Regina Navarro

“Meu marido quer abrir a relação; quer se relacionar comigo e com outra”
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Regina Navarro Lins

“Meu marido resolveu abrir a relação. Há pouco tempo ele começou a se relacionar com uma amiga e diz estar apaixonado por ela, mas diz que me ama muito e me deseja e quer ter um relacionamento amoroso com as duas. Somos casados há oito anos e é a primeira vez que experimentamos algo do tipo, que envolva sentimentos. Eu o amo muito também e pessoalmente acredito que podemos amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Também sinto simpatia pela amante dele, nós nos conhecemos e às vezes saímos os três juntos. Porém amigos e familiares não sabem de nada.
O problema é que me sinto em conflito, às vezes mesmo tendo a cabeça aberta e me sentindo amada sinto ciúmes de dividi-lo e me sinto deixada de lado quando ele sai com ela. Bate uma insegurança mesmo ele conversando muito comigo. Um relacionamento assim pode realmente funcionar a longo prazo?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Separação pode proporcionar sensação de renascimento
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A grande maioria das pessoas que responderam à enquete acreditam ser difícil se separar mesmo quando a relação é insatisfatória.

Até o amor entrar no casamento, por volta de 1940, praticamente não havia separações. Elas só começaram a ocorrer quando as expectativas a respeito da vida a dois mudaram. Antes, bastava o marido ser provedor e respeitador; a esposa, boa dona de casa, boa mãe e mulher respeitável.

Ninguém então se decepcionava e, portanto, não se pensava em separação. Quando a escolha do cônjuge passou a ser por amor, o casamento ganhou um novo significado: realização afetiva e prazer sexual. Se isso não ocorre, elas se separam.

O psicoterapeuta José Ângelo Gaiarsa, após 50 anos de experiência em consultório, arriscou algumas estatísticas sobre casamento: “Acho que existem 2% de bons casamentos. Uns 15 ou 20% dos casamentos diria que são aceitáveis, dá para ir levando, têm suas brigas, seus atritos, têm seus acertos, suas compensações. Na minha estimativa, 80% são de sofríveis para precários e péssimos. A vida em comum é muito ruim para a maioria das pessoas.”

Um estudo americano concluiu que a maioria dos casais conversa no máximo meia hora por semana. Acredita-se tanto que só é possível ser feliz tendo alguém do lado que muitos pagam qualquer preço por isso.

A ideia de felicidade através do amor no casamento influi na intensidade da dor na separação. Antes da Revolução Industrial as famílias eram extensas — pai, mãe, filhos, primos, tios, avós — e as exigências emocionais eram divididas por todos os membros que viviam juntos. A família nuclear (pai, mãe e filhos), reduz a troca afetiva a um número pequeno de pessoas, favorecendo a simbiose e sobrecarregando marido e mulher como depositários das projeções e exigências afetivas do outro.

Como vivemos numa época em que cada um busca desenvolver ao máximo suas possibilidades pessoais e sua individualidade, a dor da separação é, portanto, bem menor do que há 40 anos. “Nesse sentido, vê-se nas pessoas que se separam a partir da segunda metade do século 20, a consciência da necessidade de reconstruir sua identidade, de restabelecer novos propósitos de vida. Não cabe mais chorar tanto um casamento perdido porque ainda se tem a si mesmo como objeto a ser realizado e vivido.”, diz a terapeuta de casal Purificacion Barcia Gomes.

Mesmo assim, durante a separação geralmente surgem uma profunda insegurança e o medo do desconhecido, constituindo o núcleo daquele “sentir” de onde emergem as mil e uma razões para adiar, não decidir, não querer ver.

“Ambos temem que a separação seja um capricho do qual se arrependerão amargamente na solidão da vida futura. Eles têm a sensação não só de jogar fora anos de vida passados em comum, como também de destruir com um só golpe tantos projetos comuns acalentados com entusiasmo.” , diz o psicoterapeuta italiano Edoardo Giusti.

Mas temos que levar em conta também que em muitos casamentos, as pessoas não se separam porque dependem um do outro emocionalmente, precisam do parceiro para não se sentir sozinhos e para que ele seja o depositário de suas limitações, fracassos, frustrações e também para responsabilizá-lo pela vida tediosa e sem graça que levam.

Mas nem todos se desesperam quando o vínculo conjugal se rompe. Quando um dos parceiros comunica ao outro que quer se separar, aquele que de alguma forma não deseja isso pode sofrer num primeiro momento e pouco depois sentir que lucrou bastante com o fim do casamento. A aquisição de uma nova identidade — agora não mais vinculada ao ex-marido — pode proporcionar uma sensação de renascimento.


