Regina Navarro

“Não temos sexo há mais de dois anos, mas gostamos de ficar juntos.”
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Regina Navarro Lins

“Como salvar um casamento onde não existe sexo há mais de dois anos? Porém o casal se gosta e quer ficar junto? No caso, houve uma traição por parte do homem, se separaram, mas um tempo depois voltaram. A mulher engravidou em seguida, esta rejeitou o parceiro neste período e depois descobriu uma nova traição, ocorrida no finalzinho da gravidez. Terapia de casal durante a gravidez e terapia individual para cada um nos últimos meses não tem surtido efeito. A falta de tesão continua.”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Culpa e vergonha pelas fantasias sexuais
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A metade das pessoas que responderam à enquete da semana já se envergonhou de alguma fantasia sexual. Mas quase todos têm fantasias sexuais. Existem as que não sentem muito prazer, e até mesmo são incapazes de atingir o orgasmo, sem recorrer a elas.

Com fantasias a vida sexual ganha uma diversidade que seria impossível no cotidiano. Por mais que exista grande atração entre um casal, a excitação não se dá sempre da mesma forma, tem altos e baixos.

Lançar mão desse recurso funciona, muitas vezes, como estimulante para se recuperar a intensidade do desejo. E a variedade é grande: cenas, lugares, pessoas, podendo ser, em alguns casos, sobre um parceiro mais desejável do que aquele com quem se está fazendo sexo.

A grande vantagem das fantasias é poder inventá-las da maneira que se quiser. Cada um é dono do seu próprio espetáculo: decide o elenco, o argumento, a direção, a edição, os ângulos de câmera e os efeitos especiais.

Além disso, não há motivos para se preocupar com críticas negativas ou censura: ela é a única pessoa que poderá ver as suas fantasias sexuais. Contudo, nem todos se sentem tranquilos dando asas livremente à imaginação. Muitos sentem culpa e se envergonham de suas fantasias, jamais as revelando para alguém.

As fantasias são, geralmente, associadas à ideia de desvio sexual, gerando forte sensação de inadequação. Fantasiar o que não é aceito socialmente — relações incestuosas, homossexuais, sadomasoquistas, etc — ameaça pelo temor de que acabe se tornando realidade. Para a grande maioria o dia-a-dia é regido por regras de comportamento e elas tendem a se enquadrar nos padrões aceitos.

Um documentarista que cobria os clubes sadomasoquistas de Hamburgo, Alemanha, entrevistou um homem de meia idade, ajoelhado, corrente presa ao pescoço, algemas nos punhos, vestindo tanga de borracha lilás. O sujeito engatinhava. Ao ser questionado quem era e por que estava ali, ele respondeu que trabalhava como executivo numa grande empresa, decidia tudo o tempo todo por todos. Ali, ajoelhado e humilhado, equilibrava a sua condição.

Apontado como grande saída para as crises conjugais, a fantasia sexual ainda é uma incógnita para a maioria dos casais. Em pesquisa de 1995, do psicólogo Sérgio Fleury, com 72 mulheres, quase 60% delas admitiram não contar ou escolher o que dizer aos parceiros. Segundo o mesmo estudo, 65% dos pares não expressam as próprias fantasias.

Sérgio acredita que a inibição feminina tem a ver com a culpa e a do homem com o mais puro machismo. Entregar o conteúdo de um desejo pode ser encarado também como uma forma de mostrar muito de si ao outro. As fantasias são formas de quebrar o lado fraternal do casamento, coisa que acontece com o tempo.

Uma pessoa pode sonhar com quem desejar e imaginar qualquer cenário e ritual para um encontro amoroso. Mas pesquisas indicam que as fantasias geralmente envolvem parceiros conhecidos, um ex-amor ou o marido da vizinha, ou mesmo a balconista do mercado. Os locais escolhidos também costumam ser bastante comuns. As atividades imaginadas se abrem para um arco que vai do romantismo açucarado até os malabarismos mais circenses.

