Regina Navarro

“O casamento está em crise por causa do ciúme da minha esposa” O que fazer?
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Regina Navarro Lins

“Atualmente vivo uma crise no casamento devido aos ciúmes e muitas desconfianças da minha esposa. Embora eu tenha errado no passado (há três anos), depois desse fato tenho sempre andado super na linha. Mesmo assim há muita desconfiança e essa situação me desagrada; fica aquela sensação de que estou fazendo o melhor de mim e não sou reconhecido por isso. Sei que faço apenas minha obrigação, mas essa não é a verdade na vida da maioria dos homens. O fato é que a crise no casamento tem me feito olhar as mulheres de forma diferente. Isso me preocupa tendo em vista que, quando eu era solteiro, o prazer de flertar e conquistar as mulheres era tão bom quanto levá-las pra cama. Minha dúvida é se meu casamento vai resistir a essa vontade intensa de voltar a ser um conquistador. O que fazer?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Sedução e conquista
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que responderam à enquete já mentiu para conquistar alguém. Não é novidade que na fase de conhecimento as duas pessoas tentem mostrar o melhor de si, seus aspectos mais atraentes. E para ajudar na conquista não são poucos os que recorrem a algumas mentiras.

No século 18, o sedutor profissional concebia planos, fingia emoções e desempenhava o seu papel com habilidade e dedicação, mas havia grande preocupação em ocultar os verdadeiros sentimentos. A prática de conquistar mulheres acompanha os últimos cinco mil anos da história da humanidade.

Alguns conquistadores atravessam os tempos, como Casanova e Don Juan, que nomearam conquistadores futuros. No século 21, eles continuam atuando, usando as mais variadas estratégias. Entretanto, “o maior erro que podemos cometer é pensar que o outro nos seduziu: eu fui seduzido pelas minhas próprias imagens, que o outro foi apenas capaz de evocar”, afirma o psicólogo italiano Aldo Carotenuto.

O mito de Don Juan e a vida de Casanova identificam pessoas que se dedicam a manter o maior número possível de conquistas. As motivações variam de personagem e de época. As interpretações vão desde a vaidade e o colecionismo até problemas emocionais.

Casanova oscilou todo o tempo entre se tornar um cidadão respeitável ou se aprofundar na libertinagem. A avaliação que faz após uma conquista demonstra esse espírito: “Resolvi-me a fazer a felicidade de Cristina sem, no entanto, casar-me com ela. Tinha me vindo a ideia de desposá-la, quando a amava mais do que a mim próprio, mas após a satisfação do desejo a balança se inclinara a meu favor e meu amor próprio se tornara maior do que tudo”.

Casanova via o mundo como um parque de diversões onde o prazer está disponível: “O amor deve ser encarado como matéria de fantasia, adaptando-se às circunstancias e prestando-se de bom grado às combinações do acaso”. Ou ainda: “Ninguém ignora que o amor, encorajado por tudo quanto o possa excitar, não se detém senão quando já satisfeito, e cada favor obtido nos impele a outro maior”. Ele tinha mais prazer na sedução do que no próprio ato amoroso. A conquista para o sedutor se torna espécie de jogo.

A principal oposição ao conquistador foi a demonização empreendida pela religião ao sexo pelo sexo. Mas deve ser considerada a posição subalterna da mulher até recentemente, e o seu valor como patrimônio. O conquistador, nesse conceito, seria um abastado possuidor de bens vivos, como qualquer outro acumulador de riquezas. Contudo, o movimento feminista e a liberação sexual tornaram os esses conquistadores anacrônicos. A ideia de machos colecionarem conquistas entrou em declínio.


Amor entre elas
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso do internauta que ouviu da esposa que ela está tendo um caso com uma mulher. Diz amá-la e não querer perdê-la.

O homem, como o internauta em questão, que se vê ameaçado de perder a parceira para outra mulher talvez alimente um sentimento dúbio. Por um lado, ser derrotado amorosamente por outro homem pode ser a opção pior, mas é preterido por alguém que sequer tem um pênis para oferecer causa perplexidade.

As pessoas reagem melhor à homossexualidade feminina e é comum homens declararem que sua fantasia erótica é assistir a duas mulheres fazendo sexo. Talvez por imaginarem que, não tendo o pênis, vão precisar dele e solicitar sua ajuda em algum momento.

Socialmente existe maior liberdade para o toque, os beijos e as manifestações de carinho de umas pelas outras. A relação amorosa entre elas é menos evidente e é mais fácil dissimular sua verdadeira orientação sexual.

