Regina Navarro https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller 'A Cama na Varanda' e 'O Livro do Amor'. Thu, 21 Nov 2019 07:00:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Por que é tão difícil ficar sem um par amoroso? https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/21/por-que-e-tao-dificil-ficar-sem-um-par-amoroso/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/21/por-que-e-tao-dificil-ficar-sem-um-par-amoroso/#respond Thu, 21 Nov 2019 07:00:37 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9135

Durante séculos, só foi possível casar com quem a família escolhesse. A  partir de 1940, quando casar por amor foi se tornando comum, surgiu a ideia de que, dessa forma, todas as necessidades afetivas seriam satisfeitas, as duas pessoas se transformariam numa só e nada mais iria lhes faltar.

A questão é que essas expectativas se mostram incompatíveis com a realidade, e as frustrações vão se acumulando. Por medo da solidão muitas pessoas suportam o insuportável tentando manter a estabilidade do vínculo, e não raro se tornam dois estranhos ocupando o mesmo espaço físico.

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Como mecanismo de defesa, surge a tendência a não se pensar na própria vida. Tenta-se acreditar que casamento é assim mesmo. Se a pessoa não tomar coragem e sair fora, vai viver exatamente o mesmo que um sapo desatento. Uma fábula conta que se um sapo estiver em uma panela de água fria e a temperatura da água se elevar lenta e suavemente, ele nunca saltará.  Será cozido.

O historiador inglês Theodore Zeldin afirma que o medo da solidão assemelha-se a uma bola e uma corrente que, atados a um pé, restringe a ambição, é um obstáculo à vida plena, tal e qual a perseguição, a discriminação e a pobreza. Se a corrente não for quebrada, a liberdade continuará um pesadelo. Segundo ele, a crença mais gasta, pronta para a lixeira, é que os casais não têm em quem confiar salvo neles próprios, o que é infundado.

Não há dúvida de que o medo da solidão é responsável por muitas opções equivocadas de vida. Fazemos qualquer coisa para nos sentir aconchegados e protegidos por meio da relação com outra pessoa, tentando nos convencer de que assim não seremos mais sozinhos.

Concordo com o psicoterapeuta e escritor Roberto Freire, quando diz: “O risco é sinônimo de liberdade e o máximo de segurança é a escravidão. A saída é vivermos o presente através das coisas que nos dão prazer. A questão, diz ele, é que temos medo, os riscos são grandes e nossa incompetência para a aventura nos paralisa. Entre o risco no prazer e a certeza no sofrer, acabamos sendo socialmente empurrados para a última opção.”

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“Não conversamos mais que 1h, mas tenho certeza de que somos almas gêmeas” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/18/nao-conversamos-mais-que-1h-mas-tenho-certeza-de-que-somos-almas-gemeas/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/18/nao-conversamos-mais-que-1h-mas-tenho-certeza-de-que-somos-almas-gemeas/#respond Mon, 18 Nov 2019 07:00:54 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9127

“Há muito tempo me sinto sozinha, mas agora esse problema foi resolvido. Ontem, conheci a pessoa certa pra mim, o homem da minha vida. Estou apaixonada. Temos os mesmos interesses e os mesmos gostos. Não conversamos mais que uma hora, sei muito pouco da sua vida, mas tenho certeza de que somos almas gêmeas.”

***

Esta não é uma situação rara de acontecer. Não se sabe nada do outro, a conversa dura pouco, mas isso não impede de que se façam planos e se imaginem situações. Na maior parte das vezes, a emoção que se sente, nesse caso, não é a do amor verdadeiro nem a do desejo sexual perturbador.

O mais comum é que esse amor — totalmente idealizado — seja do tipo romântico. Nele não se percebe a pessoa real como ela é, e a paixão é pela imagem que se constrói dela, pelo que se gostaria que ela fosse. Ansiosos por experimentar as emoções tão propaladas desse amor, quase todos no mundo ocidental constróem a história que bem entendem, sem nem se dar conta disso.

