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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

Com medo da solidão, muitos casais suportam o insuportável

Regina Navarro Lins

02/05/2019 04h00

Ilustração: Caio Borges

A dor da separação é comparada por alguns ao sofrimento diante da morte de uma pessoa querida. Romper uma relação é resultado de um processo lento, muitas vezes inconsciente. Um desgaste cotidiano, que vai liquidando o prazer de viver junto.

Mas a percepção de que o casamento traz mais frustrações do que alegrias é uma conclusão difícil. Muitas vezes tenta-se rejeitar os motivos que levam à separação, movidos pelas expectativas depositadas na vida a dois.

Apesar de a prática de se separar se tornar cada vez mais comum, poucos vivem a relação amorosa como algo temporário, enquanto for satisfatório para ambos. Concretizar uma separação não é nada fácil, na medida em que a vida a dois induz a uma relação de dependência emocional.

É comum então se negar os aspectos insatisfatórios e permanecer junto um tempo muito maior do que o desejado. Temendo a solidão, muitos suportam o insuportável para manter o vínculo, e não raro se tornam dois estranhos que ocupam o mesmo espaço físico.

Desde cedo somos levados a acreditar que a vida só tem graça se encontrarmos um grande amor. Se acontece, a expectativa é a de que vamos nos sentir completos para sempre. Isso é impossível, evidente, mas as pessoas se esforçam para acreditar e só desistem depois de fazer muitas concessões desnecessárias. Acabam se separando quando suportar as frustrações deixa de ser possível.

Para o filósofo francês Pascal Brukner "a vida a dois não é nenhum maratona em que se deva aguentar o maior tempo possível e, de outro, o importante é a qualidade dos vínculos, que devemos saber romper quando se degradam. A brevidade não é um crime, assim como a persistência nem sempre é uma virtude: certos encontros fugazes podem ser uma obra-prima da concisão, deixando marcas para sempre, e convívios de meio século se revelarem, às vezes, torturas de tédio e renúncia."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.