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Regina Navarro Lins

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Posição papai-mamãe é a mais comum, mas há motivos para provar outras

Regina Navarro Lins

23/05/2019 04h00

Ilustração: Caio Borges

A posição sexual mais comum no Ocidente é aquela em que o casal fica face a face, com o homem por cima da mulher e a penetração se dá pela vagina. É a famosa posição papai-mamãe. Quando a Oceania foi descoberta, a posição natural entre os habitantes era o homem por trás, com a mulher de joelhos, apoiada nas mãos.

Os missionários que lá chegaram impuseram a posição papai-mamãe, por considerá-la universal e correta. Assim, o povo nativo a denominou de posição do missionário. Em nossa cultura cheia de tabus e proibições, as pessoas mais livres, que buscam realmente o prazer, desenvolvem variações que fogem do comportamento convencional. Mesmo porque, se o sexo não tem nada de criativo, se torna repetitivo, rotineiro e mecânico.

Desde a Antiguidade, chineses, indianos, árabes desenvolveram técnicas sofisticadas para o amor, que compõem os manuais sobre sexo. Para os chineses, muitos conhecimentos acumulados pelos taoístas foram registrados nos Livros de Almofadas, em que o prazer do sexo é visto como uma arte a ser dominada por ambos os parceiros no interesse do prazer mútuo.

A crença árabe de que o sexo é uma dádiva a ser desfrutada pelo homem e pela mulher é relatada no guia sexual O Jardim Perfumado. Mas de todos os tratados antigos sobre a arte de amar, nenhum teve tanto impacto na sociedade ocidental quanto o indiano Kama Sutra. Nele existem conselhos de como se aproximar do parceiro, instruções sobre como beijar, as carícias preliminares, inúmeras posições e técnicas para o ato sexual.

Muita gente se pergunta por que o sexo precisa de ensinamentos se é algo da natureza. Na realidade, não é necessária a aprendizagem quando se trata do sexo para procriação. Mas para quem estiver visando obter e proporcionar prazer, o sexo é um longo processo de aprendizagem.

São muito amplas nossas possibilidades sexuais. Podemos experimentar a sexualidade desde a simplicidade reprodutora de um casal de puritanos até um sexo extremamente prazeroso, capaz de nos transformar. E as melhores posições vão sendo criadas a cada momento entre as pessoas envolvidas.

Para que o sexo não seja impessoal, estereotipado, é importante que seja um ato de criação contínua, que se experimentem sempre novas sensações. É importante que haja total liberdade entre os parceiros, para que um possa comunicar ao outro suas áreas mais sensíveis e encontrar a posição que proporciona mais prazer. Acredito que o sexo só é bom de verdade quando os movimentos acompanham as sensações e cada posição desencadeia uma nova emoção.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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