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Desencanto amoroso

Regina Navarro Lins

25/04/2017 07h00

Ilustração: Lumi Mae


 

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana acredita que há mágoa e ressentimento em muitas relações amorosas. Um bom exemplo é o caso de Joana.

Ela se considera uma pessoa sozinha e infeliz. Apesar de não lhe faltar nada material, o casamento é fonte de sua mágoa constante. Vivendo há 22 anos com Luís, diretor de uma grande empresa, Joana só houve a voz do marido num tom de censura ou crítica. Vivem como dois estranhos, que mal se falam.

"Casamos apaixonados. Sonhei com uma vida em que seríamos companheiros, inseparáveis. Para dizer a verdade, eu acreditava que seria sempre a pessoa mais importante da vida dele e que envelheceríamos juntos com muito amor e carinho um pelo outro. Por isso não me importei de viver em função de seus projetos e me anular profissionalmente. Mas daquela relação gostosa do início nada sobrou. Nunca pensei que ele chegaria a sentir esse total desinteresse por mim, inclusive sexual. Acho que meus sonhos me pregaram essa peça."

A fantasia do par amoroso, onde um é a única fonte de gratificação do outro, atenua por um tempo o temor do desamparo. Entretanto, na intimidade do casamento, enxerga-se a pessoa do jeito que ela é, percebendo assim aspectos que lhe desagradam.

Não é possível continuar mantendo a idealização; você se dá conta então de que o outro não é a personificação de suas fantasias. Mas para que essa situação seja mantida, são feitas inúmeras concessões.

Há um acúmulo de frustrações que torna a relação sufocante. A consequência natural é o desencanto, muitas vezes com ressentimento, mágoa e a sensação de que foi enganado.

Não são poucas as mulheres, que falam da decepção e do contraste entre o que sonharam e o cotidiano da vida real.

De Branca de Neve, Cinderela e A Bela Adormecida não sabemos do dia a dia com o príncipe, mas quem sabe o desencanto, depois de algum tempo de convivência íntima, seja bem semelhante ao de Joana? Por outro lado, nada é dito sobre possíveis decepções vividas pelo príncipe.

O que sabemos é que, por medo e insegurança, muitos homens e mulheres se fecham na relação com o outro mesmo à custa do empobrecimento da própria vida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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