Regina Navarro http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller 'A Cama na Varanda' e 'O Livro do Amor'. Thu, 20 Jul 2017 07:00:43 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Ser egoísta no sexo reduz possibilidade de prazer pela metade http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/07/20/ser-egoista-no-sexo-reduz-possibilidade-de-prazer-pela-metade/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/07/20/ser-egoista-no-sexo-reduz-possibilidade-de-prazer-pela-metade/#respond Thu, 20 Jul 2017 07:00:43 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7234

Ilustração: Caio Borges

O manual francês do casamento do Dr. Auguste Debay, do século 19, informa que “fingir o orgasmo é uma maneira da esposa se sacrificar pela família.” Não sei as mulheres desse período fingiam com a eficiência que certa vez a atriz americana Candice Bergen descreveu: “Respiração funda, girar a cabeça nas duas direções, simular um ataque de asma e morrer um pouco.”

As grandes transformações na moral sexual fizeram com que homens e mulheres não acreditassem mais que o ato sexual seja pecado. Mas os antigos tabus ainda persistem de forma inconsciente, fazendo com que o sexo continue sendo um problema complicado e difícil, com muitas dúvidas. Fantasias, desejos, temores, vergonha e culpas ocupam um tempo enorme na vida da maioria das pessoas.

Enquanto isso, grande número de mulheres não tem orgasmo e se desilude com a objetividade do homem. Quanto aos homens, o desempenho sexual se torna bastante ansioso, podendo levar a bloqueio emocional e disfunções como impotência e ejaculação precoce. Homens e mulheres são capazes de conseguir mais da própria vida sexual.

Para o psicoterapeuta e escritor Roberto Freire, ser livre no sexo é primeiro admitir que ele seja uma relação com iguais direitos, possibilidades e satisfação de seus desejos. O egoísmo no sexo reduz apenas à metade a possibilidade do prazer. O prazer produzido no outro é tanto quanto o que é produzido em nós. “A frase seria assim: goza-se também e muito com a liberdade sexual do outro.”

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“Amo meu namorado, mas sou jovem e quis saber como era transar com outro” http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/07/17/amo-meu-namorado-mas-sou-jovem-e-quis-saber-como-era-transar-com-outro/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/07/17/amo-meu-namorado-mas-sou-jovem-e-quis-saber-como-era-transar-com-outro/#respond Mon, 17 Jul 2017 07:00:43 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7226

Ilustração: Caio Borges

“Tenho 22 anos e namoro há sete anos. Ele foi meu primeiro namorado. Porém, de dois meses pra cá, decidi sair com outro cara. Eu queria saber como é transar com outro, pois só conhecia meu namorado mesmo. A questão é que adorei fazer isso, não me arrependo, e não acho que tenha feito algo de ruim. Amo meu namorado, tenho planos com ele, mas ele tem a mente fechada e não vai aceitar. Depois disso estou mais animada no sexo com ele, que já havia caído na rotina. Não queria magoá-lo, mas agora estou nessa encruzilhada…”
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Em uma relação estável, é comum o companheirismo, a solidariedade e o carinho irem aumentando na mesma medida em que o desejo sexual vai diminuindo. O sexo vai virando hábito, e como tudo o que é habitual vai perdendo a sensação de prazer, ele vai sendo feito automaticamente.

Na realidade, existe uma razão ainda maior para que no namoro ou casamento o sexo se transforme em algo meio sem graça.  É a ideologia da monogamia. Homens e mulheres cobram fidelidade sexual de seus parceiros. Sem dúvida, essa obrigação de um só poder se relacionar com o outro mina progressivamente a relação.

Por um lado as pessoas se sentem apaziguadas e seguras, acreditando que o parceiro nunca terá olhos para ninguém. Por outro, a mesma certeza de posse e de exclusividade que faz as pessoas se sentirem garantidas na relação, leva à acomodação, inibindo o desenvolvimento de uma vida sexual criativa com o parceiro. Não existindo mais o estímulo da sedução e da conquista, o sexo vai se deteriorando.

