Regina Navarro

Uma nova visão do amor
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana acredita que é possível modificar a forma de pensar e viver o amor. Mas não é tão simples.

Há quase 40 anos, assisti à peça No natal a gente vem te buscar, de Naum Alves de Souza, que ilustra de forma dramática a submissão aos valores sociais. Tentarei reproduzir a parte da história que registrei e o diálogo que nunca me saiu da memória.

Duas irmãs e um irmão. Uma delas não saía, ficava em casa com os pais, totalmente submetida aos conceitos de certo/errado, bom/mau, que tinha absorvido. Sua vida se resumia a ser a guardiã da moral e dos bons costumes. Recriminava a tudo e a todos por suas atitudes e comportamentos.

Os irmãos, por sua vez, buscavam viver suas vidas. O tempo passa, os pais morrem e ela torna-se cada vez mais amarga. Num determinado momento, os irmãos são chamados para acudi-la, pois está enlouquecendo de tanto sofrimento. Ao vê-la naquele estado deplorável, o irmão, perplexo, comenta com a irmã: “Eu não entendo. Ela ouviu de nossos pais as mesmas coisas que nós ouvimos.” A irmã, então, lhe diz: “É… só que ela acreditou.”

Acho que a questão é essa mesma. Acreditar ou não. Sem dúvida, não é tarefa fácil. Quando nascemos, somos colocados num mundo com padrões de comportamentos fixos e determinados. Através da educação e do convívio, vamos absorvendo os valores da nossa cultura. E isso é feito de tal forma que na vida adulta torna-se difícil saber o que realmente desejamos e o que aprendemos a desejar.

A insatisfação é geral, mas modificar a maneira de viver e de pensar gera ansiedade. O novo, o desconhecido assusta. Entretanto, repetir o que é aprendido como verdade absoluta gera sofrimento. Para onde pesa essa balança agora?

A relação entre homens e mulheres está sendo subvertida, assim como a visão do amor, do casamento e do sexo. O mundo mudou muito mais da década de 60 para cá do que do período paleolítico até então. Entretanto, o processo de transformação das mentalidades não atinge todas as pessoas ao mesmo tempo.

O enfraquecimento da ideologia patriarcal traz nova reflexão sobre o relacionamento entre homens e mulheres, o amor, o casamento e a sexualidade. Pressentimos a destruição de valores estabelecidos como inquestionáveis e nossas convicções íntimas mais arraigadas são abaladas. Os modelos do passado não nos dão mais respostas e nos deparamos com uma realidade ameaçadora, por não encontrarmos modelos em que nos apoiar, em tempo algum, em nenhum lugar.

Entretanto, essa pode ser a grande saída para o ser humano. Não tendo mais que se adaptar a modelos impostos de fora, as singularidades de cada um encontram novo campo de expressão. No momento em que se rompe com a moral que, durante tanto tempo e através de seus códigos, julgou e subjugou o prazer das pessoas, abre-se um espaço onde novas formas de viver, assim como novas sensações, podem ser experimentadas.


Marido dominador
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso da internauta que está muito triste com uma situação que vem ocorrendo no seu relacionamento. Tudo que acontece de errado, seu companheiro atribui a culpa a ela. Desde um puxador de porta que se quebra, até o aumento na conta de luz, tudo é culpa minha. Ela diz estar deprimida e angustiada, a ponto de sempre que acontece algo de errado se desesperar com medo das críticas dele.

O modelo de casamento adotado na nossa cultura pode ser definido como a vida em comum de um casal constituído por um homem forte, determinado, líder, pai e provedor e uma mulher fiel, maternal e dependente econômica dele.

Há alguma dificuldade para se concluir quem será o oprimido na relação? Esse modelo se formou num momento histórico em que o homem se aventurava na caça para trazer comida para a casa enquanto a mulher cuidava dos filhos, da horta e das galinhas.

Tudo mudou. As relações estão diante de novas realidades, mas ainda impera em muitos a ideia de que o homem manda e isso faz com que se sinta no direito de ter posturas machistas.

Ainda existem os que acreditam que o homem pode “perder a cabeça” e agredir fisicamente a mulher. Apenas para que ela não se esqueça quem é que manda. Na realidade, são dois estranhos que vivem juntos.

Às mulheres sempre foram negadas quase todas as experiências do mundo. Consideradas incompetentes e desinteressantes, ficaram relegadas ao espaço privado ou impedidas de crescer profissionalmente.

