Regina Navarro

Desempenho sexual de homens e mulheres
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana se preocupa com o próprio desempenho sexual.

Apesar disso, na sociedade ocidental o sexo é em grande parte das vezes praticado como uma ação mecânica, rotineira, desprovida de emoção, com o único objetivo de atingir o orgasmo o mais rápido possível.

Estudos mostram que 75% dos homens ejaculam em menos de dois minutos depois de introduzir o pênis na vagina e muitos, depois disso, viram para o lado e dormem. Enquanto isso, a maioria das mulheres não tem orgasmo e se desilude com a objetividade sexual do homem.

Mas isso está mudando. A revolução sexual dos anos 60 continua evoluindo e traz, cada vez mais, o prazer do sexo para dentro das relações amorosas. Essa realidade tornou-se uma nova preocupação masculina: passou a ser fundamental o bom desempenho do homem na cama.

Mudou a posição do homem diante do prazer, que antes era uma prerrogativa masculina. O que a mulher sentia durante o ato sexual era uma intimidade dela, que não podia ser manifestada.

Durante séculos se acreditou que as mulheres serviam para procriar e criar filhos. Aos homens era reservado o prazer. Mulher que gostasse de sexo devia trabalhar como prostituta.

O absurdo chegava ao ponto da seguinte afirmação, feita na Inglaterra, no século 19, por um médico famoso, Lorde Acton: “Felizmente para a sociedade hoje sabemos que a ideia de que a mulher possui desejos sexuais pode ser afastada como uma calúnia vil”.

O surgimento dos anticoncepcionais, há 50 anos, virou o jogo. A mulher que tomava a pílula estava na cama para gozar e não procriar. Um novo mundo surgia.

Hoje, não faltam estímulos para que se viva um sexo mais intenso e prazeroso, incluindo aí a realização de variadas fantasias. A satisfação sexual na relação com a parceira passou a ser fundamental.

Por outro lado, a mulher livre, que não esconde que sexo é tão bom para ela como para o homem, pode gerar insegurança. Ao mesmo tempo que a moça reprimida, que demonstra não se interessar por sexo, perdeu todo o seu glamour.

Tudo indica que os homens e mulheres que ainda não conseguiram se libertar dos valores tradicionais, estão, ao menos momentaneamente, impossibilitados de estabelecer relacionamentos afetivo/sexuais satisfatórios.

Concordo com o historiador Georg Feuerstein quando diz que quase todos sabem que são capazes de conseguir muito mais da própria vida sexual do que se permitem sentir; sabem também que no prazer sexual e nos jogos de amor existe um espaço imenso onde podem crescer e se desenvolver desde que encontrem tempo, energia, coragem e honestidade para partir em busca desse desenvolvimento.


Sexo frustrado
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae


Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso da mulher casada há 20 anos e completamente apaixonada pelo marido. O problema é que nos últimos anos ele se recusa a fazer sexo. Diz sempre que está cansado ou com dor de cabeça. Ela se sente amada por ele, mas não quer passar o resto da vida dessa forma. Quando fala em separação, ele se desespera.

Não sabemos exatamente porque o marido da internauta evita fazer sexo. Mas o fato é que muitos homens, com dificuldade de obter ou manter a ereção, se comportam dessa forma.

O pior é que um estudo mostrou que o homem demora em média quatro anos para buscar ajuda no campo sexual. O medo de aceitar a impossibilidade de fazer sexo, a dificuldade de contar isto para outra pessoa, a vergonha. Tudo leva o homem a achar que amanhã vai passar e atrasa a procura por ajuda. É muito sofrimento desnecessário.

Há alguns séculos era bem mais difícil para o homem. Na França, na Idade Média (século 5 ao 15), havia o Tribunal da Impotência. Uma mulher podia acusar o marido de impotência e com isso conseguir a anulação do casamento. Claro que não era simples provar sua acusação.

No século 12, ainda se aceitavam provas como juramento dos maridos, testemunhos de sete vizinhos que “ouviram dizer” que o homem era impotente, até suplícios como caminhar sobre ferros quentes para provar a inocência. A verificação da impotência foi se aperfeiçoando. O bispo deveria indicar sete parteiras para examinar as partes genitais da esposa, a fim de verificar se o hímen foi rompido.

