Regina Navarro https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller 'A Cama na Varanda' e 'O Livro do Amor'. Mon, 18 Jun 2018 07:00:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 “Estou casada há 14 anos e me sinto profundamente sozinha” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/06/18/estou-casada-ha-14-anos-e-me-sinto-profundamente-sozinha/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/06/18/estou-casada-ha-14-anos-e-me-sinto-profundamente-sozinha/#respond Mon, 18 Jun 2018 07:00:11 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7972

Ilustração: Caio Borges

“Estou casada há 14 anos e me sinto profundamente sozinha. Parei de trabalhar depois que meus filhos gêmeos nasceram. Tentei voltar quando eles foram para a escola, mas não consegui emprego.  Aos poucos fui me afastando dos amigos e das atividades que eu gostava . Há alguns anos sou dona de casa e mãe. Meu marido chega tarde do trabalho, sempre estressado, e quase não conversamos. Nos finais de semana ele se tranca no escritório para pôr o trabalho em dia ou dorme para se recuperar do cansaço da semana. E dizem que todos devem se casar para não se sentirem sozinhos… Me sinto uma covarde, mas não vejo solução; dependo dele em tudo. ”

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Na busca de segurança afetiva, qualquer preço é pago para evitar tensões decorrentes de uma vida autônoma. Por medo da solidão as pessoas suportam o insuportável tentando manter a estabilidade do vínculo, e não raro se tornam dois estranhos ocupando o mesmo espaço físico. Como mecanismo de defesa, surge a tendência a não se pensar na própria vida. Tenta-se acreditar que casamento é assim mesmo.

A filósofa e escritora francesa Elisabeth Badinter é bastante dura na avaliação que faz da maioria dos casais, quando diz: “Na verdade, o casal, longe de ser um remédio contra a solidão, frequentemente ressalta os seus aspectos mais detestáveis. Ele estabelece uma tela entre si e os outros, enfraquece os laços com a coletividade. Ao nos fazer abdicar de nossa liberdade e independência, torna-nos ainda mais frágeis, em caso de ruptura ou de desaparecimento do outro. Aquela ou aquele que fica é então devolvido à solidão total, ao isolamento e à rejeição, complemento sem objeto direto, resíduo inutilizável de um par. Solidão total, a partir do momento em que o indivíduo não existe em si mesmo, e que também não existe a coletividade na qual ele continuaria a ter seu lugar. ‘Nós’ desaparecido, resta a metade de alguma coisa, enferma, débil, não viável, como um recém-nascido que não tivesse ninguém para alimentá-lo e vesti-lo, entregue às garras do medo.”

Contudo, acredito que um casamento pode ser ótimo. Mas para isso as pessoas precisam reformular as expectativas que alimentam a respeito da vida a dois, como, por exemplo, a ideia de que os dois vão se transformar num só; a crença de que um terá todas as suas necessidades atendidas pelo outro; não poder ter nenhum interesse em que o amado não faça parte; o controle de qualquer aspecto da vida do outro. É fundamental que haja respeito total ao outro, ao seu jeito de pensar e de ser e às suas escolhas; liberdade de ir e vir, ter amigos em separado e programas independentes. Caso contrário, a maioria das relações, com o tempo, se tornam sufocantes.

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Por que mulheres não podem assistir a um jogo de futebol? https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/06/16/por-que-mulheres-nao-podem-assistir-a-um-jogo-de-futebol/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/06/16/por-que-mulheres-nao-podem-assistir-a-um-jogo-de-futebol/#respond Sat, 16 Jun 2018 14:23:14 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7975

O Irã, desde a Revolução Iraniana, em 1979, proíbe que mulheres assistam a partidas de futebol ou qualquer outro esporte que tenham homens participando. A partida entre Irã e Marrocos pela Copa do Mundo ficou marcada por um manifesto nas arquibancadas. Torcedoras iranianas estenderam cartazes pedindo a liberação de mulheres em estádios de futebol.

