Regina Navarro Lins

É possível viver bem sem sexo?

Regina Navarro Lins

28/01/2017 07h15

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando o “Se eu fosse você”

A questão da semana é o caso da internauta que já teve namorados, mas com nenhum deles sentiu vontade de ter relações sexuais. Ela quer saber se deveria se tratar para se sentir uma mulher saudável sexualmente

O desejo sexual dos seres humanos é natural ou cultural? Para o filósofo francês Michel Foucault “a sexualidade não passa de uma elaboração histórica. O que ela significa e exprime não ultrapassa suas especificas manifestações sociais e históricas, assim como não é possível explicar suas formas e variações sem que se examine e explique o contexto em que se formaram.”

A era vitoriana (século 19) ficou marcada pela intensa repressão ao prazer sexual, principalmente das mulheres, que não podiam gostar de sexo. A mulher ideal era assexuada, um símbolo de virtude. Criaram-se teorias para sustentar que o único prazer da mulher seria satisfazer o marido e criar os filhos.

Apesar da revolução sexual dos anos 60 e da mudança das mentalidades, muitas mulheres ainda negam a importância do sexo em suas vidas. Embora o desejo pelo prazer sexual esteja em todos nós, a cultura imposta desde a infância pode gerar esse tipo de comportamento.

Para os padres dos primórdios da Igreja o sexo era abominável. Argumentavam que a mulher (como um todo) e o homem (da cintura para baixo) eram criações do demônio. Diziam que se no Jardim do Éden existiu sexo, certamente foi frio e espaçado, sem erotismo e nenhum êxtase. Seu objetivo seria apenas o de cumprir as exigências do processo reprodutivo.

Os homens sabem que a mulher pode e deseja ter prazer. Talvez não saibam tanto sobre o assunto quanto o psicanalista José Ângelo Gaiarsa, que me afirmou pessoalmente: “A mulher é o ser mais sexual do mundo, porque não tem cio. Uma mulher disposta, que tenha amigos, pode ter três, quatro, relações por dia durante 40, 50anos. Se o homem aprender a não ejacular, ele pode acompanhá-la, mas se ele entra na do fanático de chegar ao fim, ele para no meio, pode-se dizer assim. É fundamental manter uma respiração tranquila durante a troca de carícias. Assim é possível frear todas as emoções precipitadas. E aí vão sendo apreciados os pedacinhos do caminho, sem pressa. Muitos homens tentam compensar a falta de qualidade com dados objetivos: tamanho do pênis, quantas ejaculações tiveram, etc.”

Mas a internauta, que não sente desejo por homens nem por mulheres, não está só. Cerca de 1% da população mundial simplesmente não sente atração sexual — seja por homens ou mulheres — afirma Anthony Bogaert, autor do livro “Entendendo a assexualidade”.

A presidente da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, Maria Luiza de Araújo, declarou à Folha de São Paulo que falta de apetite sexual só deve ser tratada se virar um incômodo: “Temos que tomar cuidado com a tendência de medicar tudo. Se a pessoa se sentir bem assim, pode levar uma vida perfeitamente normal sem pôr a sexualidade como ponto principal.”

Mas aí estamos diante de uma questão séria, porque a maioria das escolhas não é livre. O condicionamento cultural é tão forte, que muitos chegam à idade adulta sem saber o que realmente desejam e o que aprenderam a desejar. Assim, perceber os incômodos talvez não seja fácil.

Entretanto, não são somente os assexuais que não fazem sexo. Em muitos casamentos a escassez de sexo progride até a ausência total.

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda” e “O Livro do Amor”. Atende em consultório particular há 42 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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