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Regina Navarro Lins

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Convivendo com a bissexualidade

Regina Navarro Lins

26/01/2016 07h00

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana aceitaria se relacionar com alguém que já se relacionou com o mesmo sexo. Isso não é raro de acontecer.

Estudos mostram que a grande maioria já sentiu de alguma forma desejo por ambos os sexos. É enorme o número de homens casados que sentem desejo pela parceira, mas também necessidade de manter relações sexuais com outros homens.

Um bom exemplo é o caso de Alex, que foi ao meu consultório tentando entender o que estava acontecendo com ele:

"Sou casado há 12 anos e tenho três filhos. Nunca havia sentido desejo por outro homem, mas isso aconteceu agora com um colega de trabalho. Almoçamos sempre juntos, e ele já declarou que também sente desejo por mim. Tenho um ótimo sexo com minha mulher e a amo muito. Já passei noites acordado pensando nisso. A questão é que, apesar dos riscos que corro, caso ela descubra, não estou disposto a abrir mão do que estou sentindo. Tenho tido sonhos em que me vejo transando com homens. O que me impressiona é que esse desejo aumenta cada dia mais."

Muitos desprezam os bissexuais acusando-os de serem gays enrustidos, de não terem coragem de se assumir, de estarem em cima do muro. Mas ao contrário disso, pesquisadores da Northwestern University, Illinois, EUA, encontraram evidências científicas de que alguns homens que se identificam como bissexuais são, de fato, sexualmente atraídos por homens e mulheres.

Fernando Seffner, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desenvolveu a única pesquisa sistemática no Brasil a respeito da bissexualidade masculina. Ele conta como os entrevistados veem a própria bissexualidade:

"Alguns dizem que ser bissexual é a melhor coisa do mundo, pois têm o dobro das chances do heterossexual. Outros dizem que fazer sexo com um homem aumenta o tesão na hora de fazer sexo com a esposas. Por outro lado, há homens que se queixam muito, gostariam de se definir, esperam que isso seja apenas uma fase de suas vidas, acham que complica a possibilidade de casar e ter filhos. Uma coisa quase todos têm em comum: o medo de serem descobertos em seu desejo. Não sabem como vão se explicar frente aos outros homens, seus parentes ou colegas de trabalho, companheira e filhos. Acreditam que todos vão pensar que eles são homossexuais enrustidos."

Lisa Diamond, professora da Universidade de Utah, EUA, que estuda orientação sexual, diz que "estudos de população indicam que a bissexualidade é de fato mais comum do que a atração exclusiva por pessoas do mesmo sexo".

A jornalista e escritora Ann Friedman escreveu um post no blog da New York Magazine prevendo que a bissexualidade masculina se tornará mais visível à medida que os papeis de gênero evoluem. "As definições tradicionais de masculinidade – que tendem a andar de mãos dadas com a homofobia – estão passando por um verdadeiro terremoto. Mais homens héteros estão admitindo hesitantes que se excitam com certos atos sexuais associados aos gays.", disse ela.

Penso que as pessoas que descobrem que o parceiro é bissexual, antes de tudo, devem avaliar a própria relação afetiva e sexual do casal, sem se deixar contaminar por moralismos e preconceitos. E mais um detalhe fundamental: jamais fazer sexo sem camisinha.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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