Regina Navarro

Sobre o sexo oral
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae


Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso da internauta que vai se casar no final do ano, mas o namorado disse que ela não sabe transar, que não faz sexo oral nele, e que não quer se casar e ficar procurando prostitutas para se satisfazer. Ela diz que tem nojo de colocar sua boca no pênis dele. Pela História, vemos que o sexo oral sempre teve destaque.

Em Roma, há dois mil anos, havia três interdições sexuais para o homem: dormir com a própria irmã, dormir com uma sacerdotisa, ser passivo no sexo anal. Essas três práticas foram atribuídas a tiranos como Nero e Calígula, mas os romanos acreditavam que fundamental era ser o ativo; era preciso sempre dominar. O sexo oral não era bem visto, considerado uma desonra para o homem por colocá-lo a serviço da mulher.

O sexo oral era, originalmente, usado pelas meretrizes. Egípcias que se prostituíam costumavam pintar a boca como se fosse vulva para assim excitar os clientes. Mas há outras curiosidades a respeito dessa prática.

Dizem que imperatriz chinesa Wu Hu, que reinou durante a dinastia T’ang (700-900 d.c.), criou um decreto real, pelo qual todas as autoridades do governo e visitantes eram obrigados a prestar homenagem a Sua Alteza Imperial, praticando nela cunilíngua. Ela foi pintada em quadros, que a mostram em pé, com seu ornamentado robe aberto, enquanto um alto funcionário, humildemente ajoelhado à sua frente, coloca os lábios e a língua em seu clitóris imperial.

Apesar de o sexo oral ser a atividade que mais se pratica antes da cópula — pesquisas indicam que cerca de 75% dos casais experimentam a estimulação oral-genital e uns 40% a usam com alguma frequência — na nossa cultura ele sempre foi condenado, assim como todas as práticas que não levam à procriação.

O sexo oral é alvo de dois tipos de preconceito: imoralidade e falta de higiene. Os genitais são, para muita gente, considerados uma parte suja do corpo.

É sabido que a grande maioria do sexo que se pratica não é para a procriação, e com a higiene comum os órgãos sexuais podem ficar tão limpos e cheirosos como qualquer outra parte do corpo. Além disso, em condições normais, o pênis e a vulva contêm muito menos germes do que a boca.

Há estudos que indicam que os casais que praticam sexo oral têm mais chance de se ajustarem sexualmente. A boca e os genitais são os órgãos mais sensíveis do corpo e bastante receptivos às sensações de prazer.

Entretanto, muitas pessoas evitam esse tipo de sexo ou o utilizam, sentindo-se ansiosas e constrangidas, apenas para agradar o parceiro. Sexo oral, assim como qualquer outra prática sexual, só tem sentido se as pessoas envolvidas desejarem e sentirem prazer. Caso contrário o preço cobrado inconscientemente do outro pode ser tão alto que inviabilize a própria relação.


“Vamos nos casar, mas ele reclamou que não faço sexo oral nele.”
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Regina Navarro Lins

“Estou namorando há dois anos um cara que eu acho muito legal, tanto que já pensamos em casar e até marcamos data no fim do ano. Mas a casa caiu na minha cabeça semana passada quando ele veio me falar de nossa vida sexual. Reclamou que não sei transar, que não faço sexo oral e que reajo pouco aos seus carinhos. Encerrou a conversa dizendo que não quer se casar e ficar procurando prostitutas para se satisfazer. Falei que tenho nojo de ficar colocando a minha boca no sexo dele… Boca é para beijo na boca e pronto, não é? Falei que não me importaria que ele procurasse sexo pago. Ele contra argumentou com os custos altos e disse que queria gozar comigo… Não sei o que faço. Será que vou num bordel para aprender?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Por um sexo de qualidade
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A grande maioria das pessoas que responderam à enquete acredita haver pessoas que fazem sexo melhor que outras.

