Regina Navarro http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller 'A Cama na Varanda' e 'O Livro do Amor'. Mon, 25 Sep 2017 19:05:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 “Meu marido transa com outras, mas se recusa a usar camisinha comigo” http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/25/meu-marido-transa-com-outras-mas-se-recusa-a-usar-camisinha-comigo/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/25/meu-marido-transa-com-outras-mas-se-recusa-a-usar-camisinha-comigo/#respond Mon, 25 Sep 2017 07:00:47 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7346

Ilustração: Caio Borges

“Meu marido não aceita usar camisinha. Diz que não tem sensações de prazer dessa forma. O problema é que ele trabalha em outra cidade e ficamos até seis meses sem nos ver por conta da distância. Sei que ele se relaciona com  outras  mulheres. Não consigo convencê-lo a usar…”

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Por mais que todos saibam que qualquer pessoa com uma vida sexual ativa está sujeita à contaminação por doenças sexualmente transmissíveis, é enorme o número dos que fazem sexo sem preservativos. Parece existir uma negação coletiva em relação aos perigos envolvidos, manifestada no pensamento mágico tipo “nunca vai acontecer comigo”.

Acredito que o horror que muitos homens declaram ao uso da camisinha esteja encobrindo a ansiedade que sentem quanto ao desempenho sexual. A desculpa mais usada é a de que com o uso da camisinha diminuem as sensações de prazer na penetração. Somente alguns confessam constrangidos que interromper os carinhos preliminares, para colocar a camisinha, faz com que percam a ereção.

O mais grave ocorre no casamento. Muitas mulheres monogâmicas contraem doenças. Nesse caso, a responsabilidade é da ideologia de fidelidade conjugal. Os maridos não têm coragem de usar camisinha, porque seria uma espécie de confissão de que fizeram sexo fora de casa.

O pacto de exclusividade é condição primeira numa relação, além de a eventual bissexualidade do parceiro não ser admitida. A verdadeira prevenção das doenças sexualmente transmissíveis seria falar abertamente da sexualidade, derrubando preconceitos sobre disfunção erétil, relações extraconjugais e bissexualidade.

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Você também vive um conflito amoroso e sexual? Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas. Ela pode ser comentada aqui no blog e sua identidade não será revelada.

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Gentileza é ótimo, mas cavalheirismo é péssimo para as mulheres http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/21/gentileza-e-otimo-mas-cavalheirismo-e-pessimo-para-as-mulheres/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/21/gentileza-e-otimo-mas-cavalheirismo-e-pessimo-para-as-mulheres/#respond Thu, 21 Sep 2017 07:00:11 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7343

Ilustração: Caio Borges

Muita gente se refere ao sexo feminino como sexo frágil. Talvez porque, ao contrário do homem, que é estimulado a ser independente desde que nasce, a mulher geralmente não é criada para se defender e cuidar de si própria. Quando chega à adolescência continua sendo treinada para a dependência.

Não deve sair sozinha, seus horários são mais controlados, é cobrada a permanecer mais tempo em casa. Por mais que estude e faça planos profissionais para o futuro, a maioria ainda alimenta o sonho de um dia encontrar alguém que irá protegê-la e dar significado à sua vida, não dando ênfase a uma profissão que a torne de fato independente.

Já ouvi de muitas mulheres a afirmação “Um homem tem que ser cavalheiro!” Como é comum as pessoas repetirem o que ouviram desde cedo sem refletir!

Gentileza é ótimo! Homens e mulheres podem e devem ser gentis uns com os outros… Cavalheirismo é outra coisa. É a gentileza específica do homem com a mulher. Traz, de forma subliminar, a ideia de que a mulher é frágil e necessita do homem para protegê-la, até nas coisas mais simples como abrir uma porta ou puxar uma cadeira.

É importante não esquecer que nos últimos cinco mil anos a mulher foi considerada incapaz, incompetente e limitada, ou seja, um ser inferior. Muitas vezes algo que parece tão inocente pode ser profundamente prejudicial por reforçar inconscientemente ideias que já deveriam ter sido reformuladas.

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Como curar o que não é doença? http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/19/como-curar-o-que-nao-e-doenca/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/19/como-curar-o-que-nao-e-doenca/#respond Tue, 19 Sep 2017 18:43:27 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7350

A Justiça Federal do Distrito Federal possibilitou um grave retrocesso, ao permitir, em caráter liminar, que psicólogos tratem a homossexualidade como doença, ou seja, possam fazer terapia de “reversão sexual”, o que ficou conhecido como “cura gay”. O Conselho Federal de Psicologia, proíbe essa prática desde 1999 e vai recorrer da decisão.