As mais antigas referências e a própria definição das adeptas por essa forma de amar remetem a um lugar e uma figura histórica: a poeta Safo e a ilha de Lesbos, no século VII a.C. Ela escrevia poemas fortes para as mulheres que amou, que até hoje nos tocam, como nessa passagem: “O suor escorre por meu corpo, um tremor se apodera/De todos os meus membros, e, mais pálida do que a grama de outono/Tomada pela angústia da morte que ameaça, eu desmaio/ Perdida no transe do amor.”

Safo encantou mulheres e o lugar onde viveu, a ilha de Lesbos, passou a designar a mulher homossexual, ou seja, lésbica. Mas é importante lembrar que as mulheres daqueles dias longínquos na Grécia e arredores viviam esquecidas por seus homens. Os maridos preferiam a companhia dos rapazes e das cortesãs enquanto as esposas cuidavam da casa e dos filhos.

Atualmente, observamos que a relação amorosa entre duas mulheres se torna cada vez mais comum. Aí vem a pergunta: Seríamos todos bissexuais dependendo apenas da permissividade da cultura em que vivemos?

O pesquisador americano Alfred Kinsey desenvolveu, em 1948, a famosa escala Kinsey para medir a homo, a hétero e a bissexualidade. Entrevistando doze mil homens e oito mil mulheres, elaborou uma classificação da sexualidade de zero a seis:

(0)Exclusivamente heterossexual.
(1)Predominantemente heterossexual, apenas incidentalmente homossexual.
(2)Predominantemente heterossexual, mais do que eventualmente homossexual.
(3)Igualmente heterossexual e homossexual.
(4)Predominantemente homossexual, mais do que eventualmente heterossexual.
(5)Predominantemente homossexual, apenas incidentalmente heterossexual
(6)Exclusivamente homossexual.

Em 1975, a famosa antropóloga Margareth Mead declarou: “Acho que chegou o tempo em que devemos reconhecer a bissexualidade como uma forma normal de comportamento humano. É importante mudar atitudes tradicionais em relação à homossexualidade, mas realmente não deveremos conseguir retirar a carapaça de nossas crenças culturais sobre escolha sexual se não admitirmos a capacidade bem documentada (atestada no correr dos tempos) de o ser humano amar pessoas de ambos os sexos.”


“Minha esposa está tendo um caso com uma mulher. Não quero perdê-la !”
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Regina Navarro Lins

“Sou casado há nove anos, eu e minha mulher temos dois filhos e sempre vivemos em harmonia e felizes. De uns tempos para cá notei uma certa frieza dela. Questionada ela me disse que estava tendo um caso e que queria dar um tempo. Minha reação foi de revolta, que aumentou ainda mais quando descobri que a pessoa com quem ela está tendo um caso trata-se de uma mulher. Não consigo entender como o sexo com outra mulher pode satisfazê-la. Eu a amo e não quero perdê-la, muito menos para uma mulher. O que faço?”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Sexo pelo prazer
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que responderam à enquete já se relacionou com alguém que só desejava sexo.

Já ouvi muitas mulheres se queixando: “Os homens estão sempre querendo sexo!” Alguém acha carinho ruim? Há quem admita não gostar de prazer? Se a resposta é não, por que o sexo, que é constituído basicamente de prazer, deve ser reprimido? É claro que havendo amor é melhor. Tudo é melhor com amor. Mas isso não significa que o sexo pode ser ótimo, mesmo sem amor.

Vejamos algumas opiniões:

“O sexo é reprimidíssimo, por ser uma coisa muito libertária. As religiões e os poderosos acham que sem reprimir o sexo não há possibilidade de domínio político ou social.”, diz Lula Vieira, publicitário.

“Acho inacreditável que, no século 21, essa maravilhosa fonte de prazer – que a Natureza nos deu graciosamente – ainda esteja ligada a preconceitos e à ideia de pecado, causando tanta culpa, solidão e sofrimento desnecessário ao ser humano”, acrescenta escritor Francisco Azevedo.

“A liberdade sexual é falsa. As pessoas não falam abertamente sobre sexo. Podem até falar que transam, mas falar sobre a própria sexualidade abertamente, com tranquilidade, se expor, se colocar…Falar das coisas boas, dos êxtases, das coisas difíceis, é raro”, conclui Fernanda Borges, professora de Filosofia.

Além do que pensa outra pessoa sobre a questão, cada um de nós sabe, intimamente, que sexo é maravilhoso. Mas apesar disso o sexo é ainda tão reprimido, tão cheio de tabus e preconceitos, que ninguém tem muita clareza do que realmente gosta ou deseja.