Para as mulheres muçulmanas não é nada fácil lutar por seus direitos. Em um jogo pela Liga Mundial de Vôlei, em Teerã, em 2014, muitas mulheres que tentaram assistir ao jogo foram presas. Mas elas são corajosas e não desistem. O movimento feminista atual no Oriente Médio, o feminismo islâmico, se apoia em uma releitura do Corão. As militantes denunciam a forma patriarcal que os textos sagrados são lidos e isso as faz lutar contra as violências sofridas pelas mulheres.

O patriarcado é uma organização social baseada no poder do pai, e a descendência e parentesco seguem a linha masculina. As mulheres são consideradas inferiores aos homens e, por conseguinte, subordinadas à sua dominação. Esse sistema se instalou há aproximadamente cinco mil anos por todo o mundo.

A mulher, não passando de simples objeto, servia ao homem apenas como instrumento de promoção social através do casamento, como objeto de cobiça e distração ou como um ventre do qual ele tomava posse e cuja função principal era a de fazer filhos legítimos.

No Ocidente, até algum tempo atrás, não era permitida às mulheres a participação em atividades esportivas. A alegação era a de que teriam natureza frágil e também haveria perigo de se “masculinizarem”. Mas aqui, embora ainda há um longo caminho pela frente, observamos mais claramente o processo de declínio da mentalidade patriarcal.

Como mudar a opressão que tantas mulheres sofrem? Pela história há alguns exemplos interessantes. A Islândia, o país mais feminista do mundo, deve muito do seu avanço ao dia 24 de outubro de 1975, quando 90% das mulheres decidiram demonstrar sua importância entrando em greve. Bancos, fábricas e algumas lojas tiveram que fechar, assim como escolas e creches. Os pais não tiveram outro jeito a não ser levar seus filhos para o trabalho.

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No início da relação, as pessoas se apaixonam pela paixão, não por alguém https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/06/14/no-inicio-da-relacao-as-pessoas-se-apaixonam-pela-paixao-nao-por-alguem/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/06/14/no-inicio-da-relacao-as-pessoas-se-apaixonam-pela-paixao-nao-por-alguem/#respond Thu, 14 Jun 2018 07:00:38 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7967  

Ilustração: Caio Borges

“Estou precisando tanto me apaixonar!”. Geralmente é com essa certeza que se parte em busca de um parceiro. As pessoas na verdade amam estar amando, se apaixonam pela paixão, muito mais do que por alguém em especial. Basta encontrar quem corresponda mais ou menos ao que se deseja e pronto: inventa-se uma grande paixão e até se sofre por ela. Mas o sofrimento não é problema: pode ser estancado de imediato. É só aparecer outro alguém, que a transferência do amor logo acontece.

Passageira ou duradoura, inventada ou real, o início de uma relação amorosa é decisivo. É comum nessa fase de conhecimento e descoberta as duas pessoas mostrarem o melhor de si, seus aspectos mais atraentes e sedutores. Não se incomodam de abdicar de coisas que lhes dão prazer só para agradar ao outro. O que poderia ser mais importante naquele momento da vida?

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Entretanto, o que muitos não sabem é que toda relação é regida por códigos, que são passados de um para o outro, na maioria das vezes de forma inconsciente. Através de gestos, olhares, sorrisos e comentários, deixamos o parceiro perceber quais são nossas expectativas a seu respeito.

O que admiramos ou rejeitamos no seu comportamento, o que esperamos que faça em determinada situação e até as atitudes que não admitimos de jeito nenhum. A questão é que depois que os códigos são estabelecidos não adianta lamentar. É muito difícil revertê-los.

Um não se sentir dono do outro, as pessoas saberem que estão juntas por prazer e não por qualquer outro motivo, só enriquece cada encontro. Além de permitir que se viva sem limitações, coisa tão rara em quem está casado ou namorando. Não tem jeito, é necessário sabermos com clareza como desejamos uma vida a dois.

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“Tenho brochado e tido pesadelos com isso; o que eu faço?” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/06/11/tenho-brochado-e-tido-pesadelos-com-isso-o-que-eu-faco/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/06/11/tenho-brochado-e-tido-pesadelos-com-isso-o-que-eu-faco/#respond Mon, 11 Jun 2018 07:00:47 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7960

Ilustração: Caio Borges

“Tenho 34 anos e sou solteiro. Sempre tive várias parceiras sexuais e nunca tive problema de ereção. Mas de uns tempos pra cá tem acontecido algo estranho; tenho brochado. A mulher com quem saí ontem me olhou com censura e raiva que me fez ter um pesadelo. Eu estava numa sala, sendo acusado de impotência. Todos riam de mim.

