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"Na primeira vez, brochei. Ela aceitou tentar de novo e brochei outra vez"

Universa

08/06/2020 04h00

Ilustação: Caio Borges/UOL

"Sou advogado, 36 anos, separado, sem filhos. Consegui me aproximar de uma mulher maravilhosa, muito sensual, que faz muito sucesso entre os homens. Começamos a sair, e na primeira vez que fomos transar, brochei. Eu não sabia onde enfiar a cara! Parecia que tinha caído num abismo! Inventei uma história sobre um remédio que estava tomando. Não sei se ela acreditou, mas aceitou novamente transar comigo. Outra desgraça! Brochei de novo."

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A cultura ocidental, além de esperar que o homem seja forte, corajoso e tenha sucesso em tudo, associou a ideia de masculinidade a desempenho sexual. O homem presta muita atenção ao seu pênis; dedica-lhe mais afagos e zelo do que a qualquer outra parte do corpo. Protege-o acima de tudo. Além disso, é gratificante poder se orgulhar do próprio pênis: seu tamanho, forma e performance. Para ele, o pênis é de suprema importância. Nada que o afeta deixa de afetar o homem na mesma proporção, e vice-versa.

E quando a ereção não acontece ou não se mantém?  Para o psicanalista argentino J.C. Kusnetzoff  "nenhum homem pode se conceber como tal se a ereção falha. Quando isso acontece, ele não quer ser consolado; deseja desaparecer magicamente e voltar montado no pênis ereto, como cavaleiro ressuscitado do apocalipse vivido." Entretanto, a incapacidade de obter ereção ou manter o pênis rígido, para ser considerada impotência, deve ser um fato que se repete e não um episódio. As causas dessa disfunção podem ser orgânicas ou psicológicas, mas o medo e a vergonha de aceitá-la levam o homem a demorar em média quatro anos para buscar ajuda.

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O pavor de novo fracasso pode criar um círculo vicioso. Se um homem fica ansioso durante o ato sexual, são liberadas substâncias como a adrenalina, afetando o funcionamento do seu sistema nervoso autônomo. Isso leva à contração dos vasos sanguíneos, impedindo o fluxo de sangue para o pênis, o que torna difícil obter ou manter a ereção. A preocupação com o desempenho acaba, então, ocasionando a ausência de ereção.

 Grande parte dos casos de disfunção erétil deixará de existir quando o homem se libertar da obrigação de provar que é macho. Partir para o ato sexual apenas quando existir desejo real pela parceira e não se preocupar com a ereção são pré-requisitos fundamentais. Aí talvez seja possível experimentar o sexo com liberdade, simplesmente para obter e proporcionar prazer, longe de qualquer tipo de ansiedade.

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

Blog Regina Navarro