Regina Navarro

“Ele está a fim de mim. Espero que tome a iniciativa de forma clara?”
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Regina Navarro Lins

“Sempre fui avessa a cantadas, que me parecem um mero expediente para arrumar sexo de graça, mas fui obrigada a mudar de ideia quando recebi uma abordagem inusitada. Meu vizinho bateu à minha porta com um envelope no meu nome posto, por engano, sob a porta dele. É normal isso acontecer. Agradeci, e ele se foi. Mas eu não conhecia o remetente. Abri. Era um tratado sobre as dificuldades que o amor encontra com a repressão sexual e de como o fato de se declarar a alguém se constitui num enorme risco. Quando acabei de ler, imaginei que estava levando uma cantada do vizinho. Não sei se vou falar com ele ou se devo esperá-lo tomar a iniciativa de forma clara. O que faço?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Coragem para amar
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

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Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que responderam à enquete temem amar. Mas isso não é novidade.

Os romanos, há dois mil anos, desenvolveram a ideia de prudência, por isso lutavam contra o amor, visando evitar o sofrimento. Acreditavam que o homem prudente afasta seus pensamentos para longe do amor, sabendo que o amor é uma doença.

O amor devia ser cuidadosamente evitado, da mesma forma que muitos fazem hoje. O psicólogo italiano Aldo Carotenuto faz interessantes considerações sobre o tema. Ele acredita que está ao alcance de todos a possibilidade de fazer mal ao outro mesmo amando-o.

Não é um fenômeno fácil de se explicar; talvez a razão deva ser buscada no fato de que, de qualquer maneira, nós nos sentimos arrebatados e violados; ninguém pode impunemente conquistar a nossa dimensão interna, assim como acontece nessa experiência.

E então pode ocorrer que a necessidade, talvez inconsciente, de violar o outro e de fazer-lhe mal seja a sutil vingança de quem se sente completamente possuído. Eis por que o amor é “coisa cheia de medo”, eis por que ao lado dos sentimentos mais sublimes experimentamos também temor.

Quando amamos, somos olhados por dentro e isso é acompanhado de uma sensação de vergonha. Tornar manifesta a própria interioridade induz à vergonha, porque na nossa cultura isso equivale a uma admissão de fraqueza.

Existem pessoas que, mesmo que amem intensamente, dificilmente conseguem manifestar o próprio sentimento, porque temem correr algum risco. Geralmente, quando nos colocamos a nu, todos os nossos anseios se concentram em torno do temor da rejeição. Revelar-se significa, no fundo, conceder parte da própria liberdade e das “partes” de si mesmos.

A área dos afetos é a mais difícil de viver, e o problema que principalmente nos inquieta está no envolvimento amoroso. Estar envolvido com alguém significa tomar parte na vida interior de outra pessoa, porém justamente uma experiência desse tipo, remota, talvez esquecida, mas que deixou a marca, nos mantém como “vacinados”, nos torna de qualquer modo refratários a nos tornar disponíveis.

Uma espécie de imprinting emotivo nos impeliu a viver sob o signo do pânico todas as experiências afetivas sucessivas, e nos ensinou para sempre que a única possibilidade de salvação se encontra – exatamente como da primeira vez – na obtenção de uma “autonomia psicológica”.

A necessidade do outro, e também o medo de amar, diminui quando se desenvolve em cada um a capacidade de ficar bem sozinho.


Você tem medo de amar? Por quê?
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Regina Navarro Lins

A PERGUNTA DA SEMANA entra no ar sempre às segundas-feiras. Na terça-feira, comento o tema e o resultado da pesquisa.

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Repressão sexual em ação
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae


Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso é o caso da internauta, viúva de 45 anos. Ela tem recusado o que lhe “parecem meros portões para a luxúria”, mas cedeu aos carinhos de um homem e acabou na cama dele. Quando acordou queria morrer. Ela não sabe o que fazer para tirar o peso “dessa sujeira” da sua mente e do seu coração.

O sexo é alvo da maior perseguição na área dos costumes e fonte de grandes sofrimentos. Muitos se reprimem e estão sempre prontos a criticar o outro por sua conduta sexual. É incrível o que cada um padece por conta das próprias fantasias, desejos, medos, culpas e frustrações sexuais.

A ideia de que há no sexo algo de pecaminoso é absurda, causando sofrimentos que se iniciam na infância e continuam pela vida afora.
Os valores repressores são absorvidos inconscientemente e, não percebendo sua existência, as escolhas pessoais assumem aparência de escolhas livres. Esse é o grande perigo da repressão sexual e o principal motivo da baixa qualidade do sexo praticado.

