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Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins

Maternidade e autoestima

Universa

2011-05-20T19:10:40

11/05/2019 10h40

Ilustração: Caio Borges

Num estudo com 410 mulheres —189 mães e 221 sem filhos — a conclusão foi: 35% das mães entrevistadas consideram sua autoestima acima da média, enquanto 21% das mulheres sem filhos pensam o mesmo. E mais: 12% das mães veem sua autoestima abaixo da média, ante as 22% sem filhos com a mesma opinião.

O condicionamento cultural é tão forte desde cedo, que chegamos à idade adulta sem saber o que realmente desejamos e o que aprendemos a desejar. Da mesma forma, a crença e os valores do grupo social em que se vive faz a pessoa se sentir valorizada, com autoestima elevada, se corresponde às expectativas sociais.

A ideia de vocação para a maternidade é bonita de se acreditar, mas tem pouco a ver com a realidade. Em todas as épocas e lugares, nos últimos cinco mil anos, foi comum o homem repudiar a mulher e se casar novamente. Para isso, não faltavam pretextos. Um dos mais convincentes era o não nascimento de um filho. Afinal, ele queria ter herdeiros, ou seja, mais braços para ajudá-lo no trabalho.

A forma como as mães se relacionavam com os filhos, nos séculos 17 e 18, deixa claro que não somente o desejo de ter filhos mas também o amor materno não são inerentes às mulheres. É um sentimento que pode ou não se desenvolver.

Naquele período, a amamentação passou a ser vista como ridícula e repugnante e não era considerado digno de uma mulher amamentar seu próprio filho. Só para se ter uma ideia, das 21 mil crianças nascidas em Paris, em 1780, menos de mil foram amamentadas pelas mães — e numa época em que não havia mamadeiras! Todas as outras foram morar com amas de leite, geralmente longe da família.

Apesar de ser difícil escapar dos modelos impostos, aumenta cada vez mais o número de mulheres que não desejam ter filhos. A rejeição aos modelos tradicionais de comportamento permite que se percebam com mais clareza os próprios desejos. Ter ou não ter filhos passa a ser uma opção individual, longe da cobrança de corresponder às expectativas criadas para a mulher. Sem que isso tenha alguma relação com a sua autoestima.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.