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O internauta reeditou em seu pesadelo uma prática comum no passado. Na França, desde a Idade Média (século 5 ao 15), uma mulher podia acusar o marido de impotência e com isso conseguir a anulação do casamento. Claro que não era simples provar sua acusação.  No século 12, ainda se aceitavam provas como juramento dos maridos, testemunhos de sete vizinhos que “ouviram dizer” que o homem era impotente, até suplícios como caminhar sobre ferros quentes para provar a inocência.

A medicina medieval aconselhou o ato sexual público de marido e mulher quando havia acusação de impotência. O médico, com autorização da justiça, primeiro examinava os órgãos genitais de ambos. Depois, uma mulher respeitável assistia o casal deitado durante alguns dias. Ela lhes dava alimentos afrodisíacos, fazia massagem com óleos, ordenava-lhes que se acariciassem e se beijassem. Ao final, transmitia ao médico o que tinha visto. E então ele podia depor em juízo.

Todo esse processo era dramático para o homem, levado sob os gritos da multidão para a casa onde se lhe exige que cumpra o seu dever conjugal. Além do ridículo que experimenta, o marido é ameaçado, em caso de fracasso, de ser separado da mulher, de ter de devolver o dote e de ser condenado ao celibato para o resto dos seus dias.

Contudo, o internauta não precisa ter pesadelos. Os tempos são outros e os especialistas afirmam que sempre é possível restabelecer a ereção. Além da terapia sexual, existem outras três opções de tratamento: comprimidos orais, que são seguros quando sob supervisão médica, injeções penianas para os casos em que os comprimidos são contra-indicados e finalmente a implantação de uma prótese peniana.

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A intolerável intolerância na Copa da Rússia https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/06/09/a-intoleravel-intolerancia-na-copa-da-russia/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/06/09/a-intoleravel-intolerancia-na-copa-da-russia/#respond Sat, 09 Jun 2018 23:12:05 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7965

Ilustração: Lumi Mae

Em Rostov, uma das 11 cidades sedes da Copa do Mundo de 2018, na Rússia, grupo paramilitar impedirá carícias entre gays. Cerca de 300 membros deste grupo se juntarão à polícia russa para proibir que casais do mesmo sexo se beijem, abracem ou andem de mãos dadas. Vão vigiar e se virem alguém em “atitude suspeita” denunciarão à polícia.

O grupo russo que terá a missão de reprimir carinhos e beijos é considerado bastante violento. Um bom exemplo dessa total inversão de valores é a frase de Leonardo Matlovich, soldado da Força Aérea Americana condecorado por sua atuação na Guerra do Vietnã e expulso da corporação em 1975 por ser homossexual.  “A Força Aérea me condecorou por matar dois homens no Vietnã e me expulsou por amar um.”

A intolerância às diferenças tem uma longa história. No século 13, os reis Eduardo I da Inglaterra e Luís IX da França chegaram, inclusive, ao ponto de decretar a morte dos homossexuais na fogueira. E Afonso X de Castela, pasmem, determinou que eles deviam ser castrados e pendurados pelas pernas até morrer. Sendo assim, foram colocados no mesmo nível dos assassinos e traidores.

No século 19, a homossexualidade foi incorporada ao campo da medicina, passando a ser encarada pelos mais liberais como uma doença a ser tratada. Nos anos 60 surge o movimento gay, disposto a mostrar que heterossexualidade não é a única forma de sexualidade normal e, em 1973, a Associação Médica Americana retira a homossexualidade da categoria de doença.

Mas nem isso é suficiente para acabar com o preconceito, pois a mentalidade patriarcal insiste em identificar masculinidade com heterossexualidade. Em 73 países é crime ser homossexual e, em 13 a punição é a pena de morte.

