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Regina Navarro Lins

"Deixa ela trabalhar" é nova chance para questionar mito da masculinidade

Universa

29/03/2018 10h50

Jornalistas esportivas se uniram para combater as situações de machismo no esporte. O movimento se intitula "Deixa ela trabalhar". Além das dificuldades enfrentadas no ambiente de trabalho, elas têm que suportar torcedores agressivos e frequentes assédios. O grupo de jornalistas postou um vídeo nas redes sociais, e o Maracanã exibiu a mensagem no telão antes do jogo do último domingo. As mulheres se calaram por muito tempo. Mas agora chega! Elas não vão mais suportar abusos, humilhações, desrespeito.

Desde que o sistema patriarcal se instalou, há mais ou menos 5 mil anos, a humanidade foi dividida em duas partes: homens e mulheres. O homem, então, definiu-se como um ser privilegiado, superior, possuindo alguma coisa a mais, que as mulheres ignoram. Ele acredita ser mais forte, mais inteligente, mais corajoso, mais decidido, mais responsável, mais criativo, mais racional.

Durante muito tempo a visão que se teve da mulher, e na qual ela também acreditou, era assim: frágil, desamparada, necessitando desesperadamente encontrar um homem que lhe desse amor e proteção e, mais do que tudo, um significado à sua vida.

Toda a superioridade atribuída ao homem serviu para justificar durante milênios a dominação da mulher. Há quase 50 anos as mulheres passaram a questionar e exigir o fim da distinção dos papéis masculinos e femininos, ocupando os espaços sempre reservados aos homens.

A certeza do homem superior à mulher foi abalada. Diante dessa nova mulher desconhecida, muitos homens passaram a questionar a identidade masculina, desejosos de se libertar dos papéis tradicionais que a eles sempre foram atribuídos. Nos Estados Unidos existem mais de duzentos grupos que se reúnem para discutir o masculino e sua desconstrução.

Acredito que o jeito é homens e mulheres se unirem e, examinando o mito da masculinidade, pensar em sua própria saída do patriarcado, repudiando essa masculinidade como natural e desejável. Nem todos aceitam o roteiro do macho e cada vez mais homens, em todo o mundo, tomam consciência da desvantagem desse papel e empreendem a desconstrução e a reconstrução da masculinidade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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