Regina Navarro Lins

Ninfomania: o mito do desejo insaciável

Regina Navarro Lins

21/06/2014 07h00

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando o “Se eu fosse você”

A questão da semana é o caso do internauta que está em dúvida se termina o noivado, porque descobriu que sua noiva transou com vários homens. Além disso, seu médico o alertou que ela pode ser uma ninfomaníaca.

Mas o que é uma mulher ninfomaníaca? A repressão sexual, ao longo da História, alimentou uma fantasia resistente e de aparência confiável, se é possível dizer isso de um mito: a ninfomania. Desde então, muitas mulheres sofreram em função desse mito.

No século 19, uma onda de fervor moral varreu o Ocidente. As mulheres foram conclamadas a proporcionar um modelo de pureza para ambos os sexos. Ao mesmo tempo, o novo ideal feminino – a mulher casta, o anjo da casa – fazia com que elas ficassem num pedestal. Sua missão era domar as paixões dos homens e manter a castidade do lar, mas isso sem participar do mundo.

Os médicos avaliaram que elas tinham um sistema nervoso muito delicado, “doença mensal” e cérebro menor, além de órgãos reprodutivos também menores; tudo isso fazia com que fosse insalubre para elas votar, trabalhar fora de casa, escrever livros, ir para a universidade, ou participar de debate público.

Eles afirmavam que era da natureza da mulher não se interessar por sexo. Tais “verdades” faziam supor que, se as mulheres não tinham desejo, qualquer uma que tivesse algum era doente: uma ninfomaníaca. Para essas, recomendavam choque elétrico, sedativos, tranquilizantes e até internações. Retiravam os ovários de algumas delas para controlar sua sexualidade, e em alguns casos, removiam o clitóris. Outras foram colocadas em instituições para doentes mentais com o diagnóstico de ninfomaníacas.

Diversas teorias médicas tentavam explicar as causas da ninfomania: nervos esgotados, inflamação no cérebro, lesões na coluna, cabeça deformada, além de genitália irritada e clitóris ampliado. Achavam também que a ninfomania se relacionava com o desejo sexual não controlado pela vontade, e sucumbia à tentação.

Os preconceitos históricos quanto à sexualidade feminina, aliados à ignorância sempre causaram vítimas. O pesquisador da sexualidade, Alfred Kinsey, dizia que, ninfomaníaca é alguém que gosta sexo, mais do que você. Para muitos, até hoje, qualquer mulher que gosta de sexo, e não se reprime, é considerada uma mulher insaciável, uma ninfomaníaca.

Concordo com a escritora americana Carol Groneman, que escreveu o livro “Ninfomania”, quando diz: “As mulheres precisam entender as várias formas como a ninfomania e outros conceitos têm sido usados para rotular e controlar a sexualidade feminina. São conceitos perigosos, que precisam ser desafiados e alterados.”

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda” e “O Livro do Amor”. Atende em consultório particular há 42 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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