Regina Navarro

“Quis me separar, pago pensão, e sou tratado como bandido” O que vc faria?
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Regina Navarro Lins

“Quando me separei pude constatar a veracidade dos depoimentos de amigos que haviam vivido a experiência. Toda a ‘máquina legal’ estava contra mim, porque sou homem. Quando achei que o casamento estava chato, sem amor, resolvi sair fora, ir em busca de outra pessoa. Só que aí o mundo caiu na minha cabeça. Fui tratado como o ‘pária que abandonou o lar’. Mas não é melhor que nossos filhos vivam com cada um de nós sendo felizes do que assistir ao eterno desamor entre os pais? Mas esse argumento não cola. Entreguei a casa, pago pensão extras e sou tratado como um bandido. Tenho medo de que ela ponha meus filhos definitivamente contra mim. O que fazer?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Provocando insegurança no parceiro (a)
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A grande maioria das pessoas que responderam à enquete da semana já sentiu o parceiro (a) tentando lhe deixar inseguro (a). Em muitos relacionamentos observamos uma espécie de terrorismo íntimo.

Júlia fez uma severa dieta para perder os quilos excessivos. Estava feliz se sentindo bonita, até Gustavo, seu marido, lhe dizer delicadamente: “Se não fossem as suas estrias, você seria uma gata.”

Paulo ia fazer uma exposição oral para ser aprovado num concurso. Era a última etapa. Antes de sair de casa, Mara, sua mulher, lhe disse carinhosamente: “Estou torcendo por você… só fico preocupada porque você nunca consegue se expressar bem.”

Exemplos de “derrubadas” assim não são raros. Há casais em que os ressentimentos dominam a relação, e eles não são capazes de se unir nem de se separar. Encontramos com frequência relações amorosas em que há luta pelo poder.

Muitas vezes, o poder, que se mascara como amor, assume um papel bem importante na união de duas pessoas. “Estou fazendo isso para o seu bem.”, é uma frase que pode significar justamente o contrário.

O psicoterapeuta americano Michael Miller, estudioso do tema, diz que se observam em relacionamentos com essa característica duas pessoas preocupadas em atacar a segurança ou a autonomia uma da outra, provocando recíproca ansiedade.

Apesar de nenhuma delas estar preparada para abrir mão do relacionamento, cada uma tem como objetivo tomar o controle dele. Em sua busca de poder na relação atacam-se os pontos mais vulneráveis do parceiro (a).

Usam-se ameaças, alimentam-se o medo e a dúvida, de forma a paralisar a vontade do seu oponente. Cada troca de palavras sugere um significado diferente do que apresenta na superfície porque praticamente cada coisa pode ser utilizada para prolongar a batalha pelo controle.

Alguns casais vivem assim quase o tempo todo. Muitos deles passam a vida juntos, frios um com o outro, sem comunicação, talvez com frequentes explosões – como duas pessoas que se esforçam para evitar brigas “por causa das crianças” ou para não escandalizar os vizinhos, mas, acima de tudo, para manter o casamento mais ou menos intacto.

Quando falam de separação, é mais uma tática de intimidação do que a de real intenção de se afastarem. Falam de várias coisas, mas todos os tópicos estão contaminados pela luta pelo poder que impele a ambos. Cada um se sente roubado e tenta controlar o outro de modos diferentes: ela reclama por mais intimidade; ele exige mais liberdade, por exemplo.

Na realidade, amor e poder nunca vão funcionar bem juntos. Não é novidade que toda relação íntima deve levar em conta as necessidades de cada uma das partes, tanto para o estar juntos como para a autonomia.


Os conquistadores
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae


Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso da internauta que é casada com um conquistador, um homem que não consegue deixar de seduzir mulheres a sua volta.

Um dos mais antigos e resistentes mitos da sexualidade é o conquistador. Conhecido por donjuanismo, em referência ao personagem Don Juan, identifica pessoas que se dedicam a manter o maior número possível de conquistas. As motivações variam de personagem e de época. As interpretações vão desde a vaidade e o colecionismo até problemas emocionais.

A principal oposição ao mito é a demonização empreendida pela religião ao sexo pelo sexo. Mas deve ser considerada a posição subalterna da mulher até recentemente, e o seu valor como patrimônio. O conquistador, nesse conceito, seria um abastado possuidor de bens vivos, como qualquer outro acumulador de riquezas. A revolução sexual e o movimento feminista, os novos tempos, enfim, fazem do Don Juan espécie em extinção.

