Regina Navarro https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller 'A Cama na Varanda' e 'O Livro do Amor'. Thu, 23 Nov 2017 06:00:46 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Erotismo é aceito e pornografia é condenada; mas existe mesmo diferença? https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/23/erotismo-e-aceito-e-pornografia-e-condenada-mas-existe-mesmo-diferenca/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/23/erotismo-e-aceito-e-pornografia-e-condenada-mas-existe-mesmo-diferenca/#respond Thu, 23 Nov 2017 06:00:46 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7510

Ilustração: Caio Borges

Desde o surgimento da indústria do prazer se colocou o debate sobre o que é erótico e o que é pornográfico, sem que se consiga chegar a uma definição precisa. Há algum consenso de que a pornografia abrigaria o mau gosto enquanto o sexo apresentado sutilmente se enquadraria mais no erotismo. Mas cada dia que passa estamos mais próximos de mostrar o sexo total no contexto de obras sérias.

Desde que, há dois mil anos, na cultura ocidental, o corpo passou a ser visto como inimigo do espírito, ideias distorcidas do que é obsceno e perigoso existem, com mais ou menos força em toda parte. Aprendemos que a imagem do corpo humano nu e, particularmente, experimentando prazer sexual é negativa, ou seja, pornográfica.

O erotismo é aceito. A pornografia é condenada, embora, muitas vezes, o erotismo de hoje seja a pornografia de ontem. Para a maioria o sexo erótico está relacionado a amor, pureza, espontaneidade, sutileza, sugestão sem mostrar tudo, sensibilidade, fantasias. E o sexo pornográfico seria explícito, público, sem espaço para a imaginação, banal, baixaria, falta de classe, aberração.

Talvez a diferença entre erotismo e pornografia não seja tão grande quanto parece à primeira vista. E como em matéria de sexo, numa sociedade repressiva como a nossa, qualquer um pode ser acusado e acusador, fico com a definição do escritor Alain Robbe-Grillet: “A pornografia é o erotismo dos outros.”

Entretanto, alguns grupos feministas passaram a considerar pornográfico todo material erótico que levasse à degradação das mulheres. No final da década de 70, foi criada nos Estados Unidos uma legislação antipornográfica que aplicava o termo pornografia somente ao que, de forma sexualmente explícita, desumanizava as mulheres e glamourizava a dominação e a violência.

Não é de se estranhar que nas sociedades patriarcais a mulher seja mostrada como inferior ao homem e agredida sexualmente por ele, nem que para manter a repressão da sexualidade o sexo oferecido pela mídia seja impessoal e de má qualidade. De qualquer modo, parece tão fluida a fronteira entre erotismo e pornografia, que dificilmente alguém consegue responder de imediato qual a diferença entre os dois.

Contudo, para a maioria o sexo erótico está relacionado a amor, pureza, espontaneidade, sutileza, sugestão sem mostrar tudo, sensibilidade, fantasias. E o sexo pornográfico seria explícito, público, sem espaço para a imaginação, banal, baixaria, falta de classe, aberração. Talvez a diferença entre erotismo e pornografia não seja tão grande quanto parece à primeira vista. E como em matéria de sexo, numa sociedade repressiva como a nossa, qualquer um pode ser acusado e acusador, fico com a definição do escritor Alain Robbe-Grillet: “A pornografia é o erotismo dos outros.”

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Poder de patrão: denúncias revelam o que sempre aconteceu em Hollywood https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/21/poder-de-patrao-denuncias-revelam-o-que-sempre-aconteceu-em-hollywood/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/21/poder-de-patrao-denuncias-revelam-o-que-sempre-aconteceu-em-hollywood/#respond Tue, 21 Nov 2017 20:34:43 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7506

(Crédito: Andy Kropa/Invision/AP)

A mais recente notícia de assédio entre grandes nomes do show business norte americano mira o jornalista Charlie Rose. Estrela da TV americana com programas nas redes CBS, PBS e Bloomberg, Charlie foi denunciado por oito mulheres que lhe imputaram vários comportamentos inadequados —  desfilar nu, fazer comentários obscenos ou apalpar os seios, nádegas e órgãos genitais delas. Ele se desculpou, mas já foi afastado dos canais de televisão.

