Regina Navarro https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller 'A Cama na Varanda' e 'O Livro do Amor'. Mon, 15 Jul 2019 13:47:25 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 “Sexo com minha colega foi muito melhor do que o sexo com minha esposa” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/07/15/sexo-com-minha-colega-foi-muito-melhor-do-que-o-sexo-com-minha-esposa/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/07/15/sexo-com-minha-colega-foi-muito-melhor-do-que-o-sexo-com-minha-esposa/#respond Mon, 15 Jul 2019 07:00:15 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8743

“Estou casado há 15 anos e tive pouquíssima experiência sexual antes disso. Achei que durante todos esses anos o sexo com a minha mulher era bom, como o de todos os casais. Há dois meses me senti muito atraído por uma mulher que começou a trabalhar na mesma empresa que eu. Acabei não resistindo e, na semana passada, fomos para um motel na hora do almoço. Agora, não sei o que fazer. O sexo com a colega foi infinitamente melhor do que o sexo com a minha esposa! Será que passei esses anos todos sem saber o que é um bom sexo?”

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O psicanalista austríaco Wilhelm Reich (1897-1957) falava na miséria sexual das pessoas. Para ele existe em quase todos uma carência fundamental de sexo, tanto em quantidade como em qualidade. As dificuldades sexuais são tantas que quando ocorre uma descarga sexual acham que foi tudo bem.

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Quando se pergunta se algumas pessoas fazem sexo melhor do que outras, muita gente responde que não. É comum ouvirmos que uma boa relação sexual depende exclusivamente do amor entre os parceiros. Mas isso não é verdade. Por mais que duas pessoas se amem, a relação sexual pode ser de baixa qualidade, com pouco prazer e nenhuma emoção.

Homens e mulheres, por conta de tantos preconceitos, tiveram inibidas a capacidade para o prazer sexual. As mulheres tiveram sua sexualidade reprimida e distorcida, a ponto de até hoje muitas serem incapazes de se expressar sexualmente, muito menos atingir o orgasmo. Os homens, por sua vez, também tiveram a sexualidade bloqueada. A preocupação em não perder a ereção é tanta que fazem um sexo apressado, com o único objetivo de ejacular.

Quem considera o sexo natural, e não tem preconceitos ou vergonha, está mais apto a um sexo de bastante qualidade. Quando a busca do prazer é livre, sem estar condicionada a qualquer afirmação pessoal, pode-se criar o tempo todo junto com o parceiro, até muito depois do orgasmo.

O único objetivo é a descoberta de si e do outro, numa troca contínua de sensações, em que cada movimento é acompanhado de nova emoção.  Sendo assim, o sexo deixa de ser a busca de um prazer individual para se tornar um poderoso meio de transformar as pessoas.

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Por que homofobia e machismo têm tudo a ver? https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/07/13/por-que-homofobia-e-machismo-tem-tudo-a-ver/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/07/13/por-que-homofobia-e-machismo-tem-tudo-a-ver/#respond Sat, 13 Jul 2019 07:00:12 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8752

Em Taiwan, centenas de casais gays comemoraram. Essa nação insular foi a primeira da Ásia a legalizar a união entre pessoas do mesmo sexo. Pesquisas indicam que só há pouco tempo a maioria da população passou a aprovar relacionamentos homossexuais. Em muitos outros países também são observadas atitudes mais liberais por parte da população.

Mas há países que vão na direção contrária. No final de maio deste ano, por exemplo, a Suprema Corte do Quênia confirmou uma lei que proíbe o sexo gay. Brunei, na Ásia, determinou que sexo entre homens deveria ser punido com morte por apedrejamento, embora tenha recuado da decisão. Em Gana, onde sexo gay pode ser punido com prisão, a aceitação da homossexualidade é rejeitada por uma maioria absoluta da população.

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A intolerância às diferenças tem uma longa história. Os reis Eduardo I da Inglaterra e Luís IX da França chegaram, inclusive, ao ponto de decretar a morte dos homossexuais na fogueira. E Afonso X de Castela determinou que eles deviam ser castrados e pendurados pelas pernas até morrer. Sendo assim, foram colocados no mesmo nível dos assassinos e traidores.

