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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

Por que nossa cultura valoriza mais o namorado do que um amigo

Universa

08/06/2019 15h39

(iStock)

As empresas OnePoll e Evite concluíram num estudo que os americanos estão cada vez menos sociáveis. A pesquisa afirma que o americano médio não fez um novo amigo nos últimos cinco anos, permanecendo no mesmo círculo de amizade comum. Para chegar ao resultado, foram entrevistados duas mil pessoas.  Dentre elas, 45% dos participantes tiveram dificuldades em ampliar as amizades. O motivo mais citado por eles (42%) foi a introversão. Outros fatores foram: mudança de cidade, muito tempo gasto com a família e hobbies incompatíveis com sociabilidade.

Na nossa cultura se acredita que ser amigo é algo menor do que ser namorado, amante ou cônjuge. Para a grande maioria a amizade só tem importância enquanto se procura um par amoroso romântico. É como se fosse coisa provisória, descartável, que depois perde o valor. Mas isso é um equívoco. Amigos são importantíssimos.

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Um estudo australiano concluiu que para a longevidade os amigos produzem maior impacto positivo do que as relações familiares. Isso significa que as pessoas que têm amigos, que são confidentes, vivem mais tempo.

É comum gostarmos de pessoas com quem convivemos. Mas o que sentimos por elas é totalmente diferente o que sentimos por um amigo com o qual podemos sempre contar. Com este há total confiança e liberdade, dividimos nossas intimidades mais secretas e, se acontece alguma coisa ruim na vida dele, ficamos tristes como se tivesse acontecido conosco.

O sociólogo italiano F. Alberoni distingue a amizade da paixão romântica. Para ele, o enamoramento é êxtase, mas também sofrimento. E a amizade tem horror ao sofrimento. Os amigos querem estar juntos para se sentir bem. Se não conseguem, tendem a se afastar, a pôr um pouco de distância entre eles. Na paixão podemos odiar uma pessoa. Na amizade não há espaço para o ódio. Se odeio um amigo já não sou seu amigo, a amizade terminou.

É muito mais fácil superar a incessante busca de complementação com o outro, que, apesar de ser um ilusão, é oferecida pela fusão romântica, quando se ama profundamente os amigos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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