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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

"Estava decidida a ficar um tempo sozinha, mas não resisti a uma cantada"

Regina Navarro Lins

10/12/2018 04h00

Ilustração: Caio Borges

"Tenho 43 anos e acabei de me separar. Eu não tinha percebido que um colega de trabalho estava interessado em mim e só o via como amigo. Numa noite, em que fomos a um restaurante comemorar o aniversário de nosso chefe, ele se sentou ao meu lado na mesa. Até aí nada demais. A conversa estava animada entre as dez pessoas, quando de repente senti um suave, discreto e constante carinho no meu cotovelo. Demorei um pouco a entender que ele estava se declarando, mas era uma sensação tão gostosa que deixei meu braço onde estava. Eu, que estava decidida a ficar um tempo sozinha, não resisti à essa cantada… Ficamos juntos naquela noite. Será que existe mesmo uma cantada irresistível?"

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Não acredito que exista uma cantada que ninguém resista. A mesma cantada pode ser irresistível para uma pessoa e completamente sem graça para outra.  Na realidade, pode até ter o efeito contrário: afastar qualquer possibilidade de conhecimento. Para se conquistar alguém é fundamental que o comportamento não seja o mesmo de sempre, estereotipado. Algumas mulheres gostam de cantadas, não tão diretas, mas também ousadas, que denotem confiança e decisão. Outras, entretanto, preferem aquela quase imperceptível, que vem do homem tímido.

Pessoas que se separam após longo período de casamento apresentam um comportamento curioso. O homem se sente desprotegido, perdido no mundo, como um passarinho que não consegue viver fora da gaiola. Quando sai com amigos para avaliar se está sendo desejado, é muito comum ficar confuso.

Numa mesa de bar com várias mulheres conversando, ele lança olhares, faz caras e bocas para todas. Assim não consegue conquistar nenhuma, claro. Ou então, basta uma mulher dar uma olhada de relance e pronto. Ele já entende isso como conquista consumada. Se aproxima cheio de si e se frustra. Depois de tanto tempo limitado por uma vida típica de casado, ele perdeu a sintonia fina para interpretar os sinais e perceber quando pode ir em frente.

As mulheres, de modo geral, acreditam que só serão valorizadas se tiverem um par amoroso. A busca vai se tornando  incessante e elas se fazem lindas, vão de bar em bar, de festa em festa, esperando que os homens as percebam e tomem a iniciativa. Estão sempre prontas a rejeitar qualquer contato físico mais íntimo, acreditando dessa forma parecerem mais desejáveis.

Penso que a cantada terá mais chance de êxito se houver espontaneidade e um interesse verdadeiro pela outra pessoa. Não existindo situações iguais, só as singularidades do outro sendo percebidas podem abrir um canal para a comunicação afetiva.

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.