Regina Navarro

Sexo após longo convívio
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que responderam à enquete da semana considera que a longa convivência acaba com o tesão. Sem dúvida, o sexo no casamento é o maior problema enfrentado pelos casais.

“Amo muito meu marido. Não quero me separar nunca. Ele é o melhor companheiro que alguém pode desejar. Só tem um problema: não tenho a menor vontade de fazer sexo com ele. Adoro quando ficamos abraçados, e ele faz cafuné na minha cabeça. Sexo nem pensar!”, é um dos vários desabafos que ouvi das mulheres .

Os homens também se queixam da frequência das relações sexuais no casamento. “Minha mulher só quer fazer sexo de seis em seis meses. Mesmo assim só se eu insistir muito.”

É bem maior do que se imagina o número de mulheres que fazem sexo sem nenhuma vontade. Elas tentam postergar a obrigação que se impõem para manter o casamento, mas às vezes não tem jeito. Quando o marido se mostra impaciente, o carinho e a amizade que sente por ele, ou o temor de perdê-lo, fazem com que a mulher ceda.

Entretanto, estudos recentes mostram que a sexualidade de ambos os sexos é fisiologicamente parecida. Apesar de a maioria das mulheres ainda desejar relacionamentos românticos, pesquisas do sexólogo americano Jack Morin mostraram que quando se trata de produzir excitação sexual, o sexo explícito é o que deixa as mulheres com mais desejo, como acontece com os homens.

O número de homens que perde o desejo sexual no casamento é bem menor do que o de mulheres. Para cada homem que não tem vontade de fazer sexo há, pelo menos, três mulheres nessa situação. Alguns fatores contribuem para isso.

O homem, na nossa cultura, é estimulado a iniciar a vida sexual cedo e se relacionar com qualquer mulher. Outra razão seria a necessidade de expelir o sêmen e, por último, a sua ereção rápida, na medida em que necessita de menos quantidade de sangue irrigando seus órgãos genitais.

Quais são os motivos da diminuição ou mesmo da ausência do sexo nas relações estáveis? Familiaridade com o parceiro, associada ao hábito, pode provocar a perda do desejo sexual, independente do crescimento do amor e de sentimentos como admiração, companheirismo e carinho.

Para se sentirem seguras, as pessoas exigem fidelidade, o que sem dúvida é limitador e também responsável pela falta de tesão. A certeza de posse e exclusividade leva ao desinteresse, por eliminar a sedução e a conquista.

É uma questão séria quando não há mais vontade de fazer sexo com o parceiro (a). Afeta a vida do rejeitado e de quem rejeita. Mas é fundamental todos saberem que na grande maioria dos casos não se trata de problema pessoal ou daquela relação específica, e sim de fato inerente a qualquer relação prolongada, quando a exclusividade sexual é exigida.

Essa informação pode evitar acusações mútuas, em que se busca um culpado pelo fim do tesão. O preço é a decepção de ver se dissipar a idealização do par amoroso. No entanto, a partir daí fica mais fácil cada um decidir o que fazer da vida.

É claro que existem exceções, e que em alguns casais o desejo sexual continua existindo após vários anos de convívio. De qualquer forma, acredito faltar uma reflexão a respeito do modelo de casamento vivido na nossa cultura.

Nega-se o óbvio: o desejo sexual por outras pessoas constitui parte natural da pulsão sexual. Quando essa mentalidade mudar, as torturas psicológicas e os crimes passionais certamente diminuirão, assim como inúmeros outros fatores que geram angústia.


Amores múltiplos
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae


Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso da internauta cujo namorado tem outras duas namoradas. Ele acha que ela deveria fazer o mesmo, ou seja, não ficar presa a um único relacionamento. Sem dúvida, está aumentando o número de homens e mulheres que optam por não se fechar numa relação a dois. Um exemplo é o caso de Elaine, que atendi no consultório.

Ela é uma advogada de 34 anos, separada há três. Após alguns namoros, e muitas brigas por conta do ciúme de seus parceiros, decidiu que não teria mais nenhuma relação amorosa em que fosse exigido qualquer tipo de exclusividade.

