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Regina Navarro Lins

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Pornô feminista: sexo explícito para elas

Universa

03/08/2019 04h00

O Projeto Sexy Hot Produções por Universitários, lançado em abril pelo canal, teve a estudante de Jornalismo Priscila Oliveira como vencedora. O projeto tem como objetivo trazer novos públicos para a indústria de filmes adultos e dar espaços para jovens enviarem argumentos para serem transformados em roteiros por especialistas. Em seu primeiro ano, recebeu mais de 250 inscrições de alunos de Comunicação e Cinema de todo o País.

O que chama a atenção é que, apesar de 78% dos inscritos serem do sexo masculino, a vencedora foi uma mulher. Esse fato é mais um sinal de que a ideia, tão difundida há algumas décadas, de que a mulher não se interessa por sexo está saindo de cena.

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O historiador francês Antoine Prost lembra que as feministas suecas defenderam a tese de que a liberação sexual dos anos 1960 e 1970 eliminou proibições formais, mas sem com isso modificar em profundidade os esquemas tradicionais. Elas denunciam como a literatura pornográfica ilustrava as relações homem-mulher.

Em 1964, por exemplo, foi criada a revista Éxpédition 66, que pretendia ser o equivalente feminino da Playboy, oferecendo a suas leitoras alguns pin-up masculinos. Mas, por falta de leitoras e, principalmente, de modelos, a revista durou pouco. Nina Estin, a redatora-chefe, se recusou, com uma honestidade bem sueca, a recorrer aos arquivos de revistas homossexuais.

A pornografia continuou durante um bom tempo visando apenas a uma clientela masculina e os filmes sendo feitos somente por homens. Mas como as mentalidades estão num profundo processo de mudança, surgiram mulheres.

Erika Hallqvist, conhecida como Erika Lust, é um bom exemplo. Nasceu na Suécia, tem 42 anos, trabalha e vive em Barcelona. É diretora, roteirista e produtora. Foi pioneira da chamada pornografia feminista e é autora de vários livros. Em 2012, seu filme "Cabaret Desire" garantiu-lhe o prêmio Feminist Porn Award na categoria Filme do Ano. Também foi premiada com o Prêmio do Público do Cinekink, como Melhor Longa Metragem.
Ela diz fazer filmes para dar prazer às mulheres e que a pornografia tradicional é broxante e antiquada. Os atores costumam se relacionar na vida pessoal e muitas histórias são reais. Defender as causas femininas significa, para a diretora, fugir dos estereótipos.

Nos filmes eróticos feitos por mulheres, o sexo também é explícito, mas a história, o cenário e a iluminação são mais valorizados que nos filmes tradicionais do gênero. As atrizes costumam ter corpos mais imperfeitos e realísticos, com menos silicone e mais celulite, o que também ajuda a gerar maior identificação entre as mulheres.

Apesar de a maioria das mulheres ainda ter dificuldade de declarar que se excitam com filmes pornográficos, pesquisas do sexólogo americano Jack Morin mostraram que quando se trata de produzir excitação sexual, o sexo explícito é o que deixa as mulheres com mais desejo, como acontece com os homens.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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