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Regina Navarro Lins

Veto à nudez e sexo coberto: curiosidades sobre repressão sexual no séc. 19

Universa

21/05/2020 04h00

Ilustração: Caio Borges/UOL

No século 18, Idade da Razão, as pessoas reprimiam as emoções e davam vazão à sexualidade. Os românticos, já no século 19, faziam o contrário: restringiam a sexualidade e deixavam fluir torrencialmente suas emoções. Tornou-se estilo de vida exibir linguagem, palidez e decadência física como prova de grande sensibilidade da alma. Havia até um manual para ensinar a mulher a desmaiar.

No que diz respeito à repressão sexual, mas não só neste aspecto, o século 19 foi marcado pela presença avassaladora de uma pequena mulher: a rainha Vitoria, da Inglaterra. Sua época recebeu seu nome e sua marca. Os tabus vitorianos constituíram algo de novo, e os comportamentos regidos pela vergonha se estenderam a todo o Ocidente.

Veja também:

Algumas curiosidades da era vitoriana:

— A linguagem sofreu rápida transformação. Palavras como suor, gravidez, sexo, foram substituídas por termos mais evasivos. Ao invés de se dizer que uma mulher estava grávida dizia-se que ela se encontrava "em estado interessante" ou que se achava em "visita interior". Na presença de uma criança recém-nascida, dizia-se que ela fora "descoberta debaixo de uma groselheira".

— Noah Webster, que canonizou o vocabulário americano ao compilar seu primeiro dicionário, alterou palavras que considerava ofensivas, por exemplo, substituiu "testículos" por "membros privativos".

— As mulheres passaram a descrever o local da dor para os médicos apontando para um ponto semelhante numa boneca, de modo a não ter de fazer algum gesto "deselegante" ou "indelicado". Qualquer parte do corpo entre o pescoço e os joelhos passou a ser chamado de "fígado".

— Durante o parto, o médico trabalhava às cegas, as mãos sob um lençol, para não ver os órgãos genitais da mulher. Tal atitude evitava que os médicos fizessem adequadamente o seu trabalho.

— A sexualidade reprimida foi removida para áreas inócuas, tais como os móveis. As pernas de piano eram cobertas por capas pelas damas embaraçadas, para não excitar os homens por sua semelhança com as pernas femininas.

— O código de boas maneiras não permitia que uma moça de boa família se admirasse nua. Ela não podia se olhar no espelho nem mesmo ver seu corpo através dos reflexos da água da banheira. Havia produtos especiais para turvar a água do banho, de forma a impedir tal vergonha.

— Na Inglaterra, a nudez total, por ocasião do dever conjugal, era considerada o cúmulo da obscenidade.

— Um médico alemão, doutor Carl Ludwig, da Universidade de Marburg, registra uma constipação conhecida como doença verde, mal estar provocado pelo receio de expelir gases em público depois das refeições, o que leva as mulheres a apertar convulsivamente as nádegas.

É difícil não rir ao ler esses relatos. Mas eles podem nos levar a uma reflexão importante. Em muitos aspectos, a forma de pensar e viver é específica de cada época. Podemos concluir então que comportamentos hoje criticados como ousados e imorais, podem num futuro menos conservador, serem totalmente aceitos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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