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Regina Navarro Lins

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Weinstein não foi o primeiro: Assédio no cinema surgiu nos anos 1920

Universa

13/06/2019 04h00

O primeiro mito sexual do cinema internacional era filha de um alfaiate de Cincinnati, Ohio, EUA, e se chamava Theodora Goodman. A  recente máquina de Hollywood a transformou em Theda Bara, amamentada por crocodilos e algoz dos amantes, que eliminava com veneno guardado em amuletos misteriosos.

Theda Bara assustava as famílias interpretando Cleópatra e Salomé. Foi chamada de Vamp, porque, assim como os vampiros, sugaria seus apaixonados. A ingênua classe média americana fez a leitura de que o sexo podia destruir a ordem social. Melhor para a bilheteria.

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Em 1922, "Três Semanas" chega às telas. É um ingênuo drama amoroso, mas fala de adultério entre um jovem inglês e uma predadora sexual. Ocorre uma cena de amor bastante simulada sobre uma pele de tigre.

Quando o livro, em que se baseia o filme, foi proibido nos EUA as bilheterias estouraram. A autora do estrondoso sucesso é Eleonor Glyn, uma ilustrada escritora disposta a faturar com o sexo. Sobre o enredo do livro e do filme ela afirmou: "Os homens americanos não sabem fazer amor. Mesmo os atores principais não têm ideia do que seja o bom sexo".

O surgimento do filme falado e a multiplicação das salas de exibição fazem do cinema o tesouro na ponta do arco-íris, e milhares de jovens sonham com Hollywood. Muitas vão até lá tentar a sorte. Os produtores estão dispostos a conhecer esses talentos, mas antes é necessário tirar a roupa para mostrar a "fotogenia".

Os magnatas da indústria do sonho instituíram o teste do sofá, no qual jovens adolescentes se submeteram aos desejos de Darryl Zanuck, Harry Cohn e Louis Mayer, entre outros. O sexo domina os bastidores do cinema. Os jornais denunciam as orgias regadas a champanhe.

Em 1921, o Hotel Saint Francis é palco de uma tragédia. Durante uma dessas festas, a estreante Virgínia Rappe morreu ao tentar abortar usando o gargalo de uma garrafa de Don Perignon. As manchetes explodiram e 40 dos estados americanos apelaram para a censura cinematográfica.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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