A relação com outra pessoa pode ser apenas acidental e não rivalizar com a relação estável. Nesse caso não afeta a pessoa nem o namoro ou casamento, que em alguns casos sai até reforçado. Desconfiar que o outro esteja também tendo um romance com alguém abala a certeza de posse e estimula a conquista, o que pode provocar o reaparecimento  do desejo sexual.

É claro que, às vezes, a relação extraconjugal se torna mais intensa do que a do casamento, proporcionando mais emoção e prazer para as pessoas.
Nesse caso, ou se aceita que faz parte da vida amar duas pessoas ao mesmo tempo, ou se separa. Seja qual for a escolha, é melhor do que duas pessoas ficarem presas uma à outra por dependência e medo da vida.

Você também vive um conflito amoroso e sexual? Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas. Ela pode ser comentada aqui no blog e sua identidade não será revelada.

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Você confunde amor com dependência? É comum, mas são coisas bem diferentes http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/07/13/voce-confunde-amor-com-dependencia-e-comum-mas-sao-coisas-bem-diferentes/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/07/13/voce-confunde-amor-com-dependencia-e-comum-mas-sao-coisas-bem-diferentes/#respond Thu, 13 Jul 2017 07:00:33 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7219

Ilustração: Caio Borges

A dependência emocional entre um casal é encarada por todos com naturalidade porque se confunde com amor. Essa dependência que se tem do outro pode levar as pessoas a continuarem juntas, acomodadas, dando a impressão de estarem anestesiadas. E quando alguém fica junto por hábito ou dependência emocional, não é raro desencadear um sentimento de ódio pelo outro, mesmo que inconsciente.

Para o psiquiatra americano Scott Peck é um erro comum sobre o amor é a ideia de que dependência é amor. O efeito desse equívoco verifica-se de um modo mais dramático em indivíduos que estão sofrendo por terem sido rejeitados pelo outro, que quis a separação. Essa pessoa diz “Eu não posso viver sem o meu marido (mulher, namorada, namorado).”  Para Peck quando se precisa de outra pessoa para sua sobrevivência, você é um parasita dessa pessoa. Não existe escolha nem liberdade na relação. É mais uma questão de necessidade do que de amor.

A dependência seria a incapacidade de se sentir realizado ou de agir adequadamente sem a certeza de que se é motivo de cuidado para outra pessoa. A dependência em adultos fisicamente saudáveis é sempre uma manifestação de um problema emocional. Todos os casais deveriam saber  que a verdadeira aceitação da sua própria individualidade e da do outro e a independência são as únicas fundações sobre as quais se pode basear um relacionamento amoroso adulto.

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“Tenho atração sexual por homens, mas ao mesmo tempo sinto nojo; o que fazer?” http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/07/10/tenho-atracao-sexual-por-homens-mas-ao-mesmo-tempo-sinto-nojo-o-que-fazer/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/07/10/tenho-atracao-sexual-por-homens-mas-ao-mesmo-tempo-sinto-nojo-o-que-fazer/#respond Mon, 10 Jul 2017 07:00:29 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7215

Ilustração: Caio Borges

“Tenho 26 anos, sou homem e não sei o que fazer. Tenho atração sexual por homens, mas ao mesmo tempo sinto nojo. É esquisito: às vezes, transo com homem, mas não consigo fazer nada direito. Sou passivo na cama e não consigo fazer sexo anal e oral, porque acho nojento. Nunca namorei. Meus pais me cobram uma namorada. Até acho algumas meninas bonitas, mas não tenho atração sexual por elas. Sinto nojo de homem e não consigo ter atração por mulheres. Queria ser normal, ter uma namorada, ir ao cinema, ao restaurante, pensar em ter um filho… Já perdi o contato com os amigos, pois tenho medo de sair e alguma menina querer ficar comigo, e não consigo fazer sexo com mulher. Por isso, fico em casa. Não tenho coragem de contar isso para ninguém.”