Charlie Rose é apenas o mais recente dos grandes nomes norte-americanos que são acusados por assédio. Hollywood também contribui com atores e produtores como Louis C. K., Kevin Spacey e, o primeiro e mais importante deles, Harvey Weinstein.

Desde os tempos áureos em que Hollywood  era o principal incentivador do romantismo amoroso no mundo, as sedutoras eram sempre mulheres. Marylin Monroe tornou-se famosa como amante de homens famosos, incluindo o próprio presidente dos Estados Unidos John Kennedy.

Muitas outras adquiriram fama de sedutoras, mas nunca foram acusadas de assédio, simplesmente porque elas não possuíam o poder do “macho”. O que sempre ocorreu é o que hoje é denunciado: homens com o poder de patrão assediando mulheres em busca de oportunidade.

Charlie Rose, agora identificado como praticante de assédio pediu desculpas e disse que seu comportamento foi inapropriado. Mas, na verdade, o único fator que realmente mudou foi a realidade  da denúncia. Uma revolução nos costumes.

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“Estou casada há cinco anos e nunca me senti tão sozinha” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/20/estou-casada-ha-cinco-anos-e-nunca-me-senti-tao-sozinha/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/20/estou-casada-ha-cinco-anos-e-nunca-me-senti-tao-sozinha/#respond Mon, 20 Nov 2017 06:00:02 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7493

Ilustração: Caio Borges

“Meu marido não é má pessoa, mas tem muitos compromissos e, na maior parte das vezes, me ignora. Estou casada há cinco anos e nunca me senti tão só. Estou infeliz, mas tenho medo de me separar e ficar pior. Quando busco conforto conversando com pessoas casadas há mais tempo, ouço que é assim mesmo, todos passam por isso, que é melhor isso que ficar sozinha, pelo menos tenho alguém para cuidar de mim. Será que isso é suficiente?”

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Num casamento é comum se imaginar que haverá uma complementação total com o outro, que as duas pessoas se transformarão numa só, que nada mais irá lhes faltar e, para isso, fica implícito que cada um espera ter todas as suas necessidades pessoais satisfeitas pelo parceiro.

Em pouco tempo essas expectativas se mostram incompatíveis com a realidade, e as frustrações vão se acumulando. Na busca de segurança afetiva, qualquer preço é pago para evitar tensões decorrentes de uma vida autônoma. Por medo da solidão as pessoas suportam o insuportável tentando manter a estabilidade do vínculo, e não raro se tornam dois estranhos ocupando o mesmo espaço físico.

Como mecanismo de defesa, surge a tendência a não se pensar na própria vida. Tenta-se acreditar que casamento é assim mesmo. Aí é que reside o perigo. Se a pessoa não tomar coragem e sair fora, vai viver exatamente o mesmo que um sapo desatento. Uma fábula conta que se um sapo estiver em uma panela de água fria e a temperatura da água se elevar lenta e suavemente, ele nunca saltará.  Será cozido.

A filósofa e escritora francesa Elisabeth Badinter diz que o casal, longe de ser um remédio contra a solidão, frequentemente ressalta os seus aspectos mais detestáveis. Ele estabelece uma tela entre si e os outros, enfraquece os laços com a coletividade. Ao nos fazer abdicar de nossa liberdade e independência, torna-nos ainda mais frágeis, em caso de ruptura ou de desaparecimento do outro.

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Você também vive um conflito amoroso e sexual? Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas. Ela pode ser comentada aqui no blog e sua identidade não será revelada.