No Brasil, ainda bem, não é crime nem há pena de morte para homossexuais, mas não podemos esquecer da vergonhosa estatística que mostra que somos o país que mais assassina a população LGBT

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Por que o comportamento sexual das pessoas é alvo de tanta perseguição? https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/06/07/por-que-o-comportamento-sexual-das-pessoas-e-alvo-de-tanta-perseguicao/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/06/07/por-que-o-comportamento-sexual-das-pessoas-e-alvo-de-tanta-perseguicao/#respond Thu, 07 Jun 2018 07:00:29 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7956

Ilustração: Caio Borges

Certa vez, um amigo me disse: “Só queria entender por que existe tanta repressão sexual…”. O sexo é alvo da maior perseguição na área dos costumes e fonte de grandes sofrimentos. No entanto, todos se reprimem e estão sempre prontos a criticar o outro por sua conduta sexual. É incrível o que cada um padece por conta das próprias fantasias, desejos, culpas, medos e frustrações sexuais.

O psicanalista W.Reich tinha razão quando denunciou a miséria sexual das pessoas. Ele lutou a vida inteira, apesar dos ataques que sofreu, para convencer a todos de que a sexualidade, quando expressa de modo adequado, é a nossa principal fonte de felicidade. Mas controlar a sexualidade das pessoas significa controlar as pessoas, e é exatamente isso o que é feito.

Esse processo se inicia na infância e continua por toda a vida. Os valores repressores são absorvidos inconscientemente, e não percebendo sua existência, as escolhas pessoais assumem aparência de escolhas livres. Esse é o grande perigo da repressão sexual e o principal motivo da baixa qualidade do sexo praticado.

José Ângelo Gaiarsa, psicoterapeuta e escritor que introduziu as ideias de Reich no Brasil, afirma que quanto mais a pessoa amplia, aprofunda e diversifica sua vida sexual, mais corajosa se torna. Vive com mais vontade, mais alegria, esperança e decisão. Pode vir a representar perigo do ponto de vista da ordem estabelecida.

Por ser arriscado, a maioria renuncia à sexualidade e fica quieta no seu canto e vai se apagando de vida, de corpo e de espírito. Não foi à toa, nem por acaso, que todas as forças repressoras de todas as épocas se voltaram contra a sexualidade humana.

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“Meu marido não admite que eu me relacione com as pessoas” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/06/04/meu-marido-nao-admite-que-eu-me-relacione-com-as-pessoas/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/06/04/meu-marido-nao-admite-que-eu-me-relacione-com-as-pessoas/#respond Mon, 04 Jun 2018 07:06:42 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7935

“Estou casada há cinco anos. Mudei de vida para casar. Larguei emprego, planos e hábitos para assumir o casamento. Meu marido sempre deixou claro que me desejava no lar cuidando dos filhos. Sinto que perdi a minha individualidade. Até dos amigos me afastei. Os amigos homens nem pensar, mas estou excluída também da convivência com  amigas solteiras. Meu marido não admite, é de um ciúme doentio. Outro dia encontrei por acaso uma amiga na rua e acabamos almoçando juntas num restaurante próximo à minha casa. Ele, por acaso, nos viu e fez um escândalo. Disse para a minha amiga que sou ‘uma mulher casada’ e que não saio com mulheres ‘caçadoras’, ‘soltas na vida’. Foi um grande constrangimento. Não sei mais o que fazer. Não tenho condições econômicas de abandoná-lo nem família para onde voltar. Estou desesperada. Ele não vai mudar…”  

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O relato acima pode parecer estranho diante de toda a mudança de comportamento que se observa hoje, mas deixa claro como ainda há casos de domínio dos homens sobre as mulheres. O patriarcado é isso. Uma organização social baseada no poder do pai, em que descendência e parentesco seguem a linha masculina. As mulheres são consideradas inferiores aos homens e, por conseguinte, subordinadas à sua dominação.

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Apoiando-se em dois pilares básicos — controle da fecundidade da mulher e divisão sexual de tarefas — a sujeição física e mental da mulher foi o único meio de restringir sua sexualidade e mantê-la limitada a tarefas específicas. A fidelidade feminina sempre foi uma obsessão para o homem. É preciso proteger a herança e garantir a legitimidade dos filhos. Isso torna a esposa suspeita, uma adversária que requer vigilância absoluta. Temendo golpes baixos e traições, os homens lançaram mão de variadas estratégias para controle da mulher. Ao homem, por não haver prejuízo para sua linhagem, concede-se o direito de infidelidade conjugal.