Quantas vezes você ouviu uma amiga afirmar, após ter ficado de carícias e beijos, que não foi a um motel com um homem porque não sentiu vontade? Ou um amigo dizer que não está a fim de sair com determinada mulher, quando no fundo o medo é de falhar?

Uma das razões principais para esse exílio da libido é que as crianças aprendem a associar sexo a algo sujo, perigoso. Vive-se como se não existisse sexo, como se ele fosse um dragão que está à nossa espreita e não devêssemos sequer pensar em sua existência.

Assim a repressão sexual vai se instalando e condiciona o surgimento de valores e regras para controlar o exercício da sexualidade. A explicação mais verossímil para essa repressão é que, quanto mais se vai ampliando e aprofundando a vida sexual, vivemos com mais coragem, vontade e decisão. Transgredir e contestar as regras impostas pode, portanto, tornar as pessoas “perigosas”.

Wilhelm Reich (1897-1957), médico, psicanalista, ex-colaborador de Sigmund Freud, afirma que a repressão sexual da criança torna-a apreensiva, tímida, obediente, “simpática” e “bem comportada”, produzindo indivíduos submissos, com medo da autoridade.

A observação de Reich conclui que o objetivo da repressão sexual é a fabricação de indivíduos adaptados à sociedade autoritária, que temem a liberdade, apesar de todo o sofrimento e humilhação de que são vítimas. Talvez isso explique por que muitas pessoas preferem tomar tantos ansiolíticos e antidepressivos ao invés de ousar pensar e viver de forma diferente.

A ansiedade provocada pela repressão sexual pode levar a um bloqueio emocional e a vários tipos de disfunção, como impotência, ejaculação precoce, ausência de desejo e de orgasmo, sem falar nos casos mais graves de enfermidades psíquicas. Sexo bem feito é bom e precisa ser vivido de forma livre de preconceitos.


Desafio dos desejos
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso do internauta que vive super bem com a esposa, mas sabe que ela deseja muito transar com um grande amigo deles. Muitas vezes até transam fantasiando que o amigo está junto e é, segundo ele, sensacional. Sua vontade é incentivá-la para que isso aconteça na realidade, mas está na dúvida se é a melhor atitude a tomar.

O dilema que o internauta afirma viver quanto à sua fantasia de trazer um amigo comum para a intimidade do lar não é extraordinário e visita a imaginação de muitos casais. O sexo entre pessoas é alimentado pela cultura do entorno no casamento e remete a desafios que precisam ser enfrentados.

Quase todas as pessoas têm fantasias sexuais. Existem as que não sentem muito prazer, e até mesmo são incapazes de atingir o orgasmo, sem recorrer a elas. Com as fantasias a vida sexual ganha uma diversidade que seria impossível no cotidiano.

Por mais que exista grande atração entre um casal, a excitação não se dá sempre da mesma forma, tem altos e baixos. Lançar mão desse recurso funciona, muitas vezes, como estimulante para se recuperar a intensidade do desejo. E a variedade é grande: cenas, lugares, pessoas, podendo ser, em alguns casos, sobre um parceiro mais desejável do que aquele com quem se está fazendo sexo.

As fantasias que envolvem uma ou mais pessoas além do casal rompem com a segurança que mantemos em nossas mentes, agregam outros riscos, o que não quer dizer que devam ser descartadas.

Alguns psicanalistas costumam usar a expressão “intraconjugal” para denominar as fantasias que são criadas em comum pelo casal, tornando ambos responsáveis pelos desdobramentos positivos ou não de seus atos.

O internauta teme ferir a normalidade e a correção por conta dos sonhos eróticos de sua mulher. Acredito, entretanto, que as fantasias assim como os sonhos, pertencem justamente a uma área de repouso da experiência humana, livre de explicações racionais. E muito mais prejudicial do que elas acontecerem na realidade é alimentar o sentimento de culpa que elas podem provocar.

Num estudo da universidade americana de Colúmbia, o psicanalista G. Fogel afirma que virtualmente todos têm fantasias sexuais aberrantes, embora nem sempre conscientes do fato. Ele também admite que elas são tão frequentes nas mulheres como nos homens.

A questão é que como ninguém tem coragem de contar suas fantasias, todos se assustam, pensando que são os únicos a tê-las. Quando o casal assume esse desejo envolvendo uma terceira pessoa, houve já um rompimento com a fantasia interiorizada. A realização do encontro imaginado pelos dois transforma a fantasia em fato real e, com certeza, eleva o sonho a outros níveis de prazer.

Somos assediados constantemente pelo sonho e pelo desejo, não só por via de nossa imaginação como pelas mídias. Se observarmos, com distanciamento, verificamos que a publicidade se baseia em grande parte em sonhos eróticos.