No século 19, a homossexualidade foi incorporada ao campo da medicina, passando a ser encarada pelos mais liberais como uma doença a ser tratada. Nos anos 1960 surge o movimento gay, disposto a mostrar que heterossexualidade não é a única forma de sexualidade normal e, em 1973, a Associação Médica Americana retira a homossexualidade da categoria de doença. Apesar disso a discriminação continua, sendo os gays hostilizados e agredidos. A homofobia deriva de um tipo de pensamento que equipara diferença a inferioridade. E quem são os homofóbicos?

Alguns estudos indicam que são pessoas conservadoras, rígidas, favoráveis à manutenção dos papéis sexuais tradicionais. Quando se considera, por exemplo, que um homem homossexual não é homem, fica clara a tentativa de preservação dos estereótipos masculinos e femininos, típicos das sociedades de dominação que temem a igualdade entre os sexos.

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Leilão de esposas foi solução para infelicidade conjugal no século 19 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/07/11/leilao-de-esposas-foi-solucao-para-infelicidade-conjugal-no-seculo-19/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/07/11/leilao-de-esposas-foi-solucao-para-infelicidade-conjugal-no-seculo-19/#respond Thu, 11 Jul 2019 07:00:06 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8741

Um dos primeiros levantamentos quantitativos sobre a felicidade conjugal foi feito por Gross Hofffinger, na Alemanha, em 1847. Dos cem casamentos pesquisados, descobriram 48 casais infelizes; 36 indiferentes um ao outro, mas conseguindo viver juntos; 15 felizes e um muito feliz. A responsabilidade foi colocada nos homens na proporção de 5 para 1.

William Alcott, num livro intitulado “A esposa jovem”, de 1833, escreveu que  havia “uma opinião generalizada” segundo a qual “o amor do marido e da esposa deveria estar em declínio necessariamente após o casamento”. Casais deixaram cartas deplorando “a infelicidade quase universal das pessoas casadas”.

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As noivas estavam assustadas pelos “grandes e desconhecidos deveres para os quais me sinto incompetente”, não apenas os deveres domésticos, mas a necessidade de transformar os maridos em homens “virtuosos e felizes”. “É terrível eu me amarrar assim para a vida inteira”, diziam.

O historiador inglês Theodore Zeldin assinala que no século 19 as mulheres começaram a agir para modificar a relação com os homens. Uma de suas fórmulas consistiu em dizer-lhes exatamente o que sentiam e pensavam. A isso chamaram “franqueza”.  A tradição mantinha os sexos separados em dois mundos distintos, o físico e o mental. “A sociedade não permite uma amizade sincera entre homens e mulheres”, anotou uma noiva em 1860, “mas eu não serei hipócrita.”

Em alguns casos eram adotadas medidas drásticas para aliviar a infelicidade conjugal. Existia na Inglaterra uma noção que se pondo a esposa em leilão, com a permissão dela, os laços conjugais podia ser legalmente rompidos. Em 1832, o agricultor Joseph Thomson pôs a esposa de 22 anos no leilão por 50 xelins. O preço não correspondia ao valor real, de modo que se livrou dela por 20 xelins e um cachorro.

Na primeira metade do século 20, uma mulher se considerava feliz se seu marido não deixasse faltar nada em casa e fizesse todos se sentirem protegidos. Para o homem, a boa esposa seria aquela que cuidasse bem da casa e dos filhos e, mais que tudo, mantivesse sua sexualidade contida. As mudanças começaram a ocorrer mais claramente após 1940, com o incentivo dos filmes de Hollywood.

O casamento por amor passou a ser sinônimo de felicidade e, por conseguinte, uma meta a ser alcançada por todos. As expectativas passaram a ser realização afetiva e prazer sexual. Se as pessoas se frustram em alguma dessas expectativas, ocorre a separação. Elas só começaram a se separar depois que o amor entrou no casamento. E é por isso é que há tanta separação.

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“Adoro sexo, mas sinto um grande vazio quando transo sem amor” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/07/08/adoro-sexo-mas-sinto-um-grande-vazio-quando-transo-sem-amor/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/07/08/adoro-sexo-mas-sinto-um-grande-vazio-quando-transo-sem-amor/#respond Mon, 08 Jul 2019 07:00:17 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8728

“Tenho 38 anos e estou separada há cinco. Tenho dificuldade de encontrar um namorado, mas adoro sexo. O problema é que sinto um vazio enorme, uma grande frustração quando transo sem amor. Se ele é atraente, e rola um clima legal, acabo indo para o motel, mas logo vem a ressaca se ele não me liga depois.”