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Geralmente é na adolescência que a orientação afetivo-sexual começa a ser percebida. É comum o adolescente se sentir diferente, não compartilhar dos mesmos interesses do grupo de amigos, mas não entender bem o que se passa com ele. Assustado, muitas vezes não consegue admitir nem para si mesmo seus sentimentos e desejos. Tenta negar a ideia de homossexualidade, pois sabe que isso não seria aceito, que decepcionaria a família, os amigos e a si próprio.
Com esse conflito interno, ele confunde amizade, amor e desejo sexual. Aceitar-se como homossexual é para a maioria um processo difícil, cheio de dúvidas e medos. Não há com quem conversar e surge a sensação de que vai ser rejeitado e nunca compreendido.

O primeiro ato sexual é um momento decisivo na vida de um homossexual. Pode demorar muitos anos para acontecer e, quanto mais tarde, mais afeta a personalidade. As tentativas de suicídio são, nesses casos, duas vezes mais frequentes do que no restante da população da mesma idade.

Entretanto, passado esse momento, os homossexuais apresentam um índice de suicídio muito baixo. Afinal, ser homo não significa infelicidade, assim como os 90% da população sabem que ser hetero não garante felicidade a ninguém.

O conflito homossexual, por maior que seja, vem do meio social. O pior inimigo do homossexual, entretanto, é a sua própria homofobia. introjetando de tal forma os valores da sociedade em relação à homossexualidade, muitos gays se recriminam por desejar outro homem. Negam completamente o sexo ou levam uma vida dupla, casando e tendo filhos. É grande o esforço que fazem para acreditar que são heterossexuais, mesmo à custa de muito sofrimento.

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Quer uma relação feliz? Estabeleça de cara os códigos do romance http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/07/06/quer-uma-relacao-feliz-estabeleca-de-cara-os-codigos-do-romance/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/07/06/quer-uma-relacao-feliz-estabeleca-de-cara-os-codigos-do-romance/#respond Thu, 06 Jul 2017 07:00:28 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7210

Ilustração: Caio Borges

Passageira ou duradoura, inventada ou real, o início de uma relação amorosa é decisivo. É comum nessa fase de conhecimento e descoberta as duas pessoas mostrarem o melhor de si, seus aspectos mais atraentes e sedutores. Não se incomodam de abdicar de coisas que lhes dão prazer só para agradar ao outro. O que poderia ser mais importante naquele momento da vida?

Até aí tudo bem, já conhecemos essa história. Entretanto, o que muitos não sabem é que toda relação é regida por códigos, que são passados de um para o outro, na maioria das vezes de forma inconsciente. Através de gestos, olhares, sorrisos, comentários ou qualquer outra manifestação, deixamos o parceiro perceber quais são nossas expectativas a seu respeito. O que admiramos ou rejeitamos no seu comportamento, o que esperamos que faça em determinada situação e até as atitudes que não admitimos de jeito nenhum. A questão é que depois de estabelecidos os códigos, não adianta lamentar. É muito difícil revertê-los.

Um não se sentir dono do outro, as pessoas saberem que estão juntas por prazer e não por qualquer outro motivo, só enriquece cada encontro. Além de permitir que se viva sem limitações, coisa tão rara em quem está casado ou namorando.

