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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

Variações da vida extraconjugal

Regina Navarro Lins

10/09/2013 07h00

Marido e mulher pulando a cerca

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que responderam à enquete da semana acredita que os homens têm mais relações extraconjugais que as mulheres. No Ocidente, durante séculos foi esse o padrão. Mas há lugares em que a vida conjugal é bem diferente.

Há uma sociedade na Nova Guiné em que a mulher tem seis maridos ao mesmo tempo, mas é coisa rara. Entretanto, a poligamia — sistema em que é permitido ao homem ter mais de uma esposa de cada vez — existe em 84% das sociedades humanas.

Um imperador do Marrocos foi até agora o homem que teve o maior harém. O livro Guiness dos recordes, de alguns anos atrás, relata que ele teve 888 filhos com suas muitas esposas. Pode até ser que ele tenha sido superado. Alguns imperadores chineses tiveram relações sexuais com mais de mil mulheres. Elas participavam de um rodízio cuidadoso, que as colocava no quarto do imperador quando estavam no período fértil.

Entre nós, acontece algo curioso. Quase todos acham bastante natural as pessoas se casarem uma só vez e passarem a vida inteira tendo relações sexuais exclusivamente com o cônjuge. Apesar dessas variações de comportamento, as relações extraconjugais estão presentes em todas as culturas.

Na nossa, sempre houve um padrão duplo de moral. A infidelidade, apesar de condenada pela Igreja, foi aceita socialmente para o homem. Alegava-se que a natureza masculina era assim mesmo, e as mulheres se conformavam. Como o homem não engravida, fazer sexo com várias mulheres em nada afeta sua linhagem. Para a mulher sempre foi mais difícil. Cada vez que fazia sexo, corria o risco de ter um filho que não fosse do marido.

Após a revolução sexual iniciada na década de 1960, surgiram novas tendências no Ocidente. Homens e mulheres começaram a ter relações extraconjugais mais cedo do que nas décadas anteriores, e o padrão duplo "homem pode", "mulher não pode", foi corroído. As mulheres passaram a considerar seus direitos iguais aos dos homens e o sexo extraconjugal passou a fazer parte de suas vidas. A pílula anticoncepcional foi decisiva; permitiu que elas só engravidassem se quisessem e de quem quisessem.

Na realidade, tanto os homens quanto as mulheres têm relações extraconjugais com a mesma satisfação. Estudos mostram que até aquela culpa que acompanhou as mulheres durante um longo período está sendo deixada de lado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.