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Poucos gostam de ouvir que o amor romântico é uma ilusão, que nele se inventa uma pessoa que não existe. Portanto, nada mais natural do que ela ser maravilhosa aos olhos de quem a ama. O problema é que os apaixonados esperam que todo o mundo enxergue a pessoa amada do mesmo jeito que eles enxergam, não aceitando que os outros ignorem as qualidades percebidas por eles.

Há quem questione se uma paixão desse tipo pode ser duradoura. A questão é saber se entre a pessoa real e a imagem que se formou dela existe grande distância.

Se existir, em pouco tempo o namoro ou casamento se torna insuportável. Não tendo mais como manter a idealização, por conta da convivência diária, as características de personalidade do outro que não nos agradam, agora são percebidas, comprometendo a relação.

Isso não acontece somente no amor repentino, à primeira vista. Pode ocorrer em qualquer experiência amorosa, desde que se enxergue o outro através da névoa do amor romântico.

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Ainda bem que o “homem Marlboro” é cada vez mais coisa do passado https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/16/ainda-bem-que-o-homem-malboro-e-cada-vez-mais-coisa-do-passado/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/16/ainda-bem-que-o-homem-malboro-e-cada-vez-mais-coisa-do-passado/#respond Sat, 16 Nov 2019 07:00:50 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9123

No tempo em que meninos, jovens e adultos ouviam com frequência “Seja homem!”, “Prove que você é homem!”, “Vem cá se você é homem!”, ou seja, sempre desafiados a provar sua masculinidade, surgiu o homem dos cigarros Marlboro.

A propaganda ilustrou de forma perfeita o que povoava a imaginação das massas: “O homem duro, solitário porque não precisa de ninguém, impassível, viril a toda prova. Todos os homens, em determinada época, sonharam ser assim: uma besta sexual com as mulheres, mas que não se liga a nenhuma delas; um ser que só encontra seus congêneres masculinos na competição, na guerra ou no esporte. Em suma, o mais duro dos duros, um mutilado de afeto.”, diz a filósofa francesa Elisabeth Badinter.

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A primeira coisa que se quer saber quando um casal vai ter um filho é o sexo da criança. Mesmo antes do nascimento o papel social que ela deverá desempenhar está claramente definido: masculino ou feminino.

As características do homem masculino são a força, o sucesso, a coragem, a ousadia, e tantas outras do gênero, sem esquecer, claro, aquela cobrança que atormenta todo menino: “Homem não chora.” São todas metas inatingíveis para a maioria. A mulher feminina, ao contrário, deve ser delicada, frágil, sensível, dependente, gentil, pouco competitiva, se emociona à toa, chora com facilidade, indecisa, pouco ousada, recatada.

Mas, na realidade, a diferença entre homens e mulheres é anatômica e fisiológica; o resto é produto de cada cultura ou grupo social. Tanto o homem como a mulher podem ser fortes e fracos, corajosos e medrosos, agressivos e dóceis, passivos e ativos, dependendo do momento e das características que predominam em cada um. Ainda bem que o Homem Marlboro está se tornando cada vez mais coisa do passado.

Robert C. Norris, o ator, morreu agora, aos 90 anos, sem nunca ter sido fumante. Durante 14 anos apareceu em comerciais da marca na televisão, mas contam que decidiu deixar o posto de Homem Marlboro quando percebeu que estava dando um mau exemplo aos filhos.

 

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Por que a chance de descobrir que a filha é lésbica perturba tanto uma mãe? https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/14/por-que-a-chance-de-descobrir-que-a-filha-e-lesbica-perturba-tanto-uma-mae/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/14/por-que-a-chance-de-descobrir-que-a-filha-e-lesbica-perturba-tanto-uma-mae/#respond Thu, 14 Nov 2019 07:00:21 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9119

 

As mulheres homossexuais são chamadas de lésbicas em referência à ilha de Lesbos, onde nasceu Safo, no século 7 a.C. Ela era objeto de gracejos obscenos e julgamentos moralistas. Seus amores foram ridicularizados pelos poetas cômicos de Atenas, mas como a vida das mulheres gregas não é muito conhecida, não se tem quase informação a respeito da homossexualidade feminina nessa época.