A medicina medieval aconselhou o ato sexual público de marido e mulher quando havia acusação de impotência. O médico, com autorização da justiça, primeiro examinava os órgãos genitais de ambos. Depois, uma mulher respeitável assistia o casal deitado durante alguns dias. Ela lhes dava alimentos afrodisíacos, fazia massagem com óleos, ordenava-lhes que se acariciassem e se beijassem. Ao final, transmitia ao médico o que tinha visto. E então ele podia depor em juízo.

Todo esse processo era dramático para o homem, levado sob os gritos da multidão para a casa onde se lhe exige que cumpra o seu dever conjugal. Além do ridículo que experimenta, o marido é ameaçado, em caso de fracasso, de ser separado da mulher, de ter de devolver o dote e de ser condenado ao celibato para o resto dos seus dias.

Hoje não há mais dote para devolver e a “vergonha” masculina se limita ao que a esposa deixa as amigas saberem. Mas a carga cultural ainda é enorme e a felicidade do casal fica ameaçada quando o homem falha. O melhor caminho é evitar o desespero e lembrar que os especialistas afirmam que sempre é possível restabelecer a ereção. Estamos vivendo a era dos melhores tratamentos e soluções.

Entretanto, o temor de novo fracasso pode criar um círculo vicioso. Se um homem fica ansioso durante o ato sexual, são liberadas substâncias como a adrenalina, afetando o funcionamento do seu sistema nervoso autônomo. Isso leva à contração dos vasos sanguíneos, impedindo o fluxo de sangue para o pênis, o que torna difícil obter ou manter a ereção.

A preocupação com o desempenho acaba, então, ocasionando a impotência ou até mesmo fazendo o homem desistir antes do tempo, antecipando essa possibilidade.

Grande parte dos casos de disfunção erétil deixará de existir quando o homem se libertar da obrigação de provar que é macho. Partir para o ato sexual apenas quando existir desejo real pela parceira e não se preocupar com a ereção são pré-requisitos fundamentais.

Aí talvez seja possível experimentar o sexo com liberdade, simplesmente para obter e proporcionar prazer, longe de qualquer tipo de ansiedade.


“Meu marido me rejeita sexualmente. Dá sempre desculpas.” O que você faria?
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Regina Navarro Lins

“Sou casada há 20 anos e sou completamente apaixonada pelo meu marido e sei que ele me ama também. O problema é que nos últimos anos sexo foi ficando muito raro na nossa vida, tentei de tudo lingerie sexy, viagem, jantar romântico. Quanto mais ele me rejeitava mais brava eu ficava. Era sempre '' hoje eu estou com dor de cabeça”, “hoje estou cansado”… Quando eu insistia muito ele não conseguia uma ereção e tem sido assim. Vivemos uma batalha silenciosa de frustração, ele foi ao médico e fisicamente não há nada errado, mas ele não gosta de falar sobre isso e parei de insistir. Temos brigas horrorosas por conta disso. Quanto mais eu cobro, pior fica. Vejo minhas amigas reclamarem que os maridos/namorados querem transar o tempo todo, mas o meu não quer. Estou pensando seriamente em me separar, não consigo pensar em passar o resto da minha vida assim. Sinto falta da intimidade, do contato físico. Quando toco no assunto da separação ele se desespera, diz que ama e não quer se separar. Não sei o que fazer.”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


É possível viver bem sem um par amoroso
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana acredita ser possível viver feliz sem um par amoroso. Mas esse resultado não corresponde ao que, segundo pesquisas, muitos pensam. A busca de uma vida a dois, muitas vezes, se torna desesperada.

A ideia de que quem não está com um par amoroso vive só é uma premissa falsa, a menos que alguém se mude para uma cabana na selva. Nas cidades somos cercados por pessoas o tempo todo e é quase impossível sobreviver sem conviver.

A literatura, o cinema e a música, a produção cultural, enfim, alimentam o mito do casal há séculos. Mas um estudo da Universidade de Auck¬land, na Nova Zelândia, feita com neozelandeses de 18 a 94 anos, revelou que, diferentemente das pessoas que buscam a vida a dois, aquelas que preferem evitar conflitos são mais felizes solteiras, independentemente do gênero ou do período da vida em que se encontram.

As redes sociais aproximaram as pessoas mais do que nunca. O isolamento que muitos previam tornou-se o seu contrário. O preço que se paga é alto para viver com alguém que te cobra um modo de ser por sua companhia.