Esse antagonismo entre os sexos impede uma amizade e um companheirismo verdadeiros, fazendo com que a relação entre homem e mulher se deteriore. As relações conjugais têm sido de condescendência de um lado e obrigação de outro, cheias de desconfianças, ressentimentos e temores. Às mulheres sempre foram negadas quase todas as experiências do mundo. Consideradas incompetentes e desinteressantes foram relegadas ao espaço privado ou impedidas de crescer profissionalmente.

Surgida nos anos 1960, a pílula anticoncepcional desferiu o golpe fatal nesse sistema, que se sustentou tanto tempo apoiado no controle da fecundidade da mulher. A partir de então a mulher tem filhos com quem quiser e quando quiser.  A consequência foi a gradual destruição de valores tidos como inquestionáveis no que diz respeito ao amor, ao casamento e à sexualidade. Isso traz a perspectiva do fim da guerra entre os sexos e o surgimento de uma sociedade onde possa haver parceria entre homens e mulheres.

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Quando descobri que minha filha gosta de meninas https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/06/01/quando-descobri-que-minha-filha-gosta-de-meninas/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/06/01/quando-descobri-que-minha-filha-gosta-de-meninas/#respond Fri, 01 Jun 2018 16:08:37 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7950

Tatiana e Lucília. A mãe ficou chocada ao descobrir que a menina é gay. Hoje, ajuda mães no YouTube (Foto: Reprodução Facebook/Tatiana Ferraz)

Um mãe, professora de jornalismo, acostumada a defender respeito e aceitação diante das diferenças, diz ter “perdido o chão” quando sua filha, aos 15 anos, lhe contou ter certeza de gostar de meninas. Mas o primeiro movimento foi o de acolher a filha. A partir daí, refletiu sobre seus preconceitos e criou um canal no YouTube para “acalmar” quem tem filho (a) LGBT.

Ela acredita que o fim da discriminação passa por aceitar e falar aos quatro cantos que a homossexualidade não tem nada de anormal. “É um desserviço pensar que homossexuais não devem se beijar em público ‘porque crianças podem ver’. Se as crianças forem ensinadas a lidar com um beijo gay da mesma forma com que lidam com um beijo hétero, o preconceito acaba”, diz a mãe.

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Concordo inteiramente com essa ideia e com a importância de os pais se livrarem das crenças equivocadas aprendidas e, assim, darem todo o apoio que a filha necessita. Afinal, é na adolescência que a orientação afetivo-sexual se define. Assustada, a jovem, muitas vezes, não consegue admitir nem para si mesma seus sentimentos e desejos. Sabe que são proibidos e fica confusa.

A dificuldade de uma mãe aceitar a homossexualidade da filha se deve, entre outras razões, à expectativa criada em relação ao seu comportamento. Desde pequenas as meninas são educadas para o casamento com o sexo oposto e para o papel materno. O mesmo conflito que surge na adolescência, quando percebem que seu desejo amoroso e sexual é dirigido para pessoas do seu próprio sexo, é vivido pelos pais, que reagem de variadas formas.

Contudo, homens e mulheres homossexuais precisam lutar para serem autônomos, não se submetendo aos valores impostos nem absorvendo os preconceitos da sociedade. Sem dúvida, ser homossexual não significa infelicidade, da mesma forma que ser heterossexual não garante felicidade a ninguém.

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Você é ativo ou passivo na hora de buscar um parceiro? https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/05/31/voce-e-ativo-ou-passivo-na-hora-de-buscar-um-parceiro/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/05/31/voce-e-ativo-ou-passivo-na-hora-de-buscar-um-parceiro/#respond Thu, 31 May 2018 07:01:11 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7941

(Caio Borges/Arte)

A crença de que só é possível ser feliz se houver alguém que amamos e que retribua o nosso amor faz com que a busca de um parceiro seja constante. O psiquiatra francês Jacques Salomé analisa dois tipos de busca por um parceiro: ele diz que dependendo da história ou dinâmica pessoal de cada um, essa busca será ativa ou passiva.