O psicanalista W.Reich tinha razão quando denunciava a miséria sexual das pessoas. Ele lutou a vida inteira, apesar dos ataques que sofreu, para convencer a todos de que a sexualidade, quando expressa de modo adequado, é a nossa principal fonte de felicidade. Mas controlar a sexualidade das pessoas significa controlar as pessoas, e é exatamente isso o que é feito.

José Ângelo Gaiarsa, psicoterapeuta que introduziu as ideias de Reich no Brasil, afirma em seus livros que quanto mais a pessoa amplia, aprofunda e diversifica sua vida sexual, mais corajosa se torna. Vive com mais vontade, mais alegria, esperança e decisão.

Portanto, pode vir a representar perigo do ponto de vista da ordem estabelecida. Por ser arriscado a maioria renuncia à sexualidade e fica quieta no seu canto e vai se apagando de vida, de corpo e de espírito. Não foi à toa, nem por acaso, que todas as forças repressoras de todas as épocas se voltaram contra a sexualidade humana.

O resultado de toda essa repressão é que a grande maioria das pessoas acaba fazendo menos sexo do que gostaria e com pior qualidade do que poderia. O desempenho sexual se torna bastante ansioso, podendo levar a bloqueio emocional e disfunções como ausência de orgasmo, dificuldades de ereção e ejaculação precoce.


“Cedi aos seus carinhos e acabei na cama praticando sexo. Estou arrasada!”
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Regina Navarro Lins

“Estou muito desgostosa com o que me aconteceu, principalmente porque fui a principal responsável. Tenho 45 anos e sou viúva. Tenho recusado convites que me parecem meros portões para a luxúria, mas após uma festa de casamento sai com um dos convidados e devido ao champanhe ingerido aceitei ir até a casa dele. Após suas investidas, cedi aos seus carinhos e acabei na cama praticando sexo. Quando acordei queria morrer. Vesti-me e fugi de lá. O que fazer para tirar o peso dessa sujeira de minha mente e de meu coração?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Estar só nem sempre significa solidão
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

As respostas se dividiram entre as pessoas que responderam à enquete sobre temer não ter um par amoroso fixo. As mentalidades estão mudando, mas ainda encontramos muitos casos como a mensagem que recebi de uma internauta.

“Tenho 38 anos e estou muito mal pelo fato de nunca ter me casado. Não sei por que meus namoros duram tão pouco. Já pensei até que deve ter algo muito errado em mim. Todas as minhas amigas se casaram, e eu continuo sem ter com quem ir ao cinema. No último dia dos namorados fiquei deprimida. Não sei se funciona, mas já pensei até em procurar uma agência de casamento. Sou uma mulher bonita, mas tenho baixa autoestima. Sempre que conheço um homem, fico tão insegura que imagino que isso contribua para o desinteresse dele.”.

A ideia de que é impossível ser feliz sozinho condiciona as pessoas de tal forma, que a maioria não se conforma em não ter um par amoroso. Desde cedo aprendemos que só é possível ser feliz tendo uma relação amorosa fixa e estável.

Claro que não é verdade, mas as pessoas insistem em acreditar, apesar do sofrimento que essa crença gera. A necessidade de se ligar profundamente a uma única pessoa é tida como verdade absoluta. E é por isso que muitos homens e mulheres procuram incessantemente um par amoroso, pagando qualquer preço para mantê-lo.

Acredita-se que só é possível alcançar a aceitação social quando se age igual aos outros. Todos, então, se tornam parecidos e desejam as mesmas coisas. As particularidades de cada um desaparecem, chegando a um ponto em que não dá mais para saber o que realmente se deseja ou o que se aprendeu a desejar.

Que o ser humano necessita se unir e se comunicar com outras pessoas não há dúvida. Mas isso não significa que ele tenha, necessariamente, que se relacionar com uma pessoa de forma exclusiva. Quando alguém diz que não quer viver sozinho, está se referindo a não ter um parceiro amoroso.

Concordo com o historiador inglês Theodore Zeldin quando afirma que o medo da solidão assemelha-se a uma bola e uma corrente que, atados a um pé, restringem a ambição, são um obstáculo à vida plena, tal e qual a perseguição, a discriminação e a pobreza.

