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Regina Navarro Lins

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Dinamarca exige terapia de casal para quem quer se divorciar

Universa

27/07/2019 04h00

Os dinamarqueses receberam bem a nova medida: quem desejar se divorciar na Dinamarca terá que fazer terapia de casal durante três meses antes de o casamento ser dissolvido.

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As altas taxas de divórcio causam preocupação — em 2018 houve15 mil pedidos, o equivalente à metade dos casamentos no mesmo ano. Essa é uma tentativa para que o processo até a efetiva separação do casal seja amigável, evitando confrontos e agressões.

Apesar de a prática de se separar se tornar cada vez mais comum, poucos vivem a relação amorosa como algo temporário, enquanto for satisfatório para ambos. Concretizar uma separação não é nada fácil, na medida em que a vida a dois induz a uma relação de dependência emocional. É comum então negar os aspectos insatisfatórios e permanecer junto um tempo muito maior do que o desejado.

Alguns fatores podem ser considerados suficientes para justificar o rompimento do vínculo conjugal: a perda da intensidade da emoção, a insatisfação sexual, o fim do prazer de estar juntos, a perda da capacidade de comunicação. A autorrealização das potencialidades individuais passa a ter outra importância, colocando a vida conjugal em novos termos. Acredita-se cada vez menos que a união de duas pessoas deva exigir sacrifícios.

Quando a frustração se torna insuportável, então as pessoas se separam. Em alguns casos, o ódio surgido entre o casal resulta do sentimento de ver traída a expectativa que tanto alimentaram. Imaginavam que através da relação amorosa se colocariam a salvo do desamparo, e que encontrariam a mesma satisfação que tinham no útero da mãe, quando os dois eram um só.

Além disso, deixar de ser amado ou desejado afeta a autoestima, e as inseguranças reaparecem. A pessoa se sente desvalorizada, duvidando de possuir qualidades. E, para piorar tudo, na maioria dos casamentos, homens e mulheres abrem mão da liberdade e da independência, tornando-se mais frágeis em caso de ruptura.

Ao contrário do que muitos pensam, não acredito que a separação dos pais faça os filhos sofrerem, e sim a culpa que os pais absorvem ou a incompetência deles para lidar naturalmente com a situação. Muitas crianças são usadas por uma das partes para agredir a outra. Nesses casos, a terapia de casal pode contribuir bastante para evitar sofrimentos desnecessários.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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