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Muitas mulheres ainda se esforçam para se convencer de que sexo e amor têm que estar ligados. Há mulheres, que mesmo com muito desejo, se recusam a fazer sexo num primeiro encontro temendo não corresponder à expectativa do homem. Isso não deixa de ser uma forma de submissão a ele. Os homens nunca pensaram assim e jamais isso foi cobrado deles.

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Quando uma mulher diz que só transa com um homem se houver amor entre eles, na maioria das vezes ela está apenas repetindo o que lhe ensinaram, sem perceber os seus próprios desejos. O grau de intimidade que você sente na relação com uma pessoa não depende do tempo que você a conhece.

Além disso, o prazer sexual também independe do amor ou do conhecimento profundo de alguém. Para um sexo ser ótimo basta haver muito desejo e vontade de obter e dar prazer. E uma camisinha no bolso, claro.

No caso da internauta o vazio e a frustração têm muito mais a ver com uma expectativa não satisfeita do que com o sexo em si. A questão é que, como o sexo não é visto como natural, costuma-se misturar as coisas e se busca algo mais do que prazer: continuidade da relação, ou seja, namoro ou casamento.

Estamos vivendo um momento de transição, em que os antigos valores estão sendo questionados, mas novas formas de viver e pensar ainda causam medo pelo desconhecido. Há os que sofrem por se sentir impotentes para fazer escolhas livres, mas o fim de muitos tabus a respeito do sexo é só uma questão de tempo.

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Os seus amigos influenciam mais a sua longevidade do que sua família https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/07/06/os-seus-amigos-influenciam-mais-a-sua-longevidade-do-que-sua-familia/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/07/06/os-seus-amigos-influenciam-mais-a-sua-longevidade-do-que-sua-familia/#respond Sat, 06 Jul 2019 07:00:27 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8734

Qualquer coisa que nossos amigos façam nos influencia. Estudos mostram que nossas escolhas são conscientemente ou inconscientemente inspiradas em quem está ao nosso redor. Não se trata simplesmente da pressão dos colegas, em que você age deliberadamente de uma certa maneira para se adequar ao grupo. É, na verdade, em grande parte uma atitude inconsciente.

“Quanto mais a sua identidade for absorvida de um grupo, mesmo quando você não está por perto desse grupo, maior a probabilidade de você defender aqueles valores”, diz Amber Gaffney, psicóloga social da Universidade Estadual Humboldt, nos EUA.

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Apesar de a nossa cultura valorizar mais as relações românticas, não há dúvida de que amigos são importantíssimos em vários aspectos da nossa vida. Um estudo australiano concluiu que para a longevidade os amigos produzem maior impacto positivo do que as relações familiares. Isso significa que as pessoas que têm amigos, que são confidentes, vivem mais tempo.

É comum gostarmos de pessoas com quem convivemos. Mas o que sentimos por elas é totalmente diferente o que sentimos por um amigo com o qual podemos sempre contar. Com este há total confiança e liberdade, dividimos nossas intimidades mais secretas e, se acontece alguma coisa ruim na vida dele, ficamos tristes como se tivesse acontecido conosco.

O sociólogo italiano F. Alberoni distingue a amizade da paixão romântica. Para ele, o enamoramento é êxtase, mas também sofrimento. E a amizade tem horror ao sofrimento. Os amigos querem estar juntos para se sentir bem. Se não conseguem, tendem a se afastar, a pôr um pouco de distância entre eles. Na paixão podemos odiar uma pessoa. Na amizade não há espaço para o ódio. Se odeio um amigo já não sou seu amigo, a amizade terminou.

Acredito que quem tem amigos de verdade, aqueles com quem você pode discutir suas questões existenciais, nunca se sente sozinho.

