Regina Navarro Lins

Tocar, abraçar, acariciar é o que desejamos. Mas entre nós existe uma carência profunda disso

Regina Navarro Lins

04/03/2017 07h00

Ilustração: Lumi Mae

Comentando o “Se eu fosse você”

A questão da semana é o caso do internauta que nunca recebeu carinho do pai; não se lembra de um beijo ou de se sentar no seu colo. Ele está preocupado porque seu filho vai nascer e teme não saber se relacionar com o filho.

Tocar, abraçar, acariciar. É o que desejamos, mas entre nós existe uma carência profunda disso. E vem desde muito cedo.

“Meu marido sempre rejeitou chamegos; nunca foi de fazer carinho”;

“Desde pequena assisto com curiosidade a relação de alguns amigos com seus familiares: beijos e abraços. Lá em casa nunca houve isso”;

“Tenho certeza de que minha namorada me ama, só que ela detesta que eu a abrace e faça carinho”.

Em toda a minha vida profissional, ouvi muitos comentários como esses.

Estudos mostram que entre as causas menos conhecidas para o choro em bebês está a necessidade de serem acariciados.

Muitas mães rejeitam um contato mais prolongado com seus filhos com base na falsa suposição de que dessa forma eles se tornarão profundamente dependentes delas.

Não são poucos os pais que evitam beijar e abraçar os filhos homens, porque temem que assim se tornem homossexuais.

Mesmo dois grandes amigos se limitam a expressar afeto dando tapinhas nas costas um do outro, enquanto as amigas trocam beijinhos impessoais quando se encontram.

A pele, o maior órgão do corpo, até há pouco foi negligenciada.

Ashley Montagu, um especialista americano em fisiologia e anatomia humana, se dedicou, por várias décadas, ao estudo de como a experiência tátil, ou sua ausência, afeta o desenvolvimento do comportamento humano.

A linguagem dos sentidos, na qual podemos ser todos socializados, é capaz de ampliar nossa valorização do outro e do mundo em que vivemos, e de aprofundar nossa compreensão em relação a eles.

Tocar, que é o título de seu excelente livro, em que se baseia este artigo, é a principal dessas linguagens. Afinal, como ele diz, nosso corpo é o maior playground do universo, com mais de 600 mil pontos sensíveis na pele.

O sexo tem sido considerado a mais completa forma de toque. Em seu mais profundo sentido, o tato é a verdadeira linguagem do sexo.

É principalmente através da estimulação da pele que tanto o homem quanto a mulher chegam ao orgasmo, que será tanto melhor quanto mais amplo for o contexto pessoal e tátil.

Um ditado francês diz que uma relação sexual é a harmonia de duas almas e o contato de duas epidermes.

E por sermos criação contínua neurologicamente e podermos combinar nossa capacidade de movimento e contato com a nossa sensibilidade de pele, é possível ficar muito tempo acariciando alguém sem repetir nunca a mesma sensação.

Montagu acredita que a estimulação tátil é uma necessidade primária e universal. Ela deve ser satisfeita para que se desenvolva um ser humano saudável, capaz de amar, trabalhar, brincar e pensar de modo crítico e livre de preconceitos.

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda” e “O Livro do Amor”. Atende em consultório particular há 42 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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