Elas não existiam por si próprias. Eram definidas pelo seu relacionamento com o homem. As designações tradicionais para uma mulher demonstram isso — senhorita (que não tem homem) ou senhora (que tem um homem ou já teve, mas ele partiu ou morreu) — e no significado da expressão “casar-se bem”.

O psicoterapeuta italiano Willy Pasini diz que a intimidade é muito mais fácil para a mulher do que para o homem. Historicamente, nas culturas patriarcais, os homens cuidam da guerra, da política, de ideias, e para as mulheres restou o mundo “menos importante”, o dos sentimentos.

As pessoas, na nossa cultura, costumam idealizar o par amoroso e imaginar que a partir do casamento se sentirão completas. Na busca de estabilidade e segurança afetiva qualquer preço é pago. Assim, o desejo de conviver com intimidade se confunde com a necessidade de manter a estabilidade, levando a se suportar o insuportável.

Tentando justificar sacrifícios ou frustrações pessoais, cria-se um mundo fantástico onde defesas como a negação e a racionalização são acionadas para que se continue a viver uma relação idealizada, distante do que ocorre na vida real.

Mas as coisas estão mudando. Surgida nos anos 60, a pílula anticoncepcional desferiu o golpe fatal nessa mentalidade de dominação. A consequência está sendo a gradual destruição de valores tidos como inquestionáveis no que diz respeito ao amor, ao casamento e à sexualidade, trazendo a perspectiva do fim da guerra entre os sexos e o surgimento de uma sociedade onde possa haver parceria e respeito entre homens e mulheres.


“Ele me culpa por tudo. Por isso, se acontece algo errado me desespero”
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Regina Navarro Lins

“Estou muito triste com uma situação que vem ocorrendo em meu relacionamento. Tudo que acontece de errado em nossas vidas, meu companheiro atribui a culpa a mim. Desde um puxador de porta que se quebra, até o aumento na conta de luz, tudo é culpa minha. Estou sofrendo com isso, estou muito triste, o amo muito, mas tais atitudes têm me deixado muito deprimida, angustiada, ansiosa, a ponto de sempre que acontece algo de errado me desespero com medo das críticas dele. Peço que ele não faça isso, mas sempre que surge um novo problema em nossas vidas, ele reitera tal prática. O que devo fazer?''

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Quando o desejo sexual chega ao fim
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana afirma que o tesão pelo parceiro diminui com o tempo.

Selecionei duas mensagens que recebi e ilustram bem o que ocorre na vida sexual de muitos casais.

“Estou casada há 24 anos. Quando me casei pensava ter encontrado o príncipe encantado. No começo sentia muito tesão pelo meu marido. Era, por assim dizer, louca por ele. Continuamos vivendo e transando, mas eu sinto que o encantamento acabou. Nós temos gostos e opiniões diferentes. Só fico com ele, porque resido na Europa, e na verdade não tenho para onde ir. Uma coisa é certa; não teria condições de me sustentar sozinha. Já tivemos muitas brigas. Minha vontade seria sumir daqui, mas não sei nem como. E assim o tempo vai passando, e eu vou ficando.”

“Estou casada há sete meses e moro na casa da minha sogra, até que termine a nossa casa. Tenho 25 e ele 29 anos. Meu problema é o seguinte: Meu marido sempre entra em sala de chat com o tema de sexo e também em sites pornográficos, apesar de não admitir. Sofro muito com isso, porque de um tempo pra cá sinto que ele está se afastando de mim, não me procurando mais para ter relações. Nos seus dias de folga do trabalho, ele fica quase um tempo enorme na frente do computador, fazendo sei lá o que, e depois não me quer mais, entende? Às vezes, sinto-me uma inútil. Fico me perguntando: será que ele gosta de mim realmente?; por que está comigo?; existe algo de errado com a gente, será que não o satisfaço sexualmente? Fico muito confusa, nervosa e não consigo esconder o que estou sentido, fico emburrada, mas não abro o jogo com ele, pois sei que vai falar que não faz isso tudo que citei. Acho que não mereço isso. Há cerca de dois dias, descobri um e-mail dele, que só tem mensagens de anúncios de troca de casais, sexo a três e fotos que ele recebe pela internet. Fiquei muito chateada e não sei o que fazer da minha vida.”

