Regina Navarro Lins

Por que há mulheres que se sentem atraídas pelos machões

Regina Navarro Lins

23/08/2016 07h00

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana acredita que há mulheres que se sentem atraídas pelos machões. Mas isso não é sem motivo. A ideia que se tinha da mulher no século 19, e que afeta muitas até hoje, nos ajuda a compreender por que isso acontece.

“Deus! Ela é como um cordeiro branco como leite que bale pela proteção do homem.”, exclamou o poeta inglês Keats. O escritor francês Michelet lamentava a dor, languidez e fraqueza suportadas por essa “pobre criatura” por causa da menstruação. Ele dizia: “Nessa cicatrização de um ferimento interno, 15 ou 20 dias de 28 (podemos dizer quase sempre), a mulher é não somente uma inválida, como alguém ferido.”

O filósofo francês Auguste Comte viu a feminilidade como uma espécie de infância prolongada e Balzac achou que as mulheres eram incapazes de raciocinar ou de absorver conhecimento útil dos livros.

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer via a mulher como mais avançada na escala filogenética. Ela pertencia definitivamente à ordem Homo sapiens – em alguns pontos entre uma criança e homem adulto. Em relação às suas características específicas, mostrou-se menos generoso ainda:

“A única questão que realmente chama sua atenção é o amor, fazer conquistas e tudo que seja ligado a isso – vestidos, danças e assim por diante. O defeito fundamental do caráter feminino é que ele não tem sentimento de justiça…. a mulher que seja completamente verdadeira e não inclinada à dissimulação talvez seja uma impossibilidade. Somente o homem, cujo intelecto é nublado por impulsos sexuais, poderia dar o nome de belo sexo àquela raça de estatura deficiente, ombros estreitos, quadris largos e pernas curtas… As simpatias que existem entre elas e os homens são apenas superficiais, não tocam a mente, os sentimentos ou o caráter.”

Napoleão declarou de maneira direta que “um marido deveria ter império absoluto sobre os atos de sua esposa.” E instituiu leis a tal respeito. Thomas Jefferson declarou que o direito de voto não deveria ser concedido nunca à mulher, “visto que os seios ternos das damas não eram formados para a convulsão política.”

Juntamente com a modéstia, a virtude, a doçura, e outras qualidades que a mulher devia possuir, presumia-se que ela tinha de ser fraca, temerosa, ansiosa por ser amparada e dominada por um tipo robusto de homem. Muitas corresponderam, e ainda correspondem a essa expectativa.

A mulher foi então desenvolvendo características de dependência absoluta do homem. Tanto que até hoje encontramos mulheres que se sentem desvalorizadas se não têm um homem ao lado – namorado ou marido.

Apesar de o movimento feminista da década de 1960 ter feito com que grande parte das mulheres se rebelassem contra o eterno papel de donas de casa e mães, e as exigências práticas da vida não mais permitirem que elas se escondam sob a proteção do pai ou marido, para muitas a liberdade na forma de pensar e agir assusta .

Apesar de ganharem seu próprio dinheiro e não ter que prestarem contas dos seus gastos a ninguém, fica claro que ter independência financeira não significa se livrar de todos os valores que foram impostos à mulher, como a necessidade de proteção e submissão ao homem.

Para a maioria das mulheres, ser mulher significa ajustar sua imagem de acordo com as necessidades e exigências masculinas. É preciso mudar isso!

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda” e “O Livro do Amor”. Atende em consultório particular há 42 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Blog da Regina
Topo