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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

"Sexo com minha colega foi muito melhor do que o sexo com minha esposa"

Universa

15/07/2019 04h00

"Estou casado há 15 anos e tive pouquíssima experiência sexual antes disso. Achei que durante todos esses anos o sexo com a minha mulher era bom, como o de todos os casais. Há dois meses me senti muito atraído por uma mulher que começou a trabalhar na mesma empresa que eu. Acabei não resistindo e, na semana passada, fomos para um motel na hora do almoço. Agora, não sei o que fazer. O sexo com a colega foi infinitamente melhor do que o sexo com a minha esposa! Será que passei esses anos todos sem saber o que é um bom sexo?"

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O psicanalista austríaco Wilhelm Reich (1897-1957) falava na miséria sexual das pessoas. Para ele existe em quase todos uma carência fundamental de sexo, tanto em quantidade como em qualidade. As dificuldades sexuais são tantas que quando ocorre uma descarga sexual acham que foi tudo bem.

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Quando se pergunta se algumas pessoas fazem sexo melhor do que outras, muita gente responde que não. É comum ouvirmos que uma boa relação sexual depende exclusivamente do amor entre os parceiros. Mas isso não é verdade. Por mais que duas pessoas se amem, a relação sexual pode ser de baixa qualidade, com pouco prazer e nenhuma emoção.

Homens e mulheres, por conta de tantos preconceitos, tiveram inibidas a capacidade para o prazer sexual. As mulheres tiveram sua sexualidade reprimida e distorcida, a ponto de até hoje muitas serem incapazes de se expressar sexualmente, muito menos atingir o orgasmo. Os homens, por sua vez, também tiveram a sexualidade bloqueada. A preocupação em não perder a ereção é tanta que fazem um sexo apressado, com o único objetivo de ejacular.

Quem considera o sexo natural, e não tem preconceitos ou vergonha, está mais apto a um sexo de bastante qualidade. Quando a busca do prazer é livre, sem estar condicionada a qualquer afirmação pessoal, pode-se criar o tempo todo junto com o parceiro, até muito depois do orgasmo.

O único objetivo é a descoberta de si e do outro, numa troca contínua de sensações, em que cada movimento é acompanhado de nova emoção.  Sendo assim, o sexo deixa de ser a busca de um prazer individual para se tornar um poderoso meio de transformar as pessoas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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