Nos últimos anos, observamos uma novidade: torna-se cada vez mais comum meninas ficarem com meninas. “Acho ótimo não ter que ficar só com meninos. Várias vezes, em festas ou shows, fiquei com alguma menina. Todos começam a dançar e quando vejo, estou beijando uma delas que me atraiu. Beijamos mesmo, com língua e tudo. Mas isso não impede que eu também fique com algum menino”, contou Clara, de 17 anos.

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Alguns psicólogos dizem que o fato de as meninas se beijarem não determina alguma tendência homossexual ou bissexual. O beijo poderia ser um desafio, uma tentativa de mostrar como são liberadas, sem preconceitos. Pode ser. Contudo, essa mudança de comportamento das mulheres não se limita ao beijo.

Fátima, mãe de uma adolescente, me enviou a seguinte mensagem: “Minha filha tem 14 anos. Quando tinha 12, chorando, me confidenciou que estava gostando de outra menina. Achava que era perturbadora a atração que sentia por meninas. Ela mudou de escola, depois ficou com meninos, e pareceu que o assunto havia sido esquecido. Mas hoje eu a surpreendi, no escuro, na rede da varanda, com a amiguinha. Estavam conversando e vendo as estrelas, mas ambas deitadas na mesma direção. Não gostei. Acho que ela deve evitar esse comportamento, mas tenho medo de tirar a espontaneidade dela. Como agir? Devo me preocupar?”

Não são poucas as adolescentes que namoram outras meninas. A dificuldade de uma mãe aceitar a homossexualidade da filha se deve, entre outras razões, à expectativa criada em relação ao seu comportamento. Desde pequenas as meninas são educadas para o casamento com o sexo oposto e para o papel materno. O mesmo conflito que surge na adolescência, quando percebem que seu desejo amoroso e sexual é dirigido para pessoas do seu próprio sexo, é vivido pelos pais, que reagem de variadas formas.

Contudo, homens e mulheres homossexuais precisam lutar para serem autônomos, não se submetendo aos valores impostos nem absorvendo os preconceitos da sociedade. Afinal, ser homossexual não significa infelicidade, da mesma forma que ser heterossexual não garante felicidade a ninguém.

 

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“Nosso sexo é uma tragédia! Ela é totalmente passiva, parece anestesiada” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/11/nosso-sexo-e-uma-tragedia-ela-e-totalmente-passiva-parece-anestesiada/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/11/nosso-sexo-e-uma-tragedia-ela-e-totalmente-passiva-parece-anestesiada/#respond Mon, 11 Nov 2019 07:00:26 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9112

“Comecei a sair com uma mulher, que conheci na empresa em que trabalho. Ela tem 27 anos e eu 32. Sempre a considerei muito sensual, o que fez com que a percebesse logo no primeiro dia. A minha decepção foi enorme….. nosso sexo é uma tragédia! Ela é totalmente passiva, não emite um som, fica tensa, parece que está anestesiada. Sobre orgasmo parece que nunca ouviu falar. Como pode alguém ser assim no sexo hoje?”

***

O ser humano possui uma amplitude sexual inigualável, podendo experimentar a sexualidade desde a simplicidade reprodutora de um puritano até o êxtase do sexo tântrico. Para Wilhelm Reich, famoso psicanalista da primeira metade do século 20, a saúde psíquica depende do ponto até o qual o indivíduo pode entregar-se e experimentar o clímax de excitação no ato sexual. As enfermidades, ao contrário, seriam o resultado do caos sexual da sociedade. Afinal, o ser humano é a única espécie que não segue a lei natural da sexualidade.

