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O comportamento amoroso e sexual está em evolução

Regina Navarro Lins

19/01/2016 07h00

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A grande maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana já se relacionou com mais de uma pessoa ao mesmo tempo.

Assim como as ciências, com o passar dos anos, desvenda segredos da natureza, nós humanos percebemos dia a dia a construção social que está por trás de nosso mais nobre sentimento: o amor.

Vai ficando claro com a passagem dos séculos que nosso comportamento amoroso e sexual evolui após as vanguardas apontarem tendências e arriscarem novos caminhos.

Há cem anos os casais mantinham relações sexuais com luz apagada e sob lençóis. Hoje práticas, que só eram usuais nos bordéis, fazem parte da intimidade das famílias mais respeitadas. Há 50 anos era impensável uma moça deixar de ser virgem antes do casamento. Agora, isso não é nem discutido; muitos namorados dormem juntos à vista dos próprios pais.

O placar da enquete da semana, em que votaram mais de sete mil internautas, mostra claramente essa nova realidade. Apesar de todos os ensinamentos que recebemos desde que nascemos – família, escola, amigos, religião – que nos estimulam a investir nossa energia sexual em uma única pessoa, a prática é bem diferente.

Pesquisa nos EUA e na Europa concluiu que o mundo está dividido em três partes. Um terço anseia por liberdade, criatividade. O outro terço é cuidadoso, quer a rotina, a segurança, e não se preocupar. O último terço é composto por aqueles que estão incertos entre os dois.

Se a pessoa se preocupa com a estabilidade na relação, vai ser controladora, se tornando apreensiva, por exemplo, com cada amigo ou amiga que seu parceiro tenha. Isso impede que desenvolva a liberdade. Talvez não seja incompatível ter estabilidade com liberdade, desde que haja autoestima elevada e sinceridade nos afetos.

Quem fica bem sozinho, sem medo, consegue se livrar da ideia de que vai encontrar na relação amorosa a satisfação de todas as suas necessidades e, portanto, não quer mais abrir mão da própria individualidade.

Há quem encontre ótimas soluções para a vida a dois. Todas, claro, baseadas na liberdade. O psicoterapeuta paulista José Ângelo Gaiarsa, por exemplo, afirmava que para isso é preciso respeitar bastante a vontade íntima ou aprender a ouvir bem o coração, para saber se de fato eu desejo estar com a pessoa ou se é hábito; se quero vê-la naquele momento; se quero estar em outro lugar, com outras pessoas, ou se prefiro ficar comigo. Quantas brigas, agressões sutis e até caras amarradas poderiam ser evitadas!

Acredito que daqui a algum tempo menos gente vai desejar se fechar numa relação a dois e a maioria vai optar por relações múltiplas. Atentos aos sinais percebemos que amar e ser amado por mais de uma pessoa ao mesmo tempo, o chamado Poliamor, ganha espaço.

Pela definição dos poliamoristas, "essa prática amorosa defende relações que recusam a monogamia como princípio ou necessidade. O Poliamor como opção ou modo de vida defende a possibilidade prática e sustentável de se estar envolvido de modo responsável em relações íntimas, profundas e eventualmente duradouras com várias (os) parceiras(os) simultaneamente."

Sem dúvida, o amor é uma construção social. Se analisarmos os vários períodos da nossa História, constatamos que ele foi se transformando. É impossível, então não fazer a pergunta: será que daqui a algumas décadas o Poliamor vai mesmo predominar?

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

Blog Regina Navarro