Produtos fazem a intermediação entre objetos sexuais humanos e o consumidor. Mas a própria narrativa dos filmes publicitários é baseada no sonho. Só a força do onírico conduz o homem comum ao volante do automóvel veloz onde o aguarda a modelo sorridente. Os sonhos fazem parte do cotidiano das pessoas, sejam de forma sublimada ou não.

As opções que um casal tem pela frente são de exclusiva responsabilidade deles e daqueles que com eles as constituírem. Os prazeres ou as dificuldades resultantes também lhes pertencerão.


“Sei que minha mulher deseja transar com um amigo nosso.” O que você faria?
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Regina Navarro Lins

“Vivo um dilema. Sou casado há dez anos e vivo super bem com minha esposa. Porém sei que ela deseja muito transar com um grande amigo nosso. Muitas vezes até transamos fantasiando que ele está junto e é sensacional, extremamente excitante. Ela vai à loucura e goza muito gostoso. Eu também adoro e gozo bastante! Porém não sei se isso é correto, se é normal esse desejo. Minha vontade é incentivá-la para que isso aconteça, pois ela confia muito em mim e se se sentir segurança tenho certeza de que transará com ele. Mas estou na duvida do que fazer. Gostaria de ouvir a opinião de vocês.”

Quando alguém se coloca em nosso lugar diante de um problema, contribui de alguma forma para decidirmos que atitude tomar. Diga o que faria se estivesse no lugar do outro: Se eu fosse você… No sábado, eu comento o tema.

Você também pode relatar um conflito amoroso e sexual que está vivendo. Escreva para blogdaregina@bol.com.br e conte sua história em até 12 linhas.


Expectativa frustrada
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Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

 

Comentando a Pergunta da Semana

Quase todas as pessoas que responderam à enquete já se decepcionaram numa relação em que alimentavam grandes expectativas. Os motivos são bem variados; alguns graves, outros nem tanto.

Além dos comentários dos internautas que podem ser lidos abaixo da enquete, aí vão três relatos que ouvi no consultório:

“Eu e meu marido somos muito bons na cama, sou uma pessoa que topa qualquer coisa. Tenho 38 anos e um casamento de 20. Mas de uns tempos para cá tenho percebido camisinha no carro, suas saídas sempre no mesmo horário, telefone que toca depois das 11h da noite. Tudo começou porque uma pessoa me disse que enquanto eu estava na academia me mantendo bonita para ele, ele passeava com outra. Tentei pegar, mas não consegui.”

“Eu namorava um rapaz há mais de três anos e resolvemos casar. Construímos casa, mas ele começou a se endividar e a se complicar com as dívidas. Marcamos casamento, entretanto faltando dois meses ele arrumou outra com grana para saldar suas dividas e se casou com ela, um ano depois, exatamente no mesmo dia em que iríamos casar.”

“Eu era apaixonada pelo meu médico. Na primeira chance que ele teve de me levar pra cama, tive uma decepção tripla: o pênis dele é muito pequeno, ele teve uma ejaculação precoce e, no segundo tempo, ele ainda conseguiu broxar… Estou mal, mas ao menos sei que o problema não é comigo.”

Desde muito cedo nos ensinaram que a realização afetiva só pode ser encontrada numa relação amorosa a dois, estável, fixa e duradoura. A busca da “pessoa certa”, aquela que vai nos completar, passa a ser constante e, em muitos casos, desesperada.

Essa ideia de que ninguém é inteiro, de que falta um pedaço em cada um de nós é comum, mas bastante limitadora. A complementação desejada não passa de uma ilusão, na verdade, ninguém completa ninguém.

Portanto, as frustrações daí decorrentes são muitas e desnecessárias. Nossas dificuldades e mesmo nosso sentimento de desamparo não podem ser resolvidos através do outro, e sim atenuados dentro de nós mesmos.

A fantasia do par amoroso, onde um é a única fonte de gratificação do outro, atenua por um tempo o temor do desamparo. Principalmente, porque é comum na fase de conhecimento as duas pessoas mostrarem o melhor de si, seus aspectos mais atraentes.

A questão é que na intimidade da convivência do dia-a-dia, enxerga-se a pessoa do jeito que ela é, percebendo assim aspectos que lhe desagradam. Não é possível continuar mantendo a idealização; você se dá conta então de que o outro não é a personificação de suas fantasias.

Mas para que essa situação seja mantida, são feitas inúmeras concessões. Há um acúmulo de frustrações que torna a relação sufocante. A consequência natural é o desencanto, muitas vezes com ressentimento, mágoa e a sensação de que foi enganado.