Regina Navarro Lins

Quando o ciúme do passado destrói o casamento

Regina Navarro Lins

11/02/2017 07h00

Ilustração: Lumi Mae

Ilustração: Lumi Mae

Comentando o “Se eu fosse você”

A questão da semana é o caso da internauta, casada há quatro anos, que tinha um ótimo relacionamento com o marido. Mas ele, mexendo nos e-mails da esposa, descobriu mensagem de um ex-namorado dela, quando ainda nem a conhecia, relatando momentos íntimos vividos juntos. Ele a chamou de promíscua e disse não admitir isso da futura mãe dos seus filhos. A partir de então, ela tem que ser submissa e sempre contida no sexo. Já conversou com ele, mas não adiante. A internauta não sabe mais o que fazer.

A sombra do passado sobre a internauta, que enviou seu relato, embora seja e absurda, possui várias origens identificáveis.

A constatação da intimidade da esposa com outro homem no passado é transformada num grande problema. Podemos inicialmente identificar a antiga questão homem/mulher na nossa cultura.

O passado da esposa a torna, inconscientemente, numa mercadoria de “segunda mão”. Alguém antes, um outro homem, a possuiu como desejou. O suposto “sumo original” se foi para outra pessoa. É incompreensível, mas pode ser um dos alicerces do drama que o casal vive.

Outros motivos também podem ter gerado a situação. Alguém que se relacionou no passado com a pessoa com quem se vive hoje é uma terceira pessoa.

O psicólogo Roberto Rosas, da SBPA (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica), em matéria para o Uol, diz que a autoestima daqueles que ficam fixados em um terceiro “componente” depende do olhar dos parceiros.

“Ao mesmo tempo que buscam se comparar com essa terceira pessoa, sentem medo de sair perdendo na avaliação”, diz.

Ainda de acordo com Rosas, não é raro que essa pessoa “de fora” passe a ter papel de protagonista na história do casal, já que tudo é conversado, feito ou decidido em função de sua lembrança.

Num caso desses, o ciumento pode ficar ameaçado pelo fato de “outro”, perdido no passado, ainda se encontrar presente na memória da parceira, em carinhos que ele, na atualidade, não consegue avaliar.

Se para a mulher a infidelidade emocional é mais perturbadora, para o homem a perspectiva da infidelidade sexual é muito mais angustiante.

“A maioria das mulheres descobre que um lapso singular na fidelidade sem envolvimento emocional é mais fácil de perdoar do que o pesadelo de outra mulher capturando a ternura, o tempo e a afeição de seu parceiro.”, informa o psicólogo americano David Buss.

A expressão “monstro dos olhos verdes”, para falar do ciúme amoroso, remonta a Shakespeare, no Ato III, do seu Otelo, em que este, transtornado pelo ciúme, mata sua inocente esposa Desdêmona.

Ciúme é basicamente isso: sofrer por uma situação hipotética, na qual o ciumento faz interpretações, muitas vezes equivocadas, dos sinais que percebe.

Acredito que, para uma relação ser realmente satisfatória, não deve haver controle, ciúme, posse, ou dependência de qualquer tipo.

Os dois só mantêm a relação porque se amam e sentem muito prazer quando estão juntos. O que se privilegia é o momento do encontro, que pode ser intenso e profundo.

Sobre a autora

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda” e “O Livro do Amor”. Atende em consultório particular há 42 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Sobre o blog

A proposta deste espaço interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.

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