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Nos anos 60, revolução sexual nos ajudou a evitar distúrbios emocionais https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/07/04/nos-anos-60-revolucao-sexual-nos-ajudou-a-evitar-disturbios-emocionais/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/07/04/nos-anos-60-revolucao-sexual-nos-ajudou-a-evitar-disturbios-emocionais/#respond Thu, 04 Jul 2019 07:00:14 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8723

Para os jovens dos anos 1960, a geração que ficou conhecida por seu interesse em sexo, drogas e rock and roll, e cujo slogan favorito era make love, not war, o sexo vinha indiscutivelmente em primeiro lugar. A busca era por uma gratificação sexual plena.

O filósofo francês Pascal Bruckner diz: “Apesar de as canções continuarem a falar de amor, a música popular da época – rock and roll e o pop – emitia gritos de apetite sexual selvagem (I can’t get no satisfation, I want you!) Tratava-se exclusivamente de satisfazer os próprios apetites. A inibição e a frustração eram apontadas com o dedo como doenças a serem erradicadas; o sentimento amoroso, com sua extraordinária complexidade e suas fantasias seculares – o sentimento de posse, o ciúme, o segredo – , foi posto no índex.”

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A liberdade sexual foi o traço de comportamento que melhor caracterizou o Flower Power. Durante 20 anos, dos anos 60 aos 80, houve mais celebração do sexo do que em qualquer outro período da História; já havia a pílula anticoncepcional e a Aids ainda não havia mostrado sua cara.

O principal objetivo da Revolução Sexual é a eliminação, ou pelo menos a diminuição, da repressão. A aspiração, em suma, é por uma maior liberdade sexual. Essa aspiração sempre foi experimentada como uma necessidade crucial pela maioria das pessoas que, porém, tradicionalmente optavam entre duas alternativas — as que lhes eram normalmente oferecidas —: ou se submetiam de corpo e alma à repressão, o que originava distúrbios psíquicos, ou procuravam atender às solicitações naturais das pulsões sexuais em segredo, escondidos de modo hipócrita e mentiroso.

De qualquer maneira, a repressão sexual sempre causou problemas emocionais. O combate à repressão e a aspiração pela liberdade sexual significam busca decidida da saúde psíquica, que exige sinceridade consigo próprio, honestidade de propósitos e principalmente coragem. liberdade inédita, a famosa permissividade da contracultura, foi duramente criticada pelas gerações anteriores como promiscuidade e degeneração.

Para o escritor Luiz Carlos Maciel, que viveu intensamente a época, é possível que, em muitos casos, tal crítica tivesse até algum fundamento, mas, de maneira geral, o que se descobriu foi simplesmente capacidade do instinto para se auto regular, para estabelecer espontaneamente seus próprios limites e os mecanismos de autocontrole porventura necessários, sem a imposição artificial de uma repressão externa.

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“Meu marido é viciado em ver pessoas transando. Não sei o que pensar” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/07/01/meu-marido-e-viciado-em-ver-pessoas-transando-nao-sei-o-que-pensar/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/07/01/meu-marido-e-viciado-em-ver-pessoas-transando-nao-sei-o-que-pensar/#respond Mon, 01 Jul 2019 07:00:46 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8714

Ilustração: Caio Borges

“Estou casada há um ano e tive uma triste surpresa. Descobri que meu marido é viciado em ver pessoas transando. Achei estranho quando ele comprou um binóculo. Depois, descobri que ele fica muito tempo, geralmente de madrugada, espiando um casal que dorme nu no prédio da outra rua. Não sei o que pensar…”

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O voyeurismo é classificado como excitação com a observação de ato sexual, mas também se aplica a observação intencional de pessoas nuas, vestindo-se e despindo-se, sem que os envolvidos tenham conhecimento de estarem sendo observados. Pode ser seguido de masturbação, levando ao orgasmo.

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Estudos sobre o tema avaliam que há mais homens adeptos do voyeurismo do que mulheres, por questões culturais. Homens são mais incentivados ao visual em todos os aspectos do erotismo. Há revistas e filmes e um grande setor da internet voltado exclusivamente para o voyeurismo. Mas é claro que espionar alguém é muito mais excitante e deve gerar mais prazer aos adeptos dessa prática.

Segundo as pesquisas de Alfred Kinsey, a observação do sexo oposto é considerada erótica mais por homens do que por mulheres na proporção de 72% a 58%. No caso de fotografias de nus, 52% dos homens e 12% das mulheres reagem sexualmente. Outro pesquisador verificou que 16% das mulheres e 83% dos homens adultos sentiam desejo de observar pessoas nuas ou fazendo sexo, sendo que 20% das mulheres e 65% dos homens já haviam realizado isso.

