Regina Navarro

Felicidade sexual
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

Quase todas as pessoas que responderam à enquete da semana acreditam existir felicidade sexual.

Penso que o pré-requisito básico para haver uma relação sexual satisfatória é a ausência de repressão, vergonha ou medo. Na sociedade moralista em que vivemos, uma sexualidade plena e satisfatória é muito rara, só se observando em alguns poucos casos.

Fala-se muito de sexo e por isso se imagina que ele é livre, vivido como algo bom e natural. Mas não é verdade. Um bom exemplo é como desde cedo as crianças aprendem a xingar.

Toda ofensa ou manifestação de raiva é ligada a sexo. Não existindo nenhum palavrão sem conotação sexual, é impossível não associar sexo a alguma coisa ruim, vergonhosa.

Homens e mulheres fazem sexo em menor quantidade do que necessitam e com muito menos qualidade do que poderiam, se frustrando durante sua própria realização. Poucos partem para o sexo livremente, dispostos a obter e proporcionar prazer.

Um bom sexo implica não ter vergonha, não reprimir os desejos, perceber o outro e prolongar o ato sem pressa alguma de chegar ao orgasmo. Cada movimento produz sensações e emoções variadas, que vão se ligando aos movimentos do outro e produzindo novas sensações.

O ato sexual pode ser uma comunicação profunda entre duas pessoas, e para isso é importante que não se tenha nada planejado, sendo criação contínua em que nada se repete.

Agora, acredito que a felicidade sexual mesmo só é alcançada quando o outro nos possibilita experimentar sensações de prazer que nunca imaginamos existirem.


Perigo entre as pernas
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae


Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso do internauta que tem um ótima convivência com a namorada, mas a vida sexual entre eles não existe. Ele diz ficar excitado, mas na hora de penetrá-la, não consegue. Fica tenso de se imaginar entrando nela. Teme que ela não aguente isso por muito tempo.

O pintor francês, Gustave Courbet, um dos pais da arte realista, no século 19, é autor do quadro A Origem do Mundo, obra que até hoje espanta o público que visita o Museu D’Orsay, em Paris. É uma tela que retrata uma vagina em primeiro plano. Apenas detalhe de um corpo de mulher como milhões de outras, mas surpreende, provoca espanto e repulsa.

Há algum temor e assombro pelo pênis do homem, mas nada que se compare à vagina. Muitos mitos estão associados ao risco que correm os machos durante a penetração. O mais estranho deles é o da “vagina dentada”. Ameaça que pode devorar o poder do homem.

Em torno do órgão sexual feminino há vários mitos inexplicáveis. Os aborígines da Nova Zelândia acreditam que “a vulva destrói o homem”. Os nativos da região central da Austrália atribuem poder de fogo à vagina, o que tornaria mortal a penetração peniana. Chamam-na de “casa da morte e da desgraça” e “buraco destruidor”.

O psicólogo alemão Erich Neumann relata um desses mitos. Nele “um peixe habita a vagina da Mãe Terrível; o herói é o homem que vencer a Mãe Terrível, quebrar os dentes da sua vagina, e então a tornar numa mulher”.

A vagina é representada nos mitos como insaciável, devoradora, caverna sem fundo que leva o seu invasor ao mais terrível inferno. Há inclusive uma associação que é feita, na Índia, com as feras, por imaginar-se que a vagina é dentada, uma imensa boca de monstro.

O pênis do homem seria decepado por tal monstruosa garganta. Esse medo é ligado inicialmente ao sangue menstrual, assustador e doentio, já que é objeto de imensa quantidade de tabus, mas também o sangue da defloração, que muitos acreditam trazer azar.

Alguns autores asseguram que esses mitos são transcrições diretas do poder feminino e do medo masculino. O horror de ser castrado no momento do sexo atribui poder às mulheres.

A vagina dentada acentua o mistério da sexualidade feminina, especialmente da anatomia genital e seu poder. No mito as mulheres podem guardar seus desejos sexuais para os homens, assim como controlar a entrada do homem dentro dela, mais do que o inverso.

Na Idade Média, no século 12, textos indicavam que o desejo sexual da mulher era incontrolável e, portanto, o melhor caminho era manter distância delas. Aqueles que por alguma razão familiar ou profissional precisassem tê-las por perto, o mais aconselhável era que as guardassem trancadas, como recomendava Etienne de Fougère, bispo francês. A alegação do religioso era a de que mulheres soltas buscariam satisfação com qualquer homem.

