PUBLICIDADE

Topo

“Quero convidá-la para minha casa, mas tenho medo de levar um fora"

Universa

01/06/2020 04h00

Ilustração: Caio Borges/UOL

"Tenho 34 anos, e muita insegurança sexual. Sei que não sou feio, sou até atraente….pelo menos é assim que sinto que as mulheres me percebem. Agora, tá difícil. Estou a fim de uma mulher que começou a trabalhar na mesma empresa em que eu trabalho. Ela é inteligente, bonita e sensual. A gente conversa bastante e acho que está na hora de convidá-la para ir na minha casa. Mas tenho medo de levar um fora. E, caso ela tope ir, tenho medo de que algo dê errado, e eu não corresponda às expectativas sexuais dela."

 ***

A partir do momento em que a satisfação sexual passou a ser condição para a continuidade de uma relação amorosa, a preocupação dos homens com o desempenho aumentou como nunca. O homem, que nunca pareceu ter problemas quanto a isso, foi surpreendido por essa nova exigência: satisfazer plenamente a mulher para ser considerado "bom de cama".

Até algum tempo atrás, várias razões o protegiam e contribuíam para aumentar sua segurança nessa área: a mulher não podia manifestar prazer sexual, a divisão das mulheres em puras e impuras e a crença de que o desejo e a necessidade de sexo eram maiores no homem.

Veja também:

Durante muito tempo se acreditou que apenas ele sentia prazer sexual. A mulher não se interessaria pelo assunto. Seu aparelho genital servia somente à procriação; o prazer era restrito a ter e criar filhos.  Mulher gostar de sexo era motivo de vergonha.

No século 19 a discussão sobre sexualidade nem era permitida. Alguns chegavam ao cúmulo de acreditar na seguinte afirmação, feita na Inglaterra pelo famoso médico William Acton: "Felizmente para a sociedade, a ideia de que a mulher possui desejo sexual pode ser afastada como uma calúnia vil".

Mas da década de 1960 para cá, com o movimento de liberação dos costumes e o advento dos anticoncepcionais, as influências que protegiam socialmente o homem começaram a ser destruídas. A mulher, que antes só tinha experiência sexual com o marido, mesmo assim de forma restrita, agora exige mais prazer. O homem, que se mostrava seguro e absoluto, começa a se preocupar em ser avaliado e passou a sofrer muito com sua sexualidade.

O temor da impotência, de ter o pênis pequeno, a ejaculação precoce, gera insegurança. Tudo isso causa muita ansiedade, mas ainda tem mais. Até chegar a essa intimidade com a mulher, o homem tem que passar por outra prova: conseguir levá-la para a cama.

A conquista e a sedução são um novo problema. Possuem, hoje, códigos tão distintos dos de antigamente, que muitos homens se sentem inseguros. Já está longe a época em que ele não temia tomar a iniciativa. Os papéis eram bem definidos: o dele era insistir, e o da mulher era dizer não, o que não significava necessariamente uma recusa.

E agora? Acredito só haver uma saída para o homem que deseja estar em sintonia com a sua época: libertar-se totalmente do condicionamento machista que recebeu, ser espontâneo e, percebendo as singularidades da mulher que deseja, captar os sinais que ela lhe enviar.

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

Blog Regina Navarro