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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

"Me vestir de mulher dá muito prazer, mas não tenho tesão algum por homens"

Universa

02/09/2019 04h00

"Sou casado, só transei com mulheres e nunca senti vontade de fazer sexo com homens. Um dia, minha esposa brincou dizendo que gostaria de me ver usando a calcinha e o sutiã dela. Por brincadeira experimentei….e gostei. Depois disso, várias vezes me vesti de mulher e me maquiei, mesmo estando sozinho em casa. Isso me dá um grande prazer. Tenho pensado sobre esse meu comportamento. Não sei bem do que se trata, mas a única certeza que tenho é que só sinto tesão por mulheres."

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Crossdresser é a pessoa que sente desejo de se vestir como o sexo oposto. É uma variação sutil do travesti por não implicar, necessariamente, orientação homossexual. Muitos crossdressers costumam se manter no completo anonimato, usando trajes do sexo oposto reservadamente. Alguns relatam que só se sentem em paz quando se "montam", ou seja, se vestem e se maquiam como mulher, mesmo que estejam sozinhos. Outros tornam público seu desejo.

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O crossdresser pode ser, e muitas vezes é, um cidadão bem colocado na sociedade e com um perfil conservador. Podemos então concluir que são homens que se travestem, mas na maioria das vezes permanecem heterossexuais. Segundo estatísticas americanas, 4% dos homens são crossdressers, assumidos ou não.

O documentário "Tudo sobre meu pai", do cineasta norueguês Even Benestad, sobre o respeitado médico Esben Benestad, que costuma vestir-se de mulher, é bom registro do tema. Usando o farto material de registro familiar, em filmes super 8 da abastada classe média do norte da Europa, Even pôde mostrar como foi sua vida e a da irmã ao lado do pai crossdresser.

Um dos raros especialistas no tema, no país é o psiquiatra e psicoterapeuta paulista Ronaldo Pamplona. Numa conversa, perguntei o que ele entende por crossdresser:

"O travesti é completamente diferente do crossdresser. Existem homens que se travestem, mas são heterossexuais. Tive um paciente, alto executivo de 50 anos, que havia sido casado e tem dois filhos. Ele tinha essa necessidade desde pequeno. Achava que poderia ser a expressão de uma homossexualidade; foi atrás e percebeu que não tinha nada a ver com isso. Ele então comprou um apartamento onde se travestia e ficava sozinho. Disse que isso lhe trazia uma sensação de paz profunda. A sua mulher descobriu, se separaram. Anos depois ele conheceu outra mulher e logo fez questão de que ela soubesse. Essa então aceitou a sua condição."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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