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Regina Navarro Lins

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As fantasias sexuais de cada um

Regina Navarro Lins

14/01/2014 07h00

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

As opiniões se dividiram entre quem respondeu à enquete da semana a respeito da vergonha que as fantasias sexuais podem provocar. Elas geram os mais estranhos comportamentos como, por exemplo, o que um documentarista flagrou em um clube de sadomasoquistas de Hamburgo, Alemanha.

Um homem de 50 anos estava ajoelhado, com uma corrente presa ao pescoço, algemas nos punhos, vestindo tanga de borracha lilás. O sujeito engatinhava. Ao ser questionado quem era e por que estava ali, ele respondeu que trabalhava como executivo numa grande empresa, decidia tudo, o tempo todo. Ali, ajoelhado e humilhado, sentia que equilibrava a sua condição.

A maioria das fantasias sexuais não é colocada em prática, mas é muito difícil encontrar alguém que não as tenha. A grande vantagem das fantasias é poder inventá-las da maneira que se quiser. Cada um é dono do seu próprio espetáculo: decide o elenco, o argumento, a direção, a edição, os ângulos de câmera e os efeitos especiais. Além disso, não há motivos para se preocupar com críticas negativas ou censura: você é a única pessoa que poderá ver as suas fantasias sexuais. Contudo, nem todos se sentem tranquilos dando asas livremente à imaginação. Muitos se envergonham de suas fantasias.

Pesquisas indicam que as fantasias geralmente envolvem parceiros conhecidos, um ex-amor ou o marido da vizinha, ou mesmo a balconista do mercado. Como as fantasias são geralmente associadas à ideia de desvio sexual, gerando forte sensação de inadequação, fantasiar o que não é aceito socialmente ameaça pelo temor de que acabe se tornando realidade.

As fantasias são tão frequentes nas mulheres como nos homens. A questão é que como ninguém tem coragem de contá-las, todos se assustam, pensando que são os únicos a tê-las. Algumas são bastante elaboradas. Um homem descreveu em detalhes a fantasia de ter múltiplas parceiras sempre que fazia sexo com a esposa. Ele imaginava que seis mulheres, uma das quais era sua mulher, estavam na cama com ele, imobilizando-o. Todas disputavam as várias partes do seu corpo, tentando cada uma proporciona-lhe mais prazer do que a outra.

Uma tímida e recatada secretária também descreveu a sua fantasia de sexo grupal com exibicionismo. Ela relata que se excita ao imaginar estar indo para o trabalho no metrô lotado e que de repente um homem atravessa a multidão e lhe arranca bruscamente a roupa e a amarra no banco, começando a fazer sexo oral com ela. Ele salta na estação seguinte e todos os que permanecem no metrô fazem o mesmo, enquanto ela vai tendo orgasmos consecutivos.

Geralmente as pessoas visualizam situações, que não gostariam de experimentar na vida real. Elas se prestam basicamente para elevar o nível de excitação. É provável que tais fantasias pertençam justamente a uma área de repouso da experiência humana, livre de explicações racionais. E, dependendo das fantasias, mais prejudicial do que elas acontecerem na realidade é o sentimento de culpa que provocam.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.