Regina Navarro Lins

O maior desafio vivido pelos casais

Regina Navarro Lins

21/03/2017 07h00

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana tem vontade de propor ao parceiro uma relação aberta. Isso não me surpreendeu.

Atendo no consultório há 44 anos em terapia individual e de casal. De aproximadamente cinco anos para cá passei a receber pacientes com uma questão nova: uma das partes do casal propõe a abertura da relação e a outra se desespera com essa possibilidade. Selecionei um relato que me foi feito no consultório, e que exemplifica bem o conflito que muitos vivem nesse período de transição entre antigos e novos valores.

Joana, médica, e Felipe, engenheiro, ambos têm 40 anos, são casados há oito anos e têm dois filhos. A questão que os trouxe ao meu consultório para terapia de casal é o desejo constante de Felipe frequentar casas de swing, onde os dois possam ter contatos sexuais com outros casais. Joana diz:

“A primeira vez, fui a contragosto, aceitando apenas porque amo muito meu marido e ele insistiu até que eu cedesse. Comprou blusas do tipo tomara-que-caia para que os homens possam ver meus seios rapidamente. Eu bebo uns drinks e fico mais animada. Nunca fui penetrada por nenhum outro homem, além de meu marido, mas fiquei exposta várias vezes, quando os homens baixam minha blusa. Enquanto o homem desconhecido beija meus seios, a mulher dele faz sexo oral no meu marido. Confesso que sempre saio da casa de swing com certa culpa e em dúvida se meu marido realmente me ama. Um dia voltei para a casa especialmente incomodada, chamei Felipe e dei um basta. Eu não me casara pra isso. Senti que ficou muito triste com minha reação. Combinamos uma redução das visitas ao swing para uma vez por mês. Mas, ele fica sempre ansioso, enquanto não chega o dia de irmos.”

A maioria das pessoas tem apenas um relacionamento íntimo, tido como monogâmico. Trata-se de uma relação fechada em que não se admite a presença de mais ninguém. Mas há os que têm relações não monogâmicas. Nesse caso, cada um pode compartilhar a intimidade com outras pessoas, sem que o outro se sinta magoado ou enganado.

Leonie Linssen é orientadora de casais, com especialidade em tipos alternativos de relacionamentos. Ela se apresenta na Holanda em programas de entrevistas no rádio e na TV.

Stephan Wik é taoísta praticante e codiretor do The Wuji Centre, na Bélgica, e tem vasta experiência no que diz respeito a relacionamentos íntimos. Ambos mantêm, há anos, relacionamentos abertos. Juntos escreveram o livro “Amor sem barreiras”, do qual selecionei os trechos abaixo.

A base de um relacionamento aberto é a honestidade e a transparência entre todos os envolvidos. O que exatamente a intimidade com outras pessoas implica depende dos nossos desejos e anseios.

Alguns querem apenas flertar, outros podem querer proximidade, amizades íntimas com outros homens ou mulheres. Alguns desejam ter encontros em que possam flertar, beijar ou talvez ir além. Outros estão à procura de casais com quem passar uma noite erótica juntos em casa ou no clube de swing.

Abrir um relacionamento não é algo que normalmente seja feito por capricho. Não é uma decisão que tomamos no sábado à noite e na sexta-feira seguinte estamos prontos para executá-la. Muitos casais falam sobre isso, mas não se arriscam a partir para prática com medo do impacto sobre a própria relação.

Outros casais discutem a ideia durante anos antes de decidir ampliar seus limites de relacionamento. Mesmo assim, pode ser necessário que se passem meses ou até anos antes que os parceiros envolvidos encontrem a melhor maneira de manter seu relacionamento aberto.

É um processo que pode trazer paixão renovada, diversão e momentos emocionantes a uma relação, mas também oferecerá desafios que realmente a coloquem em teste.

Em outras palavras, abrir um relacionamento pode demandar tempo e energia e requer cuidados para assegurar que decepções sejam evitadas ou adequadamente tratadas, concluem os autores.

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda” e “O Livro do Amor”. Atende em consultório particular há 42 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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