Quanto a compartilhar a fantasia, não há consenso. Há especialistas, como o neurologista Martin Pörtner, recomendando que quanto menos se falar, melhor. Os parceiros devem descobrir as fantasias dos parceiros na cama e na prática. A verbalização desestimula, segundo ele.

Nenhum casal está livre do conflito das fantasias com terceiros. Em seu livro Psicopatologia das relações amorosas, Otto Kernberg afirma que os casais sempre dividem a cama com mais quatro pessoas: os rivais e os tipos ideais de cada par. Diante do inevitável, Kernberg alerta que a fantasia deve ir para o baú quando resulta em dor física ou emocional.

As pesquisas mostram que um entre quatro entrevistados tem fortes sentimentos de culpa ou vergonha por suas fantasias. Mesmo entre estudantes universitários americanos, cerca de 22% das mulheres e 8% dos homens afirmam que tentam reprimir suas fantasias.

Geralmente as pessoas visualizam situações, que não gostariam de experimentar na vida real. Elas se prestam basicamente para elevar o nível de excitação. E é provável que tais fantasias pertençam justamente a uma área de repouso da experiência humana, livre de explicações racionais.

E, dependendo das fantasias, mais prejudicial do que elas acontecerem na realidade é o sentimento de culpa e vergonha que provocam.


Insistência pelo sexo anal
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae


Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso da internauta que tem uma relação ótima com o marido, mas há um problema: ele insiste em fazer sexo anal e ela não suporta.

O sexo anal é talvez a mais execrada de todas as formas de sexo. Os gatos lambem, os cachorros cheiram, mas ma maior parte dos humanos trata o ânus como se fosse uma das partes mais malignas do corpo. Seu uso na relação sexual é um tabu em muitas culturas, inclusive na nossa.

No estado de Indiana, EUA, em 1965, houve o caso de um homem, que foi preso por fazer sexo anal com a esposa. Ela, depois de uma briga, assinou uma declaração acusando o marido de ter cometido “o detestável e abominável crime contra a natureza”. Embora a mulher tenha mudado de ideia e tentado retirar a acusação, não tinha mais direito legal de fazê-lo. O marido foi condenado a quatorze anos de prisão. Teve direito a um novo julgamento, mas passou três anos preso antes que ele acontecesse.

Em 1990, 17 estados americanos ainda mantinham na ilegalidade o sexo anal consensual. Em 1988, na Georgia, Estados Unidos um homem foi condenado a cinco anos de prisão por ter confessado que fez sexo anal com a esposa, com o consentimento dela. Na França, antes da revolução, essa prática levava à morte na guilhotina e na Inglaterra, no século 17, era considerada como crime e a condenação podia ser prisão perpétua ou pena de morte.

Curiosamente, na Roma antiga, na noite de núpcias, o noivo se abstinha de tirar a virgindade da noiva em respeito a sua timidez e por isso praticava o sexo anal com ela. Em muitas épocas da história da humanidade o sexo anal foi considerado pecado. Entretanto, independente das proibições legais ou morais, as pessoas sempre o praticaram.

Três motivos levam as pessoas a praticarem o sexo anal: pelo prazer, como contraceptivo e para evitar que uma moça deixe de ser virgem. É sabido que as prostitutas da Antiguidade utilizavam o sexo anal como contraceptivo, quando ainda não havia preservativos.

Antes do movimento de liberação sexual, não eram poucas as moças que praticavam sexo anal com seus namorados para casarem virgens ou se manterem assim, caso o namoro terminasse.

Quanto ao prazer, não resta dúvida que o ânus possui sensibilidade erótica e é possível chegar ao orgasmo com sua estimulação. Entre muitos homossexuais masculinos o ânus é via natural de prazer. Entre os heterossexuais há grande número de adeptos.