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Ataques ao debate sobre gênero querem manter preconceito e desinformação https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/16/ataques-ao-debate-sobre-genero-querem-manter-preconceito-e-desinformacao/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/16/ataques-ao-debate-sobre-genero-querem-manter-preconceito-e-desinformacao/#respond Thu, 16 Nov 2017 21:51:58 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7490

Grupo contra a filósofa norte americana Judith Butler faze manifestação durante evento no Sesc Pompéia, em SP
Crédito: Paulo Lopes/Futura Press/Estadão Conteúdo

Crianças no ensino fundamental devem ser livres para explorar “quem eles podem ser”. Ter a liberdade de usar tiara, capa de super-herói ou até saiote de balé sem reprimenda de professores ou colegas, diz a Igreja Anglicana, igreja cristã oficial da Inglaterra e País de Gales.

O arcebispo de Canterbury, Justin Welby – líder supremo da Igreja Anglicana – disse que o guia deverá ajudar as escolas a espalharem a mensagem cristã “sem exceção ou exclusão”. A ONG britânica Stonewall, de defesa dos direitos LGBT, diz que a nova orientação vai ajudar a prevenir o bullying.

Um levantamento da Aliança Anti-Bullying, entidade que reúne organizações voltadas ao combate do bullying, revelou que uma em cada cinco crianças “escondem aspectos” de sua personalidade por medo de sofrer rejeição dos colegas. Dos 1,6 mil jovens e crianças entre oito e 16 anos entrevistados, quase dois terços disseram já terem testemunhado alguém sofrer bullying por ser “diferente”.

A tentativa da discussão sobre gênero nas escolas brasileiras, visando a aceitação da diversidade e a inclusão, foi rejeitada e o debate sobre o tema atacado. A filósofa e escritora americana Judith Butler, professora da Universidade da Califórnia, esteve no Brasil para participar do seminário sobre democracia em São Paulo. Semanas antes da sua vinda, uma petição com 360 mil assinaturas foi criada pedindo o cancelamento da sua vinda. O texto do abaixo assinado diz que ela idealizadora e promotora da “ideologia de gênero”. A agressão a ela foi vergonhosa.

A desinformação e o preconceito não permitem perceber que gênero é uma construção social, e que “ideologia de gênero” é justamente o discurso que acredita que o ideal masculino é ser superior à mulher, que o homem tem que ter força, sucesso e poder. O ideal feminino é o oposto: submissão, fragilidade, dependência. Desde o nascimento essa “ideologia de gênero” se faz clara. Roupa azul para o menino e rosa para a menina. Assim como os brinquedos divididos entre carrinhos e bonecas. Isso sem esquecer da frase: “Homem não chora!”

Será que nos ataques ao debate sobre gênero não há a intenção de fazer com que as mulheres, os gays, as lésbicas, as bissexuais, as trans, enfim, todas as pessoas que não são a norma de gênero, permaneçam em uma posição de subjugados?

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Não há limite de idade para aproveitar o sexo https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/16/nao-ha-limite-de-idade-para-aproveitar-o-sexo/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/16/nao-ha-limite-de-idade-para-aproveitar-o-sexo/#respond Thu, 16 Nov 2017 02:00:08 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7487

A direção do asilo Lar de Edith Scarborough, em Londres, surpreendeu a Inglaterra e o mundo ao decidir pela expulsão de um grupo de idosos. O motivo? Foram surpreendidos tentando fazer uma orgia ao som de rumba. As idades eram entre os 78 e 85 anos! Os idosos buscavam atividades mais excitantes para o ócio, mas a gerência do lar mandou-os embora…

Entretanto, no caminho inverso, o Hebrew Home, em Nova York, um lar de idosos, incentiva relações sexuais entre seus residentes. As enfermeiras e cuidadoras do lar não tentaram impedir que Audrey Davison ficasse às sós no quarto com o colega.

É a “política de expressão sexual” desse lar do Bronx. Uma cuidadora fez até uma placa “Não perturbe” para pendurar do lado de fora do quarto. “Eu gostei, e ele foi um amante muito bom”, disse Davison, de 85 anos. “Isso fazia parte de nossa proximidade: tocar fisicamente e beijar.” Esses namorados desafiam as noções tradicionais do envelhecimento.