Ciúme é tirano e limitador para quem é alvo e para quem sente
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae


Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso da internauta que diz amar demais o marido, mas é ciumenta e controladora. Não consegue ser feliz nem fazê-lo feliz.

De qualquer forma – discreto ou exagerado – o ciúme é sempre tirano e limitador. Não só para quem ele é dirigido, mas também para quem o sente. Há os que o consideram universal, inato. Outros julgam que sua origem é cultural, mas é tão valorizado, há tanto tempo, que é visto como parte da natureza humana.

Ralph Hupka, da Universidade do Estado da Califórnia, afirma que o ciúme é uma construção social: “É improvável que os seres humanos venham ao mundo ‘pré-programados’, digamos assim, para serem emocionais com qualquer coisa que não sejam as exigências de sua sobrevivência imediata.”

Mas por que o ciúme é aceito como fazendo parte do amor? Por que se defende a sua presença numa relação amorosa, mesmo sabendo que o preço a pagar é tão alto? Encontramos ao menos parte da resposta na forma como o adulto aprendeu a viver o amor, que é em quase todos os aspectos, semelhante à forma da relação amorosa vivida com a mãe pela criança pequena.

Por se sentir constantemente ameaçada de perder esse amor — sem o qual perde o referencial na vida e também fica vulnerável à morte física — a criança se mostra controladora, possessiva e ciumenta, desejando a mãe só para si.

O historiador inglês Theodore Zeldin, considera o ciúme o corpo estranho que faz ameaça constante ao sexo como criador do amor. Para ele, foi o desejo de possuir — inevitável, talvez, enquanto a propriedade dominou todas as relações — que tornou os amantes tão inseguros, com medo da perda, e se recusando em aceitar que um amor tem de ser sentido outra vez todos os dias.

Durante muito tempo o casal foi formado por duas metades, representando uma unidade transcendente a cada uma das partes. Socialmente e psicologicamente um ficava incompleto sem o outro. O solteiro era visto como infeliz.

“A tendência atual não está mais ligada à noção transcendente do casal, mas antes à união de duas pessoas que se consideram menos como metades de uma bela unidade, do que como dois conjuntos autônomos. A aliança dificilmente admite o sacrifício da menor parte de si. É verdade que nossos objetivos mudaram e que não desejamos pagar qualquer preço para que o outro esteja presente ao nosso lado.”, analisa a filósofa francesa Elisabeth Badinter. A consciência da própria individualidade faz com que uma das partes do casal desenvolva o respeito pela individualidade do outro.

O grande conflito do ser humano hoje se situa entre o desejo de simbiose — de ficar fechado numa relação a dois — e o desejo de liberdade. Pesquisa nos EUA e na Europa concluiu que o mundo está dividido em três partes. Um terço das pessoas anseia por liberdade, criatividade. Outro terço é cuidadoso, quer a rotina, a segurança, e não se preocupar. O último terço é composto por aqueles que estão incertos entre os dois.

Se a pessoa se preocupa com a estabilidade na relação, vai ser controladora, se tornando apreensiva, por exemplo, com cada amigo ou amiga que seu parceiro tenha. Isso impede que desenvolva a liberdade. Talvez não seja incompatível ter estabilidade com liberdade, desde que haja autoestima elevada e sinceridade nos afetos.


“Tenho muito ciúme do meu marido, isso o torna infeliz.” O que você faria?
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Regina Navarro Lins

“Estou casada há quatro anos. Amo demais meu marido, como se ainda estivéssemos no primeiro mês de namoro. Tenho ciúmes excessivos e sou muito controladora. Embora eu tente, não consigo mudar. Resumindo: não consigo ser feliz e nem fazê-lo feliz. Já pensei em separar e tentar ser feliz sozinha. Enfrento conflitos pessoais como não poder engravidar e ele não ser pai. Socorro preciso de ajuda!”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Fantasiar sexo grupal ganha cada vez mais adeptos
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que responderam à enquete ainda pretende realizar alguma fantasia sexual.

A questão é que as fantasias são, geralmente, associadas à ideia de desvio sexual, gerando forte sensação de inadequação. Fantasiar o que não é aceito socialmente ameaça pelo temor de que acabe se tornando realidade. Para a grande maioria o dia a dia é regido por regras de comportamento e elas tendem a se enquadrar nos padrões aceitos.

