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Regina Navarro Lins

Por que “Garganta Profunda” mudou como vemos os filmes pornôs?

Regina Navarro Lins

19/10/2017 04h00

Ilustração: Caio Borges

Dos filmes pornográficos distribuídos para o grande público, o primeiro e um dos únicos com sucesso foi foi Deep Throat (Garganta Profunda- EUA, 1972). Ele narra a dificuldade da protagonista em atingir o orgasmo até o momento em que descobre que seu clitóris está de fato localizado no fundo de sua garganta, e que só o sexo oral no homem poderá  proporcionar-lhe verdadeiro prazer.

Deep Throat mostra sete felações (sexo oral no homem), quatro cunilínguas (sexo oral na mulher) e uma orgia coreografada, em que os homens ejaculam em câmara lenta.  A atriz Linda Lovelace se tornou celebridade instantaneamente.  Mas o filme teve de se defender diante da corte de Nova York.

A atriz norte-americana Linda Lovelace
Crédito: Associated Press

A psicóloga Marilyn Fithian, testemunha de defesa, afirmou que Deep Throat  era um filme educativo e de reabilitação social, e o doutor John Money, professor da universidade John Hopkins, concluiu que haveria menos divórcios se as pessoas assistissem a filmes como este. Deep Throat, para ele, anulou a crença vitoriana segundo a qual o que se passa da cintura para cima é amor e o que se passa da cintura para baixo é abominável.

Após analisar mil páginas de testemunhos, o  juiz Joel Tyler considerou que o filme era "uma festa imunda e sórdida", e acrescentou: "É uma garganta que merece ser cortada". O julgamento deu publicidade extra ao filme. O Rochdale College, em Toronto, promoveu exibições ilegais gratuitas para quem fosse nu. Pouco depois, a apelação diante da Corte Suprema suspendeu a sentença que condenara o filme.

O sucesso de Garganta Profunda não teve força para tornar legítima a distribuição comercial de filmes do gênero, mas suscitou, na época, uma ampla discussão sobre censura e sexo. "Deep Throat  foi a contribuição da cultura pop para mudar a maneira de encarar o sexo nos Estados-Unidos", disse Michael Perkins, autor de um livro baseado no filme. Foram vendidos em duas semanas um milhão de exemplares.

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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