Geralmente são os homens, na relação com a mulher, que mais desejam e solicitam o sexo anal; o aperto do ânus proporciona um prazer bastante intenso. Muitas mulheres, ao contrário, evitam ou até se recusam, alegando dor ou desconforto.

Os músculos do ânus são muito mais apertados do que os da vagina, e se a introdução do pênis for feita de forma brusca pode provocar dor e machucar. Mas isso não impede que muitas mulheres sintam grande prazer, principalmente se o clitóris é estimulado simultaneamente com um vibrador.

Em hipótese nenhuma deve haver penetração vaginal após a introdução do pênis no ânus. As bactérias naturais do reto podem causar infecções vaginais. E é muito arriscado praticar sexo anal sem usar preservativos. É a forma mais fácil de transmissão do vírus da AIDS, que é absorvido direto pela corrente sanguínea.

Do ponto de vista do bem estar emocional individual e da própria relação, o sexo anal só tem sentido se a mulher desejar realmente e jamais só para agradar o parceiro. Muitos homens insistem e a mulher, com medo de frustrá-lo e ser rejeitada por isso, se obriga. Nenhuma relação suporta tanto sacrifício.


“Meu marido insiste em fazer sexo anal; eu não suporto!” O que você faria?
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Regina Navarro Lins

“Sou casada há cinco anos. Meu marido é legal em vários aspectos, mas nossa vida sexual é um estresse. Ele insiste em fazer sexo anal, mas eu não suporto. A insistência dele me irrita. Mas é difícil dizer não o tempo todo. O que eu faço?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


As frequentes relações extraconjugais
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que responderam à enquete da semana terminaria uma relação se descobrisse que seu parceiro (a) transou com alguém.

Entretanto, são muito comuns as relações extraconjugais. E isso ocorre apesar dos conflitos, medos e culpas, da expectativa dos parentes e amigos, dos costumes sociais, e dos ensinamentos estimularem que se invista toda a energia sexual em uma única pessoa — marido ou esposa.

O pesquisador Alfred Kinsey afirmou a esse respeito: “A preocupação da biografia e da ficção do mundo, em todas as épocas e em todas as culturas humanas, com as atividades não-conjugais de mulheres e homens casados, é evidência da universalidade dos desejos humanos nessas questões.”

Mas ter relações fora do casamento não é tão simples. O conflito entre o desejo e o medo de transgredir pode ser doloroso. “As estatísticas mostram que no sexo feito à tarde é quando ocorre maior incidência de infartos, mas isso acontece porque é nesse período do dia em que se dão os encontros fora do casamento. A relação extraconjugal pode ser mais excitante, mas transgredir, estar preocupado se tudo vai dar certo, são situações que podem gerar ansiedade.”, me disse certa vez o médico cardiologista Carlos Scherr.

O duplo padrão do adultério – homem pode, mulher não – está desaparecendo. Durante cinco mil anos os homens acreditaram ser somente deles esse direito. Mas começam a pensar diferente. A pílula anticoncepcional, possibilitando o movimento de emancipação feminina e a revolução sexual, foi fundamental para a mudança das mentalidades.

Uma pesquisa realizada com 106 mil leitoras da revista americana Cosmopolitan no início dos anos 80 indicou que 54% das mulheres casadas tiveram pelo menos um caso extraconjugal, e a pesquisa de Shere Hite, na mesma época, abrangendo 7239 homens, relatou que 72% dos casados há mais de dois anos tiveram relações extraconjugais. Estes dados, tanto para mulheres quanto para homens, foram depois verificados por outros pesquisadores.

A pesquisa que fiz no meu site comprova os resultados apresentados por Hite. Mais de mil pessoas responderam. Dessas, 72% declararam já ter tido relações extraconjugais. E Anthony Thompson, do Instituto de Tecnologia da Austrália Ocidental, argumenta que a probabilidade de que o marido ou a mulher terão um caso possa ser tão alto quanto 76%.