Nas fantasias todas as convenções são reviradas, de forma a surpreender até mesmo no meio de um dia de trabalho. Numa empresa, por exemplo, um assessor de confiança pode, ao ser apresentado à mulher do seu chefe, imaginar a estar agarrando pelos cabelos e forçando-a a fazer sexo com ele em cima da mesa. E um heterossexual convicto pode fantasiar estar transando com o entregador de bebidas, bonito e musculoso, que bateu à sua porta.

A maioria das fantasias não é colocada em prática, como as de dominar e ser dominado. Entretanto, com a cada vez maior liberação sexual as que mais ganham adeptos são as fantasias de sexo coletivo.

Sexo grupal

A prática do sexo em grupo, conhecida como orgia ou bacanal é uma das variáveis mais curiosas da sexualidade humana.

Os gregos foram berço de nossa civilização e se não inventaram a orgia foram seus praticantes mais organizados. Para entendê-los é necessário perceber sua ligação com as divindades. Ao contrário de nossas religiões monoteístas, ultraconservadoras e repressoras, os gregos acreditavam que seus deuses tinham características humanas. O sexo para as divindades era uma coisa tão boa quanto para o homem comum.

O governo subsidiava as chamadas dionisíacas, que constava de um grande banquete aberto a todos. Os participantes se vestiam como ninfas, sátiros, bacantes, etc.. e atravessavam a noite realizando jogos eróticos animados pelo vinho que corria livremente. Tais festas rapidamente se transformavam em orgias públicas. O objetivo oficial destes encontros era liberar a tensão sexual do cotidiano e eles seriam impensáveis pela moralidade de nossos dias.

Aristófanes descreve as Tesmofórias, um festival que ocorria em toda a Grécia: “Todas as mulheres que desejassem poderiam participar deles, desde que se abstivessem de relações sexuais nos nove dias precedentes. A esperteza dos sacerdotes exigia isso como ato de piedade; a verdadeira razão é que, estimuladas pela longa abstinência participavam das orgias com menos comedimento. Para fortalecer a castidade durante o período de abstinência era hábito comerem bastante alho a fim de manter os homens distantes com o cheiro desagradável da boca.

Hoje, frequentemente ignorada, ocultada e reprimida, o sexo grupal é mais comum do que se imagina. Os bordéis são até hoje locais de orgia em todo o mundo, mas elas podem ser encontradas em motéis e casas particulares.

Sexo a três

Em pesquisa informal que fiz no site que tive durante vários anos, aproximadamente 1500 usuários responderam à pergunta: “Você gostaria de fazer sexo a três?” Quase 80% disseram sim. A palavra que mais aparece nas respostas é “excitante”. O argumento favorável mais comum é o de que a visão do parceiro (a) com outro é muito… excitante.

Muitos defendem a total falta de compromisso entre as partes e somente o desejo sexual conduzindo as ações. Outros, ao contrário, só veem validade em tal experiência se houver paixão, envolvimento, enlace profundo.

Os que assumem a bissexualidade são percentual expressivo. Esses argumentam que o sexo a três é o relacionamento perfeito. Há um forte contingente daqueles que gostariam, mas acham que os parceiros jamais admitiriam. E há também os que só o praticam fora de casa, lamentando recorrer ao adultério.

Swing – Troca de casais

A troca de casais chegou à classe média do Ocidente em fins da década de 70, nos EUA, embalada pela revolução sexual recente, mas sua prática é antiga em outras civilizações.

Os esquimós costumavam deixar suas mulheres emprestadas ao vizinho, quando saíam para caçar. O objetivo era a preservação da mulher, que podia não resistir às baixas temperaturas, sem apoio de alguém. A China também tinha o costume, até a Revolução Cultural, de os maridos, quando se ausentavam, alugarem as esposas. Os filhos que nascessem no período pertenceriam àquele que alugara a mulher. No Tibet, na África e no Havaí há registro sobre o costume em questão. ***

Colocar em prática uma fantasia — no caso das citadas acima -, causa algum temor. Afinal, ninguém sabe o que vai acontecer depois. Muitos casais optam por esse tipo de experiência, mas é importante que avaliem bem a fantasia que se apresenta no momento e procurem se certificar de que ela está exclusivamente a serviço do prazer de ambos.


Impotência pode ser curada se homem parar de tentar provar que é macho
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae


Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso é o caso da internauta que não tem uma vida sexual muito ativa, porque é comum o namorado não ter ereção. Ela já tentou tudo, mas nada funciona. Terminar a relação está fora de cogitação, porque ele é um ótimo parceiro e se dão muito bem.