Ficamos chocados quando lemos a notícia de que para o Estado Islâmico ser gay é um crime passível de ser punido com morte violenta: homossexuais são lançados do alto de prédios – e se sobrevivem, são apedrejados sob aplausos da multidão que acompanha o evento.

Entretanto, no ano passado uma igreja evangélica em Porto de Sauípe, Bahia, tinha uma mensagem exposta na fachada que dizia:”Se um homem tiver relacionamento com outro homem, os dois deverão ser mortos por causa desse ato nojento; eles serão responsáveis pela sua própria morte”.

No Brasil, os índices de violência e morte por preconceito contra a população LGBT são altíssimos. A Resolução do CRF contribui com a luta contra a homofobia. A Associação Médica Americana retirou a homossexualidade da categoria de doença, em 1973, e a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1990.

O Presidente do CFP, Rogério Giannini, diz que os defensores da cura gay confundem discurso religioso e científico e incentivam as pessoas a recorrerem a “terapias” sem eficácia comprovada. Uma pesquisa da Associação Americana de Psicologia mostrou que pessoas que se sujeitam a supostos tratamento de mudança de orientação sexual registraram sintomas como depressão, confusão mental, ansiedade e pensamentos suicidas.

Será que já não passou da hora de todos perceberem que a homossexualidade é uma expressão normal da sexualidade, apenas diferente da maioria?

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“Ele insistia, mas quando tomei a iniciativa, ele fugiu” http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/18/ele-insistia-mas-quando-tomei-a-iniciativa-ele-fugiu/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/18/ele-insistia-mas-quando-tomei-a-iniciativa-ele-fugiu/#respond Mon, 18 Sep 2017 07:00:01 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7338

Ilustração: Caio Borges

“Surpreendi um colega de trabalho, após quase um mês de assédio dele. Suas tentativas de aproximação eram constantes, mas educadas, o que me impediu de denunciá-lo à direção da empresa. Mas me incomodavam. Um dia cheguei com a cabeça virada. Como sempre, quando ficávamos a sós na sala, ele veio com a conversa sedutora. Ao contrário de sempre, quando eu não o encarava, olhei bem em seus olhos e disse: ‘Chegou a hora, você me convenceu. Nosso turno acaba em 30 minutos, vamos para um motel ou para a sua casa?’ Ele pareceu ter sido atingido por um raio… Pediu desculpas dizendo que precisava terminar um relatório e virou as costas. Não se dirige mais a mim. Não quero ter uma relação constrangedora com um colega. O que fazer?”

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Há homens que ainda ficam assustados quando a mulher toma a iniciativa. Temem dar um branco na hora e não saber como agir nem o que dizer. Afinal, o papel de conquistador é o único que conhecem, e fora dele não dá para se sentir à vontade. Sempre acreditou que faz parte da natureza masculina ser ativo e da feminina, a passividade. Mas é inegável que, apesar de tantos equívocos e limitações, antes viviam bem menos ansiosos nessa área do que agora.

O papel que homem e mulher desempenhavam no sexo sempre teve regras claramente estabelecidas. Fazia parte do jogo de sedução e conquista o homem insistir na proposta sexual e a mulher recusar. Quanto mais ela recusava mais ele insistia.

Para a mulher era um tormento. Além de toda a culpa que carregava por estar permitindo intimidade a um homem, seu desejo era desconsiderado, assim como seu prazer. Não podia relaxar um segundo. Ela sabia que, se não se controlasse, seria logo descartada e ainda por cima rotulada de fácil.

Quando a mulher resistia às investidas, a autoestima dele não era abalada. Ele se apoiava na convicção de que o motivo da recusa se devia exclusivamente a ela ser uma mulher “direita”. Assim, ficava livre da preocupação de ter sido rejeitado por não agradar à parceira.

Agora é diferente. Cada vez mais as mulheres dão sinais de não estarem nem um pouco dispostas a se mostrarem belas e esperarem passivamente que os homens se sintam atraídos e tomem a iniciativa. Isso está aos poucos se tornando coisa do passado. O machão está em baixa, e a mulher busca homens que se relacionem com ela em nível de igualdade em tudo, também no sexo.