A exclusividade sexual é a grande preocupação de homens e mulheres. Mas ninguém deveria ficar preocupado se o parceiro se relaciona sexualmente com outra pessoa. Homens e mulheres só deveriam se preocupar em responder a duas perguntas: Sinto-me amado (a)? Sinto-me desejado (a)?
Se a resposta for Sim para as duas, o que o outro faz quando não está comigo não me diz respeito. Sem dúvida as pessoas viveriam bem melhor.


Vítimas do desvario amoroso
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae


Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso o caso do internauta que é perseguido pela ex-namorada. Ele não sabe o que fazer para se livrar disso. Ela fica vigiando quando ele sai de casa e quando chega. Aparece de repente no seu trabalho e manda dezenas de mensagens diárias.

O culto às celebridades tornado público nos anos 70 foi também o momento em que o termo stalking passou a ter relevância. Aficionados que perseguem seus ídolos foram os primeiros identificados nesta modalidade contemporânea de comportamento nocivo.

Eles são os stalkers. A palavra origina-se do verbo inglês “to stalk”, cujo significado literal é “espreitar”, como se faz com a caça. Stalking desde 1990 é considerado crime nos Estados Unidos.

Mas a prática foi além de fãs e ídolos e hoje infelizmente é uma ameaça que pode recair sobre qualquer um de nós. O cerco que era feito usando bilhetes ou cartas assumiu a era das redes sociais e é muito facilitada pela tecnologia. Mulheres constituem a maioria entra as vítimas de stalkers e muitos casos evoluem para o homicídio.

J. Reid Meloy, psicólogo americano, especializado em medicina legal, concluiu que “stalking poderia ser definido mais especificamente como “um comportamento anômalo e extravagante, causado por vários distúrbios psicológicos (narcisismo patológico, pensamentos obsessivos, etc…), nutridos por mecanismos inconscientes como raiva, agressividade, solidão e inaptidão social, podendo ser classificado como patologia do apego''.

De acordo com a legislação penal brasileira, stalking configura contravenção penal (perturbação da tranquilidade) com a seguinte descrição: Art. 65. Molestar alguém ou perturbar-lhe a tranquilidade, por acinte ou por motivo reprovável: Pena – prisão simples, de quinze dias a dois meses, ou multa. Mas a denúncia é complicada e é necessária comprovação clara.

Para especialistas, o stalking aprisiona as vítimas tanto física quanto psicologicamente. Elas sofrem com a restrição de suas atividades, tornam-se temerosas de se aventurar fora do território familiar e sentem-se amedrontadas em locais públicos.

Muitos perseguidores espreitam suas vítimas (75%), fazem ameaças explícitas (45%), vandalizam bens (30%), e às vezes ameaçam matá-las ou a seus animais de estimação (10%). Embora as mulheres sejam vítimas em muito maior número, homens também podem ser perseguidos.

Quem não se lembra do filme Atração Fatal com Michael Douglas e Glenn Close? Em alguns casos os stalkers se tornam especialmente violentos quando a vítima passa a ter uma nova relação amorosa.

As causas desse desejo de perseguir ainda não estão totalmente esclarecidas, mas existem estudos apontando para a incapacidade de lidar com as perdas da infância e da idade adulta. “O que se sabe é que movido pelo desejo de proximidade, um stalker desenvolve uma habilidade incomparável para elaborar estratégias repetidas e indesejáveis só para manter contato.”, diz Meloy.