Não há limite de idade para a prática de sexo segundo os principais estudos sobre o tema, mas sobram preconceitos contra a velhice — os idosos seriam improdutivos, incapazes de mudanças, senis. Isso os levariam a serem considerados assexuados, como se sexo e juventude fossem sinônimos. Por essa lógica, o homem estaria condenado à impotência e a mulher, após a menopausa, não se interessaria mais pelo assunto. E isso não é verdade.

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“Não aguento mais essa vida de transar por transar” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/13/nao-aguento-mais-essa-vida-de-transar-por-transar/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/13/nao-aguento-mais-essa-vida-de-transar-por-transar/#respond Mon, 13 Nov 2017 06:00:26 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7475

Ilustração: Caio Borges

“Tenho 42 anos e estou separado há sete. Nos últimos anos tenho tido várias companheiras por uma única noite. Mas não aguento mais essa vida de transar por transar. Quando, depois de uma festa, acordo e vejo uma mulher dormindo na minha cama, me sinto péssimo. Olho no espelho e me vejo cheio de rugas”.

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Provavelmente a sensação de vazio e de envelhecimento que o internauta sente no dia seguinte é resultado de uma noite em que seu comportamento sexual foi mecânico e estereotipado. Talvez o mesmo não tivesse acontecido se, no encontro com uma mulher por quem se sentisse realmente atraído, ele buscasse uma troca verdadeira de prazer.

A questão é que na intimidade da vida de cada um, o sexo continua sendo para a maioria um problema complicado, difícil, cheio de dúvidas e autojulgamentos negativos. A liberdade sexual de hoje é mais falada do que realizada, ainda existindo em quase todos uma carência fundamental de sexo, tanto em quantidade como em qualidade.

Não é sem motivo que Wilhelm Reich, na primeira metade do século 20, falava na miséria sexual das pessoas. Mas poucos se dão conta disso; as dificuldades sexuais são tantas que quando ocorre uma descarga sexual acham que foi tudo bem. E nesse caso a frase de Jung, “O pior inimigo do ótimo é o bom”, cai como uma luva.

Exercer mal o sexo é não se entregar às sensações e fazer tudo sempre igual, sem levar em conta o momento, a pessoa com quem se está e o que se sente. É fundamental não ter preconceito nem  vergonha, considerar o sexo natural, fazendo parte da vida.

A busca do prazer pode então ser livre e não estar condicionada a qualquer tipo de afirmação pessoal.  O sexo pode ser ótimo quando se cria o tempo todo junto com o parceiro e o único objetivo é a descoberta de si e do outro. Assim, ele deixa de ser a busca de um prazer individual para se tornar um poderoso meio de transformar as pessoas.

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Controlar a vida do outro não é garantia de que o relacionamento vai durar https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/12/controlar-a-vida-do-outro-nao-e-garantia-de-que-o-relacionamento-vai-durar/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/12/controlar-a-vida-do-outro-nao-e-garantia-de-que-o-relacionamento-vai-durar/#respond Sun, 12 Nov 2017 10:00:01 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7479

O descontrole diante de uma questão conjugal fez com que uma iraniana se tornasse notícia em todo o mundo. Ela viajava pela Qatar Airways, no extremo sul da Índia, quando se deu conta de que seu marido, após beber um pouco, estava adormecido. Usando o polegar dele conseguiu desbloquear o telefone celular, e diante do que viu passou a agredi-lo. Foi tão violenta sua alteração que o voo foi interrompido para um pouso de emergência e os demais passageiros, prejudicados.

Alguns casais confundem intimidade com controle. O que passa por atenção muitas vezes é uma vigilância disfarçada — uma abordagem para se informar dos detalhes da vida do outro. O controle constante, que observamos, ultrapassa qualquer limite.