Para muitos não existe nada mais repetitivo e sem graça do que se relacionar sexualmente com a mesma pessoa por tempo prolongado. Mesmo que se gostem, a rotina, a excessiva intimidade e a falta de mistério acabam com o tesão.

Desejo sexual está ligado à magia, encantamento, descoberta nossa e do outro. Numa relação estável prolongada isso é difícil. Busca-se muito mais segurança que prazer.

Para se sentirem seguras, as pessoas exigem fidelidade sexual, o que é limitador e também responsável pela falta de tesão. A certeza de posse e exclusividade leva ao desinteresse, por eliminar a sedução e a conquista. Esta é uma verdade que ninguém gosta de ouvir: no convívio amoroso dentro do modelo de casamento vivido na nossa cultura, salvo raras exceções, só existe tesão mesmo no início e por algum tempo.

Casamento e desejo sexual raramente caminham juntos. Todos sabem disso, mas da mesma forma que fazem com outros aspectos da vida a dois, fingem não saber.

Há algum tempo, o diretor da unidade de doenças cardiovasculares da Organização Mundial de Saúde, sem se dar conta, reforçou essa ideia. Ele recomendou exercícios moderados e saudável atividade sexual a doentes do coração.

Mas acrescentou que o sexo deveria ser praticado em casa, por ser menos excitante. E existe uma conhecida afirmação popular que diz que, se um homem transa com uma única mulher durante 30 anos, é um tarado sexual.

Mas o que fazer quando o tesão acaba? Essa é uma questão séria, principalmente para os que acreditam ser importante manter o casamento. É fundamental todos saberem que na grande maioria dos casos não se trata de problema pessoal ou daquela relação específica, e sim fato inerente a qualquer relação prolongada.

Essa informação pode evitar acusações mútuas, em que se busca um culpado pelo fim do tesão. O preço é a decepção de ver se dissipar o ideal do par amoroso. No entanto, a partir daí fica mais fácil cada um decidir o que fazer da vida.

As soluções são variadas, mas até as pessoas decidirem se separar, há muito sofrimento. Alguns fazem sexo sem vontade, só para manter a relação. Outros optam por continuar juntos, vivendo como irmãos, como se sexo não existisse. E ainda existem aqueles que passam anos se torturando por não aceitar se separar nem viver sem sexo.

Na realidade, o que se oculta em qualquer uma dessas possibilidades é a dependência e o medo de ficar desamparado. É importante que se comece a desenvolver a capacidade de ficar bem sozinho, sem necessitar do outro. Talvez ninguém tenha percebido ainda que isso é uma das coisas mais importantes de se ensinar às crianças no processo de socialização.


Dificuldades sexuais
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso do internauta, 56 anos, que ficou viúvo e se casou novamente. Há quatro anos sua mulher teve ressecamento vaginal e não quer fazer sexo porque alega sentir dores. Ele não pode nem tocá-la. Ela já tentou diversos tipos de tratamento, mas nada adiantou. O internauta diz não ter coragem de buscar sexo com outra mulher e então se masturba. Ele afirma que o casamento virou um inferno.

Não são poucas as pessoas que sofrem com a vida sexual que levam. As disfunções sexuais podem se localizar nas fases do desejo, da excitação ou do orgasmo.

FASE DO DESEJO

I- Inibição do desejo sexual: Em alguns casos a falta do desejo faz com que a mulher não tenha interesse por sexo. Mas ela pode ter relações sexuais e ter orgasmo. Entretanto, é importante não confundir uma disfunção do desejo com o caso de mulheres, que não desejam mais fazer sexo com seus maridos.

FASE DA EXCITAÇÃO

I- Disfunção sexual geral: A mulher sente pouco ou nenhum prazer com a estimulação sexual. Pode até ter orgasmo, mas o contato físico lhe é desagradável. Antes denominava-se frigidez. Muitas dessas mulheres consideram angustiante a experiência sexual, embora varie a importância dessa aversão.

II- Vaginismo e dispareunia: Os órgãos genitais da mulher com vaginismo são normais, mas a contração involuntária da musculatura da entrada da vagina e dos músculos do ânus impedem totalmente a introdução do pênis. Se ao tentar a penetração a mulher sentir fortes dores, trata-se de dispareunia.
III- Disfunção erétil (impotência): A impotência é a incapacidade do homem para realizar a relação sexual de modo satisfatório, apresentando dificuldades em obter ou manter a ereção rígida do pênis.

