Regina Navarro Lins

“Volta, vem viver outra vez ao meu lado"

Regina Navarro Lins

08/04/2017 07h00

Ilustração: Lumi Mae

Comentando o “Se eu fosse você”

A questão da semana é o caso é o caso da internauta que o namorado assediou duas amigas dela. Ela diz que apesar do sofrimento deu a volta por cima. Depois de tudo, começaram a sair novamente. O sexo melhorou muito e não conseguem se desligar. Ela pergunta o que deve fazer: deixá-lo livre para fazer o que quiser e tê-lo de vez em quando ou tentar reconquistá-lo.

“Meu mundo caiu e me fez ficar assim.”; “Você está vendo só do jeito que eu fiquei e que tudo ficou.”; “Risque meu nome do seu caderno, pois não suporto o inferno do nosso amor fracassado.”; “Triste é viver na solidão, na dor cruel de uma paixão.”; “Me agarrei nos teus cabelos, nos teus pêlos, teu pijama, nos teus pés, aos pés da cama (…) reclamei baixinho.”; “Tire seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor.”; “Volta, vem viver outra vez ao meu lado, não consigo dormir sem teu braço pois meu corpo está acostumado.”

“Me craquelei em mil pedaços”, diz a internatua. A dor da separação sempre foi dramaticamente cantada. Prestando atenção às letras, não é difícil concluir que a separação fere e que o amor romântico ainda tão valorizado, traz mais sofrimento que alegria.

Desde cedo somos levados a acreditar que a vida só tem graça se encontrarmos um grande amor. Se acontece, a expectativa é a de que vamos nos sentir completos para sempre, nada mais nos faltando.

Isso é impossível, evidente, mas as pessoas se esforçam para acreditar e só desistem depois de fazer inúmeras concessões inúteis. Deixar de ser amado ou desejado afeta a autoestima, e as inseguranças reaparecem. A pessoa se sente desvalorizada, duvidando de possuir qualidades.

O desespero que se observa em algumas pessoas durante e após a separação se deve também ao fato de cada experiência de perda reeditar vivências de perdas anteriores.

Assim, não se chora somente a separação daquele momento, mas também todas as situações de desamparo vividas algum dia e que ficaram inconscientes. Em alguns casos, o objeto do amor na verdade nada significa, mas sua falta pode ser sentida de forma dramática.

Da mesma forma que a criança pequena se desespera com a ausência da mãe, o adulto quando perde o objeto do amor — seja porque foi abandonado ou porque o abandonou — é invadido por uma sensação de falta e de solidão.

Numa relação amorosa estável, algumas pessoas tornam-se inquietas e põem-se a buscar a novidade. Não conseguem suportar o tédio da estabilidade. Consideram o casamento um obstáculo à liberdade. Apreciam a descoberta, a aventura, a falta de rotina, o convívio com pessoas diferentes e principalmente não se sentem obrigadas a fazer alguma coisa só para agradar ao outro.

É tão difícil romper uma relação amorosa, onde existem, além da dependência, amor e carinho entre o casal, que as pessoas depois de separadas — mesmo sabendo que não há nenhuma chance — se propõem a fazer novas tentativas de vida em comum. Isso pode não durar muito e quando ocorre novamente a separação, o outro volta a sofrer.

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda” e “O Livro do Amor”. Atende em consultório particular há 42 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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