E o desejo de saber detalhes sobre o parceiro leva a atitudes extremas como a da esposa iraniana. Muitos acreditam que, numa relação amorosa, só controlando o outro há a garantia de não ser abandonado. Existem pessoas que preferem até abrir mão da própria liberdade, desde que seja um bom argumento para controlar a liberdade do parceiro.

Concordo com a terapeuta de casais belga, radicada nos Estados Unidos, Esther Perel, que diz: “Quando o impulso de compartilhar vira obrigatório, quando os limites pessoais já não são respeitados, quando só se reconhece o espaço compartilhado com o companheiro, e o espaço privado é negado, a fusão substitui a intimidade e a posse coopta o amor. É também o beijo da morte para o sexo. Destituída de enigma, a intimidade torna-se cruel quando exclui qualquer possibilidade de descoberta. Onde nada resta a esconder, nada resta a procurar.”

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Sexo e o Cinema: como o erotismo ajudou a divulgar filmes e mudar costumes https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/09/sexo-e-o-cinema-como-o-erotismo-ajudou-a-divulgar-filmes-e-mudar-costumes/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/09/sexo-e-o-cinema-como-o-erotismo-ajudou-a-divulgar-filmes-e-mudar-costumes/#respond Thu, 09 Nov 2017 06:00:39 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7470
Ilustração: Caio Borges

O advento do cinema, no final do século 19, multiplicou as possibilidades do erotismo artístico, antes limitado à pintura, gravuras e daguerreótipos. A imagem em movimento trouxe um realismo impensável ao sexo representado. Datam dessa época, logo após a invenção do cinematógrafo, os primeiros filmes eróticos, mudos, mas encantando e surpreendendo uma sociedade ainda carregada de preconceitos quanto ao que envolvesse a sexualidade.

Em 1896, o mutoscópio desfila séries fotográficas animadas com modelos se vestindo ou se despindo. Os cineastas confirmam a previsão de que o público quer sexo.  Os filmes que mostram mulheres subindo nas árvores chegam ao dobro do faturamento de fitas sobre a guerra.

Inspirado numa peça da Broadway, Le Baiser (O beijo) é um dos primeiros hits da história do cinema. Mostra um beijo de língua. Autoridades médicas atentaram para os perigos da prática. Um leitor escreveu para o jornal Evening World protestando: “ Essa forma de devorar os lábios é insuportável. Mas em formato gigante é insustentável”. Em 1910 o cinema invadiu América e Europa.

Os jovens logo descobriram a delícia de namorar no cinema. Se havia uma cena alimentando a imaginação, melhor ainda. Os moralistas pediram mais luz nas salas de projeção, mas a audiência reclamou e os empresários da Europa central, que conduziam o cinema não cederam: “O público prefere a obscuridade”.

Em 1913,  Traffic d´âmes (Tráfico de Mulheres), que aborda o tema explicitado no título, alcança bilheterias de 450 mil dólares. É também um dos primeiros casos de marketing do cinema. O filme foi construído sobre a notícia alarmista de que 60 mil mulheres brancas eram vendidas como escravas nos EUA.

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“Não consigo controlar o meu ciúme. O que eu faço?” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/06/nao-consigo-controlar-o-meu-ciume-o-que-eu-faco/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/06/nao-consigo-controlar-o-meu-ciume-o-que-eu-faco/#respond Mon, 06 Nov 2017 06:00:45 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7466

Ilustração: Caio Borges

“Tenho 34 anos, sou separada e tenho um filho. O maior problema na minha vida é que não consigo controlar o ciúme. Eu namorava um homem há quase um ano e estava completamente apaixonada por ele. Fiz uma loucura e o perdi. Estávamos meio brigados e ele não me ligou na quinta nem na sexta-feira. Esse é o dia que ele sai do trabalho e vai com os colegas tomar um chope. Fui ao bar que ele frequenta. Havia duas mulheres, que trabalham com ele, na mesa. Fiz um escândalo, agredi as colegas dele e o deixei bem constrangido. O que eu faço agora pra reconquistá-lo?”