FASE DO ORGASMO

I- Anorgasmia: é a mais frequente das disfunções sexuais femininas. As estatísticas americanas apontam que há apenas 25% de mulheres orgásticas e 75% de mulheres que apresentam algum tipo de dificuldade em alcançar o orgasmo.

II- Ejaculação precoce: essa é a mais comum das disfunções sexuais masculinas, nela, o homem é incapaz de exercer controle sobre seu reflexo ejaculatório. Quando excitado, atinge o orgasmo rapidamente.

III- Ejaculação retardada: é uma inibição específica do reflexo ejaculatório. Um homem com essa disfunção responde aos estímulos sexuais com sensações eróticas e uma ereção firme. Contudo, é incapaz de ejacular.

***

Conversei com Mônica Lopes, fisioterapeuta pélvica, sobre a dor na relação sexual.

— COMO VOCÊ DIAGNOSTICA O CASO RELATADO PELO INTERNAUTA?

A fisioterapia pélvica é uma área que previne e trata as alterações dos músculos do assoalho pélvico, conhecido como períneo. Esses músculos possuem as funções de suporte dos órgãos pélvicos, controle urinário e fecal e também a função sexual.

No caso relatado, devido a menopausa, a mulher teve ressecamento e a atrofia vaginal, o que contribui para aumento do atrito e consequente dor.

Como defesa da dor, inicia-se uma contração involuntária dos músculos vaginais que passam a ficar muito tensos. Isso acaba gerando um ciclo, onde a tensão muscular leva à dor e a dor aumenta a tensão.

A mulher passa a ter medo de sentir dor na relação sexual e começa a vita-la. Seu desejo também pode ficar negativamente abalado. A dor na relação sexual é denominada dispareunia e pode ter várias causas.

— MUITAS MULHERES APRESENTAM ESSE PROBLEMA?

Sim, a dor na relação sexual (dispareunia), acomete cerca de 18% das mulheres brasileiras, em todas as idades. A notícia boa é que existe tratamento.

— POR QUE ISSO OCORRE?

A dispareunia pode ter causas físicas e psicológicas.
Dentre as causas físicas que podem gerar dor na relação sexual estão:

A própria atrofia vaginal citada neste caso, que deixa a vagina inelástica;

o vaginismo, que é a contração involuntária dos músculos da vagina, dificultando ou até impedindo a penetração do pênis na relação;

a vulvodínia, que é dor e ardência na vulva sem motivo aparente;

a endometriose que é uma condição na qual o endométrio, mucosa que reveste a parede interna do útero, cresce em outras regiões do corpo , causando dor;

as infecções urinárias; radioterapia pélvica; síndrome da bexiga dolorosa, vaginoses (candidíase, tricomoníase), a herpes genital, entre outras.

Já nas causas psicológicas podemos destacar: educação sexual repressora, pensamentos negativos em relação ao sexo, ter tido uma primeira relação sexual muito dolorosa, medo de engravidar, considerar sexo como algo pecaminoso e falta de conhecimento do próprio corpo. No caso em questão, a mulher teve o gatilho do ressecamento para gerar a dispareunia.

— PARECE QUE ELA JÁ TENTOU DIVERSOS TRATAMENTOS. O QUE VOCÊ INDICA NESSES CASOS?

A falha dos outros tratamentos pode ser multifatorial. Um importante aspecto a ser considerado é o tratamento pela fisioterapia pélvica, a fim de restabelecer o equilíbrio pélvico perineal. Sendo assim uma importante aliada aos demais tratamentos.

O tratamento para a dispareunia é interdisciplinar e conta com o ginecologista, o fisioterapeuta pélvico e também com o psicólogo. Assim melhores resultados serão alcançados.