A busca é ativa quando passa, principalmente, por processos e estratégias da ordem da sedução. Por atitudes, comportamentos e investimentos orientados para o outro. Mobiliza a pessoa, é inventiva e suscita toda uma série de ações baseada, quase exclusivamente, no agir em favor do outro ou, até mesmo agir no lugar dele.

Salomé acredita que por mais generosas e dedicadas que, à primeira vista, possam parecer, as atenções derivadas dessa forma de busca muitas vezes visam criar um relacionamento de controle sobre o outro. As frases-chave que dão testemunho dessa dinâmica na relação são do tipo: “Você pode contar comigo”; “Não faça nada sem mim”; “Farei tudo por você”, “Jamais abandonaria você…”

A busca de um parceiro é passiva quando é constituída, sobretudo, por expectativas, até mesmo exigências implícitas. A forma clínica principal dessa maneira de ser corresponde a síndrome bem conhecida de A bela adormecida no bosque.

Atinge tanto os homens quanto como as mulheres, isto é, todos os ingênuos que apenas sonham em cultivar a secreta e mágica esperança da chegada do Príncipe Encantado ou da deliciosa Princesa, suscetível de os despertar e satisfazer completamente.

Cada um espera que o outro venha a corresponder a suas necessidades e desejos, sendo capaz ao mesmo tempo de reparar as mágoas e satisfazer todas as carências, falhas e, até mesmo, preencher os vazios do passado —  “Conto com você “; “Preciso de você “; “Não posso viver sem você “; “Sem você, não sou nada…”

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“Viajo muito e meu ex-marido vai morar com as crianças” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/05/28/viajo-muito-e-meu-ex-marido-vai-morar-com-as-criancas/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/05/28/viajo-muito-e-meu-ex-marido-vai-morar-com-as-criancas/#respond Mon, 28 May 2018 07:03:07 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7930

(Caio Borges/Arte)

“Tenho 38, sou engenheira e separada. Meus filhos têm sete e cinco anos. Fui convidada para um cargo de diretoria na empresa, mas para isso terei que passar mais de um ano viajando muito para os EUA. Sei que essas viagens vão ser muito importantes para minha carreira, para o cargo que sempre sonhei. O problema é que, verdade ou não, sempre acreditei que para haver equilíbrio emocional os filhos devem ficar junto às mães. Por isso, fico confusa, sem saber o que decidir. Tive uma longa conversa com meu ex-marido e ele sugeriu que as crianças morem com ele. Não foi fácil para mim, mas resolvemos que isso é o melhor a fazer. Elas já estão se mudando. O que me deixa mais tranquila é que ele é bastante presente e super ligado nos filhos. Mas será que o homem consegue dar conta de cuidar de tudo sozinho?”

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É claro que, por fugir ao modelo tradicional, não faltam críticas a essa nova possibilidade de organização familiar. Entretanto, quanto à ausência diária da figura paterna ou materna, surgem novos questionamentos. Concordo com quem afirma que o fundamental para a criança é se sentir amada, respeitada e valorizada, e que em nenhum momento aparece a necessidade de duas presenças físicas, uma masculina e outra feminina, para que isso ocorra.

Como a pesquisa do sociólogo americano Scott Coltrane documenta, os homens mais jovens, principalmente, estão começando a descartar as definições estereotipadas de paternidade como um papel distante, provedor de disciplina, ao invés de maior envolvimento com o cuidado da criança, geralmente classificado de “maternagem”.

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Ao contrário do que prega a tradição cultural, a maternagem — cuidados cotidianos proporcionados à criança, acompanhados da consciência da responsabilidade direta por ela — não tem sexo, mas também não tem nada a ver com os poucos minutos por dia que o pai tradicional dedica a seus filhos.

Alguns homens romperam na frente com os padrões estabelecidos. Pouco antes de ser assassinado, John Lennon declarou publicamente: “Gosto que se saiba que, sim, cuido do bebê e faço pão, que eu era dono de casa e me orgulho disso.” E se isso fere o papel masculino, ele pergunta: “Não está na hora de destruirmos a ética do macho?… A que nos levaram todos esses milhares de anos?”

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