***

A maioria das pessoas resolve bem as questões práticas da vida. Conseguem trabalho, alugam apartamento, brigam com o síndico, compram carro, criam filhos, mas não conseguem ficar sozinhas, nem por alguns dias. Só estão bem ao lado da pessoa amada.

Reeditando a mesma forma primária de vínculo com a mãe, o antigo medo infantil de ser abandonado reaparece. Se o amor é a solução de todos os problemas e se o convívio amoroso é a única forma de atenuar o desamparo, a pessoa amada se torna imprescindível.

Não se pode correr o risco de perdê-la. O controle, a possessividade e o ciúme passam, então, a fazer parte do amor. Tenta-se controlar o outro da mesma forma que a criança faz com a mãe, imaginando diminuir assim as chances de abandono.

A questão do ciúme está ligada à imagem que se faz de si próprio. Não sendo boa a impressão, há sempre o temor de ser abandonado pela pessoa amada ou trocado por outro. Quanto mais intenso o sentimento de inferioridade, maior será a insegurança e mais forte o ciúme. O caminho mais fácil é tentar restringir ao máximo a liberdade do outro.

Quem tem a autoestima elevada e se considera interessante e com muitos atrativos não supõe que será trocado com facilidade, e se a relação terminar, sabe que vai sentir saudade, vai ficar triste, mas também sabe que vai continuar vivendo sem desmoronar.

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Você também vive um conflito amoroso e sexual? Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas. Ela pode ser comentada aqui no blog e sua identidade não será revelada.

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O “estupro corretivo” é um casamento entre o preconceito e o crime https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/02/o-estupro-corretivo-e-um-casamento-entre-o-preconceito-e-o-crime/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/11/02/o-estupro-corretivo-e-um-casamento-entre-o-preconceito-e-o-crime/#respond Thu, 02 Nov 2017 13:16:20 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7460

Apesar de se tratar de uma violência sexual contra a mulher, o estupro para “corrigir” a orientação sexual de mulheres é diferente do estupro contra mulheres heterossexuais. “Há nele um requinte de machismo associado à lesbofobia, o que traz uma enorme crueldade.”, explica Irina Karla Bacci, mestre em direitos humanos e cidadania pela Universidade de Brasília, ex-ouvidora do Ministério de Direitos Humanos, ao UOL.

Segundo Irina, nesses crimes, os abusadores agem com mais violência, por considerarem a mulher mais frágil, mas, por ser lésbica, merecer “sofrer como um homem”. É comum também a pregação, com frases como “vai aprender a gostar de homem”

Entre as vítimas está Laís, 25 anos, que ouviu durante o ataque questionamento  se ela era homem ou mulher e agressões verbais do tipo: “Toma, mulher macho!”

O “estupro corretivo” é um casamento entre o preconceito e o crime, muitas vezes com o consentimento quase inacreditável dos pais da vítima. O resultado para a mulher que sofre o suposto “corretivo” é dramático. A recuperação é lenta e difícil.

O Senado aprovou, em agosto do corrente ano, proposta de emenda à Constituição que torna imprescritíveis os crimes de estupro. Isso quer dizer que não há mais limite temporal para a denúncia.

Muitos são os casos em que a vítima teme revelar quando e de quem foi vítima, porque o ataque partiu de alguém da família, um pai por exemplo, ou alguém que conhece a vítima, caso do pastor de Olinda (PE) acusado de estuprar uma adolescente em 2015.  Ele descobriu uma relação homoafetiva da menina e resolveu tomar as “providências”.

A saída é a denúncia, a lei e o fim dos preconceitos contra a homossexualidade, que deve ser ensinada nas escolas a ser percebida como tão normal quanto a heterossexualidade. Por meio da educação e do fim do machismo, será possível que essa barbárie seja confrontada e, num futuro sonhado, banida.

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