“Ela cisma que é minha namorada e me persegue!” O que você faria?
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Regina Navarro Lins

“Uma mulher cisma que é minha namorada e me persegue. Já falei com ela um milhão de vezes que não quero nada com ela, mas ela insiste…insiste. Moramos juntos durante um ano, mas saí fora por não aguentar tanto ciúme. O que faço para esse grude sair de mim? Ela fica vigiando quando saio de casa, quando chego, é marcação cerrada mesmo. Já apareceu várias vezes no meu trabalho e envia dezenas de mensagens por dia. Um advogado me orientou até a fazer boletim de ocorrência, mas é difícil fazerem B.O. quando é o homem que solicita. Por favor, me ajudem!”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Amor a três
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

Quase metade das pessoas que responderam à enquete da semana viveria junto com mais duas pessoas uma relação amorosa. Isso mostra uma grande mudança de mentalidade, comparada a que existia há 30 ou 40 anos.

Acredito que podemos amar várias pessoas ao mesmo tempo. Não só filhos, irmãos e amigos, mas também aqueles com quem mantemos relacionamentos afetivo-sexuais. E podemos amar com a mesma intensidade, do mesmo jeito ou diferente.

Acontece o tempo todo, mas ninguém gosta de admitir. Há a cobrança de rapidamente se fazer uma opção, descartar uma pessoa em benefício da outra, embora essa atitude costume vir acompanhada de muitas dúvidas e conflitos.

O professor de ciências sociais Elías Schweber, da Universidade Nacional Autônoma do México, diz: “Na infidelidade influem fatores psicológicos, culturais e genéticos que nos levam a afastar a ideia romântica da exclusividade sexual. Não existe nenhum tipo de evidência biológica ou antropológica na qual a monogamia é ‘natural’ ou ‘normal’ no comportamento dos seres humanos. Ao contrário, existe evidência suficiente na qual se demonstra que as pessoas tendem a ter múltiplos parceiros sexuais.”

Ao se deparar com essa possibilidade é comum se desmerecer um de seus polos: ou o estado amoroso nascente será considerado capricho, infantilidade, mero desejo sexual, loucura; ou o estado amoroso anterior será questionado: não era amor de verdade, o parceiro não supria as necessidades e assim por diante.

O conflito se instala porque sentimentos ignoram as contradições e as exigências de exclusividade do tipo “se amo uma pessoa, não posso amar outra”. Quando o sentimento insiste em se instalar e permanecer, pode surgir a dúvida do que se sente pela pessoa com quem se mantinha o pacto de fidelidade.

“Buscar comodidade e segurança na vida amorosa como valor absoluto implica colocar-se à margem da vida, protegido por uma couraça. O resultado é a estagnação do fluxo vital e um empobrecimento de vivências. A pessoa assim defendida se torna superficial e um tanto pueril, quando não se torna também invejosa das pessoas que ousam dizer sim à vida, atacando-as com um moralismo rançoso.”, diz a psicóloga Noely Montes Moraes.

O jornal americano Chronicle saudou com hostilidade uma reapresentação na televisão do filme, de 1982, Summer Lovers (Amantes de verão), com Daryl Hannah, Peter Gallagher, Valerie Quennessen, dirigido por Randal Kleiser. O filme, rodado nas ilhas gregas, começa mostrando uma típica mistura de jovens turistas em busca de diversão.

Um jovem casal americano vai à Santorini em sua primeira viagem conjunta. Lá o rapaz conhece uma arqueóloga francesa por quem se apaixona. Dividido no amor, reluta para não perder a namorada e a convence, com a ajuda da arqueóloga, de que poderão viver a três.

O triângulo amoroso se forma. Quando uma das mulheres sai de cena o casal se sente frustrado e resolve voltar para os EUA. Mas a francesa vai ao encontro dos dois no aeroporto e os três, abraçados, retornam juntos para a casa em que viviam na ilha.

O crítico do jornal afirma que é um relacionamento sem saída, de que a tríade é implausível porque ninguém saiu machucado. Para B.Foster, M.Foster e L.Hadady, que viviam a experiência quando escreveram um livro sobre o tema, “a tríade é um estilo diferente de amor, que não somente exige várias pessoas, mas sua interação no tempo e no espaço. O triângulo têm uma história profunda e longa, como a mais antiga forma alternativa da família.''