“Um bom sexo depende da expectativa de cada um. Para uma pessoa comum é ter um orgasmo, depois outro, mais outro… e acabou. Isso ocorre porque ela está muito ligada ao sexo animal. O bichinho sente um impulso instintivo, cruza, espalha suas sementinhas e pronto. Para os tântricos, o sexo oferece expectativas maiores. É possível viver o sexo intensamente, não aqueles segundinhos de mero espasmo nervoso. O que a gente quer não é um orgasmo, nem mesmo um orgasmo múltiplo, e sim um hiperorgasmo.”, diz Mestre De Rose, autor de vários livros sobre o tema.

Para o psicoterapeuta e escritor José Ângelo Gaiarsa, “o sexo praticado hoje é extremamente estereotipado. Qual é o resultado disso? 70% dos americanos ejaculam dois minutos ou menos depois da penetração. E segundo os especialistas, nós, os ocidentais, temos, todos, ejaculação precoce. O Tantra, que é primoroso a esse respeito, mostra o que o ocidental perde de prazer! E sempre servindo ao patriarcado, porque o nosso prazer é tão precário que você não vai brigar demais por ele. Você perde a noção do que é prazer e felicidade. Se você tem prazer e conhece a felicidade você tem tesão geral. Se você vai matando este tesão primário da vida, você se torna parte de um rebanho, vai brigar para quê?”

O sexo, na intimidade da vida de cada um, continua sendo para a maioria um problema complicado, difícil, cheio de dúvidas e autojulgamentos negativos. A liberdade sexual de hoje é mais falada do que realizada, ainda existindo em quase todos uma carência fundamental de sexo, tanto em quantidade como em qualidade.

Não é sem motivo que o psicanalista Wilhelm Reich falava na miséria sexual das pessoas. Mas poucos se dão conta disso; as dificuldades sexuais são tantas que quando ocorre uma descarga sexual acham que foi tudo bem. E nesse caso a frase de Jung, “O pior inimigo do ótimo é o bom”, cai como uma luva. Mas, enfim, por que o sexo praticado entre nós é de tão baixa qualidade?

O ser humano possui uma amplitude sexual inigualável, podendo experimentar e viver a sexualidade desde a simplicidade reprodutora de um puritano até o êxtase do sexo tântrico. Para Reich, a saúde psíquica depende do ponto até o qual o indivíduo pode entregar-se e experimentar o clímax de excitação no ato sexual. As enfermidades, ao contrário, seriam o resultado do caos sexual da sociedade. Afinal, o ser humano é a única espécie que não segue a lei natural da sexualidade.

Gaiarsa diz que o sexo reprimido significa liberdade reprimida. Ao restringir o sexo, a sociedade consegue ao mesmo tempo paralisar o indivíduo, isto é, torná-lo bonzinho, dócil, submisso, resignado, fácil de levar, de assustar e de explorar. E é por isso que o sexo é responsável pela maior perseguição na área dos costumes humanos e o maior mistério diante do óbvio.

Para ele não há dúvida de que se o indivíduo vai ampliando, aprofundando e diversificando sua vida sexual, vai ficando corajoso para fazer as coisas. Vive com mais alegria, esperança e decisão. Portanto, pode ficar perigoso do ponto de vista da ordem estabelecida. Não foi à toa que todas as forças repressoras de todas as épocas se voltaram tão sistematicamente contra a sexualidade humana.

Dessa forma, os estereótipos tradicionais de masculinidade e feminilidade das sociedades patriarcais inibiram a capacidade de homens e mulheres para o prazer sexual. As mulheres tiveram sua sexualidade reprimida e distorcida, a ponto de até hoje algumas serem incapazes de se expressar sexualmente, muito menos atingir o orgasmo.

Os homens, por sua vez, também tiveram a sexualidade bloqueada. A preocupação em não perder a ereção é tanta que fazem um sexo apressado, com o único objetivo de ejacular. A mulher, com toda a educação repressora que teve, ainda se sente inibida em sugerir a forma que lhe dá mais prazer. Acaba se adaptando ao estilo imposto pelo homem, principalmente por temer desagradá-lo.