Se a corrente não for quebrada, para muitos a liberdade continuará um pesadelo. Segundo ele, a crença mais gasta, pronta para a lixeira, é que os casais não têm em quem confiar salvo neles próprios, o que é tão infundado quanto a crença de que a sociedade condena os indivíduos à solidão. Na realidade, existe tanta solidão entre os casados quanto entre os solteiros.

A condição essencial para ficar bem sozinho é o exercício da autonomia pessoal. Isso significa, além de alcançar nova visão do amor e do sexo, se libertar da dependência amorosa exclusiva e “salvadora” de alguém. O caminho fica livre para um relacionamento mais profundo com os amigos, com crescimento da importância dos vínculos afetivos.

É com o desenvolvimento individual que se processa a mudança interna necessária para a percepção das próprias singularidades e do prazer de estar só. E assim fica para trás a ideia básica de fusão do amor romântico, que transforma os dois numa só pessoa.

E quando se perde o medo se percebe que estar sozinho não significa necessariamente solidão.


Sexo sem preliminares
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae


Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso da internauta que tem um amante ótimo, mas que não entende o comportamento dele quando chegam a um motel. Ele avança sobre ela quase com fúria. Antes de qualquer outra atitude, muitas vezes sem que ela tenha tirado toda a roupa, a penetra e logo goza. Depois tudo volta ao normal; ele fica carinhoso, conversam e fazem mais sexo. Ela não sabe o que fazer diante disso.

Por que o parceiro da internauta tem tanta pressa em penetrá-la, ignorando a importância das preliminares? Muitos homens ainda estão presos ao mito da masculinidade e vão para o ato sexual para cumprir uma missão: provar que são machos.

Só depois se sentem transformados em homens e podem participar com a mulher da troca recíproca de prazer. O temor de perder a ereção e não corresponder ao ideal masculino da nossa cultura; desconhecimento da sexualidade feminina; ideia de que sexo não é tão importante assim para a mulher. Estes fatores podem ser os responsáveis por atitude tão estranha.

Apesar de na nossa cultura se insistir em que o sexo é puramente instintivo e natural, não há dúvida de que ele possui uma história. A pouca importância dada ao prazer das mulheres foi de tal ordem que no século 19 os médicos chegaram a considerá-las portadoras de anestesia sexual. Sendo assim, o homem não tinha nada mesmo com que se preocupar. No entanto, o prazer dele sempre foi enaltecido, embora de forma totalmente equivocada.

Quem nunca ouviu elogios ao desempenho sexual de um homem, comparando-o ao macho de algumas espécies animais, principalmente um garanhão, um touro ou um galo? Não dá para entender como sexo assim pode ser bom. A capacidade sexual dos animais implica numa total falta de diversidade, de intimidade, e de liberdade, presos que estão a uma posição única e a um relógio biológico.

A produção de Hollywood, que há tanto tempo influencia o comportamento ocidental, também fez a sua parte na divulgação de uma ideia falsa do prazer sexual.Num filme, em poucos minutos, às vezes com um simples abraço, a mulher fica instantaneamente lubrificada e a satisfação no ato sexual se dá rapidamente. Há algum tempo, a atriz Candice Bergen descreveu para a revista Esquire como desempenha um ótimo orgasmo: “Dez segundos de respiração funda, girar a cabeça nas duas direções, simular um ataque de asma e morrer um pouco.”

Os sexólogos americanos Masters e Johnson, com base em seus estudos, formularam a teoria de que a resposta sexual ocorre em quatro estágios: excitação, platô, orgasmo e resolução. Cada estágio é acompanhado por várias alterações corporais.

Como a mulher demora três vezes mais que o homem para atingir um mesmo nível de excitação, a fase do platô, que antecede o orgasmo, deve ser prolongada ao máximo. E aí estamos falando de carícias preliminares. O tamanho e o vigor do pênis serão de muito pouca utilidade se, da mesma forma como ocorre com o homem, não houver a ereção dos órgãos genitais femininos como pré-requisito para a penetração.

Contudo, o homem não é o único responsável pelo prazer sexual da mulher. A ideia de mulher passiva, que se deixa conduzir, incapaz de uma iniciativa, reflete bem a inferioridade que algumas mulheres ainda sentem quando esperam que o homem sozinho produza nelas o prazer.

Uma das maneiras que elas têm de aumentar a excitação e chegar a um orgasmo satisfatório é buscando o prazer que podem sentir ao curtir de variadas formas o corpo do parceiro e sendo tão ativas quanto ele na penetração. Claro que para isso elas vão ter que se libertar primeiro da preocupação excessiva em agradar ao homem.