“Em vários momentos da minha vida amei mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Mas sempre que isso acontece, você se sente na obrigação de ter que decidir entre elas. Não acho natural; não quero isso para a minha vida. Por que não podemos amar várias pessoas? Não amamos diversos amigos? Não amo meus três filhos? Cansei dessa história; aderi de corpo e alma ao poliamor. Sei que não é fácil encontrar parceiros que concordem com isso, mas estou tentando. Tenho a esperança que daqui a algum tempo as cabeças fiquem mais abertas.”

Há alguns anos, na mesma semana em que ouvi o relato de Elaine, recebi o telefonema de uma repórter de uma revista semanal querendo me entrevistar sobre poliamor. São esses pequenos sinais que indicam as tendências.

Poliamor como movimento existe de um modo visível e organizado nos Estados Unidos nos últimos 25 anos, acompanhado de perto por movimentos na Alemanha e Reino Unido. Recentemente, a imprensa começou a cobrir abertamente quer o movimento poliamor em si, quer episódios que lhe são ligados. Em novembro de 2005 realizou-se a Primeira Conferência Internacional sobre Poliamor em Hamburgo, Alemanha.

No Poliamor uma pessoa pode amar seu parceiro fixo e amar também as pessoas com quem tem relacionamentos extraconjugais ou até mesmo ter relacionamentos amorosos múltiplos em que há sentimento de amor recíproco entre todas as partes envolvidas. Os poliamoristas argumentam que não se trata de procurar obsessivamente novas relações pelo fato de ter essa possibilidade sempre em aberto, mas sim de viver naturalmente tendo essa liberdade em mente.

“O Poliamor pressupõe uma total honestidade no seio da relação. Não se trata de enganar nem magoar ninguém. Tem como princípio que todas as pessoas envolvidas estão a par da situação e se sentem confortáveis com ela. A ideia principal é admitir essa variedade de sentimentos que se desenvolvem em relação a várias pessoas, e que vão para além da mera relação sexual.”, explica um adepto dessa prática amorosa.

Outro praticante explica que o poliamor aceita como fato evidente que todos têm sentimentos em relação a outras pessoas que as rodeiam. Como nenhuma relação está posta em causa pela mera existência de outra, mas sim pela sua própria capacidade de se manter ou não, os adeptos garantem que o ciúme não tem lugar neste tipo de relação.

Ele garante que não é o mesmo que uma relação aberta, que implica no sexo casual fora do casamento, nem na infidelidade, que é secreta. O poliamor é baseado mais no amor do que no sexo e se dá com o total conhecimento e consentimento de todos os envolvidos, estejam estes num casamento, num ménage a trois, ou no caso de uma pessoa solteira com vários relacionamentos.

O que se conclui é que as mentalidades estão mudando em relação a amor e sexo. As relações a dois fechadas estão perdendo espaço. Mas isso não deve se tornar um modelo. Devemos fugir de modelos. Cada um escolherá a sua forma de viver, seja um longo casamento exclusivo, com alguém que também assim o deseje, ou a alternância de vários parceiros amorosos e sexuais.

Quem é jovem, ou apesar da idade não está lembrado dos anos 50 ou 60, vale recordar que pessoas separadas não eram aceitas socialmente. A separação era uma tragédia! Assim, como a moça deixar de ser virgem antes do casamento. Isso tudo mudou e muita coisa mais está mudando.


“Além de mim ele tem mais duas namoradas e quer que eu faça o mesmo!”
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Regina Navarro Lins

“Comecei a namorar um rapaz há menos de um mês. Nossa relação é ótima, tanto afetiva quanto sexualmente. Sinto que cada vez mais estou apaixonada por ele. Só que agora ele me contou que acredita que devemos amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Diz que além de mim namora outras duas mulheres. Diz que sou muito importante na sua vida e ama a nós três. Acha que eu deveria fazer o mesmo, ou seja, não ficar presa a um único relacionamento. Isso é possível? O que faço? Como devo agir? Aceito essa situação?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Sob o domínio da paixão
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que responderam à enquete da semana acredita que é fundamental existir paixão na relação amorosa. Não são poucos os casos famosos de pessoas apaixonadas.