Na intimidade da vida de cada um, o sexo continua sendo para a maioria um problema complicado, cheio de dúvidas, medos e culpas. Ainda existe, em quase todos, uma carência fundamental de sexo, tanto em quantidade como em qualidade.  Mas poucos se dão conta disso. Por que o sexo praticado entre nós é de tão baixa qualidade?

Homens e mulheres foram inibidos na sua capacidade para o prazer sexual. As mulheres tiveram sua sexualidade reprimida e distorcida, a ponto de até hoje muitas serem incapazes de se expressar sexualmente, muito menos atingir o orgasmo. Os homens, por sua vez, também tiveram a sexualidade bloqueada. A preocupação em não perder a ereção é tanta que fazem um sexo apressado, com o único objetivo de ejacular. A mulher acaba se adaptando ao estilo imposto pelo homem, principalmente por temer desagradá-lo.

Exercer mal o sexo é isso: não se entregar às sensações e fazer tudo sempre igual, sem levar em conta o momento, a pessoa com quem se está e o que se sente. É fundamental não ter preconceito nem vergonha, considerar o sexo natural, como parte da vida. A busca do prazer pode então ser livre e não estar condicionada a qualquer tipo de afirmação pessoal. O sexo pode ser ótimo quando se cria o tempo todo junto com o parceiro e o único objetivo é a descoberta de si e do outro. Assim, sexo deixa de ser a busca de um prazer individual para se tornar um poderoso meio de transformar as pessoas.

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Da virgindade ao sexo anal: a difícil noite de núpcias ao longo da história https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/09/da-virgindade-ao-sexo-anal-a-dificil-noite-de-nupcias-ao-longo-da-historia/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/09/da-virgindade-ao-sexo-anal-a-dificil-noite-de-nupcias-ao-longo-da-historia/#respond Sat, 09 Nov 2019 07:00:32 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9108

Em países de cultura árabe e muçulmana, a virgindade das noivas é obrigatória. Uma pesquisa com 20 homens de até 45 anos, casados e solteiros, incluindo pessoas da elite econômica e cultural, revelou o que eles pensam.  Eles consideram que “manchas de sangue provam a virgindade da noiva” e isso é o alicerce de um casamento feliz.

Se olharmos a história do Ocidente, observamos que a exigência de virgindade das noivas também apresenta aspectos inacreditáveis, começando pela Roma Antiga. A noite de núpcias desenrolava-se como uma violação legal, da qual a esposa saía “ofendida contra o marido”, que habituado a usar as escravas, desconhecia outras formas de iniciativa sexual. Era comum, na primeira noite, o recém-casado se abster de deflorar a mulher, em consideração à sua timidez; nesse caso, porém, como compensação, ele praticava sexo anal com ela.

Na Idade Média (séculos 5 ao 15), apesar de haver controvérsias entre os historiadores, o jus primae noctis dava teoricamente o direito, ao senhor feudal, de deflorar a noiva de um vassalo. “Alguns relatos dispersos, mas verídicos, indicam que este costume foi efetivamente praticado em diversos países europeus, mesmo no período em que a cavalaria estava transformando-se em filosofia orientadora da aristocracia”, diz o historiador americano Morton Hunt.

A moda da viagem de núpcias, a Lua de Mel, se difunde no século 19, por volta de 1830. Diante de todos os tabus a respeito do sexo, essa prática crescente tinha o objetivo de poupar o círculo familiar de um momento “tão constrangedor’’…

No início do século 20, a noite de núpcias é a meta dos sonhos e temores da moça, nesse século da virgindade. Mas também é uma provação; o difícil momento da iniciação feminina por um marido que conhecera o sexo só com prostitutas. Essa noite impõe uma encenação coletiva do pudor, do temor e da ignorância que todos os médicos descrevem. A iniciação pode ser brutal. Os maridos aguardaram essa noite para se revelarem.