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Por medo da solidão, casais podem virar estranhos no mesmo teto http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/14/por-medo-da-solidao-casais-podem-virar-estranhos-no-mesmo-teto/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/14/por-medo-da-solidao-casais-podem-virar-estranhos-no-mesmo-teto/#respond Thu, 14 Sep 2017 07:00:59 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7328

Ilustração: Caio Borges

Há pessoas que vivem muito mal no casamento, mas dão a impressão de estarem anestesiadas. Na busca de segurança afetiva, qualquer preço é pago para evitar tensões decorrentes de uma vida autônoma. Por medo da solidão suportam o insuportável tentando manter a estabilidade do vínculo, e não raro se tornam dois estranhos ocupando o mesmo espaço físico. Como mecanismo de defesa, surge a tendência a não se pensar na própria vida.

O historiador inglês Theodore Zeldin afirma que o medo da solidão assemelha-se a uma bola e uma corrente que, atados a um pé, restringem a ambição, são um obstáculo à vida plena, tal e qual a perseguição, a discriminação e a pobreza. Se a corrente não for quebrada, para muitos a liberdade continuará um pesadelo. Segundo ele, a crença mais gasta, pronta para a lixeira, é que os casais não têm em quem confiar salvo neles próprios.

Não há dúvida de que o medo da solidão é responsável por muitas opções equivocadas de vida. Para o psicoterapeuta e escritor Roberto Freire risco é sinônimo de liberdade e o máximo de segurança é a escravidão. A saída é vivermos o presente através das coisas que nos dão prazer. A questão, diz Freire, é que temos medo, os riscos são grandes e nossa incompetência para a aventura nos paralisa. Entre o risco no prazer e a certeza no sofrer, acabamos sendo socialmente empurrados para a última opção.

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Os prejuízos da censura http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/13/os-prejuizos-da-censura/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/13/os-prejuizos-da-censura/#respond Wed, 13 Sep 2017 22:02:25 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7333

Obras de Bia Leite na “Queermuseu” (Reprodução/Facebook)

A exposição “Queermuseu – cartografias da diferença na arte brasileira”, uma mostra de arte contemporânea que reunia 270 obras, de 85 artistas, no Santander Cultural, em Porto Alegre, foi cancelada. Os artistas que abordavam a temática LGBT, questões de gênero e de diversidade sexual sofreram acusações absurdas como as de estimular a zoofilia e a pedofilia. A decisão gerou protestos e a instituição foi acusada de promover censura.

Isso não é novidade. Pessoas moralistas e preconceituosas estão sempre com suas baterias apontadas para qualquer coisa que escape aos modelos. Com a arte não é diferente. Na Idade Média, antes de serem exibidas para o público, as estátuas tinham seus órgãos genitais tapados, ou o pênis quebrado com um martelinho especial. O Davi, de Michelangelo, antes de ser exibido em Florença, em 1504, recebeu uma folha de figueira, só retirada em 1912.

Estamos no século 21 e essa censura é indefensável. A obra de arte, além do deleite estético que proporciona é oportunidade de reflexão fundamental. Reprimi-la é revelar desrespeito e ignorância.

A repressão sexual é um conjunto de interdições, permissões, valores, regras estabelecidas pelo social para controlar o exercício da sexualidade. No Ocidente, sobretudo, o sexo é visto como algo sujo e perigoso. W. Reich, profundo estudioso da sexualidade humana na primeira metade do século 20, diz que o objetivo da repressão sexual consiste em fabricar indivíduos para se adaptar à sociedade autoritária, se submetendo a ela e temendo a liberdade, apesar de todo o sofrimento e humilhação de que são vítimas.

Freud vê  três origens para o sofrimento humano: a força superior da natureza, a fragilidade dos nossos corpos e a inadequação das normas que regulam as relações mútuas dos indivíduos na família, no Estado e na sociedade. Não é difícil perceber que a doutrina de que há no sexo algo pecaminoso é totalmente inadequada, causando sofrimentos que se iniciam na infância e continuam pela vida afora.

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Descobri que meu marido se relaciona com homens. O que faço agora?” http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/11/descobri-que-meu-marido-se-relaciona-com-homens-o-que-faco-agora/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/11/descobri-que-meu-marido-se-relaciona-com-homens-o-que-faco-agora/#respond Mon, 11 Sep 2017 07:00:38 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7323

Ilustração: Caio Borges

“Sou casada e descobri que o meu marido gosta de se relacionar com homens. Ele não sabe que eu sei, mas eu descobri. Nós somos um casal que se dá bem, que se respeita, preocupados um com o outro, temos amigos e uma vida interessante. Sexualmente já estivemos melhor, mas acho que quando descobri fui me afastando. Não consigo perguntar-lhe diretamente porque tenho medo que ele ache que o controlo. Queria aprender a aceitar esta situação. Não quero ter que acabar com o meu casamento. O que devo fazer?”