Entretanto, a relação estável está consolidada no Ocidente. Fomos convencidos a acreditar que o amor se dirige a uma só pessoa. Nossa busca pela outra metade é incessante e às vezes desesperada.

O surgimento de um possível parceiro é um sonho a ser alimentado até o absurdo de reconstruirmos em nossa imaginação uma outra pessoa com características que preencham o modelo projetado.

E o tempo só consolida o aspecto mais grave: a necessidade imperiosa de ter alguém ao lado custe o que custar. Abrir mão dessa pessoa significa se sentir incompleto, desamparado.

Aí é que entra o amor romântico, que promete o encontro de almas e a fusão dos amantes, acenando com a possibilidade de transformar dois num só, da mesma forma que na fusão original com a mãe.

Após a década de 1940, passamos a associar mais intimamente casamento a amor. A entrada do amor romântico fez do casamento meio para as pessoas realizarem suas necessidades afetivas, sendo a sociedade ocidental a única a assumir o risco de ver esse tipo de união ser estabelecido sobre o amor de um casal.

Para viver bem sozinho é necessário desenvolver a autonomia pessoal. A busca de uma experiência amorosa e sexual que exclua a dependência emocional do outro. Acima de tudo é importante a valorização dos amigos e dos laços afetivos.

Conviver com nossas singularidades, e o prazer que essa condição pode nos trazer, viabiliza a mudança necessária para vivermos bem sozinhos, ou seja, sem um par amoroso. Isso, além de nos tornar mais aptos para o relacionamento com o outro, nos faz entender que estar só não significa necessariamente solidão.


Desejo que atormenta
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae


Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso da mulher casada que começou a participar de aulas de dança e conheceu um homem com o qual teve sonhos eróticos. Saíram e se beijaram. Fazia tempo que ela não se sentia tão desejada. Não para de pensar nesse homem e tem fantasias sexuais com ele. Mas se sente culpada em relação ao marido.

Sentir tesão por alguém que não seja o parceiro fixo, quase todos sentem. No entanto, contar ao parceiro que está com tesão por outro é eliminar totalmente a privacidade e transformar uma relação amorosa em confessionário. Muitos entram num namoro ou casamento acreditando que os dois têm que se transformar numa só pessoa. Nem os pensamentos podem ser reservados.

Acham que amar alguém é estar tão misturado que fica até difícil saber quem é quem. Isso acontece porque as pessoas imaginam que assim vão estar completas, que nunca vão se sentir sozinhas. Os dois têm que gostar sempre das mesmas coisas e, é lógico, só admitem sair juntos. Se um não for, o outro não vai.

Os amigos têm que ser comuns (se houver), e se um dos dois não gostar muito do jeito do amigo do outro, encerra-se logo aquela amizade. É claro que a isso tudo se acrescenta a ideia de que quem ama jamais vai sentir desejo por outra pessoa. Seria uma grande traição. Embora não verbalizem, pensam que os dois devem morrer para o mundo e viver só para o seu amor.

Quem é menos autônomo, mais medroso, defende com frequência a ideia de que para uma relação ser boa não pode haver segredo entre os parceiros. Será que não?

Quando um sabe tudo do outro, com o tempo os dois vão ficando sem novidade alguma. Não existe nada mais para descobrir, tudo se torna excessivamente conhecido: o que ele vai dizer, o que ela vai fazer… para o tédio e a monotonia é um passo.

Há os que se sentem culpadíssimos quando percebem sentir desejo sexual por outra pessoa. Contam para o parceiro, tentando expiar o pecado e, depois de perdoados, se sentirem novamente protegidos num mundo não muito real.

Entretanto, pode acontecer de o parceiro que recebe a confissão se aproveitar disso para torturar o outro, afirmando não poder nunca mais confiar. A maioria dos que não contam nada não deixam de se culpar e, com medo de que o parceiro também sinta tesão por outra pessoa, se tornam inseguros. Ameaçados, começam a controlar tudo.

Não é tão simples viver uma relação amorosa saudável, que contribua para o próprio crescimento emocional. É necessário aprender primeiro a lidar de outra forma com as questões da vida.

Você pode amar muito uma pessoa, estar namorando ou casado com ela e ao mesmo tempo não ter dúvida de que é mais do que natural sentir tesão por outra pessoa. Se vai ou não viver uma experiência sexual com essa pessoa, depende da visão que cada um tem do amor e do sexo.


