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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

Corpo como protesto: por que seios nus estão presentes em manifestações?

Universa

15/06/2019 12h29

(Foto: Stephanie Keith/Getty Images/AFP)

Manifestações nas ruas mostram que não são apenas cartazes e faixas que ganham exposição; há quem prefira estampar as reivindicações na própria pele. Tatuagens temporárias, com mensagens feministas, crescem como opção.

O corpo como protesto não é novidade. Seios nus se tornaram um dos elementos centrais em manifestações feministas, em vários lugares do país e do mundo. Na Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, em junho de 2012, foi, junto com os tambores e as vozes, um elemento fundamental para chamar a atenção.

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Em todo o Brasil, nas chamadas Marcha das Vadias os seios nus deixaram a sua marca nos olhares em torno. Aconteceu também na Eurocopa, com as ucranianas da Femen; contra a ditadura da magreza, em Milão e criticando o ex-diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn na França, acusado de abuso sexual contra uma camareira de hotel nos EUA. A bandeira que se levanta com a exposição dos mamilos é contra o mercantilismo do corpo da mulher e outras formas de exploração mais violentas.

"O que a língua esconde é dito pelo meu corpo. Meu corpo é uma criança teimosa; minha língua é um adulto civilizado.", diz o escritor e sociólogo francês Roland Barthes (1915-1980).

A psicoterapeuta belga, radicada no EUA, Esther Perel faz observações relevantes sobre a linguagem do corpo. Ela diz que historicamente, a sexualidade e o intelecto femininos nunca se integraram. Os corpos das mulheres eram controlados, e sua sexualidade, contida, a fim de evitar impacto que corrompesse a virtude dos homens.

A feminilidade, associada à pureza, ao sacrifício e à fragilidade, era uma característica da mulher moralmente bem-sucedida. A outra, vista como prostituta, vagabunda, concubina ou bruxa, era a mulher livre que trocava respeitabilidade por exuberância sexual.

A sexualidade vigorosa era o domínio exclusivo dos homens. As mulheres sempre procuraram se desvencilhar da divisão patriarcal entre virtude e sensualidade, e ainda estão lutando contra essa injustiça. "Quando privilegiamos a verbalização e rebaixamos o corpo, conspiramos para manter as mulheres confinadas.", conclui Perel.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.