Hoje, apesar de essas crenças sobre a vagina e a sexualidade feminina serem vistas como absurdas, inconscientemente parecem exercer enorme influência em alguns homens. O medo que sentem no momento de penetrar a parceira indica que está na hora de buscar ajuda terapêutica com algum profissional competente.


“Fico tenso de me imaginar penetrando minha namorada; a ansiedade é grande”
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Regina Navarro Lins

“Namoro uma garota há três meses. A nossa convivência é ótima, mas tenho um problema que pode me levar a perdê-la. A nossa vida sexual não existe. Fico excitado, mas na hora de penetrá-la, não consigo. Sou tomado por uma grande ansiedade, fico tenso de me imaginar entrando nela e acabo brochando. Sinto que ela não vai aguentar isso por muito tempo.”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Decepção no casamento
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A grande maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana acredita que muitos se decepcionam no casamento. A decepção que ocorre em muitos casamentos possui diversas causas. Mas a principal com certeza é a expectativa que se cria a respeito da vida a dois.

É comum homens e mulheres chegarem ao casamento acreditando no que lhes foi ensinado ao longo da existência: alcançarão uma complementação total com o outro, os dois se transformarão numa só, nada mais irá lhes faltar…

Para isso, fica implícito que cada um espera ter todas as suas necessidades pessoais satisfeitas pelo outro. O casal constrói uma tela de proteção contra o mundo e tenta reaver o paraíso simbiótico que tinha no útero da mãe. Ilusão que dura pouco, incapaz de se sustentar na realidade do cotidiano. As frustrações vão então se acumulando.

Isso sem falar na obrigação de só amar uma única pessoa durante anos e somente com ela fazer sexo. Quem não sabe que é comum várias pessoas terem características que nos agradam e nos atraem sexualmente? Mas os desejos espontâneos são gradualmente substituídos pelo que aprendemos a desejar. A partir daí todos se tornam parecidos. As singularidades desaparecem.

Assim, amor, tesão, gratidão e dependência se associam de forma a inviabilizar uma relação afetiva realmente satisfatória. A fusão com o outro torna-o tão indispensável para a nossa sobrevivência emocional, que o controle e o cerceamento da liberdade faz parte da vida de um casal.

Poucos questionam se o casamento, dentro do modelo que conhecemos, é mesmo a única forma de realização afetiva. A maioria se esforça para corresponder às esperanças depositadas nele. Mas é cada vez menor o tempo de duração de uma vida a dois satisfatória.

Acredito que um casamento pode ser ótimo, desde que no início da relação não se idealize o parceiro, atribuindo-lhe características que não possui. E para haver o prazer na companhia do outro, e não ter a sensação de estar sufocado na convivência do dia a dia, alguns ingredientes são fundamentais:

Respeito total ao outro, ao seu jeito de pensar e de ser e às suas escolhas; liberdade de ir e vir, ter amigos em separado e programas independentes. Tudo bem diferente da simbiose que se estabelece na maioria das relações.


As ciladas do amor idealizado
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso é o caso do internauta que está a fim de algo sério com a namorada. Mas há um problema. Ela é de uma família mais humilde e não tem nenhuma ambição para melhorar de vida; não estuda, nem trabalha. Passa o dia nas redes sociais, em aplicativos de mensagens ou na casa de alguma amiga. Ele sente que não estão na mesma fase e não têm os mesmos planos. Pede ajuda para decidir se deve tentar algo com ela ou desistir.

O amor tem sido visto, a partir de certo momento da História humana, como um dos elementos fundamentais de nossa trajetória pessoal. O problema é que precisamos de outra pessoa para essa realização e aí surge o “amor romântico”. Esse ideal amoroso começou no século 12, mas só passou a ser uma possibilidade no casamento a partir do século 19. Antes, os casamentos se davam por interesses econômicos.

Como fenômeno de massa começou a partir de 1940, quando todos passaram a desejar casar por amor. É um tipo de amor que só existe no Ocidente. Desde muito cedo somos levados a acreditar numa relação amorosa fixa, estável e duradoura como única forma de realização afetiva. Passamos então a vida esperando o momento de encontrar “a pessoa certa”, para, a partir daí, vivermos felizes para sempre.

A questão é que o amor romântico é construído em torno da idealização do amado em vez da realidade. A pessoa inventa o que quer e atribui ao outro características de personalidade que na verdade ele não possui.

Esse tipo de amor surgiu quase junto com a criação das mídias de massa, principalmente o cinema e a televisão. Tornou-se o principal tema de narrativas que o transformam no ideal amoroso supremo.