Exercer mal o sexo é isso: não se entregar às sensações e fazer tudo sempre igual, sem levar em conta o momento, a pessoa com quem se está e o que se sente. É fundamental não ter preconceito nem vergonha, considerar o sexo natural, fazendo parte da vida.

A busca do prazer pode então ser livre e não estar condicionada a qualquer tipo de afirmação pessoal. O sexo pode ser ótimo quando se cria o tempo todo junto com o parceiro e o único objetivo é a descoberta de si e do outro. Assim, ele deixa de ser a busca de um prazer individual para se tornar um poderoso meio de transformar as pessoas.


Swing por obrigação
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso da internauta que o marido insiste em incluir o swing e outras formas de sexo com várias pessoas. Isso já está afetando o relacionamento do casal.

“O desejo não é mais inexplicável que o gosto. Ao longo dos séculos tem sido extraordinariamente flexível e versátil, servindo a causas opostas, desempenhando papéis muito diferentes na história, como um ator a um só tempo cômico e trágico, às vezes papéis simples, que reproduzem estereótipos corriqueiros, e outras vezes papéis experimentais, complexos, deliberadamente misteriosos. Isto sugere que outras alianças, outros excitamentos, também são possíveis.”, diz o historiador inglês Theodore Zeldin.

Durante séculos o sexo foi alvo de muitos preconceitos. Para as mulheres foi permitido apenas no casamento, e mesmo assim, só para a procriação; o prazer do homem deveria ser procurado fora de casa. Durante o ato sexual, uma única posição era permitida: o homem estendido sobre a mulher, ela deitada de costas de pernas abertas, a famosa papai-e-mamãe.

Até os anos 60 essas ideias predominaram, mas a descoberta da pílula anticoncepcional mudou as mentalidades. Pela primeira vez na história o sexo se dissociou da procriação, podendo se aliar ao prazer. E as pessoas passaram a buscar cada vez mais o prazer sexual.

Vivemos um período de grandes transformações no mundo, e, no que diz respeito às relações amorosas o dilema atual parece se situar entre o desejo de simbiose com o parceiro e o desejo de liberdade para novas experiências.

Contudo, penso que algumas coisas nunca vão valer no sexo: constranger o outro, insistir para que faça algo que não tem vontade. No sexo só vale o que é prazeroso para os dois. Esse é um critério que não tem erro ao ser adotado. Mesmo porque, qualquer coisa que se faça por obrigação ou só para agradar tem seu preço cobrado depois, e pode ser altíssimo.


“Meu marido quer sempre swing e outras formas de sexo com mais pessoas”
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Regina Navarro Lins

“Tenho 46 anos e meu marido 52, somos casados há 18 anos. Há uns anos meu marido propôs que tentássemos iniciar a prática de swing. Inicialmente eu repeli a ideia, mas ele foi me convencendo e acabei aceitando. Não queria fazer da prática uma rotina, como vejo com frequência entre outros casais adeptos do swing. Meu marido, ao contrário, quer sempre mais e embora diga que me deixa livre para decidir, sempre que fazemos sexo ele pede para que o chame de corno e descreva relações, reais ou fictícias, entre outro homem e eu, caso contrário ele perde a ereção. Isso realmente me cansa e já foi motivo de algumas discussões nossas. Não tenho vontade de fazer sexo a 3, a 4, em grupo, embora eventualmente tenha atração por outros homens. Já propus que, caso ele sinta vontade, que dê as saídas dele discretamente com outras pessoas, mas ele insiste em dizer que não tem vontade de fazer sexo com outras mulheres, mas quer que eu faça com outros homens com ele vendo, ou que depois conte a ele em detalhes o que aconteceu. Quando eu disse que faria isso, ele passou a querer escolher meus possíveis parceiros e sempre o indicado era alguém que não me atraía em nada e quando eu indicava alguém que me atraía, ele barrava minha escolha. O que vejo hoje é que entramos num beco sem saída, o sexo anda morno, quase frio. O que fazer?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Aumentando o prazer sexual
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

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Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que responderam à enquete aceitaria bem que seu parceiro (a) usasse um vibrador durante a transa. Tudo indica que homens e mulheres que conseguem vencer os preconceitos podem usufruir de um maior nível de prazer.