Don Juan, mito originário da Espanha, narra a sedução da filha do comandante da guarnição militar de Sevilha. Após o ato infame, Don Juan mata, num duelo, o comandante e oferece banquete ao lado da estátua da vítima. O monumento de pedra adquire vida e arranca Don Juan da mesa lançando-o aos infernos.

A narrativa, de 1630, é atribuída a Tirso de Molina e recebeu o título original de El Burlador de Seville (O libertino de Sevilha). É forte seu apelo junto ao público e muitas são as versões desde o século 17. O seu interesse demonstra a força do argumento: herói tragicômico dedicado à sedução.

Ao lado de Don Juan, mas de comprovada existência, está Giacomo Girolano Casanova (1725-1768), veneziano aventureiro, foi criado pela avó e se tornou um arrivista buscando a ascensão social pela conquista de damas bem nascidas. Em vão. Morreu célebre e perseguido por clero e nobreza, que não viam nenhuma graça em suas estripulias sexuais.

Casanova registrou suas memórias em mais de mil páginas, documento precioso sobre as relações amorosas e sociais daquele século. O imaginário romântico se cristaliza no texto em descrições de passagens secretas e alcovas de damas infiéis ou duelos travados à primeira luz da manhã, quando a honra de noivos e maridos era defendida até a morte. “Sou suficientemente rico, de aparência imponente e agradável, jogador inveterado, mão aberta, amigo do discurso, mas sempre mordaz, nada modesto, intrépido, galanteador, hábil em suplantar rivais, só reconheço como boa companhia aquela que me diverte”, se descreve.

Ele oscilou todo o tempo entre se tornar um cidadão respeitável ou se aprofundar na libertinagem. A avaliação que faz após uma conquista demonstra esse espírito: “Resolvi-me a fazer a felicidade de Cristina, sem, no entanto casar-me com ela. Tinha me vindo a ideia de desposá-la, quando a amava mais do que a mim próprio, mas após a satisfação do desejo a balança se inclinara a meu favor e meu amor próprio se tornara maior do que tudo”.

Entre aventuras, Casanova expôs sua visão do mundo e da vida amorosa. “Se as mulheres tivessem igual fisionomia, caráter e espírito, não só os homens deixariam de ser inconstantes, como jamais se apaixonariam. Cada qual tomaria uma delas, indistintamente, e assim passaria o resto da vida. O tirano de nossa alma é a novidade. Bem sabemos que o que não vemos é mais ou menos o que já vimos. Mas continuamos em busca de algo inédito”.

Casanova via o mundo como um parque de diversões onde o prazer está disponível: “O amor deve ser encarado como matéria de fantasia, adaptando-se às circunstancias e prestando-se de bom grado às combinações do acaso”. Ou ainda: “Ninguém ignora que o amor, encorajado por tudo quanto o possa excitar, não se detém senão quando já satisfeito, e cada favor obtido nos impele a outro maior”. Ele tinha mais prazer na sedução do que no próprio ato amoroso. A conquista para o sedutor se torna espécie de jogo.

Entretanto, alguns homens precisam de auxílio nas suas conquistas. A timidez ou a certeza de que uma dama pode ser o melhor caminho para se chegar até a outra, fizeram com que Shane Forbes criasse o site Wingwomen (mulheres asa).

Shane notou que ao chegar acompanhado em festas ou outros encontros sociais, acabava conhecendo mulheres. O negócio que criou funciona com jovens garotas, que chegam com o cliente no local escolhido por este. Após decidirem o alvo, a mulher-asa se aproxima, faz o contato e logo depois apresenta o cliente. A hora da wingwoman sai por U$50. O site de Forbes contratou dezenas de garotas bonitas e desinibidas, que fazem a ponte entre seus clientes e as mulheres que lhes interessam.

Contudo, o movimento feminista e a liberação sexual tornaram os conquistadores tipos meio ultrapassados. A ideia de machos colecionarem conquistas entrou em declínio. Eles não deixaram de existir, nem sucumbirão apenas por uma questão de moda. O que mudou é a propaganda que fazem disso. As conquistas estão abertas a todos: homens e mulheres, de todas as orientações sexuais.


