Regina Navarro Lins

O sexo impessoal do machão

Regina Navarro Lins

14/03/2017 07h00

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana acredita que o “machão” pode ser ótimo parceiro sexual. Tenho minhas dúvidas.

Há algum tempo já se discutem em todo o mundo os prejuízos da busca dessa masculinidade.

Apesar de a maioria dos homens ainda perseguir o ideal masculino da nossa cultura — força, sucesso, poder, ousadia —, eles estão começando a se sentir exaustos.

A partir de um estudo que durou nove anos, o americano Anthony Astrachan publicou o livro Como os homens se sentem, onde explica como essa busca leva à perda da autonomia.

Sobre a recusa das mulheres em continuar subordinadas, ele concluiu que apenas 10% dos homens aceitam as mulheres como iguais, enquanto os demais expressam seus sentimentos de raiva, medo e inveja por meio de uma hostilidade evidente ou dissimulada.

Na realidade, homens e mulheres foram inibidos na sua capacidade para o prazer sexual.

As mulheres tiveram sua sexualidade reprimida e distorcida, a ponto de até hoje muitas serem incapazes de se expressar sexualmente, muito menos atingir o orgasmo.

Os homens, por sua vez, também tiveram a sexualidade bloqueada. A preocupação em não perder a ereção é tanta que muitos fazem um sexo apressado, com o único objetivo de ejacular.

Poucos homens conseguem experimentar a intimidade emocional com a mulher, em vez de somente a sexual.

Demonstrar ternura, se entregar relaxado à troca de prazer com a parceira é difícil. Perder o controle ou falhar é uma ameaça constante.

A sexualidade típica do machão é impessoal e limitada. Cumprir o papel de macho é o principal objetivo. Trocar afeto e prazer com a parceira é secundário.

Importante mesmo é o pênis ficar ereto, bem rígido e ejacular bastante. A mulher, para tal homem, só é interessante como meio de lhe proporcionar esse prazer que, na realidade, não tem nada a ver com prazer sexual.

É inegável que a masculinidade está em crise. Todo o esforço exigido deles para ser considerados “homens de verdade” provoca angústia, medo do fracasso e dificuldades afetivas.

Mas como resolver o impasse entre a proibição social de expressar sentimentos considerados femininos e a crítica cada vez mais acirrada ao homem machista?

Talvez o jeito seja se unir às mulheres e repudiar essa masculinidade como natural e desejável.

Nem todos aceitam o roteiro do macho e cada vez mais homens, em todo o mundo, tomam consciência da desvantagem desse papel e empreendem a desconstrução e a reconstrução da masculinidade.

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda” e “O Livro do Amor”. Atende em consultório particular há 42 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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