Regina Navarro Lins

Sob a máscara de Carnaval

Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana não viveu um amor de Carnaval. Mas isso não é raro acontecer…nem que seja só por um dia.

“A gente sempre imagina que a melhor relação amorosa da vida vai ser com o grande amor. Comigo foi diferente. Eu estava numa banda em Ipanema, fantasiada de bruxa, com uma máscara preta que me cobria o rosto. Dançava alegre quando um cara também mascarado passou a mão na minha cintura. Logo depois nos beijamos. Resultado: acabamos num motel. Transamos sem tirar as máscaras, e tive os melhores orgasmos da minha vida. Quando saímos, ele foi para um lado e eu para o outro. Não sei seu nome e nunca mais o vi. Mas jamais o esquecerei…”, este é o relato de Paula, 32 anos.

Muitos se chocam com o relato dessa experiência. Entretanto, amor e sexo são impulsos totalmente independentes e pode haver prazer sexual pleno desvinculado das aspirações românticas. Mas muitas longas histórias de amor iniciam durante o Carnaval.

O site de relacionamento Par Perfeito (www.parperfeito.com.br) realizou pesquisa com 633 foliões e questionou se eles e elas acham possível ou não levar um relacionamento adiante com alguém que conheceu durante a folia.

As mulheres de praticamente todas as idades, exceto as que estão acima dos 50 anos, foram unânimes em dizer que sim! E os homens (de todas as faixas etárias) concordam com elas e também se dizem dispostos a engatar um relacionamento com alguém que conheceram durante a folia.

No Carnaval, é impossível não perceber a sensualidade solta e a excitação brilhando no olhar das pessoas. Desejo de beijar, de fazer sexo, mas com muita urgência; afinal, o tempo é limitado.

O sexo entre mascarados, como no relato da internauta, é uma história antiga. Nas primeiras décadas do século 18, ou seja, há 300 anos, surgiu em Londres o baile de máscaras como uma forma de diversão pública urbana.

A sua verdadeira atração estava no clima heterogêneo e carnavalesco. Atraía igualmente a todos os níveis sociais e permitia que as classes mais baixas e as mais altas se misturassem.

Para quem desejava se divertir com segurança, um baile de máscaras era o lugar indicado. Disfarçando sua identidade, os participantes adotavam comportamento bem diferente de qualquer outro acontecimento social.

Cochichos, observações sugestivas, apertos, beijos e bolinagem constituíam a norma. Os tímidos tornavam-se mais audaciosos; os frios, acalorados.

Havia quartos nos quais homens e mulheres podiam transar com uma pessoa mascarada, sem saber quem era.

Os observadores do século 18 concordam que os bailes de máscaras eram mesmo um “País de Liberdade”, um reino em que era fácil ter ligações transgressoras, exatamente porque todos podiam permanecer anônimos.

Hoje, o Carnaval parece também funcionar como um período em que homens e mulheres dão uma trégua à censura que se impõem durante o ano.

Há mais coragem para experimentar o sexo casual, sem nenhum compromisso. Mas há algo que não pode ser esquecido: a camisinha.

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda” e “O Livro do Amor”. Atende em consultório particular há 42 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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