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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

"Prendi meu namorado na cama, simulei vários castigos e gostei. E agora?"

Universa

23/09/2019 04h02

"Eu e meu namorado fomos a um motel em que era oferecida uma suíte para sadomasoquismo. Ele sugeriu que experimentássemos apenas para conhecer. Nossa surpresa foram os vários instrumentos e até um fogo falso feito com luzes. Um manual de instruções sobre a cama explicava que eram equipamentos para sadomasoquismo de consenso, onde ninguém deveria sair machucado. Foi muito bom. O prendi à cama e simulei vários castigos. Antes de cairmos no sexo de sempre fizemos várias brincadeiras. O que vocês pensam disso?" 

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Quando ouvimos falar em sadomasoquismo, logo pensamos em dores e machucados. Mas, na realidade, a grande procura de chicotes, algemas, e vários outros apetrechos visa a aumentar o prazer sexual sem machucar. A base dessa prática é o antagonismo entre domínio e submissão, poder e desamparo. No relato acima, parece haver um consenso e uma negociação entre as partes, de forma que um dos parceiros pode interromper o jogo a qualquer momento.

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É uma prática sexual tão comum que o psicanalista inglês Anthony Storr pergunta se haverá por acaso algum casal de amantes que não tenha brincado de alguma versão do velho jogo em que um domina e o outro é subjugado, ou que não tenha atormentado um ao outro de brincadeira, fingindo dar um beijo e recuando? Em 1954, o pesquisador americano Alfred Kinsey já havia registrado que mais da metade dos homens e mulheres reagiam eroticamente a mordidas.

Na verdade, não há um consenso geral a respeito das causas do sadomasoquismo. Que dor e prazer são sensações intensas e às vezes a fronteira entre os dois não é marcada com nitidez, todo mundo sabe. Alguns, como a historiadora americana Riane Eisler, acreditam que, como a erotização da violência e da dominação foi central na construção social do sexo, a maioria de nós se excita, em graus variados, com essas fantasias.

Para outros, essa prática sexual reedita sensações de prazer e poder relacionadas com conflitos do início da vida. Há ainda os que defendem a ideia de que, se dessa forma o prazer aumenta e não faz mal a ninguém, não é necessário explicações e deve-se aceitar com naturalidade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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