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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

E as mulheres continuam sendo assassinadas

Universa

2006-04-20T19:11:14

06/04/2019 11h14

Tamires Ramos foi morta com três tiros pelo ex namorado. Cristiane Ferreira estava segurando o filho de um ano no colo quando o ex companheiro a atingiu com um tiro de fuzil no olho. Só nos primeiros 92 dias de 2019, Mato Grosso do Sul registrou 12 assassinatos de mulheres. Casos de feminicídio não param de ser noticiados em todo o Brasil.
"Se não for minha, não será de ninguém." O homem agressor desconsidera a mulher como uma pessoa, e prefere vê-la morta do que com outro. É difícil entender porque uma pessoa se comporta como dona de outra.

Há inúmeros casos de mulheres assassinadas por terem desejado o término da relação. As mulheres estão sob um risco maior quando realmente abandonaram a relação, ou quando declararam que estão partindo de vez. O tempo de separação parece ser crucial.

Os primeiros dois meses depois da separação são especialmente perigosos — com 47% das mulheres vítimas de homicídio sendo mortas durante esse intervalo, e 91% dentro do primeiro ano depois da separação. Precauções devem ser tomadas por pelo menos um ano.

Os homens nem sempre emitem ameaças de matar as mulheres que os rejeitam, claro, mas tais ameaças devem sempre ser levadas a sério. Eles ameaçam as esposas com o objetivo de controlá-las e impedir sua partida. A fim de que tal ameaça tenha crédito, violência real tem que ser levada a cabo. Os homens às vezes usam ameaças e violência para conseguir controle e impedir o abandono.

O psicólogo americano Vincent Miller acredita que o indivíduo que usa violência contra seu parceiro íntimo, ou mesmo ameaça usá-la, golpeia em cheio a diversidade da outra pessoa, eliminando a liberdade de sua vontade pelo ataque direto ao seu corpo. Trata sua vítima como um prolongamento de si mesmo, alguém que só existe para a satisfação de suas necessidades.

A mulher foi sempre maltratada pela violência do homem. Muitos atacam o feminismo. Tenho dificuldade de entender como alguém pode não ser feminista. Para mim só existem duas hipóteses: a pessoa desconhece totalmente a história ou não se importa que uma das partes da humanidade continue sendo assassinada .

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.