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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

Por que mulheres não podem assistir a um jogo de futebol?

Universa

16/06/2018 11h23

O Irã, desde a Revolução Iraniana, em 1979, proíbe que mulheres assistam a partidas de futebol ou qualquer outro esporte que tenham homens participando. A partida entre Irã e Marrocos pela Copa do Mundo ficou marcada por um manifesto nas arquibancadas. Torcedoras iranianas estenderam cartazes pedindo a liberação de mulheres em estádios de futebol.

Para as mulheres muçulmanas não é nada fácil lutar por seus direitos. Em um jogo pela Liga Mundial de Vôlei, em Teerã, em 2014, muitas mulheres que tentaram assistir ao jogo foram presas. Mas elas são corajosas e não desistem. O movimento feminista atual no Oriente Médio, o feminismo islâmico, se apoia em uma releitura do Corão. As militantes denunciam a forma patriarcal que os textos sagrados são lidos e isso as faz lutar contra as violências sofridas pelas mulheres.

O patriarcado é uma organização social baseada no poder do pai, e a descendência e parentesco seguem a linha masculina. As mulheres são consideradas inferiores aos homens e, por conseguinte, subordinadas à sua dominação. Esse sistema se instalou há aproximadamente cinco mil anos por todo o mundo.

A mulher, não passando de simples objeto, servia ao homem apenas como instrumento de promoção social através do casamento, como objeto de cobiça e distração ou como um ventre do qual ele tomava posse e cuja função principal era a de fazer filhos legítimos.

No Ocidente, até algum tempo atrás, não era permitida às mulheres a participação em atividades esportivas. A alegação era a de que teriam natureza frágil e também haveria perigo de se "masculinizarem". Mas aqui, embora ainda há um longo caminho pela frente, observamos mais claramente o processo de declínio da mentalidade patriarcal.

Como mudar a opressão que tantas mulheres sofrem? Pela história há alguns exemplos interessantes. A Islândia, o país mais feminista do mundo, deve muito do seu avanço ao dia 24 de outubro de 1975, quando 90% das mulheres decidiram demonstrar sua importância entrando em greve. Bancos, fábricas e algumas lojas tiveram que fechar, assim como escolas e creches. Os pais não tiveram outro jeito a não ser levar seus filhos para o trabalho.

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.