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Muitos afirmam que numa situação semelhante romperiam o casamento. Mas o fato é que há homens casados que sentem amor e desejo sexual pela parceira, mas também sentem necessidade de manter relações sexuais com outros homens.

Seríamos todos bissexuais dependendo apenas da permissividade do nosso meio social? O pesquisador americano Alfred Kinsey acredita que a homossexualidade e a heterossexualidade exclusivas representam extremos do amplo espectro da sexualidade humana. Para ele a fluidez dos desejos sexuais faz com que pelo menos metade das pessoas sintam, em graus variados, desejo pelos dois sexos.

E a psicoterapeuta americana June Singer afirma que “quando exploramos o material sexual nos níveis profundos da psique, inevitavelmente chegamos a um estado no qual os sentimentos sexuais são muito mais soltos e fluentes do que as pessoas normalmente se dispõem a admitir.”

Marjorie Garber, professora da Universidade de Harvard, EUA, que elaborou um profundo estudo sobre o tema, compara a afirmação de que os seres humanos são heterossexuais ou homossexuais às crenças de antigamente, como: o mundo é plano, o sol gira ao redor da terra. Acreditando que a bissexualidade tem algo fundamental a nos ensinar sobre a natureza do erotismo humano, ela sugere que em vez de hetero, homo, auto, pan e bissexualidade, digamos simplesmente sexualidade.

Quanto à atitude que uma mulher deve tomar, quando fica sabendo dos desejos homossexuais do marido, penso que deve avaliar a própria relação afetiva e sexual que tem com ele, sem se deixar contaminar por moralismos e preconceitos. E mais um detalhe fundamental: jamais fazer sexo sem camisinha.

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Lésbica: do amor de uma poetisa, o nome para o amor entre mulheres http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/07/lesbica-do-amor-de-uma-poetisa-o-nome-para-o-amor-entre-mulheres/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/07/lesbica-do-amor-de-uma-poetisa-o-nome-para-o-amor-entre-mulheres/#respond Thu, 07 Sep 2017 07:00:54 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7313

Ilustração: Caio Borges

Lesbos é uma ilha grega ao norte do Mar Egeu, onde, no século VII a.C., viveu a poetisa Safo, cujos poemas ardentes e sensuais possuem uma singularidade: são dirigidos às mulheres. Ela foi objeto de gracejos obscenos e julgamentos moralistas. Seus amores foram ridicularizados pelos poetas cômicos de Atenas.

Contudo, seu nome será sempre ligado aos amores que ela cantou, à homossexualidade. E as mulheres que amam mulheres são chamadas de lésbicas em referência ao lugar onde Safo nasceu.

Na última década, observamos uma novidade: torna-se cada vez mais comum meninas ficarem com meninas. Muitos não aceitam esse comportamento. A dificuldade se deve, entre outras razões, à expectativa criada em relação à mulher. Desde pequenas as meninas são educadas para o casamento com o sexo oposto e para o papel materno.

Homens e mulheres homossexuais precisam lutar para serem autônomos e não absorver os preconceitos que estão em toda parte. Assim como os gays, as lésbicas formam grupos organizados para se defender da discriminação e para que sua orientação afetivo-sexual possa se realizar fora dos modelos impostos socialmente.

Quem sabe, num futuro próximo, não existindo mais a ideologia patriarcal, será possível viver o amor e o sexo de forma plena, buscando livremente o que cada um desejar?

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Por que ainda criticamos quem deseja ser mãe ou pai sem ter um parceiro? http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/06/por-que-ainda-criticamos-quem-deseja-ser-mae-ou-pai-sem-um-parceiro/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/06/por-que-ainda-criticamos-quem-deseja-ser-mae-ou-pai-sem-um-parceiro/#respond Wed, 06 Sep 2017 17:34:15 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7316

Você já ouviu falar em coparentalidade? É uma opção que está se tornando cada vez mais comum: homens e mulheres se conhecem e decidem gerar um filho sem estar num relacionamento amoroso. Foi lançado um site e um aplicativo para facilitar os encontros entre os interessados na coparentalidade. Mais de 400 pessoas já se cadastraram na plataforma em busca de um parceiro coparental. “Ter um filho é assumi-lo, amá-lo e educá-lo, sem a necessidade de amar outra pessoa para isso. É preciso separar uma relação conjugal de uma relação parental”, disse a idealizadora do aplicativo, a jornalista Taline Schneider.

