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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

"Meu marido saiu de casa. Agora eu alterno entre ódio e desespero"

Universa

12/09/2019 04h01

"Estamos casados há 12 anos e não temos filhos. Sempre achei que vivíamos bem. Tínhamos algumas brigas e o sexo estava meio morno. Mas jamais pensei que meu marido proporia a separação, como fez agora. Ele disse que é irreversível e já saiu de casa. Nem sei onde está morando. Estou péssima, alternando entre o ódio que sinto dele e o meu desespero pela sua ausência."

***

"Deixa em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa…" Há separações em que a hostilidade e o ódio pelo outro chegam a níveis extremos. Parece ser um sentimento de ter sido traído na crença de que por meio daquela relação amorosa se estaria a salvo do desamparo, encontrando a mesma satisfação que havia no útero da mãe, quando dois eram um só.

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A separação surge então como testemunho da impossibilidade desse retorno ao estado de fusão, a essa identidade que se busca no outro. O parceiro, imagina-se, preenchia uma falta. O ressentimento, a raiva e o ódio são causados pela constatação de que ao ir embora o outro deixou uma lacuna, frustrando a expectativa de se complementarem.

Quando fracassa o projeto amoroso, a pessoa perde o referencial na vida e sua autoestima fica abalada. A questão é que no Ocidente somos incentivados, desde muito cedo, a acreditar só ser possível encontrar a realização afetiva através da relação amorosa fixa e estável com uma única pessoa.

Na maioria dos casamentos as pessoas abrem mão da liberdade e da independência — incluindo aí amigos e interesses pessoais — e por isso se tornam mais frágeis em caso de separação. O desespero que se observa em algumas pessoas durante e após a separação se deve também ao fato de cada experiência de perda reeditar vivências de perdas anteriores.

Assim, não se chora somente a separação daquele momento, mas também todas as situações de desamparo vividas algum dia e que ficaram inconscientes. Acredito que a condição essencial para ficar bem sozinho seja o exercício da autonomia pessoal. Isso significa, além de alcançar nova visão do amor e do sexo, se libertar da dependência amorosa exclusiva e "salvadora" de alguém.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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