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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

O que te faz feliz no sexo? Homens e mulheres respondem

Universa

2007-03-20T19:04:00

07/03/2019 04h00

 

Após muitos anos ouvindo queixas de homens e mulheres quanto a seus parceiros no sexo, decidi fazer duas perguntas a várias pessoas: Existe felicidade sexual? O que te faria feliz sexualmente?

A seguir, algumas das respostas.

"Quando me sinto capaz de ter e dar prazer, para alguém, de preferência alguém que eu tenha uma grande atração. Estou há tanto tempo sem um parceiro que nem me lembro mais de como é ser feliz sexualmente. A vida é muito curta para perdermos tempo, mas tenho esperança em um dia sentir o gostinho de ficar feliz sexualmente, nem que seja por algumas horas";

"O que me faria feliz sexualmente e, com certeza, a todas as mulheres seria um parceiro carinhoso e que se preocupasse tanto com o meu prazer quanto com o seu próprio.";

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"Sou feliz sexualmente com meu amante, porque ele sente prazer em me fazer sentir prazer e vice-versa. Consegue dosar a relação para que possamos fazê-la longa e prazerosa para os dois. Sabe esperar o meu tempo de satisfação, se entrega inteiro para mim, me respeita, diz o que gosta e o que não gosta e também me ouve.";

"Já vivi a felicidade sexual com alguns companheiros. Para mim, a felicidade sexual é estar me relacionando com o outro me sentindo presente, sem medos, em contato com meus próprios desejos e os desejos dele. A felicidade sexual existe quando o contato corporal é gostoso, desejado e saciado por ambas as partes.";

"Claro que existe. E essa felicidade faz com que as pessoas se relacionem única e exclusivamente para o sexo. Mas ainda é difícil que consigam separar amor de sexo, tanto que o sexo pode ser maravilhoso e não existir sentimento entre as pessoas.";

Quase todas as pessoas disseram acreditar que existe felicidade sexual. Penso que o pré-requisito básico para haver uma relação sexual satisfatória é a ausência de repressão, vergonha ou medo. Na nossa cultura, ainda tão preconceituosa, uma sexualidade plena e satisfatória é muito rara, só se observando em alguns poucos casos.

Fala-se muito de sexo e por isso se imagina que ele é livre, vivido como algo bom e natural. Mas não é verdade. Um bom exemplo é como desde cedo as crianças aprendem a xingar. Toda ofensa ou manifestação de raiva é ligada a sexo. Não existindo nenhum palavrão sem conotação sexual, é impossível não associar sexo a alguma coisa ruim, vergonhosa.

Homens e mulheres fazem sexo em menor quantidade do que necessitam e com muito menos qualidade do que poderiam, se frustrando durante sua própria realização. Poucos partem para o sexo livremente, dispostos a dar e receber prazer.

Um bom sexo implica não ter vergonha, não reprimir os desejos, perceber o outro e prolongar o ato sem pressa alguma de chegar ao orgasmo. Cada movimento produz sensações e emoções variadas, que vão se ligando aos movimentos do outro e produzindo novas sensações.

O ato sexual pode ser uma comunicação profunda entre duas pessoas, e para isso é importante que não se tenha nada planejado, sendo criação contínua em que nada se repete. Acredito que a felicidade sexual é mais fácil de ser alcançada quando o outro nos possibilita experimentar sensações de prazer que nunca imaginamos existir.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.