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Qual é o valor de uma mulher no casamento?

Universa

25/01/2020 04h00

O governo do Japão está incentivando homens a tirarem licença-paternidade diante da crise demográfica enfrentada pelo país, mas há um novo desafio. Segundo uma pesquisa, quase um terço das mães relatou que seus parceiros ajudam pouco em casa durante a licença. As mães que participaram da pesquisa disseram que, muitas vezes, elas mesmas acabavam fazendo as tarefas domésticas ou que seus maridos usavam parte do tempo para se divertir. A desigualdade de gênero nas tarefas domésticas no Japão tem chamado a atenção do mundo todo.

Embora a mentalidade do Ocidente, no que diz respeito ao papel do homem e da mulher, esteja em profunda transformação não é difícil ainda encontrarmos por aqui comportamentos semelhantes ao dos japoneses. Afinal, a mudança na forma de pensar e viver é lenta e gradual.

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Em 1947, a psicanalista Marynia Farnham e o sociólogo Ferdinand Lundberg publicam o best seller Mulher moderna: o sexo perdido, onde dizem: "As insatisfações da mulher se devem exclusivamente ao seu fracasso no amor, resultado de sua incapacidade de ser uma verdadeira mulher. A mulher saudável é aquele que seguiu seu destino biológico e procriador, que aprendeu a fazer crochê, evitou o ensino superior a todo o custo, pois isso a tornaria frígida, e adotou uma forma feminina de vida."

Na Inglaterra, a supremacia masculina é tão clara que um guia dos anos 50, "Como ser uma esposa perfeita", aconselha: "Sejam alegres.. preocupando-se com o conforto dele trará grandes satisfações pessoais… Mostre sinceridade no desejo de agradar … Fale com voz lenta, quente e agradável… Lembre-se que ele é o patrão e que por isso vais exercer sempre seu poder com justiça  e habilidade…Não faça perguntas …uma boa esposa sabe reconhecer seu lugar."

As mulheres eram consideradas incompetentes e desinteressantes, e lhes eram negadas quase todas as experiências do mundo. A expectativa em relação à mulher casada era a de que se contentasse com a vida em família.

A responsabilidade pela estabilidade no casamento é da esposa, que deve sacrificar-se para mantê-lo. E a melhor forma de conseguir isso é atrair o marido com afeição e serviços, engolindo as reclamações e cobranças.

No Brasil, em que a violência contra a mulher atinge níveis absurdos, seria interessante adotar o mesmo que as escolas do estado australiano de Victoria, em que há aulas sobre estereótipos de gênero.

Com o nome de "Relações Respeitosas", a disciplina abrange o ensino fundamental e o ensino médio e tem como objetivo discutir questões como desigualdade social, violência de gênero e privilégio masculino. Afinal, um estudo divulgado pela Unicef, em 2016, mostrou que as meninas passam 160 milhões de horas a mais se dedicando a tarefas domésticas do que meninos, o que afeta seu desenvolvimento pessoal e profissional.

 

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

Blog Regina Navarro