As narrativas em capítulo dos folhetins, que começaram nos jornais e se transformaram nas novelas de TV e séries encontram aí um elemento que a maioria das pessoas incorpora as suas vidas. E todos correm atrás do encontro supremo e olham para o outro como parte de seus destinos. Só que não é verdade.

Sonhos e esperanças, alimentados quando se conhece alguém que se julga “a pessoa certa”, desaparecem, dando lugar à desilusão, muito comum, depois de certo tempo de convivência.

Por que a vida a dois não corresponde às expectativas nela depositadas? A resposta mais provável reside no enorme descompasso entre a expectativa criada e a real possibilidade de satisfazê-la, quando não é mais possível manter a idealização e se percebe aspectos no outro que nos desagradam.

A excessiva idealização do amor faz com que muita gente acredite que o amor é a coisa mais importante da vida. Até há pouco esse recurso foi usado contra as mulheres para desencorajá-las na buscar de uma profissão e de um questionamento sobre os valores que a aprisionavam


“Ela não faz nada para melhorar de vida; passa os dias nas redes sociais”
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Regina Navarro Lins

“Tenho 29 anos, trabalho e busco crescer na vida. Estou solteiro há dois anos, tive um término difícil e nesse tempo saí com dezenas de mulheres, mas sem compromisso. Recentemente, conheci uma mulher mais jovem. Ela tem 20 anos, e nos damos super bem na cama. Ela é muito carinhosa comigo e acho que estou a fim de algo mais sério, coisa que ela também quer. Mas há um problema. Ela é de uma família mais humilde e não tem nenhuma ambição para melhorar de vida; não estuda, nem trabalha. Passa o dia nas redes sociais, em aplicativos de mensagens ou na casa de alguma amiga. Sinto que não estamos na mesma fase e não temos os mesmos planos. Devo tentar algo com ela ou essa relação não tem futuro?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


O que as mulheres dizem sobre os homens no sexo
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana acredita que as mulheres se queixam do homem no sexo.

Selecionei três mensagens que recebi de mulheres criticando o sexo com seus parceiros:

“Gostaria de saber por que meu marido nunca me satisfaz. Ele fala que o nosso relacionamento tem muita briga e que não consegue relaxar na hora da cama. Ele consegue ficar de 15 a 20 dias sem sexo. Eu só falto subir pelas paredes de tanta vontade de transar, mas ao mesmo tempo fico triste porque sei que a duração da transa é muito curta.”

“Tenho um namorado, de 36 anos, que não sabe como lidar com uma mulher. Ele já começa beijando todo excitado e parece que nem estou ali! Ele é muito ansioso, ejacula rápido e eu sobro na relação. Será possível encontrar um manual de como proceder com uma mulher, na conquista, na cama e depois disso também?”

“Sou casada há nove anos e tenho uma grande frustração: o sexo. Meu marido parece que não me percebe quando estamos na cama; só pensa em alcançar o seu prazer e pronto. Quando tento sugerir alguma coisa ele diz para eu ficar quietinha. Tudo é muito rápido e não dá tempo de eu sentir prazer.”

Quando se pergunta se algumas pessoas fazem sexo melhor do que outras, muita gente responde que não. Afirmam que uma boa relação sexual depende exclusivamente do amor entre os parceiros. Como isso não é verdade, imagino ser mais uma tentativa conservadora de negar que sexo e amor são coisas totalmente distintas.

Por mais que duas pessoas se amem, a relação sexual pode ser de baixa qualidade, com pouco prazer e nenhuma emoção. O sexo é o que temos de biológico mais ligado ao emocional, e muitos fatores influem no desempenho.

É grande a quantidade de homens que vão para o ato sexual ansiosos em cumprir uma missão: provar que são machos. A preocupação em não perder a ereção é tanta que fazem um sexo apressado, com o único objetivo de ejacular, e pronto.

A mulher, com toda a educação repressora que teve, ainda se sente inibida em sugerir a forma que lhe dá mais prazer. Acaba se adaptando ao estilo imposto pelo homem, principalmente por temer desagradá-lo. Fazer sexo mal é isso: não se entregar às sensações e fazer tudo sempre igual, sem levar em conta o momento, a pessoa com quem se está e o que se sente.

As pessoas que gostam de verdade de sexo e o sabem fazer bem não têm preconceito nem vergonha, consideram o sexo natural, fazendo parte da vida. A busca do prazer é livre e não está condicionada a qualquer tipo de afirmação pessoal. Então, o sexo é desfrutado desde o primeiro contato, e se cria o tempo todo junto com o parceiro, até muito depois do orgasmo.