Nos anos 1950, a maioria das jovens ainda tentava se casar virgem. A historiadora Carla Bassanezi conta em seu livro que apesar dos riscos de “perder o respeito” do próprio namorado ou noivo, nem todas as moças evitam contatos íntimos. Algumas permitem certas “liberdades” desde que a virgindade – selo de qualidade exigido para o casamento – seja mantida e que “mais ninguém saiba”. Nesse tipo de namoro pode haver “amassos” (carícias por cima e por baixo da roupa), sexo “feito nas coxas” ou até sexo oral e anal.

Não é somente o medo de “dar um mau passo” ou de “se perder” que assustava as jovens. A contracepção era inacessível às mulheres solteiras e havia, portanto, o temor da gravidez indesejada. Nos Estados Unidos, as clínicas chegavam ao ponto de pedir o recibo do vestido de noiva para aquelas que queriam tomar precauções antes da noite de núpcias.

Estamos no século 21. Como você acha que a virgindade é vista hoje nos países ocidentais?

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O que se espera de um casamento? https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/07/o-que-se-espera-de-um-casamento/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/07/o-que-se-espera-de-um-casamento/#respond Thu, 07 Nov 2019 07:00:13 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9101

“Pouca vergonha!” Era esse o comentário do meu avô quando via um casal, que havia se separado, conversando. Quem viveu na primeira metade do século 20 não podia mesmo entender. Na maioria dos países ocidentais, o casamento constituía um contrato duradouro e não era permitido o rompimento, a não ser em casos de faltas gravíssimas cometidas por um dos cônjuges. Entre elas estavam o abandono do lar, adultério, alcoolismo e violência física. “Depois de tanto ultraje, como podem ficar amigos?”, ele devia se perguntar.

Mesmo assim, o número de divórcios aumentava e passou a causar preocupação. Naquela época não havia separações amigáveis. Embora, como acontece hoje, as mulheres fossem responsáveis pela maioria dos pedidos de divórcio, a situação delas era bem difícil. Apesar de só se separar quando o casamento se tornava insuportável, elas eram discriminadas e representavam uma vergonha para a família.

Sem dúvida, a felicidade no casamento depende das expectativas que se depositam na vida a dois. Antigamente, o que se esperava do marido era que fosse provedor e respeitador. A mulher deveria cuidar bem da casa e dos filhos. E, acima de tudo, ser uma mulher respeitável.

As opções de atividades fora do convívio familiar eram bastante limitadas, não só para as mulheres como para os homens, que do trabalho iam direto para o aconchego do lar. Desconhecendo outras possibilidades de vida, não almejavam nada diferente, e o grau de insatisfação era muito menor. Havia um conformismo generalizado.

Entretanto, os movimentos de emancipação feminina e de liberação sexual dos anos 60 trouxeram mudanças profundas na expectativa de permanência de uma relação conjugal. Surgiram muitas opções de lazer, de desenvolver interesses vários, de conhecer outras pessoas e outros lugares. Casar buscando realização afetiva e prazer sexual foi a grande novidade.

Ao contrário da época em que, excetuando os casos de intenso sofrimento, ninguém se separava, hoje a duração dos casamentos é cada vez menor. Isso ocorre porque quando uma pessoa se vê privada das perspectivas, que são de alguma forma possíveis, a frustração é inegável.

Que o casamento está em crise não é novidade. E isso começou a acontecer depois que o cônjuge passou a ser escolhido por amor e não mais por interesses familiares. As perspectivas não são nada animadoras e talvez só tenha um jeito. Para ser sólido e duradouro, o casamento precisa voltar a ser como sempre foi: sem nenhuma expectativa de romance ou de prazer sexual. Será que alguém se habilita?