“Ele é um conquistador irrecuperável. Como continuar casada assim?”
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Regina Navarro Lins

“Conheci um homem mais velho num evento social e fui envolvida por ele, que nem faz muito o meu tipo. Sua gentileza e cultura aliada com um senso de humor me conquistaram. Tornei-me sua amante e depois sua mulher. Tudo ia às mil maravilhas até se revelar sua faceta de conquistador irrecuperável. Fui descobrindo que mulheres próximas de nós, como a síndica, por exemplo, já haviam passado por sua cama. Amigas minhas sucumbiram ao seu charme. Minhas reclamações sempre foram contornadas por ele. Quase nos separamos quando descobri que ele transou com a minha irmã. O pior é que gosto dele. Mas estou me afastando de todos. Como continuar casada com um homem assim?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Amor levando ao fim
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A grande maioria das pessoas que responderam à enquete da semana já pensou em se matar por amor em algum momento da vida. O fim de um relacionamento é tão doloroso, que muitos estudiosos consideram o sofrimento comparável em intensidade à dor provocada pela morte de uma pessoa querida.

Quando alguém é abandonado se convence de que não foi o que deveria ter sido e não deu o que deveria ter dado ao outro. A pessoa se responsabiliza por ter falhado. Este é o momento em que se deseja morrer, de alguma doença ou de um acidente, porque não é suportável a ideia de que o abandono foi causado por uma insuficiência própria. Os suicídios se situam aí, ou seja, quando a relação é vivida como fracasso e surge a certeza da incapacidade de manter o outro interessado.

O sentimento de desvalorização é intenso. O filósofo dinamarquês Kierkegaard (1813-1855) expressou bem essa ideia: “Desesperar-se por qualquer coisa não é ainda, pois, o verdadeiro desespero. É o princípio; é como quando o médico diz que a doença ainda não se manifestou. O estágio próximo é a manifestação evidente: desesperar-se de si mesmo.”

O sentimento de culpa tortura a alma da mulher abandonada. Repete mil vezes para si mesma que não conseguiu manter o amor do homem, que não tem atrativos, que tudo é culpa dela. O ódio que ela sente do homem que a abandona e da mulher que o roubou transforma-se em ódio de si mesma. Assim como a poeta grega Safo, que abandonada pela amante, atirou-se ao mar do rochedo de Leucade, ela opta pelo suicídio.

Quando o homem avisa que vai lhe abandonar e diz: “Adeus… Não chore, por favor… Que é que eu posso fazer? Não te amo mais…Não chore. Não quero que você sofra… Adeus. Ele deixou de amá-la, e ela deixou de amar a si mesma. Sem perceber, ele já começou a matá-la em sua identidade de amante, de companheira, de mulher. A morte física é a continuação da morte psíquica provocada pelo abandono.” , diz a escritora Carmen Posadas.

Quanto mais violento o ato suicida, mais evidente é o desejo de desforra. Carmen acrescenta que a mulher rejeitada desliga a máquina social das aparências que mantinha viva e escolhe a morte para jogar na cara de seu companheiro mal-agradecido o quanto o amou e o quanto sofreu por sua culpa. O desejo de desforra é o pano de fundo mais comum do ato suicida. Ferida, a vítima fraudada da paixão deseja que quem a abandonou nunca se esqueça do terrível mal que lhe causou.

“Embora seja uma solução escolhida preferencialmente pelas mulheres, também há homens que se suicidam por serem rejeitados. Está na memória literária de todos os espanhóis o final trágico de Larra, o romântico em ação, que se suicidou com um tiro de pistola em 1837, no auge de sua juventude, por ter sido rejeitado pela mulher amada. Os homens também se suicidam e também matam mulheres. Os motivos do suicídio e do crime passional são os mesmos. Até o último momento o amante pode vacilar entre o crime e o suicídio.'', acrescenta a autora.


Quando o fetiche surpreende
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae


Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso da internauta cujo namorado lhe pede coisas estranhas no sexo, como não lavar suas calcinhas para que ele possa cheirá-las enquanto se masturba. Ela não sabe se continua aceitando esse tipo de comportamento.

Ao cheirar uma calcinha de mulher usada, transferindo para a peça de roupa o poder de satisfazer o desejo, o fetichista enaltece as suas qualidades materiais, sua textura, a maciez do tecido, seu estímulo tátil, visual e olfativo. O objeto adquire, além de sua função original, a capacidade de provocar prazer durante o ato sexual, nas preliminares ou ainda fora dela.