Kinsey concorda que nos mamíferos, quase todos os machos e algumas fêmeas ficam excitados ao observarem animais copulando, o que também ocorre com os humanos. Há sempre um grupo de pessoas fascinadas junto à jaula de um macaco, no zoológico, quando ele está copulando com sua parceira. Isso sem falar nos motéis com espelhos nas paredes e nos tetos e o sucesso que fazem os filmes pornográficos.

Não há duvida que a maioria, em algum momento, imagina a intimidade de alguém por quem se sente atraída, mas é comum se limitar à fantasia. Os que vão além são os voyeurs.

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Nossas escolhas amorosas dizem mais sobre nós do que imaginamos https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/06/29/nossas-escolhas-amorosas-dizem-mais-sobre-nos-do-que-imaginamos/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/06/29/nossas-escolhas-amorosas-dizem-mais-sobre-nos-do-que-imaginamos/#respond Sat, 29 Jun 2019 07:00:31 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8719

Foto: Getty Images

Pesquisadores da Universidade de Toronto, Canadá, realizaram um estudo para analisar padrões de relacionamentos e concluíram que nossas escolhas de parceiros amorosos podem dizer mais do que a gente imagina sobre a nossa própria personalidade. Intitulado de “A coerência entre os parceiros antigos e atuais e a personalidade dos indivíduos”, a pesquisa foi publicada na revista acadêmica Proceedings of the National Academy of Sciences.

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Ao ler a matéria me lembrei de um paciente que relatou o conflito que estava vivendo: “Tenho 32 anos e estou com um problema. Quando conheci Pat, fiquei atraído, começamos logo a namorar e me sentia apaixonado por ela. A questão é que logo depois ela me apresentou à sua melhor amiga, Joana. Passamos a sair sempre juntos e, aos poucos, fui percebendo que Joana tem muito mais a ver comigo do que Pat. Não quero magoar ninguém, mas a ideia de trocar de namorada não sai da minha cabeça.”

Às vezes, tentamos até encontrar alguma explicação razoável do por que nos sentimos atraídos ou não por uma pessoa. Mas isso na maioria das vezes parece algo meio misterioso, por não se basear em aspectos objetivos. O sexólogo americano John Money diz, que “antes de qualquer escolha amorosa, já havíamos desenvolvido um mapa mental, um modelo cheio de circuitos cerebrais que determinam o que desperta nossa sexualidade, o que nos leva a nos apaixonarmos por uma pessoa e não por outra.”

Para Money, entre os cinco e oito anos vamos sendo afetados por características de personalidade das pessoas com quem convivemos — família, colegas, professores, vizinhos… Algumas dessas características nos agradam, outras nos incomodam profundamente. Dessa forma, vamos formando um mapa amoroso. Quando mais tarde nos apaixonamos por alguém, certamente esse mapa atua inconscientemente na nossa escolha amorosa.

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Comunicação do corpo: o tato é a verdadeira linguagem do sexo https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/06/27/comunicacao-do-corpo-o-tato-e-a-verdadeira-linguagem-do-sexo/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/06/27/comunicacao-do-corpo-o-tato-e-a-verdadeira-linguagem-do-sexo/#respond Thu, 27 Jun 2019 07:00:12 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8711

Ilustração: Caio Borges

O sexo tem sido considerado a mais completa forma de toque. Em seu mais profundo sentido, o tato é a verdadeira linguagem do sexo. É principalmente através da estimulação da pele que tanto o homem quanto a mulher chegam ao orgasmo, que será tanto melhor quanto mais amplo for o contexto pessoal e tátil. Um ditado francês diz que uma relação sexual é a harmonia de duas almas e o contato de duas epidermes.

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A experiência do contato dos corpos é ainda mais profunda e necessária do que a alimentação. O tocar e o acariciar representam modos primários e essenciais de conhecer e de amar. “Com a carícia eu ‘formo’ o corpo, sigo e descubro os seus limites, restituindo-o à sua carne; regenero-o e me deixo regenerar. Naturalmente, há a tentativa de descobrir o ser amado revelando, através do contato, o seu segredo. O aspecto mais significativo de uma relação está justamente nessa inesgotável possibilidade de ser, que dificilmente deixa transparecer a sua dimensão mais profunda.”, diz o psicólogo italiano Aldo Carotenuto.