Lúcia, uma advogada de 35 anos, separada há três, começou um novo namoro. Uma tarde chegou à sessão de terapia bastante impressionada: “Nunca senti tanto prazer sexual na minha vida. Renato sugeriu que usássemos um vibrador para incrementar nossa transa. Eu nunca tinha pensado nisso. Enquanto ele me penetrava, eu estimulava meu clitóris com o vibrador. É indescritível! Um prazer de uma intensidade absurda.”

A partir dos relatos que ouço no consultório e das mensagens que recebo, acredito que muitas mulheres têm vontade de utilizar um vibrador na relação com o parceiro, afinal, ter duas zonas erógenas estimuladas simultaneamente intensifica, em muito, o orgasmo.

Mas a maioria não tem coragem de propor. Medo de desagradar o parceiro, levando-o a supor que seu pênis não é suficiente para lhe garantir um alto nível de prazer, é o motivo mais alegado pelas mulheres para não usar um vibrador. E muitos homens reagem mal mesmo.

Não são poucas as mulheres que contam desanimadas, a dificuldade de usar um vibrador na relação como o parceiro. É difícil propor o seu uso, porque ele compete com o vibrador, acha ofensivo. Cíntia, jornalista de 36 anos, resolveu comprar um vibrador e propor o seu uso durante o sexo com Gui, seu marido há 12 anos.

“A reação dele foi péssima. Disse que não aceitava de jeito nenhum um outro pênis, mesmo de borracha, entre nós dois. Fiquei tão constrangida que guardei no armário e nunca mais toquei no assunto. Só lamento o fato de que nunca vou saber o que é o orgasmo combinado – estimulação da vagina e do clitóris ao mesmo tempo.”

Apesar de toda a liberação sexual, ainda não é a maioria que vê o sexo como algo natural, acreditando ser importante a busca de um prazer maior.

Contudo, um estudo, realizado em 2008 em parceria com o Centro de Promoção da Saúde Sexual da Universidade de Indiana, EUA, revelou que mais da metade das mulheres americanas já usaram vibradores e, desse grupo, quase 80% delas tinham compartilhado o aparelho com seus parceiros.

Os homens entrevistados para a matéria do New York Times disseram não sentir ameaça no uso de vibradores por suas parceiras sexuais, e confessaram entusiasmo. Jeremy, 31 anos, que vive em Nova York, disse: “Na minha opinião, uma mulher que explora completamente o seu próprio corpo, com ou sem brinquedos que ache interessante, se torna uma amante muito melhor''.

No Brasil, as mentalidades também estão mudando. Na última década, o homem deixou de ser o maior alvo dos sex shops. Nesse negócio, que cresce 15% ao ano, o público feminino já responde por mais de 70% das vendas, segundo a Associação Brasileira do Mercado Erótico.

As pessoas sentem cada vez menos vergonha de experimentar novas maneiras de prazer sexual. Os homens, que se libertam do mito da masculinidade, tendem a perceber o prazer maior da parceira como algo natural. E, dessa forma, as mulheres descobrem que tanto na masturbação como na relação com o outro novas sensações podem ser experimentadas.


Filhos de pais separados
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

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Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso é o caso da internauta que tem dois filhos, de seis e sete anos, mas não está mais suportando o casamento. O marido é um bom pai, e ela teme o sofrimento que a separação pode causar aos filhos. Ao mesmo tempo, não quer pagar o preço de continuar casada.

A prática de se separar, quando uma relação não é mais satisfatória, se torna cada vez mais comum. Ao contrário do que muitos pensam, não acredito que a separação faça os filhos sofrerem, e sim a culpa que os pais absorvem ou a incompetência deles para lidar naturalmente com a situação.

