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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

Massagem tântrica: adepta conta como é a prática terapêutica sexual

Universa

14/03/2019 10h19

ilustração: Caio Borges

Quando eu escrevia meu último livro, "Novas Formas de Amar", Pâmela, 37 anos, jornalista, conversou comigo sobre as várias vezes em que foi a um terapeuta tântrico para potencializar sua sexualidade. Eu desejava abordar esse tema no livro, e a conversa foi bastante esclarecedora. Abaixo, alguns trechos.

Regina Navarro Lins: O que você encontrou na massagem tântrica?
Pâmela: Cheguei ao local e era muito acolhedor, bem decorado, ao estilo indiano, parecia um local de yoga. O terapeuta me atendeu, me levou a uma sala e conversou por uns 20 minutos comigo, pra saber se eu estava procurando por alguma questão de anorgasmia (ausência de orgasmo) ou algum bloqueio sexual. Ou se eu estava indo pra potencializar os prazeres que meu próprio corpo podia proporcionar. E era isso que eu queria!

Regina Navarro Lins: O que aconteceu então?
Pâmela: Fui ao banheiro tomar banho e voltei para a sala, me deitei nua num tatame preparado pra que eu recebesse a massagem e fechei os olhos. É importante dizer que o terapeuta permanece vestido e usa luva pra aplicar a massagem íntima. Um mantra tocava enquanto ele começava a "sensitive massagem" e pedia pra eu respirar pela boca: tocava a ponta dos dedos em meu corpo todo (dos pés a cabeça) para estimular a bioeletricidade e despertar a sensibilidade.

Regina Navarro Lins: O que você sentiu?
Pâmela: Depois de quase 40 minutos dele estimulando o corpo todo, eu sentia espasmos nos braços, pernas, barriga, como se fossem pequenos orgasmos: era o corpo respondendo aos estímulos. Depois, ele passou lentamente pra região interna das coxas e foi drenando, estimulando os líquidos hormonais pra região íntima. Por fim, começou massagear meu clitóris, pequenos e grandes lábios e nos primeiros toques, já tive dois orgasmos.

Regina Navarro Lins: A massagem continuou depois dos dois orgasmos?
Pâmela: O prazer já era imenso quando de repente ele encostou um bullet vibratório no meu clitóris. Tive cinco orgasmos múltiplos e eu emitia um som forte e alto totalmente involuntário. Minhas pernas ficaram dormentes, lágrimas involuntárias saiam do meu rosto quente e sentia arrepios pelo corpo. Era um prazer que nunca tinha sentido.

Regina Navarro Lins: Você nunca havia sentido orgasmo tão intenso?
Pâmela: Os orgasmos que tive nas transas da minha vida não se comparavam ao que eu sentia naquele momento. Gargalhei durante os orgasmos, também involuntariamente. Ao final de tanto prazer, a música calma chamava pra meditação e por lá permaneci, sentindo uma paz. Em determinado momento veio um nó na garganta e chorei como se fosse um desabafo. Mas, um choro bom, sem motivos. Como se tivesse colocando algo pra fora.

Regina Navarro Lins: Quanto tempo durou essa sessão?
Pâmela: Acabou a sessão depois de quase 2 horas, tomei meu banho, ganhei um abraço carinhoso do meu terapeuta e fui embora com a certeza que voltaria mais vezes. Não senti receio algum porque o lugar e o terapeuta me inspiraram confiança e respeito. Não tive problema em ficar nua porque já tenho uma cabeça aberta a respeito. Inclusive, acho que todas as pessoas que se lançarem a essa gostosa aventura, devem ter cabeça aberta porque afinal, é seu corpo nu que se entrega na mão de um terapeuta.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.