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Regina Navarro Lins

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Ciúme não é prova de amor!

Regina Navarro Lins

05/04/2013 13h20

Mulher espionando homem no banco da praça

Ilustração: Lumi Mae

Comentando o "Se eu fosse você"

A questão da semana é o caso da internauta que não controla o ciúme. A qualquer momento, inesperadamente, pode surgir o ciúme numa relação amorosa: na fase da conquista, no período da paixão, durante o namoro ou casamento e até mesmo depois de tudo terminado.

O psicólogo Gordon Clanton da Universidade Estadual de San Diego, Estados Unidos, define o ciúme como "um sentimento de desprazer que se expressa como um medo de perda do parceiro ou como desconforto por uma experiência real ou imaginada que o parceiro tenha tido com uma terceira pessoa."

O ciúme envolve uma espécie de ansiedade de abandono particularmente debilitadora. Para superar os crescentes sentimentos de impotência, o ciumento se esforça por sufocar o outro e manter-se por perto. Como a incerteza é intolerável para qualquer pessoa ciumenta, ela procura detalhes na vida do outro e, às vezes, vai ao extremo de espioná-lo.

Há pessoas que se sentem lisonjeadas com qualquer manifestação de ciúme do outro e alimentam essa atitude por confundi-la com prova de amor. É comum se acreditar que sem ciúme não existe amor. Essa é mais uma daquelas afirmações que as pessoas repetem, sem nem saber bem por quê. Mas qualquer atitude ciumenta é um desrespeito à liberdade do outro.

Os que defendem a existência do ciúme na vida a dois fazem ressalvas apenas quanto ao exagero e a comportamentos agressivos. Entretanto, independente da forma que se apresente – discreto ou exagerado –, o ciúme é sempre tirano e limitador. Não só para quem ele é dirigido, mas também para quem o sente.

O desrespeito que se observa numa cena de ciúme não se limita às agressões físicas ou verbais. Até uma cara emburrada durante um passeio, por exemplo, pode impedir que se viva com prazer. Não há nada mais sufocante do que a insegurança de alguém que aposta no controle do outro ao invés de lidar com suas próprias questões.

A questão do ciúme também está ligada à imagem que cada um faz de si. Quem tem a autoestima elevada e se considera interessante e com muitos atrativos não supõe que será trocado com facilidade. E se a relação terminar sabe que vai ficar triste e sentir saudade, mas também sabe que vai continuar vivendo sem desmoronar. Entretanto, o ciúme não está ligado ao tamanho da paixão, do amor ou do desejo. Ele pode se manifestar de forma intensa mesmo quando não se ama.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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