Ter preferência por uma parte do corpo da mulher ou se sentir grande atração vendo-a usando determinada peça de roupa é natural. A questão é que os homens fetichistas — praticamente não existem mulheres fetichistas — não se sentem atraídos pelo corpo da parceira como um todo; o interesse fica obsessivamente fixado em determinado aspecto ou então num objeto.

Qualquer coisa pode vir a ser um fetiche sexual. Durante as décadas de 50 a 70, o baby doll reinou absoluto, essa espécie de vestido íntimo, transparente e curtíssimo, alucinou gerações de cinéfilos, voyeurs e fetichistas. Alguns fetiches são menos comuns, como por unhas ou por preservativos usados. Há homens que não conseguem ter prazer sexual se não estiver com o seu fetiche. E às vezes, basta a contemplação deles para a obtenção do orgasmo.

A palavra fetiche aparece pela primeira vez como conceito erótico em 1887, citado por Alfred Binet, em seu ensaio “Le fetichisme dans l`amour”. O fetiche seria então a qualidade que determinado objeto ou parte do corpo humano adquire, além de sua função original, provocando prazer durante o intercurso sexual. O sexólogo do século 19, Richard Von Krafft-Ebing alertava que o fetichismo se torna patologia quando o detalhe é preponderante.

Alguns fetichistas se preocupam mais com o material de que o fetiche é feito do que com a forma do objeto. Mais antigo dos materiais utilizados na vestimenta, o couro serve para a confecção de calçados, chicotes, aventais de ferreiro, jaquetas, celas, luvas e bolsas.

Apenas no século 19 o couro aparece pela primeira vez como elemento ligado ao fetiche. As jaquetas estão relacionadas aos motociclistas e cowboys. Marlon Brando, no filme O Selvagem elevou a jaqueta de couro ao ápice da iconografia marginal cult. O sadomasoquismo também adotou o couro preto, desde as décadas de 20 e 30, ao ponto do clichê.

Mas o que faz um homem se tornar um fetichista? Existem diversas explicações. O que não sei é se elas correspondem à realidade. Alguns dizem que o fetiche é exclusivo do sexo masculino, porque as mulheres, não tendo que conseguir ereção, não necessitam de fetiche.

No fetichista persistiria o temor infantil quanto ao sexo oposto. A ideia é de que, ao se sentir sem condições de manter relação sexual com uma mulher, ele a substituiria pelo fetiche. Portanto, garantiria a ereção graças à diminuição da ansiedade.

Outros afirmam que o fetiche tem origem na primeira infância, em que a criança com poucos meses atenuava a angústia da separação da mãe pela presença de um objeto, por exemplo, o ursinho de pelúcia, o travesseiro, o cobertor. Nesse caso, o adulto não teria aprendido a mudar o objeto de amor. Dizem também que o fetichista tem sentimento de culpa e de inferioridade sexual, portanto, se apega ao fetiche para ter certeza de que não vai falhar.

Quem não tem muita certeza do porquê do fetiche ser exclusivo do sexo masculino arrisca algumas hipóteses. Talvez seja porque desde pequenos os homens foram acostumados a tirar prazer do sexo, sendo sempre encorajados a experimentar. Assim, suas associações com sexo são mais amplas do que as das mulheres.

Além disso, eles teriam sido acostumados a pensar em sexo sem a presença da mulher. É comum se masturbarem enquanto olham imagens, e mais tarde seriam facilmente excitados por objetos inanimados. Esses autores alegam que a mulher, ao contrário, foi condicionada a associar sexo e amor. Questionam até se, com o aumento da liberação sexual da mulher, uma dose de fetichismo não entrará na sua vida.


“Meu namorado me faz pedidos bem estranhos no sexo!” O que você faria?
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Regina Navarro Lins

“Nessa área do sexo, a gente nunca sabe a surpresa que vai ter. Comecei a namorar um cara muito legal, bonito, inteligente, estabilizado nas finanças e que parece me querer bastante. Como vou sempre na sexta para o apartamento dele recebi a seguinte instrução: “querida, não ponha suas calcinhas para lavar. Guarda num saquinho e traz para mim…” Nem perguntei o porquê e segui as instruções. Na sexta à noite, quando tirei da bolsa e entreguei a encomenda, ele passou a cheirar uma a uma, gemendo de prazer e depois, sem o menor pudor começou a se masturbar até o gozo. Sorri constrangida, mas aquilo foi só o início. Fui convidada a vestir várias lingeries que comprara, calcinhas rendadas que se usava na década de 50, até um baby doll, entre outras maluquices. Uma hora depois de desfiles e cheiradas, viu que eu estava ali e resolveu transar comigo .. Continuo a aceitar esse tipo de atitude?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Desejo de vingança
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