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“Amo meu marido, mas na última vez que transamos imaginei estar com outro” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/04/amo-meu-marido-mas-na-ultima-vez-que-transamos-imaginei-estar-com-outro/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/04/amo-meu-marido-mas-na-ultima-vez-que-transamos-imaginei-estar-com-outro/#respond Mon, 04 Nov 2019 07:00:19 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9091

“Sou casada há 12 anos e amo muito meu marido. Nossa convivência é ótima e o sexo maravilhoso. Sempre acreditei que quando a mulher está satisfeita nunca vai desejar outro homem. Só que estou sentindo um tesão absurdo por um novo colega de trabalho. As últimas vezes que transei com meu marido imaginei estar com ele. Ele também está a fim de mim. Não sei o que fazer. Imaginar que estou com outro na hora do sexo com meu marido pode ser uma fase….Não quero perdê-lo de jeito nenhum.”

***

Sentir desejo por alguém que não seja o parceiro fixo é comum. Viver ou não uma experiência sexual com essa pessoa, depende da visão que cada um tem do amor e do sexo. No entanto, contar ao parceiro que está com desejo por outro é eliminar totalmente a privacidade e transformar uma relação amorosa em confessionário.

Há os que se sentem muito culpados quando percebem sentir desejo sexual por outra pessoa. Contam para o parceiro, tentando expiar o pecado e, depois de “perdoados”, se sentirem novamente protegidos. Entretanto, pode acontecer de o parceiro que recebe a confissão se aproveitar disso para torturar o outro, afirmando não poder nunca mais confiar. A maioria dos que se calam não deixam de se culpar e, com medo de que o parceiro também sinta desejo por outra pessoa, se tornam inseguros. Ameaçados, começam a controlar tudo.

Não é tão simples viver uma relação amorosa saudável, que contribua para o próprio crescimento emocional. É necessário aprender primeiro a lidar de outra forma com as questões da vida. Você pode amar muito uma pessoa, estar namorando ou casado com ela, e ao mesmo tempo não ter dúvida de que é mais do que natural sentir desejo por outras pessoas. E saber que qualquer atitude que tomar diz respeito somente a você.

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Bruxas estão na moda porque conservadorismo aumenta interesse pelo místico https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/02/bruxas-estao-na-moda-porque-conservadorismo-aumenta-interesse-pelo-mistico/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/11/02/bruxas-estao-na-moda-porque-conservadorismo-aumenta-interesse-pelo-mistico/#respond Sat, 02 Nov 2019 07:00:02 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9097  

Michely Cantagalo diz que festa das bruxas é momento de deixar o que não funciona para trás

Halloween ou Dia das Bruxas foi festejado no dia 31, quinta-feira. As bruxas estão mais na moda do que nunca. Para os historiadores, o interesse pelo misticismo sempre costuma ganhar mais evidência em momentos de obscurantismo e conservadorismo na sociedade. Mas é importante aproveitarmos o Halloween para refletir sobre o terror vivido pelas mulheres no período em que foram torturadas e queimadas vivas nas fogueiras.

A caça às bruxas foi uma perseguição religiosa e social. Teve início no final da Idade Média e se intensificou na Idade Moderna (1453 – 1789). Alguns historiadores estimam que o número de vítimas foi aproximadamente de 320 mil. Outros acreditam que foram bem mais. Destas, 85% eram mulheres, acusadas de ter pacto com o Diabo e de fazer sexo com ele. Após serem cruelmente torturadas, as acusadas eram executados na presença de uma multidão.

Como isso tudo começou? Desde a Antiguidade as mulheres detinham um saber próprio, transmitido de geração em geração: faziam partos, cultivavam ervas medicinais, curavam doentes. Na Idade Média (séculos 5 ao 15) seus conhecimentos se aprofundaram e elas se tornaram uma ameaça. Não só ao poder médico que surgia, como também do ponto de vista político, por participar das revoltas camponesas.

