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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

Por que homofobia e machismo têm tudo a ver?

Universa

13/07/2019 04h00

Em Taiwan, centenas de casais gays comemoraram. Essa nação insular foi a primeira da Ásia a legalizar a união entre pessoas do mesmo sexo. Pesquisas indicam que só há pouco tempo a maioria da população passou a aprovar relacionamentos homossexuais. Em muitos outros países também são observadas atitudes mais liberais por parte da população.

Mas há países que vão na direção contrária. No final de maio deste ano, por exemplo, a Suprema Corte do Quênia confirmou uma lei que proíbe o sexo gay. Brunei, na Ásia, determinou que sexo entre homens deveria ser punido com morte por apedrejamento, embora tenha recuado da decisão. Em Gana, onde sexo gay pode ser punido com prisão, a aceitação da homossexualidade é rejeitada por uma maioria absoluta da população.

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A intolerância às diferenças tem uma longa história. Os reis Eduardo I da Inglaterra e Luís IX da França chegaram, inclusive, ao ponto de decretar a morte dos homossexuais na fogueira. E Afonso X de Castela determinou que eles deviam ser castrados e pendurados pelas pernas até morrer. Sendo assim, foram colocados no mesmo nível dos assassinos e traidores.

No século 19, a homossexualidade foi incorporada ao campo da medicina, passando a ser encarada pelos mais liberais como uma doença a ser tratada. Nos anos 1960 surge o movimento gay, disposto a mostrar que heterossexualidade não é a única forma de sexualidade normal e, em 1973, a Associação Médica Americana retira a homossexualidade da categoria de doença. Apesar disso a discriminação continua, sendo os gays hostilizados e agredidos. A homofobia deriva de um tipo de pensamento que equipara diferença a inferioridade. E quem são os homofóbicos?

Alguns estudos indicam que são pessoas conservadoras, rígidas, favoráveis à manutenção dos papéis sexuais tradicionais. Quando se considera, por exemplo, que um homem homossexual não é homem, fica clara a tentativa de preservação dos estereótipos masculinos e femininos, típicos das sociedades de dominação que temem a igualdade entre os sexos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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