Porém, os conservadores, agarrados a valores morais ultrapassados, tentam convencer os pais do sofrimento que vão causar às crianças . Há alguns anos a socióloga americana Judith Wallerstein acompanhou por 19 anos um grupo de famílias de classe média e concluiu que filhos de pais divorciados tinham mais problemas emocionais, menor rendimento escolar e pior autoestima que os filhos de casais ''estáveis''.

Portanto, os casais deveriam lutar para se manter juntos, pelo bem-estar das crianças. Poucos anos depois, o estudo de Wallerstein foi criticado por outros especialistas, que apontaram uma série de falhas e trouxeram à tona trabalhos mostrando um quadro diferente.

Descobriu-se que as 131 crianças estudadas pela socióloga vinham de um único condado da Califórnia, filhos de casais problemáticos, recrutados com a promessa de terapia gratuita. Metade dos pais e mães do estudo tinha problemas psiquiátricos, dos quais 20% eram considerados ''severos'', que resultavam em passagens policiais e tentativas de suicídio.

Um em cada quatro maridos batia na mulher diante dos filhos. Cerca de 30% dos casais haviam sido obrigados a subir ao altar por causa de uma gravidez inesperada, e metade das mães era desempregada crônica, do tipo condenado a viver do seguro-desemprego.

A socióloga Constance Ahrons, de Wisconsin, acompanhou por 20 anos um grupo de 173 filhos de divorciados. Ao atingir a idade adulta, o índice de problemas emocionais entre esse grupo era equivalente ao dos filhos de pais casados. Mas Ahrons observou que eles ''emergiam mais fortes e mais amadurecidos que a média, apesar – ou talvez por causa – dos divórcios e recasamentos de seus pais''

Muitos casais, apesar do péssimo relacionamento, não admitem a possibilidade de separação por causa dos filhos. Nesses casos, os pais recusam-se a perceber que as crianças veem tudo, registram tudo e sofrem principalmente por aquilo que lhes é imposto sem que possam compreender.

Se os pais estão ansiosos, inquietos e insatisfeitos, seus filhos inevitavelmente se comportarão dessa forma. Aqueles pais que brigam, que se evitam ou que encontraram um equilíbrio de vida extremamente formal e frio funcionam como exemplo negativo, fazendo de seus filhos pessoas fechadas, desconfiadas e inseguras.

Agora, devido à importância dada ao desenvolvimento pessoal e à individualidade, observa-se nas pessoas que se separam nas últimas décadas, a consciência da necessidade de reconstruir uma identidade, de reestabelecer novos propósitos de vida.

Para a psicanalista Purificacion Barcia Gomes, “não cabe chorar tanto um casamento perdido porque ainda se tem a si mesmo como objetivo a ser realizado e vivido. E parece ser também essa mesma característica que contribui agora para a diminuição do sentimento de culpa em relação aos filhos na separação. Se antes horrorizava a uma mãe, senão a ambos os pais, expor os filhos a uma separação, pode se dizer que no casamento moderno, a culpa, embora não eliminada, foi reduzida pelo desejo e obrigação dos pais de ‘viverem a sua própria vida’, não mais sacrificando sua existência por amor aos filhos.”

Apesar de estar aumentando o número de pais que ficam com a posse e guarda dos filhos, na maioria dos casos ela ainda é dada à mãe. Não são poucas as crianças que são usadas por uma das partes para agredir a outra. Isso é sem dúvida o que causa mais sofrimento às crianças quando os pais se separam.


“Quero me separar, mas não quero que meus filhos sofram” O que você faria?
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Regina Navarro Lins

“Estou casada há nove anos. Temos um casal de filhos que amo muito, mas não estou mais suportando o casamento. Quero me separar. Se não tivesse filhos, já teria ido embora. Mas fico pensando como eles vão reagir à nossa separação. Eles estão com sete e seis anos. Fico achando que seriam mais felizes tendo um pai ao lado, mas não quero pagar esse preço. O casamento vai mal, mas meu marido é um bom pai. Não quero que meus filhos sofram. Não sei que atitude tomar.”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.