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Regina Navarro Lins

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Intimidade e privacidade: quando é hora de revelar seus segredos?

Universa

10/10/2019 04h00

Ilustração: Caio Borges/UOL

Geralmente, há pouca privacidade no início de um relacionamento porque estamos nos "abrindo" ao contato com outro para que ele também nos conheça. À medida que aumenta a intimidade, diminui a privacidade.

O filósofo francês Pascal Bruckner traz outra forma de privacidade numa relação. "São várias as possibilidades de vida a dois sem a obrigatoriedade do tempo integral. O luxo supremo é morar em apartamentos separados ou, pelo menos, poder dispor de quartos separados para evitar a confusão de intimidades. Pode-se manter uma distância respeitosa, pode-se amar e desejar alguém fora…"

A terapeuta familiar americana Kaethe Weingarten acredita que não se pode ver a intimidade como um traço estático de uma relação, e sim como uma qualidade interativa que ocorre em momentos isolados e existe dentro e fora de compromissos de longo prazo.

Ela dá exemplos variados: há a sincronização de parceiros de dança, a súbita identificação entre estranhos num avião, a solidariedade de testemunhas de uma catástrofe, o reconhecimento mútuo de sobreviventes — de câncer de mama, alcoolismo, terrorismo, divórcio.

Existe a intimidade entre profissionais e aqueles a quem eles servem — médico e paciente, terapeuta e cliente, stripper e frequentador. Podem ser intimidades circunstanciais e não ter continuidade.

Para o psicólogo italiano Willy Pasin a intimidade exige o abandono da couraça que protege o que temos de mais íntimo: quanto mais a intimidade é compartilhada, mais o outro tem livre trânsito para as nossas coisas mais secretas.

Mas só uma autoestima elevada leva a viver tal "despir-se" como oportunidade, e não como ameaça. Quem pensa que deve esconder as partes de si que considera inconfessáveis vive inevitavelmente a intimidade como se fosse um risco pessoal.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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