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“Meu ex-marido me violentou, me ameaça, mas não o denunciei” http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/07/03/meu-ex-marido-me-violentou-me-ameaca-mas-nao-o-denunciei/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/07/03/meu-ex-marido-me-violentou-me-ameaca-mas-nao-o-denunciei/#respond Mon, 03 Jul 2017 07:00:28 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7205

Ilustração: Caio Borges

“Temos quatro filhos, mas nosso casamento tinha brigas diárias insuportáveis. Estamos separados há dois anos, só que ele não saiu de casa. Não suporto que ele me toque. Depois que ele me violentou a situação só piorou. Implorei para que ele saísse, pois já não dava mais para continuarmos debaixo do mesmo teto. Não sei como conquistar meu sossego, pois ele me atormenta, me ameaça. Sempre aparece bêbado, faz ameaça física, fala coisas que me humilham. Nunca fiz nenhuma denúncia contra essas violências. Acho que esse foi meu erro.”

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Segundo um artigo do jornal americano New York Times, o comandante das forças das Nações Unidas na Bósnia costumava se referir aos rugidos noturnos das metralhadoras no centro de Sarajevo, em 1993, como “violência doméstica”.

Atos de violência física podem não ocorrer mais de uma vez ou podem se repetir, mas quando não são denunciados há sempre uma escalada de intensidade e frequência. É suficiente, a partir daí, fazer lembrar a primeira agressão por meio de ameaças ou de um gesto, para que, segundo o princípio do reflexo condicionado, a memória reative o incidente na vítima, levando-a a submeter-se novamente.

É da violência sexual que as mulheres têm mais dificuldade de falar e, no entanto, ela está muitas vezes presente. Essa forma de violência abrange um espectro bastante amplo, que vai do assédio sexual à exploração sexual, passando pelo estupro conjugal.

Num estudo, na França, com uma amostragem de 148 mulheres vítimas de violência no casal, que 68% das vítimas interrogadas relatavam ter sofrido, além de pancadas e ferimentos, violência sexual por parte do marido. As mulheres sexualmente agredidas apresentavam, significativamente, mais sintomas psicológicos pós-traumáticos que as que haviam sofrido apenas violência física sem componente sexual.

A violência sexual tem duas formas de se manifestar: pela humilhação ou pela dominação. De qualquer forma, toda violência sexual é bastante traumatizante. A violência sexual é, sobretudo, um meio de sujeitar o outro. O que não tem nada a ver com o desejo; é simplesmente, para o homem, um modo de dizer: “Você me pertence”.

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Acreditar que a paixão pode durar para sempre só traz sofrimento desnecessário http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/29/acreditar-que-a-paixao-pode-durar-para-sempre-so-traz-sofrimento-desnecessario/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/29/acreditar-que-a-paixao-pode-durar-para-sempre-so-traz-sofrimento-desnecessario/#respond Thu, 29 Jun 2017 07:00:39 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7190

Ilustração: Caio Borges

A experiência de se apaixonar tem provavelmente como uma das suas características a ilusão de que a paixão irá durar sempre. Esta ilusão é estimulada na nossa cultura pelo mito do amor romântico e é reforçada pelas histórias infantis, em que o príncipe e a princesa, uma vez unidos, vivem felizes para sempre.

O filósofo francês Alain Badiou comenta um anúncio de um site de relacionamento, que promete uma relação amorosa com seguro total. “Tenha amor sem ter o acaso”, essa era a chamada do site. Badiou mostra como a ameaça de segurança, em que toda a potencialidade da surpresa do encontro, a possibilidade de descoberta, a aventura, a poesia do encontro amoroso são deixadas em segundo plano para se obter a garantia de felicidade. Para ele o mundo está, com certeza, cheio de novidades, e o amor também deve ser considerado dentro dessa inovação. É necessário reinventar o risco e a aventura, em oposição à segurança e o conforto.

Para o professor de Teoria Psicanalítica e escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza ninguém tem acesso à subjetividade do outro. A relação entre dois seres é marcada pela ausência de garantia. Por maior que seja a prova de amor dada, ela pode não ser verdadeira. Essa possibilidade de falsear é que é a mola do ciúme. Ciúme é a contrapartida da ausência de garantia.

