existe diálogo. A violência busca sempre a dominação.

A psicanalista francesa Marie-France Hirigoyen estudou profundamente o tema. Ela diz que antes da primeira agressão física as mulheres devem cortar o mal pela raiz, reagindo à violência verbal e psicológica.

Para isso é essencial que elas aprendam a perceber os primeiros sinais de violência pra encontrar em si mesmas a força para sair de uma situação abusiva. Compreender por que se tolera um comportamento intolerável é também compreender como se pode sair dele.

Marie-France faz uma severa crítica aos psicanalistas que consideram que as mulheres que permanecem numa relação abusiva experimentam uma satisfação masoquista em ser objeto de sevícias.

“É preciso que esse discurso alienante cesse. Sem uma preparação psicológica destinada a submetê-la, mulher alguma aceitaria os abusos psicológicos e muito menos a violência física.”, diz ela.

O que as mulheres têm mais dificuldade de falar é sobre a violência sexual… e ela está muitas vezes presente.

A violência sexual é um meio de sujeitar o outro. Não tem nada a ver com o desejo; é simplesmente um modo de dizer: “Você me pertence”.

Não há necessidade do uso da força para subjugar uma pessoa – meios sutis, repetitivos, velados, podem ser empregados com igual eficácia.
Atos ou palavras desse tipo são muitas vezes mais perniciosos que uma agressão direta. Essa seria reconhecida como tal e levaria a uma reação de defesa.

Quanto mais graves e frequentes são as agressões, menos a mulher tem meios psicológicos de se defender.

A boa notícia é que as mulheres estão muito mais conscientes de seus direitos, mais mulheres jovens procuram a Justiça, independente da classe social. Elas não estão mais aceitando viver em uma situação de violência.

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A violência contra as mulheres está diminuindo? Por quê? http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/06/a-violencia-contra-as-mulheres-esta-diminuindo-por-que/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/06/a-violencia-contra-as-mulheres-esta-diminuindo-por-que/#respond Mon, 06 Feb 2017 09:00:07 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=6780 A PERGUNTA DA SEMANA entra no ar sempre às segundas-feiras. Na terça-feira, comento o tema e o resultado da pesquisa.

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Casamento sem sexo http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/04/casamento-sem-sexo-3/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/02/04/casamento-sem-sexo-3/#respond Sat, 04 Feb 2017 09:00:52 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=6775 Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando o “Se eu fosse você”

A questão da semana é o caso do internauta de 37 anos, casado há 15, que está infeliz porque sua esposa nunca quer fazer sexo; sempre dizendo estar cansada ou com dores. Ele já pensou em se separar, mas não quer se afastar das filhas de dez e seis anos. Já conversou e explicou, mas nada muda. Sente-se humilhado por ter que ficar pedindo e implorando sexo.

“O casamento é para as mulheres a forma mais comum de se manterem, e a quantidade de relações sexuais indesejadas que as mulheres têm que suportar é provavelmente maior no casamento do que na prostituição.”, afirmou o filósofo inglês Bertrand Russell.

A maioria das mulheres, depois de algum tempo de casamento, faz sexo sem nenhuma vontade. Esse sexo indesejado, por obrigação, é vivido também por mulheres economicamente independentes, que não necessitam do marido para mantê-las.

A dependência emocional acaba sendo tão limitadora quanto a financeira. Ambas podem conduzir a uma vida sexual pobre e medíocre. Imaginar-se sozinha, desprotegida, sem um homem ao lado, é percebido como insuportável.

A atração sexual acaba por vários motivos: rotina, falta de mistério, brigas e inclusive pela obrigação de exclusividade. Nas relações estáveis o sexo se torna, em muitos casos, tão tedioso quanto qualquer outro aspecto da relação.

Dor de cabeça, cansaço, preocupação com trabalho ou família são as desculpas mais usadas. As mulheres tentam tudo para postergar a obrigação que se impõem para manter o casamento.

Quando o marido se mostra impaciente, não tem jeito, a mulher se submete ao sacrifício. Ninguém fica sabendo. Comentar o assunto significa admitir o que se tenta negar.

Socialmente, é difícil acreditar que aquele casal jovem, com tanta energia e manifestações de carinho entre si não vive uma sexualidade plena. Em muitos casos, a escassez de sexo progride até a ausência total.

Míriam, uma moça de 29 anos que atendi no consultora, era diretora de uma grande empresa. Casada há três anos, amava muito o marido; não conseguia imaginar a vida sem ele. Era seu melhor amigo, o companheiro com quem partilhava muitos interesses: teatros, shows e viagens nos fins de semana. Tinham muitos amigos.

Ela gostava quando ficavam juntos, abraçados ternamente, ele fazendo cafuné na sua cabeça. Mas, ao primeiro sinal de um carinho mais sexual, usava algum pretexto para se afastar. Não desejava fazer sexo com ele de jeito nenhum. Só a ideia já lhe desagradava. Não falava com ninguém sobre isso. A família e os amigos os viam como exemplo de um casamento perfeito.

Vencido o constrangimento inicial, Míriam falou sem parar durante toda a sessão. Ouvi seu relato sem interrompê-la. Combinamos uma segunda entrevista para a semana seguinte. Horas depois, telefonou desmarcando. Suponho ter se assustado com o que escutou de si mesma.

No casamento ou em qualquer relação estável, observa-se o conflito entre a diminuição do desejo sexual e o aumento da ternura e companheirismo entre os parceiros.

Não é raro encontrarmos casais que, apesar de viverem juntos, têm na ausência total do desejo sexual a tônica da relação. E por mais que se esforcem, não adianta: a atração sexual não pode ser imposta.

Assim, numa relação estável, o sexo acaba se tornando um hábito ou um dever. Embora menos frequente, a ausência do desejo sexual também ocorre no marido em relação à mulher.

A maioria dos casamentos é regida por leis e regras que limitam não só o sexo, mas a própria vida. Há inúmeras cobranças como tarefas, comportamentos, horários. Um se mete nas questões do outro com palpites, exigências e críticas. O sexo é o que temos de biológico mais ligado ao emocional e com certeza é afetado.

“O enfraquecimento do desejo sexual pode não ser definitivo. Ele deixa de ser passageiro e se torna permanente se os parceiros não perceberem a tensão ou o ódio recíproco, e também se rejeitarem como absurdos os desejos sexuais sentidos por outras pessoas. A repressão desses impulsos traz consequências desastrosas para a relação entre duas pessoas.”, diz o psicanalista da primeira metade do século 20 Wilhelm Reich.

Só é possível encontrar uma saída discutindo-se esses fatos com franqueza e sem preconceitos. É condição essencial reconhecer como natural o interesse sexual por outras pessoas: “Ninguém pensaria em condenar alguém por não querer usar a mesma roupa durante anos, ou por não querer comer todos os dias o mesmo prato.”, conclui Reich.

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