***

Se você desejar mais informações sobre dificuldades sexuais, visite o canal de Mônica Lopes no youtube > www.youtube.com/monicalopesmuitoprazer


“Minha mulher diz sentir dores na penetração. Não posso nem tocá-la…”
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Regina Navarro Lins

“Sou viúvo e tenho 56 anos. Quando fiquei nesta situação decidi que não queria mais ninguém na minha vida. Há oito anos, conheci uma pessoa maravilhosa; esqueci minha promessa e me casei novamente. Ela era muito ativa sexualmente e isso me conquistou. Senti o fogo da juventude novamente. Ocorre que há quatro anos ela entrou na menopausa. Teve ressecamento e atrofia vaginal. Perdeu a libido e hoje não quer mais fazer amor porque sente muitas dores. Não posso nem tocá-la. Já tentamos de tudo. Tratamento com cremes, pomadas, medicação terapia e nada deu resultado. Fico triste com esta situação. Amo demais minha esposa e procuro sempre respeitá-la neste sentido. Quando a coisa fica complicada demais, vou pro banheiro e resolvo sozinho. Não tenho coragem de traí-la. Fico esperando ela me procurar. Porém ela não entende isso, diz que eu desisti dela. Não consigo ter prazer sabendo que ela esta sentindo dores. Ultimamente temos brigado muito por isso. Já pensei em deixá-la, mas como disse antes, amo muito minha esposa e quero ficar com ela, mas nosso casamento virou um inferno. O que faço?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


A cobrança de exclusividade sexual
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana já foi infiel.

A existência da chamada “fidelidade” entre duas pessoas que mantém uma relação amorosa é questão implícita e Indiscutível. O elemento básico dessa “fidelidade” é a exclusividade sexual. Cama, beijos, penetração… só com o parceiro fixo.

Essa regra não está escrita, nem sequer é cogitada no início de uma relação: é um fundamento e ponto. Mas a quase lei repousa sobre uma fragilidade: a simples presença de um terceiro, que interesse a uma das partes, põe tudo abaixo. E isso é muito comum.

O primeiro registro por escrito sobre a monogamia data de 900 a.C. no antigo Egito. Naquele tempo e lugar já existiam contratos e direitos adquiridos por via do casamento. E com certeza também existiam adultérios, que não foram registrados em pergaminhos.

Mas a mulher foi a principal “suspeita de sempre”. É ela que engravida, e se não for fiel, o homem corre o risco de deixar sua herança para o filho de um estranho. Isso começou há 5.000 anos…

Há uma versão revolucionária, com o viés da “luta de classes”, descrito por Engels, o parceiro de Marx. Segundo ele, a primeira luta de classes foi entre homem e mulher e o homem ganhou. Por essa ótica, a mulher não pode se relacionar com outro homem porque tem dono!

Num período da Idade Média, século 14, a posse do homem sobre a mulher foi levada ao limite. Ela deveria usar um “cinto de castidade”, quando o marido viajava para a guerra. Algo como um cofre onde a intimidade da esposa era guardada e o homem levava a chave.

O mundo contemporâneo amenizou esses detalhes mais sórdidos, mas a cobrança de exclusividade continua existindo. As razões são mais emocionais.
A convivência diária gera uma situação de dependência emocional, sendo comum se depositar no outro a garantia de não ficar só.

Como sexo e amor são normalmente vistos como inseparáveis, muitos preferem manter a fidelidade para não correr o risco de deixar o outro em desespero.
Porém, quando um dos parceiros abre mão de seus desejos por alguém, por consideração ou pela obrigação, o resultado é desastroso.

Estudo da psicóloga e pesquisadora de casais de Baltimore, Shirley Glass, identifica uma nova “crise de infidelidade” ameaçando o casal. Ela estaria ligada ao relacionamento profissional.

“A nova infidelidade ocorre entre pessoas que sem perceberem formam ligações profundas e apaixonadas, até que cruzam a linha entre a amizade platônica e o romance'', diz Glass.

As relações estão, cada vez mais, envoltas no complexo emaranhado da tecnologia digital. O universo cibernético da WEB e das redes sociais faz crescer a cada dia o fim de casamentos estáveis, segundo a psicóloga Kimberly Young, autorade “Tangled in the Web: UnderstandingCybersexFromFantasytoAddiction'' (Emaranhado na rede: compreendendo o cibersexo da fantasia ao vício).

Os apelos amorosos e sexuais, a que estamos expostos hoje, podem ser contidos? Acredito que não. A medida que pode ser tomada está dentro de cada um de nós. E se resume em nossa capacidade de viver bem juntos, mas também de sobreviver sozinhos, se for necessário.


Você já foi infiel? Por quê?
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Regina Navarro Lins

A PERGUNTA DA SEMANA entra no ar sempre às segundas-feiras. Na terça-feira, comento o tema e o resultado da pesquisa.

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