Edward VIII (1894-1972), por exemplo, foi rei da Inglaterra por um ano até renunciar ao poderoso trono do império pela paixão por uma mulher, Wallis Simpson, plebeia, americana e divorciada. Esse caso foi apresentada à opinião pública como um conto de fadas. Conhecendo os detalhes da história fica a dúvida: ele a amava mesmo ou o que predominava era uma profunda dependência emocional? Nunca saberemos.

Não há dúvida de que a paixão nos faz olhar o mundo de outra forma. Tudo assume cores e matizes surpreendentes. Êxtase, euforia, apreensão, dias inquietos, noites insones… É possível estar entre muitas pessoas e ficar preso por uma única imagem. Todos desaparecem, até a realidade se afasta do cenário e a pessoa amada se torna a única presença significativa, a única que nos importa.

Uma dimensão minha, interna, de que eu não era consciente, emerge e eu me enriqueço com o que até aquele momento me era desconhecido. A paixão pode ser comparada ao estado hipnótico. Há uma fixação no ser amado, o que em alguns casos se torna uma obsessão.

Os amantes experimentam um sentimento de incrível plenitude e, simultaneamente, têm a impressão de terem vivido até aquele momento em estado de privação: a presença do outro é fonte de bem-estar que parece ter possibilidades inesgotáveis. É como se novas percepções e emoções enchessem os nossos canais sensoriais, abrindo à alma outra dimensão. Por conta disso, todos os apaixonados pressentem que um dia podem perder a pessoa amada, que isso pode acontecer a qualquer momento, e sofrem.

A principal característica da paixão é a urgência. Ela é tão invasiva e poderosa que pode fazer com que sejam ignoradas todas as obrigações habituais. Perturba as relações cotidianas, arrancando a pessoa das atividades a que está acostumada, deixando-a completamente fora do ar.

É comum se fazerem escolhas radicais e muitas vezes penosas — falta-se ao trabalho, larga-se o emprego, muda-se de cidade, abandona-se a família. “O amor é bem comportado, se faz no lugar da ordem. É exercido a partir de uma série de referências bem ordenadas. A paixão, não. Ela subverte, perverte, te vira pelo avesso. O amor é legal, tem futuro, faz promessas…”, diz o professor de teoria psicanalítica e escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza.

O francês Denis de Rougemont, grande estudioso do amor no Ocidente, afirma que raramente os poetas cantam o amor feliz, harmonioso e tranquilo. E que o romance passa a existir unicamente onde o amor é fatal, proscrito, condenado… e não como a satisfação do amor. As provas, os obstáculos, as proibições, são as condições da paixão. Afinal, paixão significa sofrimento.

O desejo e o sofrimento fazem com que todos se sintam vivos, proporcionando um frisson, e muitas surpresas. Necessita-se do outro, não como ele é no real, mas como instrumento que torna possível viver uma paixão ardente. Somos envolvidos por um sentimento tão intenso que por ele ansiamos, apesar de nos fazer sofrer. Os apaixonados não precisam da presença do outro, mas da sua ausência. Contudo, a maioria reconhece que a paixão acaba logo.

Para a historiadora e filósofa francesa Elisabeth Badinter a paixão está em via de extinção. As mentalidades estão mudando e a tendência é outra. Ela acredita que agora homens e mulheres sonham com outra coisa diferente dos dilaceramentos. Se as promessas de sofrimento devem vencer os prazeres, preferimos nos desligar.

Além disso, a permissividade tirou da paixão seu motor mais poderoso: a proibição. Ao admitir que o coração não está mais fora da lei, mas acima dela, pregou-se uma peça no desejo. Então, mesmo que ainda quiséssemos, não poderíamos mais. As condições da paixão não estão mais reunidas, tanto do ponto de vista social quanto psicológico, diz Badinter.