Não é à toa que a maior preocupação do homem no sexo seja a falta de ereção, mesmo que eventual. Numa pesquisa recente da Sociedade Brasileira de Urologia 64% dos homens declaram que o que mais os incomoda na relação com a parceira é o temor de falhar na hora H. A cultura ocidental, além de esperar que o homem seja forte, corajoso e tenha sucesso em tudo, associou a ideia de masculinidade à potência sexual.

Os homens bem que se esforçam, perseguem esse ideal masculino, mas, não podendo alcançá-lo, se sentem oprimidos e desenvolvem o pavor de falhar na cama.

O homem presta mais atenção ao seu pênis do que a qualquer outra coisa. Há quem diga até que se pedíssemos para alguém dizer qual a coisa mais importante do mundo, em toda sua história, a resposta com certeza seria: o pênis.

Sem dúvida, o homem dedica-lhe mais afagos e zelo do que a qualquer outra parte do corpo. Protege-o acima de tudo. Além disso, é gratificante poder se orgulhar do próprio pênis: seu tamanho, forma, qualidade e desempenho.

Assim, tudo o que corrói esse orgulho corrói o próprio homem. Para ele, o pênis é de suprema importância. Nada que o afeta deixa de afetar o homem na mesma proporção, e vice-versa. Na maioria das vezes a preocupação primeira quando se dirige ao ato sexual é confirmar que é “macho”. E quanto melhor a ereção mais macho ele se sente. A ereção é então o centro de gravidade do seu ser.

E quando a ereção não acontece ou não se mantém? O psicanalista argentino J.C. Kusnetzoff afirma que a ausência da ereção precipita o macho no Nada sartreano. Uma angústia impossível de expressar em palavras o invade, um medo ancestral que vem lá do fundo da sua história filogenética, como a água que rompe um dique.

Para o homem, o símbolo da masculinidade e do ser não é o pênis, e sim o pênis ereto. Nenhum homem pode se conceber como tal quando a ereção falha, pois para ele a ereção é a sua essência, assim com a água é para o rio que, ao secar, deixa de ser rio.

Dessa forma, diz Kusnetzoff, quando isso acontece ele não quer ser consolado, e sim “curar-se” sozinho. Neste momento deseja desaparecer magicamente e voltar montado no pênis ereto, como cavaleiro ressuscitado do apocalipse vivido.

Contudo, para ser considerada disfunção erétil — termo usado na literatura médica para a impotência — a incapacidade de obter ereção ou manter o pênis rígido para a penetração deve ser um fato que se repete e não um episódio. A questão é que quando isso ocorre pela primeira vez o homem fica tão abalado que há grandes chances de acontecer novamente, por causa da sua insegurança.

É muito maior do que se pensa o número de homens que sofrem dessa disfunção. Só que eles não contam nem para o melhor amigo. Nos Estados Unidos, num estudo, 52% dos homens revelaram descontentamento com seu desempenho sexual. E o largo uso de remédios para a disfunção erétil no Brasil denuncia a enorme quantidade de homens sexualmente inseguros.

As causas da impotência podem ser orgânicas ou psicológicas, por isso é necessária uma avaliação cuidadosa para a indicação de um tratamento adequado: médico, psicoterápico, ou terapia sexual.

Mas o medo de aceitar a impotência, a vergonha, a dificuldade de contar para outra pessoa, levam o homem a demorar em média quatro anos para buscar ajuda no campo sexual.

Entretanto, grande parte dos casos de impotência deixará de existir quando o homem se libertar da obrigação de provar que é macho. Partir para o ato sexual apenas quando existir desejo real pela parceira e não se preocupar com a ereção são pré-requisitos fundamentais.

Aí talvez seja possível experimentar o sexo com liberdade, simplesmente para obter e proporcionar prazer, longe de qualquer tipo de ansiedade.


“Meu namorado fica muito nervoso na hora H e broxa direto” O que vc faria?
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Regina Navarro Lins

“Confesso que não sei mais o que fazer. Meu namorado fica muito nervoso na hora H e broxa direto, as vezes transamos e ele consegue, mas não temos uma vida sexual muito ativa. Transamos uma ou no máximo duas vezes por mês. Ele é maravilhoso comigo, me trata muitíssimo bem, mas na hora H deixa muito a desejar. Já tentei conversar, esperar o tempo dele, enfim, já fiz de tudo e nada funcionou. Não quero terminar, porque nos damos muito bem, e ele é perfeito, fora essa questão. O que devo fazer?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Fidelidade tem a ver com sexualidade?
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

A grande maioria das pessoas que responderam à enquete já se relacionou com alguém casado. Alguns temem ser descobertos, outros nem tanto, como no relato abaixo.