No final da Idade Média, na parte central da Europa, começaram a surgir rumores acerca de conspirações malignas que estariam tentando destruir os reinos cristãos através de magia e envenamento. Houve pânico. Os feitos mais comuns atribuídos às feiticeiras eram o roubo do sêmen de homens adormecidos, a provocação da impotência, a esterilidade e os abortos, afora a imposição de doenças e deformidades às partes íntimas das pessoas.

Não é possível falar de feiticeiras sem levar em conta a posição da mulher na sociedade cristã. Para os teólogos, a mulher é marcada pelo pecado original, causa de toda a miséria humana, agente do Diabo. Mas também é o seu corpo que perturba. O desconhecimento da fisiologia do corpo dá livre curso a todas as extravagâncias da imaginação.

Não é difícil imaginar que, nesse período, qualquer mulher pode ter se sentido como um animal caçado. A escritora americana Anne Barstow reflete sobre o terror vivido pelas mulheres. Elas se viam sozinhas. Com poucas exceções, suas famílias não as defendiam por medo e, em alguns casos, se voltaram contra elas. Acusadas pelos vizinhos, ou denunciadas sob coação pelos amigos, em geral elas enfrentavam os tribunais sem nenhuma ajuda. As mulheres aprenderam a viver com um medo intenso.

Para Anne Barstow, o terrorismo sexual é o sistema pelo qual os machos amedrontam, e amedrontando, dominam e controlam as fêmeas. Há uma multiplicidade de maneiras como isso é feito: pelo estupro, pelas revistas corporais, ofensas verbais e pela tortura. O principal artifício do século 16 para ensinar a ambos os sexos o controle definitivo dos homens sobre as mulheres, porém, foi a execução pública das feiticeiras.

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Você não deveria se preocupar com quem seu parceiro transa https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/10/31/voce-nao-deveria-se-preocupar-com-quem-seu-parceiro-transa/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/10/31/voce-nao-deveria-se-preocupar-com-quem-seu-parceiro-transa/#respond Thu, 31 Oct 2019 07:00:21 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=9083

 

  • Numa relação amorosa, o receio de ser abandonado leva a se exigir do parceiro que não tenha interesse nem ache graça em nada fora da vida a dois, longe da pessoa amada. Existem pessoas que preferem abrir mão da própria liberdade, desde que seja um bom argumento para controlar a liberdade do outro.
  • A dependência emocional entre um casal é aceita por todos com naturalidade porque se confunde com amor. Na maioria dos casamentos, homens e mulheres abrem mão da liberdade e da independência, tornando-se mais frágeis em caso de ruptura.
  •  O ciúme envolve uma espécie de ansiedade de abandono. Para superar os sentimentos de impotência, o ciumento se esforça por sufocar o outro. O ciúme é cultural, mas é tão valorizado, há tanto tempo, que passou a ser visto como parte da natureza humana.
  • Amor romântico é regido pela impossibilidade. Quanto mais difícil, mais apaixonada a pessoa fica pelo outro.
  • Ninguém deveria ficar preocupado se o parceiro transa ou não com outra pessoa. Homens e mulheres só deveriam se preocupar em responder a duas perguntas: Sinto-me amado (a)? Sinto-me desejado (a)? Se a resposta for Sim para as duas, o que o outro faz quando não está comigo não me diz respeito. Não tenho dúvida de que as pessoas viveriam muito mais satisfeitas.
  • Quando se é trocado por outro (a) é comum serem reeditadas inconscientemente todas as rejeições sofridas desde a infância, exacerbando a dor do momento. Em muitos casos, a troca ocorre porque a pessoa objeto da nova paixão possui algum aspecto que satisfaz inconscientemente uma exigência momentânea do outro, sem haver uma vinculação necessária com o parceiro rejeitado.
  • Nem sempre é fácil saber por que um casal começa a brigar. Na maior parte das vezes nem as pessoas envolvidas conseguem perceber o motivo. Mas o que menos importa é o tema da briga; por qualquer razão o rancor que existe e que se tenta negar escapa, sem controle.
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