Na realidade, um grande amante não nasce do nada. É preciso aprendizagem e muita espontaneidade. Como em qualquer forma de arte, fazer sexo requer técnica e sensibilidade. Não ter preconceitos nem ideias estereotipadas a respeito do papel do homem e da mulher, mas disposição para proporcionar e receber prazer, são requisitos básicos.

Reich dizia que o prazer máximo sexual só é alcançado quando as vísceras acompanham os movimentos, quando os sentidos fluem junto com os atos, quando os dois parceiros estão finamente sintonizados, muito presentes, atentos um ao outro e ambos isolados de tudo o mais.


“Logo que chegamos ao motel, ele avança sobre mim quase com fúria”
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Regina Navarro Lins

“Tenho um amante ótimo há alguns meses. Não tenho o que reclamar dele, exceto por uma atitude curiosa. Quando nos encontramos, uma vez por semana, porque sou casada, logo que chegamos ao motel, ele avança sobre mim quase com fúria. Antes de qualquer outra atitude, muitas vezes sem que eu tenha tirado toda a roupa, me penetra e logo goza. Depois tudo volta ao normal; ele fica carinhoso, conversamos e fazemos mais sexo. Será que ele só está me usando? Sinceramente, não sei o que fazer diante desse comportamento estranho.”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


A autoestima em jogo
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que responderam à enquete acreditam ser comum casais lutarem pelo poder na relação.

Em alguns casos é possível observar uma espécie de “terrorismo íntimo” em ação. Marília, por exemplo, comentou com o marido que cantaria na festa de aniversário de casamento da amiga e ele disparou: “Quando nos conhecemos você tinha uma linda voz, pena que os anos estão te tornando meio desafinada.”

Outro exemplo é o de Luiza ao ouvir o marido comentar que seria o interprete do gerente americano no dia seguinte: “Se você tivesse treinado todos esses anos talvez estivesse com a compreensão perfeita de inglês que tinha…”

Essas “derrubadas” entre casais revelam como os ressentimentos dominam a relação e eles as mantêm sem capacidade de se unirem nem de se separarem.
Encontramos com frequência relações amorosas em que há luta pelo poder.

Muitas vezes, o poder, que se mascara como amor, assume um papel bem importante na união de duas pessoas. “Estou fazendo isso para o seu bem.”, é uma frase que pode significar justamente o contrário. “Nos relacionamentos com essa característica há duas pessoas preocupadas em atacar a segurança ou a autonomia uma da outra, provocando recíproca ansiedade”, observa o psicoterapeuta americano Michael Miller, estudioso do tema.

Embora nenhuma das partes esteja preparada para abrir mão do relacionamento, cada uma tem como objetivo tomar o controle dele. Em sua busca de poder na relação atacam-se os pontos mais vulneráveis do parceiro (a). Usam-se ameaças, alimentam-se o medo e a dúvida, de forma a paralisar a vontade do seu oponente. Cada troca de palavras tem um significado diferente do que aparenta, numa tentativa de prolongar a batalha pelo poder.

Infelizmente há pessoas que levam a vida em comum assim, frios um com o outro, sem comunicação, talvez com frequentes explosões – como duas pessoas que se esforçam para evitar brigas “por causa das crianças” ou para não escandalizar os vizinhos, mas, acima de tudo, para manter o casamento mais ou menos intacto. Ao falarem de separação é mais uma tática de intimidação do que real intenção de se afastarem.

No terrorismo íntimo, ninguém sai vencedor. Os dois ficam ricocheteando as mútuas ansiedades, cada um aumentando a sua no processo. As precedentes táticas de terror são, em sua maior parte, relativamente polidas, as que usualmente mantêm a luta dentro dos limites do decoro da classe média.

Mas nem sempre isso ocorre – se a frustração de um casal esquentar suficientemente pode fazê-los começar a atirar coisas um no outro. Mas temos que levar em conta também que em muitos casamentos, as pessoas não se separam porque dependem um do outro emocionalmente, precisam do parceiro para não se sentirem sozinhos e para que ele seja o depositário de suas limitações, fracassos, frustrações e também para responsabilizá-lo pela vida tediosa e sem graça que levam.

Na realidade, amor e poder nunca vão funcionar bem juntos. Não é novidade que toda relação íntima deve levar em conta as necessidades de cada uma das partes, tanto para o estar juntos como para a autonomia.