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Regina Navarro Lins

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Carnaval: quando as pessoas dão trégua à censura que se impõem o ano todo

Regina Navarro Lins

02/03/2019 04h00

Foto: Getty Images

"Somos casados, mas sentimos falta do clima de paquera. Por isso, nesse Carnaval, decidimos ir juntos para os blocos, mas, chegando lá, vamos nos perder um do outro e ficar com outras pessoas", conta Marina Costa, 34, casada há três anos. Ela acredita que é possível abrir uma exceção para se divertir e quebrar a monotonia. "A gente entende que paquerar é bom, e não é porque sentimos atração por outras pessoas que vamos comprometer o nosso relacionamento. Estamos juntos porque gostamos um do outro, e sentimos confiança", afirma.

Para quem gosta muito de Carnaval, e está casado ou namorando, é difícil corresponder às expectativas que se tem de uma pessoa "comprometida". Nesse período as pessoas são mais ousadas, mesmo com desconhecidos; a excitação brilha no olhar. Casados e solteiros se sentem mais livres, desejam beijar, fazer sexo, mas com muita urgência; afinal, o tempo é limitado, acaba na quarta-feira.

Nunca saberemos quantos casais farão sexo pela primeira vez neste Carnaval, que agora se inicia. Mas podemos ter certeza que serão muitos. É a festa da sensualidade, embalada pela percussão e as vozes de estranhos se encontrando em letras sugestivas: "quanto riso, oh, tanta alegria…" Abraços e beijos suados erotizam a todos.

As raízes desse tipo de festa estão nas últimas décadas do século 18, ou seja, há mais de 200 anos, quando surgiu em Londres, como uma forma de diversão pública urbana, o baile de máscaras. A sua verdadeira atração estava no clima heterogêneo e carnavalesco. Atraía igualmente a todos os níveis sociais e permitia que as classes mais baixas e as mais altas se misturassem. Mas na Grécia, há 2500 anos, nos rituais para os deuses, também se cantava, dançava e se fazia sexo após uma bebedeira.

O Carnaval parece funcionar como um período em que homens e mulheres dão uma trégua à censura que se impõem durante o ano. Há mais coragem para experimentar o sexo casual, sem nenhum compromisso. Mas há algo que não pode ser esquecido: a camisinha.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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