“Sou casada, e não paro de pensar no rapaz que me beijou. Me sinto culpada”
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Regina Navarro Lins

“Iniciei aulas de dança. Meu esposo não gosta de dançar, por isso não participava das aulas comigo. Dançava com todos os rapazes da mesma forma, no entanto, um dos rapazes da dança era bem carismático, me elogiava e sem perceber comecei a sentir falta dele quando não estava na aula. Começamos a ir para as baladas, mas nunca aconteceu nada. Até que comecei a sonhar com ele, e num dos sonhos eu o beijava e comecei a me preocupar. Será que quero separar de meu marido? Contei a esse rapaz do sonho, e numa balada ele tentou me beijar, a princípio resisti, mas depois cedi, e foi tão maravilhoso! Fazia tempo que eu não me sentia tão desejada. No outro dia me senti péssima, tentei até contar para meu marido, de tanta consciência pesada, mas ele não quis ouvir e recomeçamos. Não paro de pensar nesse rapaz e tenho fantasias sexuais com ele. O que fazer?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Convivendo com a bissexualidade
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana aceitaria se relacionar com alguém que já se relacionou com o mesmo sexo. Isso não é raro de acontecer.

Estudos mostram que a grande maioria já sentiu de alguma forma desejo por ambos os sexos. É enorme o número de homens casados que sentem desejo pela parceira, mas também necessidade de manter relações sexuais com outros homens.

Um bom exemplo é o caso de Alex, que foi ao meu consultório tentando entender o que estava acontecendo com ele:

“Sou casado há 12 anos e tenho três filhos. Nunca havia sentido desejo por outro homem, mas isso aconteceu agora com um colega de trabalho. Almoçamos sempre juntos, e ele já declarou que também sente desejo por mim. Tenho um ótimo sexo com minha mulher e a amo muito. Já passei noites acordado pensando nisso. A questão é que, apesar dos riscos que corro, caso ela descubra, não estou disposto a abrir mão do que estou sentindo. Tenho tido sonhos em que me vejo transando com homens. O que me impressiona é que esse desejo aumenta cada dia mais.”

Muitos desprezam os bissexuais acusando-os de serem gays enrustidos, de não terem coragem de se assumir, de estarem em cima do muro. Mas ao contrário disso, pesquisadores da Northwestern University, Illinois, EUA, encontraram evidências científicas de que alguns homens que se identificam como bissexuais são, de fato, sexualmente atraídos por homens e mulheres.

Fernando Seffner, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desenvolveu a única pesquisa sistemática no Brasil a respeito da bissexualidade masculina. Ele conta como os entrevistados veem a própria bissexualidade:

“Alguns dizem que ser bissexual é a melhor coisa do mundo, pois têm o dobro das chances do heterossexual. Outros dizem que fazer sexo com um homem aumenta o tesão na hora de fazer sexo com a esposas. Por outro lado, há homens que se queixam muito, gostariam de se definir, esperam que isso seja apenas uma fase de suas vidas, acham que complica a possibilidade de casar e ter filhos. Uma coisa quase todos têm em comum: o medo de serem descobertos em seu desejo. Não sabem como vão se explicar frente aos outros homens, seus parentes ou colegas de trabalho, companheira e filhos. Acreditam que todos vão pensar que eles são homossexuais enrustidos.”

Lisa Diamond, professora da Universidade de Utah, EUA, que estuda orientação sexual, diz que “estudos de população indicam que a bissexualidade é de fato mais comum do que a atração exclusiva por pessoas do mesmo sexo”.

A jornalista e escritora Ann Friedman escreveu um post no blog da New York Magazine prevendo que a bissexualidade masculina se tornará mais visível à medida que os papeis de gênero evoluem. “As definições tradicionais de masculinidade – que tendem a andar de mãos dadas com a homofobia – estão passando por um verdadeiro terremoto. Mais homens héteros estão admitindo hesitantes que se excitam com certos atos sexuais associados aos gays.'', disse ela.

Penso que as pessoas que descobrem que o parceiro é bissexual, antes de tudo, devem avaliar a própria relação afetiva e sexual do casal, sem se deixar contaminar por moralismos e preconceitos. E mais um detalhe fundamental: jamais fazer sexo sem camisinha.