Muitos atacaram essa iniciativa, mas a família é a mais antiga de todas as instituições humanas porque é a mais flexível. Nos últimos 50 anos a família nuclear — pai, mãe e filhos — constituída a partir da Revolução Industrial, no final do século 18, foi se transformando radicalmente. Naquela época, quando os pais foram trabalhar nas fábricas e escritórios, se distanciaram dos filhos. A mãe passou a ser a única responsável pelos cuidados do lar e da criança.

É raro encontrar uma mulher com mais de 35 anos que, não tendo filhos, esteja tranquila quanto à possibilidade de nunca vir a ser mãe. Com o passar do tempo, algumas tomam decisões que não podem mais ser adiadas: escolhem qualquer homem para ser pai do seu filho ou então buscam num banco de sêmen um doador desconhecido.

Muitos homens também desejam ter filhos, mesmo que não estejam numa relação estável. Esse novo pai tem atitudes ignoradas pelo homem de algumas décadas atrás. Alimenta, troca fraldas, dá banho e passeia sozinho com seus filhos. Dois mil meninos australianos da escola primária, interrogados sobre sua atitude em relação ao mundo que conheciam, revelaram a transformação: definiram o pai com “a pessoa que cuida da gente”.

Aos que criticam essa nova forma de ser mãe e pai, gostaria de finalizar com o comentário de um internauta do UOL: “Tive minha filha nesse esquema e tanto eu, como a mãe e minha filha somos muito felizes! Ela já tem 8 anos, tem duas casas – moramos a 900 metros um do outro – a guarda é compartilhada (ela fica comigo de domingo à quarta, e de quarta à noite à domingo pela manhã com a mãe). Nunca brigamos! Nos unimos pelo desejo mútuo de sermos pais! Viva o século XXI!!!”

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“Meu pênis é pequeno, por isso evito contato com as mulheres” http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/04/meu-penis-e-pequeno-por-isso-evito-contato-com-as-mulheres/ http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2017/09/04/meu-penis-e-pequeno-por-isso-evito-contato-com-as-mulheres/#respond Mon, 04 Sep 2017 07:00:05 +0000 http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=7308

Ilustração: Caio Borges

“Tenho 40 anos e não tenho relações sexuais há oito. Meu pênis é pequeno e esse é o maior problema na minha vida. Sinto envergonha, porque não tenho dúvida de que vou decepcionar a mulher na cama. Já fui rejeitado por duas mulheres com quem transei. Hoje, quando percebo que uma mulher está a fim de mim, finjo que não tenho interesse por ela. É desesperador….mas não sei como resolver isso.”

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Não só no Ocidente, mas em quase todas as sociedades patriarcais, o tamanho do pênis é associado à força e à potência. Acredita-se ser prova de masculinidade, e desde pequenos os meninos são condicionados por esse mito. Nas antigas estátuas egípcias, com pênis imensos, já fica clara a importância que davam a esse órgão. E entre os Hausa, da África, os homens se gabam em suas canções de que são “quebradores de vagina”, tanto por seu poder pessoal quanto pelo tamanho do seu pênis.

Nos Estados Unidos, um estudo mostrou que o medo de ter pênis pequeno é uma das fontes mais frequentes da ansiedade sexual masculina. Mesmo sem motivo real, o homem pode se sentir inseguro, acreditando-se incapaz de satisfazer a parceira. Isso sem falar na competição com os outros homens e no medo de que as mulheres comentem o fato entre si. Com a autoestima tão abalada muitos se retraem, como o internauta, chegando a evitar qualquer contato sexual.

Após revisar 17 pesquisas com mais de 15 mil homens, pesquisadores concluíram que a média de comprimento do pênis ereto é de 13,12 centímetros. Segundo alguns estudiosos americanos, somente 2 % dos homens têm indicação de cirurgia para aumentar o órgão sexual: os que têm pênis com menos de 7 cm de comprimento e 8,8 cm de circunferência durante a ereção. Em geral, pênis de até 12 cm é classificado como pequeno, de 13 a 16, médio e de 17 a 24, grande. Quando o homem não se conforma com o comprimento ou a grossura do seu pênis pode procurar um médico especializado para uma avaliação.

De qualquer forma, talvez exista um jeito mais simples de resolver o problema. A maior parte das mulheres, mesmo preferindo pênis maiores, concorda que a habilidade do parceiro para usar seu pênis é tão importante quanto o tamanho. Assim como o toque, o jeito de olhar, a tranquilidade — ao contrário da pressa em ejacular. É que as maiores queixas das mulheres no sexo não são em relação ao tamanho do pênis, e sim quanto à sintonia que o homem estabelece com a parceira.

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