Por não haver garantia nenhuma no amor, todos os apaixonados pressentem que um dia podem perder a pessoa amada, que isso pode acontecer a qualquer momento, e sofrem.

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Caso de Maisa prova: há quem pense que mulher precisa de homem para ser feliz http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/28/caso-de-maisa-prova-ha-quem-pense-que-mulher-precisa-de-homem-para-ser-feliz/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/28/caso-de-maisa-prova-ha-quem-pense-que-mulher-precisa-de-homem-para-ser-feliz/#respond Wed, 28 Jun 2017 18:15:32 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7194

Maisa Silva no “Programa Silvio Santos” – crédito: Reprodução/SBT

Pelas notícias que li esta semana, diante da insistência de Silvio Santos para que Maísa, de 15 anos, participante do seu programa, forme um casal com Dudu Camargo, 19, também do SBT, fez a moça abandonar a gravação chorando. Desde o dia 18 de maio, essa história começou a ter repercussão nas redes sociais. A adolescente teria dito que Dudu não é seu tipo e que ele fala esquisito. O jovem então a convidou para dormir com ele para descobrir se ele tem voz empostada. Maísa se expressou no Facebook afirmando que as mulheres não são obrigadas a aceitar tudo. Não são mesmo!

Nos contos de fadas as mulheres se submetem, esperando encontrar um príncipe. Há, nessas histórias, a ideia de que as mulheres só podem melhorar de vida, por meio da relação com um homem. As meninas vão aprendendo, então, a ter fantasias de salvamento, em vez de desenvolver suas próprias capacidades e talentos. Muitas mulheres, até hoje, se sentem desvalorizadas se não encontram um par amoroso. Na realidade, não é nada grave uma mulher desejar um par moroso; o grave é acreditar que só pode ser feliz se tiver um par amoroso.

Felizmente, as mentalidades estão mudando. É o que mostra novos desenhos animados em que as personagens femininas são fortes e independentes, e de forma alguma buscam encontrar um homem para viver um romance e que dê significado à sua vida. “Nosso destino está dentro de nós, você só precisa ser valente o bastante para vê-lo” Está sentença da personagem Merida, sintetiza o argumento da animação Valente, dos Estúdios Disney.

Merida é uma princesa escocesa, filha do rei Fergus. Sua mãe, a rainha Elinor, busca adaptá-la aos padrões que a sua estatura dentro do Reino exige. Tenta lhe ensinar boas maneiras, a história do reino, lições para que se torne uma boa rainha, e espera que ela se case. Mas a princesa Merida é diferente; não quer se casar e nem ser igual à sua mãe. Ela quer poder viver o seu próprio destino, e não aquele que a mãe e as outras pessoas do reino esperam dela.

Apreende as habilidades, que só os homens exercitam naquelas paragens e época. A habilidade, por exemplo, com o Arco e Flecha. Todos os jovens do reino querem ganhar o seu coração e tornarem-se reis ao se casarem com ela. É criado um campeonato de arco e flecha para escolher o indicado, mas, após vários atiradores chegarem perto do centro do alvo, é Merida quem faz o melhor acerto.

Nesse sentido, Valente ultrapassa as narrativas tradicionais do gênero, apresentando uma jovem que não deseja encontrar o príncipe encantado e compete em pé de igualdade com os homens. O resultado positivo de toda essa mudança é que, no Ocidente, cada vez menos mulheres, se dispõem a ajustar sua imagem às exigências e necessidades masculinas.

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Seis meses juntos – mas por que ele não me beija? http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/26/seis-meses-juntos-mas-por-que-ele-nao-me-beija/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/26/seis-meses-juntos-mas-por-que-ele-nao-me-beija/#respond Mon, 26 Jun 2017 07:00:30 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7176

Ilustração: Caio Borges

“Faz seis meses que estou com um rapaz. Gosto muito dele, mas não consigo entender porque ele não me beija. Nós ficamos a noite toda juntos, mas não rola beijo. Faço sexo com ele sempre, mas beijo que é bom nada. Acho que durante esses seis meses ele só me beijou duas vezes. Às vezes acho que ele não gosta de mim.”

