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Regina Navarro Lins

A incompreensível repressão sexual

Regina Navarro Lins

06/09/2016 09h52

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana acredita que nada deve ser proibido no sexo. É evidente que não estamos falando de práticas sexuais criminosas, que devem ser proibidas, condenadas e punidas.

Podemos citar a pedofilia, o estupro, a necrofilia, o sexo com animais, entre muitos outros crimes. Mas o que está em discussão aqui é a proibição ao prazer entre as pessoas, prazer consensual, que não ataca nem fere ninguém.

Certa vez um amigo me disse: "Só queria entender por que existe tanta repressão sexual…". O sexo é alvo da maior perseguição na área dos costumes e fonte de grandes sofrimentos.

No entanto, todos se reprimem e estão sempre prontos a criticar o outro por sua conduta sexual. É incrível o que cada um padece por conta das próprias fantasias, desejos, culpas, medos e frustrações sexuais.

O sexo é ainda tão reprimido, tão cheio de tabus e preconceitos, que poucos têm clareza do que realmente desejam. Desde cedo, as crianças aprendem a associar sexo a algo sujo, perigoso – todas as ofensas e xingamentos estão ligados ao sexo.

E dentro das famílias essa ideia ainda ganha um reforço. Por conta de tantos preconceitos, se vive como se não existisse sexo, e ninguém fala com tranquilidade sobre o assunto.

O maior perigo da repressão sexual é quando, de tão bem-sucedida, não se percebe sua existência. Através da educação, os valores e as proibições sociais são assimilados de tal maneira que, depois de internalizados, se expressam sob a forma de culpa e vergonha.

A linha de comportamento adotada pela pessoa passa a ser aceita como decorrente da sua livre escolha. E a ideia de que há no sexo algo de pecaminoso é absurda, causando sofrimentos que se iniciam na infância e continuam pela vida afora.

O psicanalista W.Reich tinha razão quando denunciou a miséria sexual das pessoas. Ele lutou a vida inteira, apesar dos ataques que sofreu, para convencer a todos de que a sexualidade, quando expressa de modo adequado, é a nossa principal fonte de felicidade. Mas controlar a sexualidade das pessoas significa controlar as pessoas, e é exatamente isso o que é feito.

Não é de admirar, então, que tanta gente renuncie à sexualidade ou que a atividade sexual que se exerce na nossa cultura seja de tão baixa qualidade. Na maioria das vezes o desempenho é bastante ansioso, podendo levar a um bloqueio emocional e a vários tipos de disfunção, como impotência, ejaculação precoce, ausência de desejo e de orgasmo, sem falar nos casos mais graves de enfermidades psíquicas. É preciso descomplicar o sexo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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