Dor e renascimento na separação
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

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Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso da internauta que foi abandonada pelo namorado e está desesperada.

O fim de um relacionamento é tão doloroso, que muitos estudiosos consideram o sofrimento comparável em intensidade à dor provocada pela morte de uma pessoa querida. Contudo, de um jeito simples ou complicado, com raiva ou tranquilidade, o fato é que em todas as partes do mundo as pessoas se separam.

A forma de separação varia muito. Os mongóis da Sibéria adotam o óbvio ao estabelecer que “se duas pessoas não conseguem viver juntas, é melhor que vivam separadas”. Entre os apaches o divórcio ocorria quando a esposa punha as roupas do marido fora de casa, sinal para ele retornar à mãe; ou então ele dizia que ia caçar e não voltava. E na velha China havia uma lei que permitia ao homem se divorciar da esposa tagarela.

Há casos de separação bem curiosos. Em março de 2006, uma egípcia pediu e obteve o divórcio em um tribunal do Cairo, alegando não suportar a falta de higiene e o mau cheiro do marido. O casal vivia junto há oito anos e morava com seus três filhos. Os juízes convocaram o marido para dar explicações, e como ele não compareceu ao tribunal, decidiram conceder o divórcio por “incompatibilidade de odores''.

Geralmente, a separação inicia seu processo lentamente, na maior parte das vezes de forma inconsciente. A relação vai se desgastando e a vida cotidiana do casal deixa de proporcionar prazer. Não são raras as tentativas de desmentir o que se está sentindo, principalmente, pelas expectativas de realização afetiva depositadas na relação.

Muitas vezes, apesar de se ter uma visão clara do que está ocorrendo, adia-se qualquer tipo de decisão. “Antes de mais nada o indivíduo começa a se sentir corroído pela dúvida e pela esperança de ter interpretado mal as coisas, apesar de seu mal-estar reiteradamente confirmar a exatidão das conclusões a que chegou. Todavia, continua a adiar uma decisão definitiva, na esperança secreta de que um milagre o faça voltar aos felizes tempos em que eram amantes e companheiros de vida.”, diz o psicólogo italiano Edoardo Giusti.

Nem sempre o parceiro satisfaz ou preenche as necessidades afetivas e sexuais do outro, mas isso não é levado em conta. A separação é dolorosa porque impõe o rompimento com a fantasia do par amoroso idealizado, além de abalar a autoestima e exacerbar as inseguranças pessoais.

Da mesma forma que a criança pequena se desespera com a ausência da mãe, o adulto, quando perde o objeto do amor — seja porque foi abandonado ou porque o abandonou —, é invadido por uma sensação de falta e de solidão.

A pessoa se sente desvalorizada, duvidando de possuir qualidades. Surgem medos variados como o de decepcionar os parentes e os amigos, fazer os filhos sofrerem, ficar sozinho, ter problemas financeiros, e o mais ameaçador: o de nunca mais ser amado.

Quando um dos parceiros comunica ao outro que quer se separar, aquele que de alguma forma não deseja isso pode sofrer num primeiro momento, mas depois de algum tempo concluir que foi a melhor coisa que poderia ter lhe acontecido. Isso é frequente.

A aquisição de uma nova identidade, totalmente desvinculada da do ex parceiro, abre possibilidades de descobertas de si próprio e do mundo. A oportunidade de crescimento e desenvolvimento pessoal podem gerar um entusiasmo pela vida.

Não dá para comparar a dor que uma separação provoca hoje com a de 50 anos atrás. Agora existe uma busca generalizada de desenvolver as potencialidades pessoais. Alívio e forte sensação de renascimento podem surgir após a separação.

Alguns ingredientes são importantes para que isso ocorra: atividade profissional prazerosa, vida social interessante, amigos de verdade, liberdade sexual para novas experiências e, principalmente, autonomia, ou seja, não se submeter à ideia de que estar só é sinônimo de solidão ou desamparo.