Aproximadamente a metade das pessoas que responderam à enquete da semana já foi alvo de alguma vingança no amor. Isso não é raro acontecer. No consultório, há pouco tempo, ouvi o seguinte relato:

“Tenho 38 anos e sou separado há seis. Há dois meses comecei a namorar uma mulher, que inicialmente parecia ter tudo a ver comigo. Mas logo depois percebi que não gostava do seu jeito de ser e perdi o interesse por ela. Propus o término da relação. Só que ela não aceita. Diz que sou seu grande amor e jurou se vingar. Liga para os amigos falando mal de mim e apareceu na casa dos meus pais contando várias mentiras a meu respeito. O porteiro do meu prédio diz que já a viu rondando por aqui. Ela está complicando as coisas de forma bem desagradável.”

As histórias de vingança geralmente retratam o efeito destrutivo que a fixação no “grande amor” pode ter. Alguém que investe todas as suas energias no relacionamento amoroso, e vê nele o único sentido da sua vida, talvez reaja com raiva e sede de vingança contra quem a abandona. Alguns voltam a agressão para si e caem numa profunda depressão.

Encontramos na mitologia grega a história mais famosa de vingança. Medeia era filha de Aetes, rei da Cólquida, que possuía o velocino de ouro – lã de ouro do carneiro alado Crisómalo. Jasão e os argonautas – tripulantes da nau Argo – buscavam o velocino para que ele retomasse o trono de Iolco, mas Aetes o mantinha guardado por um dragão. Medeia apaixonou-se por Jasão e se opôs ao pai para ajudá-lo, salvando a vida do herói grego. Fugiu com ele da Cólquida em seu navio rumo à Grécia.

Após alguns anos juntos, Jasão a abandonou, para se casar com a filha de Creonte, rei de Corinto, e permitiu que este a exilasse junto aos filhos. Injustiçada e furiosa Medeia não poupa esforços para se vingar de Jasão: envia um presente de casamento à noiva de Jasão – um vestido envenenado que ao ser usado rompe em chamas e queima até a morte a princesa de Corinto e o rei. Mas não é o fim. Ela mata os dois filhos que tivera com Jasão. O poeta grego Eurípedes escreveu Medeia, no século V a.C.

Mas os homens também se vingam, porque suportam menos ainda o abandono. A procuradora de justiça de São Paulo, Luiza Nagib Eluf, afirma que as mulheres são menos afeitas à violência física. “A história da humanidade registra poucos casos de esposas ou amantes que mataram por se sentirem traídas ou desprezadas. Essa conduta é tipicamente masculina. (…) O crime passional costuma ser uma reação daquele que se sente ‘possuidor” da vítima. (…) Por isso, quando se vê contrariado, repelido ou traído acha-se no direito de matar.”

Para a escritora uruguaia Carmen Posadas o ato do amante passional que mata o ser amado que o abandona ou prefere outra pessoa é a consequência da frustração de seu desejo de posse. A pessoa não suporta mais seus sofrimentos e sente que sua única possibilidade de salvação é cortar o problema pela raiz.

Entretanto, a dinâmica da violência vingativa é outra. O amante quer resolver uma questão que considera pendente; não quer evitar o mal que o ameaça, mas “anular magicamente” aquilo que na realidade já aconteceu. Delicia-se imaginando mil vezes o castigo que infligirá ao ser amado ou ao rival que o roubou, inventando roteiros de terror que não para de aperfeiçoar.

O que move a vingança é o ódio, fruto da rejeição. O amante rejeitado acredita que ninguém o amará, nunca mais. Odeia a si mesmo e à pessoa que nele provocou esses sentimentos. Como o ódio não tem o poder de refazer o passado, ele confia à vingança futura.

É fundamental que homens e mulheres reflitam sobre como se vive o amor na nossa cultura, principalmente no que diz respeito à dependência emocional e à possessividade, se quiserem ter uma vida mais plena, sem tanto sofrimento.