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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

“Depois que experimentou, minha mulher só quer sexo anal”

Universa

02/10/2017 04h00

Ilustração: Caio Borges

"Tenho 35 anos e minha esposa 33. Somos casados há sete anos. Eu sempre tive desejo de praticar sexo anal com minha esposa, e ela nunca quis. Tinha medo de não gostar e, principalmente, de sentir dor. Com  o passar do tempo consegui convencê-la. Isso depois de muita informação sobre o assunto e de algumas tentativas. Num dia especial, acabou acontecendo e, para a nossa surpresa, tanto eu quando ela adoramos. Passado esse dia, ela nunca mais quis fazer sexo oral, não sei se por  nojo ou por neura , e dificilmente quer fazer sexo vaginal. Desde então só quer sexo anal. Não que eu não goste, adoro, mas depende do dia.  É gostoso variar, bom mesmo é fazer tudo. Só que ela diz que anal é muito mais prazeroso e só quer anal. O que fazer para convencê-la a praticar todas as formas de sexo?"

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O sexo anal já foi considerado pecado ou crime. Na França, antes da revolução, era passível de condenação à morte na guilhotina. Mas na Roma antiga, na noite de núpcias, o homem se abstinha de tirar a virgindade da noiva em consideração à sua timidez, entretanto, praticava sexo anal com ela.Na Inglaterra, no século 17, essa prática era considerada crime contra a natureza, com penas de morte e prisão perpétua.

Em 1990, 17 estados americanos ainda mantinham na ilegalidade o sexo anal consensual. Em 1988, na Geórgia, Estados Unidos, um homem foi condenado a cinco anos de prisão por ter confessado ter mantido relação sexual anal com a esposa com o consentimento desta. Naquele estado vigorava uma lei de 1832. Mas, apesar de todas as sanções legais, o sexo anal sempre foi praticado.

Masters e Johnson afirmaram, no meados do século 20, que 43% das mulheres casadas o haviam experimentado, embora a maioria tenha declarado não gostar dessa prática. Sem dúvida, são os homens os que mais a apreciam, embora algumas mulheres relatem alcançar assim intensos orgasmos. De qualquer maneira, qualquer prática sexual só se justifica se for prazerosa para ambos os parceiros e não por obrigação ou para agradar o outro.

Além disso, é importante lembrar que o uso de camisinha é fundamental; o sexo anal é a forma mais fácil de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis através da mucosa do ânus. E após a penetração anal, o pênis não deve ser introduzido na vagina sem antes se proceder à limpeza adequada. Isso visa impedir que as bactérias próprias do reto e do intestino sejam conduzidas para o interior da vagina, causando infecções.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.