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Por que a chance de descobrir que a filha é lésbica perturba tanto uma mãe?

Universa

14/11/2019 04h00

 

As mulheres homossexuais são chamadas de lésbicas em referência à ilha de Lesbos, onde nasceu Safo, no século 7 a.C. Ela era objeto de gracejos obscenos e julgamentos moralistas. Seus amores foram ridicularizados pelos poetas cômicos de Atenas, mas como a vida das mulheres gregas não é muito conhecida, não se tem quase informação a respeito da homossexualidade feminina nessa época.

Nos últimos anos, observamos uma novidade: torna-se cada vez mais comum meninas ficarem com meninas. "Acho ótimo não ter que ficar só com meninos. Várias vezes, em festas ou shows, fiquei com alguma menina. Todos começam a dançar e quando vejo, estou beijando uma delas que me atraiu. Beijamos mesmo, com língua e tudo. Mas isso não impede que eu também fique com algum menino", contou Clara, de 17 anos.

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Alguns psicólogos dizem que o fato de as meninas se beijarem não determina alguma tendência homossexual ou bissexual. O beijo poderia ser um desafio, uma tentativa de mostrar como são liberadas, sem preconceitos. Pode ser. Contudo, essa mudança de comportamento das mulheres não se limita ao beijo.

Fátima, mãe de uma adolescente, me enviou a seguinte mensagem: "Minha filha tem 14 anos. Quando tinha 12, chorando, me confidenciou que estava gostando de outra menina. Achava que era perturbadora a atração que sentia por meninas. Ela mudou de escola, depois ficou com meninos, e pareceu que o assunto havia sido esquecido. Mas hoje eu a surpreendi, no escuro, na rede da varanda, com a amiguinha. Estavam conversando e vendo as estrelas, mas ambas deitadas na mesma direção. Não gostei. Acho que ela deve evitar esse comportamento, mas tenho medo de tirar a espontaneidade dela. Como agir? Devo me preocupar?"

Não são poucas as adolescentes que namoram outras meninas. A dificuldade de uma mãe aceitar a homossexualidade da filha se deve, entre outras razões, à expectativa criada em relação ao seu comportamento. Desde pequenas as meninas são educadas para o casamento com o sexo oposto e para o papel materno. O mesmo conflito que surge na adolescência, quando percebem que seu desejo amoroso e sexual é dirigido para pessoas do seu próprio sexo, é vivido pelos pais, que reagem de variadas formas.

Contudo, homens e mulheres homossexuais precisam lutar para serem autônomos, não se submetendo aos valores impostos nem absorvendo os preconceitos da sociedade. Afinal, ser homossexual não significa infelicidade, da mesma forma que ser heterossexual não garante felicidade a ninguém.

 

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

Blog Regina Navarro