A proximidade corpórea permite se experimentar uma intensa comunicação não-verbal. E isso vem desde muito cedo. Nos momentos de perigo, medo ou ternura é comum a mãe apertar o filho contra o peito. Estudos mostram que entre as causas menos conhecidas para o choro em bebês está a necessidade de serem acariciados.

Muitas mães rejeitam um contato mais prolongado com seus filhos com base na falsa suposição de que dessa forma eles se tornarão profundamente dependentes delas. Não são poucos os pais que evitam beijar e abraçar os filhos homens, porque temem que assim afetem a sua “masculinidade”. Mesmo dois grandes amigos se limitam a expressar afeto dando tapinhas nas costas um do outro, enquanto as amigas trocam beijinhos impessoais quando se encontram.

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“Disse que seria um marido e pai melhor se continuasse com minha amante” https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/06/24/disse-que-seria-um-marido-e-pai-mulher-se-continuasse-com-minha-amante/ https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/06/24/disse-que-seria-um-marido-e-pai-mulher-se-continuasse-com-minha-amante/#respond Mon, 24 Jun 2019 07:00:01 +0000 https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/?p=8701

“Estamos casados há 12 anos e sempre foi muito bom. Amo bastante a minha mulher, e nossa vida sexual é intensa. Sou dentista e vou a congressos em todo o país. Num desses conheci uma colega e nos apaixonamos. Transamos muito e nos tornamos amantes regulares. O tempo foi passando e, após dois anos de relação paralela, minha mulher descobriu. Pediu a separação imediata. A saída foi abandonar minha amante, a mulher por quem me apaixonei. A coisa ficou tão ruim pra mim, que resolvi contar o que sentia pela outra para a minha esposa. Disse a ela que não tinha dúvida que eu seria um pai e um marido bem melhor se pudesse continuar a relação com minha amante, apenas passando uma ou duas horas com ela na parte da manhã, como fizemos durante os últimos dois anos. Resolvi negociar com minha esposa, admitindo que ela também tivesse uma relação paralela, um namorado. Ela não aceitou de jeito nenhum. Arrumou as malas para partir com as crianças. Decidi novamente abrir mão da minha namorada. Todos nós estamos sofrendo muito: eu, minha esposa e minha namorada.”

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Ao se deparar com a possibilidade de amar duas pessoas ao mesmo tempo é comum se desmerecer um de seus polos: ou o estado amoroso nascente será considerado capricho, infantilidade, mero desejo sexual, loucura; ou o estado amoroso anterior será questionado: não era amor de verdade, o parceiro não supria as necessidades e assim por diante.

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A psicóloga Noely Montes Moares acredita que o conflito se instala porque sentimentos ignoram as contradições e as exigências de exclusividade do tipo “se amo uma pessoa, não posso amar outra”. Quando o sentimento insiste em se instalar e permanecer, pode surgir a dúvida do que se sente pela pessoa com quem se mantinha o pacto de exclusividade.

Para a autora, em nossa cultura, o desejo de exclusividade é muito forte. Vem da experiência com a mãe, para quem somos o centro. Quando nos apaixonamos, recriamos esse modelo. “Os relacionamentos tiveram grandes mudanças ao longo das últimas décadas, especialmente devido à emancipação feminina. Mas ainda existe um pensamento extremamente conservador quando se trata de fidelidade e monogamia. Talvez porque fugir disso afaste algo de que as pessoas precisam muito: a aprovação social”, diz Noely.

Acredito que podemos amar várias pessoas ao mesmo tempo. Não só filhos, irmãos e amigos, mas também aqueles com quem mantemos relacionamentos afetivo-sexuais. E podemos amar com a mesma intensidade, do mesmo jeito ou diferente.

Acontece o tempo todo, mas ninguém gosta de admitir. A questão é que nos cobramos a rapidamente fazer uma opção, descartar uma pessoa em benefício da outra, embora essa atitude costume vir acompanhada de muitas dúvidas e conflitos.

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