“Ele foi embora. E também a minha alegria de viver.” O que você faria?
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Regina Navarro Lins

“Tenho 61 anos e estou entrando em depressão. Ele foi embora. Terminou comigo o relacionamento de um ano. Tudo estava bem e de um dia pro outro tudo acabou. Acabou também a minha alegria de viver. Já fiz loucuras por ele como uma adolescente. É uma obsessão. Penso nele dia e noite. Não durmo direito. Tenho uma empresa e tenho medo de perder tudo por conta disso. Não tenho vontade de nada. Tudo é cinza. O que tenho que fazer para voltar a viver?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Estratégias de sedução
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae


Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que responderam à enquete da semana acredita que é possível saber quando alguém está interessado por nós. A sedução é uma prática antiga.

No século 18, o sedutor profissional concebia planos, fingia emoções e desempenhava o seu papel com habilidade e dedicação, mas havia grande preocupação em ocultar os verdadeiros sentimentos. A prática de conquistar mulheres acompanha os últimos cinco mil anos da história da humanidade. Alguns conquistadores atravessam os tempos, como Casanova e Don Juan, que nomearam conquistadores futuros.

Os sedutores continuam atuando no século 21, usando as mais variadas estratégias. Entretanto, “o maior erro que podemos cometer é pensar que o outro nos seduziu: eu fui seduzido pelas minhas próprias imagens, que o outro foi apenas capaz de evocar”, afirma o psicólogo italiano Aldo Carotenuto.

Apesar de serem variadas as formas de expressar o interesse por outra pessoa, há que afirme existir um padrão universal de comportamento no flerte.

Para comprovar isso dois pesquisadores passaram centenas de horas em bares americanos e canadenses observando homens e mulheres escolhendo-se entre si. A americana antropóloga Helen Fisher dividiu em cinco estágios a sedução nesses bares:

1) “Estabelecer o território e chamar a atenção para si” – Homens usam os gestos exagerados, erguem os ombros; os mais velhos mostram jóias como prova de sucesso. Mulheres ajeitam o cabelo, empinam as costas, balançam os quadris.

2) “Reconhecimento” – Basta um sorriso para que o jogo esteja aceito e então os dois se aproximam.

3) “Conversa” – A voz fica mais alta, suave e musical. O que se diz tem menos importância do que a forma como é dita. Falar é revelar nossas intenções.

4) “Contato físico” – Atitudes de intenção (aproximação dos pés, braços, etc) até chegar ao toque propriamente dito. O tato é considerado o sentido-mestre. Se a outra pessoa retribuir o toque, é porque já aceitou um contato corporal.

5) “Sintonia corporal” – Os corpos começam a se mover em um só movimento. Os ombros se aproximam e os corpos ficam de frente um para o outro. Enquanto um passa a mão no cabelo, o outro também o faz, e assim por diante.

Contudo, o instrumento mais importante do namoro entre seres humanos, segundo a antropóloga, é o olhar. Aldo Carotenuto concorda. Ele diz que no momento fomos obrigados a experimentar um contato pré-verbal. Logo depois do nascimento, o único instrumento que tínhamos para nos comunicar com o mundo eram nossos olhos, que sempre encontram outros olhos. Para ele é aí que tem a origem da sedução através do olhar.

Fisher, diz que o olhar desperta uma parte primitiva do ser humano, provocando duas reações – aceitação ou rejeição. Olhar no olho do outro é uma prática de vários animais. Na verdade, é impossível ignorar o olhar de uma pessoa fixado em nós; isso exige uma reação.

Podemos sorrir e começar a conversar; ou podemos olhar para o outro lado e nos afastar do local. Mas primeiro levamos a mão até a orelha, ajeitamos a roupa, bocejamos, mexemos nos óculos ou realizamos qualquer outro movimento sem nenhum sentido – um “gesto de disfarce” – para aliviar a ansiedade, enquanto pensamos em como reagir a esse convite: se vamos embora ou se ficamos e aceitamos participar do jogo da sedução.

Helen Fisher conclui então que talvez sejam os olhos – não o coração, os genitais ou o cérebro – que deem início ao romance, já que muitas vezes é a partir do olhar que ocorre o sorriso.