“Sou casada e gosto de viver a minha privacidade; isso inclui casos extraconjugais. Mas não tenho intenção de me separar. Meu marido é um companheiro muito legal, mas a relação sexual está um pouco fria e, independente disso, gosto da minha liberdade, de ter um caso com outra pessoa. Acontece que noutro dia ele descobriu um caso que tenho. Não aceitou muito bem na hora, claro, faz parte da sua natureza machista. Não pretendo me separar nem acabar a minha outra relação, que me faz muito, muito bem.”

Quando duas pessoas se casam, elas se sentem como que adquirindo um título de propriedade, e cada uma se acha no direito de exercer um controle sobre a outra, principalmente quanto ao corpo. A maioria de mulheres e homens casados têm proprietários. Alguns usam aliança no dedo para não deixar dúvidas de que têm dono, a quem devem satisfações.

Ambos são valorizados se cumprem o papel que a sociedade espera deles. E a expectativa em relação à mulher é que seja esposa e mãe. Portanto, a mulher que transa com homem casado, a amante, geralmente é vista como transgredindo os valores morais, a destruidora de lares.

Socialmente, muitos a desvalorizam, alegando que são inferiores por se contentar com migalhas. Várias expressões pejorativas são empregadas para mostrar como essas mulheres são percebidas. “Não ser a matriz, e sim, a filial”, é uma das acusações que sofrem, além de terem que ouvir afirmações como: “Se ele te amasse, largaria a mulher para ficar com você.”

Claro que tudo é diferente quando se trata do homem. Numa sociedade patriarcal, ele é valorizado quando se relaciona com a mulher casada. Afinal, imagina-se que ganhou a competição com o marido enganado. Não é isso que se espera de um homem? Força, sucesso, poder, coragem e ousadia.

O prestígio dele aumenta. Acredita-se que seja mais competente sexualmente do que o marido, que fica estigmatizado como “corno”, e é acusado de não ter sabido segurar a mulher, de não saber se fazer respeitar.

Entretanto, a socióloga inglesa Catherine Hakim diz que ter um caso faz bem ao casamento. Em seu último livro ela explica porque as relações extraconjugais tornam os casais mais felizes.

Nos países com menor taxa de divórcio, os casos extraconjugais são mais aceitáveis e praticados. Ela compara os Estados Unidos com a Europa. No primeiro, onde não se tolera a mínima escapada, metade dos casamentos termina em divórcio.

Na Europa, há uma cultura de que a fidelidade sexual no casamento não é tão importante assim. Isso explicaria porque na Espanha e na Itália, a taxa de divórcio fica em torno de 10%. Nesses países, os estudos revelam a alta incidência de casais em que cônjuges já tiveram um ou mais casos durante o relacionamento.

As relações extraconjugais se tornam cada vez mais comuns para os dois sexos, e cresce o número de mulheres solteiras, separadas ou mesmo casadas, que se relacionam com homens casados. A diferença é que o homem divulga para se afirmar como macho e a mulher tende a guardar segredo, com medo de ser desvalorizada.

Uma relação extraconjugal pode ser apenas acidental e não rivalizar com a relação estável. Nesse caso não afeta a pessoa nem o casamento, que em alguns casos sai até reforçado. Desconfiar que o outro esteja também tendo um romance com alguém abala a certeza de posse e estimula a conquista, o que pode provocar o reaparecimento do desejo sexual.

É claro que, às vezes, a relação extraconjugal se torna mais intensa do que a do casamento, proporcionando mais emoção e prazer para as pessoas. Nesse caso, ou se aceita que faz parte da vida amar duas pessoas ao mesmo tempo, ou se separa.

Com toda a liberação sexual, a exclusividade nas relações amorosas passou a exigir mais esforço. O psicanalista W.Reich afirmava que nunca se denunciará bastante a influência perniciosa dos preconceitos morais nessa área. E que todos deveriam saber que o desejo sexual por outras pessoas constitui parte natural da pulsão sexual.

Apesar de todos os ensinamentos estimularem que se invista toda a energia sexual em uma única pessoa — marido ou esposa —, homens e mulheres são profundamente adúlteros. Talvez seja hora de se começar a questionar se fidelidade tem mesmo a ver com sexualidade.