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Gravidez masculina é uma possibilidade no nosso horizonte?

Universa

20/02/2020 04h00

A ideia da possibilidade de gravidez masculina causou perplexidade e de tão absurda quase nem foi comentada. É difícil saber o que pensar. Então, o melhor é que fique no lugar de onde, para muitos, nunca deveria ter saído: na ficção. Arnold Schwarzenegger, um dos homens mais fortes e musculosos do mundo, interpretou esse papel num filme. Foi o primeiro a dar à luz na história do cinema. Mas era uma comédia, claro, e todos riram. Agora, não, é sério. O homem grávido passa a ser uma possibilidade.

Um dos mais famosos ginecologistas ingleses, Robert Winston, descreveu, há alguns anos a técnica de gravidez masculina, baseado em casos de gravidez fora do útero em mulheres. Segundo ele afirma, um bebê pode se desenvolver na barriga de um homem se um embrião fertilizado in vitro, o bebê de proveta, for posto no abdômen.

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A placenta vai grudar, não na parede interna do útero, que o homem não tem, mas em qualquer outro órgão, provavelmente no intestino. A placenta do bebê receberá os nutrientes da corrente sanguínea do pai e o bebê vai abrir uma cavidade no abdômen, se desenvolvendo como se estivesse dentro de um útero. Após os habituais nove meses a criança nascerá de uma operação cesariana.

Como não poderia deixar de ser os especialistas se dividiram. Alguns alegaram que os perigos para o bebê e o pai são muitos. Outros afirmaram que a medicina aos poucos vai conseguir diminuir os riscos envolvidos, e quando as dificuldades técnicas forem solucionadas, os casais terão mais uma opção para ter filhos.

Anteriormente, em 1985, os dois principais responsáveis pelo primeiro bebê de proveta francês tiveram oportunidade de emitir dúvidas quanto à impossibilidade. O professor René Frydman disse: "Há dois anos, não considerava essa possibilidade. Mas agora, francamente, não sei mais." Alguns meses mais tarde, ele foi mais afirmativo: "Tecnicamente, é possível… O mito da gravidez masculina pode tornar-se realidade."

Na mesma época, o biólogo Jacques Testard escreveu: "Pode-se também imaginar que um homem peça para viver uma gravidez, recebendo em seu abdômen um embrião de alguns dias. Tal pedido nos foi encaminhado por um transexual. Não se pode esquecer que num plano estritamente médico, a gravidez masculina — como a gravidez feminina, que se desenvolve fora do aparelho genital — apresenta riscos mortais."

Entretanto, o biólogo completa sua observação com a seguinte nota: "A gravidez masculina não é apenas uma fantasia. Duas noções fisiológicas mostram que ela é possível; primeiro, o embrião humano pode se desenvolver até o fim fora do útero — na cavidade abdominal — e crianças nasceram assim, após uma cesariana; em seguida, as regulações hormonais no decurso da gravidez podem ser asseguradas sem a presença dos ovários, graças a injeções hormonais apropriadas."

Há especialistas, a exemplo de outros médicos americanos e neozelandeses, que rejeitam radicalmente a oportunidade de tais pesquisas.

A filósofa francesa Elisabeth Badinter diz que "apesar dos princípios filosóficos e morais nos quais se fundamentam a rejeição de tal hipótese, as repugnâncias de hoje podem esconder os desejos de amanhã. Afinal, a fantasia de gravidez há muito tempo assedia o inconsciente masculino, e não está excluída a hipótese de que alguns homens tentem pôr fim a uma nostalgia, uma impotência que eles evocam cada vez mais abertamente."

 

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

Blog Regina Navarro