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Às vezes, o beijo desperta paixões, como aconteceu com Scarlett e Rhett no filme E o vento levou, quando a heroína descobre no poder mágico de um beijo a dimensão até então desconhecida da felicidade física, que muda toda a história. Pode também deixar marcas indeléveis na memória, como dizia Brigitte Bardot a Jean-Louis Trintignant em E Deus criou a mulher: “Se me beijares, nunca mais me esquecerás.”

Por tocar tão fundo na alma, apesar de desejado, o beijo também encerra a ideia de perigo. É sabido que as prostitutas se protegem do envolvimento amoroso com seus clientes se recusando a beijá-los. Há mais de dois mil anos, na Grécia, já se temiam as consequências do beijo. Xenofonte, em Memoráveis, faz seu mestre Sócrates dizer que o beijo de um belo rapaz é mais perigoso do que a picada de uma tarântula, porque o contato dos lábios com um jovem reduz instantaneamente à escravidão o mais velho que se arriscou a ele.

As mulheres são as que mais reivindicam o beijo nas relações amorosas, por experimentarem o corpo todo como zona erógena e não, como os homens, predominantemente os órgãos genitais. A internauta não está sozinha. Shere Hite encontrou várias respostas nesse sentido entre as mulheres que entrevistou para sua pesquisa sobre sexualidade feminina:

“Mais beijos, menos pressa, mais ternura.” ; “Gostaria que nos beijássemos mais frequentemente na boca.”; “Quando eu lhe explico que os beijos e as carícias me excitam, ele trata logo de se esquecer.” ;“O que desejo ardentemente são toneladas de beijos.”; “Para mim beijar é muito importante. Às vezes chego quase a gozar.”   Pelo jeito, o beijo é muito mais importante do que supõem os homens.

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Você também vive um conflito amoroso e sexual? Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas. Ela pode ser comentada aqui no blog e sua identidade não será revelada.

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Amor não é para ser uma fusão de duas pessoas http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/22/amor-nao-e-para-ser-uma-fusao-de-duas-pessoas/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/06/22/amor-nao-e-para-ser-uma-fusao-de-duas-pessoas/#respond Thu, 22 Jun 2017 07:00:37 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7170

Ilustração: Caio Borges

Uma das características fundamentais para uma boa relação amorosa é se livrar da ideia de fusão, ou seja, os dois se transformarem num só. É fundamental preservar a distinção entre si próprio e o outro. A pessoa amada é vista e aceita como tendo uma identidade inteiramente separada do parceiro, o que enriquece a relação.

Entretanto, é bastante comum não se perceber nem se respeitar a individualidade do parceiro, o que gera desentendimentos e sofrimento. O respeito à individualidade do parceiro, como o fato de cultivá-la, mesmo com o risco de separação ou perda é crucial. A vida a dois se complica quando um dos parceiros tem tanto medo da solidão, é tão dependente, que se agarra ao outro como um náufrago.

O psiquiatra social francês Jacques Salomé aborda a passagem da fusão com o parceiro amoroso à diferenciação, ou seja, quando há a ruptura da crença de que os dois são uma só pessoa. Em um depoimento sobre a sua vida ele diz:

“Antes da minha revolução pessoal, eu julgava que o amor era ignorar minhas próprias necessidades, censurar inúmeros desejos, renunciar aos direitos pessoais para satisfazer as expectativas e necessidades do meu companheiro, realizar seus desejos de ajustar-me às suas escolhas sem levar em consideração as minhas.”

Concordo com Salomé quando ele conclui que qualquer casal é sempre um pouco um casal a três. Somos sempre três quando vivemos a dois: você, eu e o relacionamento que compartilhamos. Você na sua extremidade…e eu, na minha.

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